Notas iniciais
Sei que eu tenho um historico péssimo para postar Fics "a famosa maldição do 3. Capitulo, vou dar meu máximo.

“Que demônio benévolo é esse que me deixou assim envolto em mistério, em silêncio, em paz e perfumes?”

A pequena turbulência no carro estava me dando enjoo, pelo barulho do vento entrando pela pequena abertura da janela era fácil deduzir que estávamos dirigindo a mais de 120km e com isso trazia o vento frio para dentro do automóvel o que basicamente me obrigava a livrar-me do cinto de segurança e deitar de lado embrulhado em um cobertor. La fora, do outro lado do vidro, a paisagem dançava entre verde e amarelo escuro, o céu estava cinza e azul pesado, como se ele fosse desabar a qualquer momento e aquilo era fascinante. Claro que comparado com o clima aqui dentro , la fora parecia um fim de semana em Dubai. Meus pais tinham acabado de perder um filho. Mais que isso, eles perderam uma grossa corrente de aço que junto com outras cordas finas de algodão os seguravam de pe no mundo. Não conseguia imaginar a dor que eles estavam sentindo. Ja fazia quase 3 dias que George tinha falecido mas como ele morava com nossos tios em uma fazenda do outro lado do pais meus pais receberam a noticia como uma flecha banhada com veneno atravessando seu peito.
– Você esta confortável querido? nos podemos parar em um posto de gasolina se você quiser. – uma voz doce vinha do banco de carona, minha mae estava abatida, com olhos fundos e a pele amarela falava com tanto cuidado como se a qualquer momento as portas do carro fossem se abrir e algo fosse me engolir para dentro da terra para sempre.
– A culpa e toda minha, eu adiei nossas ferias, se nos tivéssemos ido visita-lo como planejado. talvez. nos os veríamos uma ultima vez Mark. Eu botei meus clientes na frente do nosso filho, que tipo de mãe faz algo assim? – desabafa ela com meu pai.
– Claro que não querida, foi uma fatalidade, não tem como você ter previsto algo assim. – Meu pais era um casal de advogados, o melhor par de advogados que conheço. Mesmo eu não tendo vivido mais que idiotas 17 anos para conhecer outro par de advogados tao bem quanto eu conhecia meus pais. Ela era forte e rápida com as palavras assim como domador esta seguro de si para domar um leão, ele era ágil e flexível como um acrobata de circo. Ela atacava ele defendia. Lutar contra um deles perante um juiz era como jogar tênis com uma maquina que ao invés de se sentir abalada pela tensão do tribunal, ela se alimentava e se inspirava daquilo.

Meu irmão vivia com os Tios a quase 11 anos, 3 anos mais jovem que eu. Nos conheciamos tão bem quanto dois primos distantes. Meus pais eram jovens e passavam por uma crise no casamento assim como uma crise financeira. Decidiram deixar o pequeno George com a Tia Materna pois era mais fácil viver sem os dois pais que ter que escolher um deles. Eles continuaram comigo porque assim como meus dentes permanentes ja criavam raízes na minha boca, meus pés ja tinha raízes naquela cidade, eu não deixaria minha escola e vizinhança para ir morar em uma planície de grama com coco de vaca. Claro que meus pais nunca o deixaram de fato, mesmo ele optando por continuar na fazenda, talvez pelo mesmo motivo que eu continuava na cidade grande, eram mundos diferentes. Ele mesmo sendo o mais novo era esperto e ágil. Vivia em trilhas da mata e subindo em arvores, eu conhecias os becos do Subúrbio e qualquer festa que se possa imaginar. Eu conhecia todo mundo, menos meu irmão.

Descemos do Carro todos ao mesmo tempo assim q a fechadura automática nos liberou a comando de meu pai no volante. Sai olhando ao meu redor procurando alguma lembrança do lugar ja que meus pais costumavam vir aqui frequentemente, mas sozinhos. a ultima vez que estive aqui eu tinha 13 anos, era o aniversario de George e a fazenda estava tão movimentada, hoje alguns anos depois com certeza em 1/3 de toda aquelas pessoas estavam aqui para seu velório.
Era uma casa enorme, 3 andares, inúmeras janelas, arvores e grama para todo lado, caminhos de pedra ou terra levando para lugares onde meus olhos não chegavam e cercas por todo lado. Passamos pela porta sendo recebidos por abraços e mãos nos ombros, George não estava la, digo o corpo dele. Estavam o preparando para o dia de amanha. Ou melhor dizendo: estavam nos dando espaço para nos prepararmos para o dia de amanha, ninguém conseguiria dormir enquanto em um dos cômodos da casa deitasse o corpo frio e sem vida da criança mais alegre e cheia de vida da cidade. Como isso aconteceu? Ninguém sabe de verdade, ninguém viu. O garoto vou encontrado no meio do campo com o braço quebrado. O que levava a pensar que ele caiu do cavalo, morreu ali sozinho.

A família estava toda reunida na sala, relembrando os feitos e momentos que tiveram com o garoto, eu não tinha nada para compartilhar ali o que me fez sair do cômodo em silencio e me escorar na enorme porta dos fundo olhando para o céu cinza e azul pesado alarmando que iria chover. Acendi um cigarro e fui andando pelo campo para o vento não levar fumaça para dentro da cozinha. A fazenda era realmente enorme, pelo que me lembro um riacho cortava as terras do meu tio com a da fazenda vizinha a alguns quilômetros a frente, era possível ver de tudo; galinhas, vacas, porcos, arvores por todo lado, continuei andando a procura de algo mais interessante que porcos ou talvez ate um lugar mais reservado para se ficar sozinho. Alguns passos a frente avistei uma arvore, enorme e Majestosa como aquelas onde so existem em contos, tal grande e grossa que uma sociedade de seres imagináveis poderiam viver entre seus galhos sem nunca precisar descer no chão para nada. Um pouco mais a frente debaixo da arvore estava uma garota. Sentada no pequeno barranco de terra em cima da uma jaqueta jeans, ela vestia um vestido branco talvez feito a mão, botas de couro bem gastas e furadas e seu cabelo esta partido ao meio em duas trancas bem mal feitas. Sentei do seu lado mantendo uma certa distancia da loira, ela me olha tentando me reconhecer, eu evito olhar-la diretamente, ela junta os joelho e os braços e eu procuro as palavras certas para começar uma conversa, ela joga a mão em minha direção pedindo meu cigarro, estico a mão até alcança-la. Ela traga o cigarro de forma bem profunda e depois de alguns segundo solta a fumaça dos pulmões:
– Sabe qual o problema de vocês guris sujos da cidade grande? Vivem tão apertados, um em cima do outros em prédios de 20 andares, mas mesmo assim tão distantes. – disse ela, devolvendo o cigarro.
– Bem, não fui que morri sozinho no meio do mato. – disse com o mesmo tom que ela.
A Loira me olhou com os olhos cerrados como se fosse se transformar em onça e pula em cima de mim.
– Ele era meu irmão – soltei finalmente. – Meu nome é Marco Nordan.
– Prazer então, meu nome é Quenia – disse ela um pouco desconfiada.
– É um pouco irônico não? – ri do fato do nome dela ser um pais africano mas a garota em si era loira dos olhos cor de mel.
– Meus pais me adotaram depois da minha mãe morrer na fazendo ao lado. Quenia foi a terra de onde os primeiros humanos vieram, foi la que deus fez a vida. Então eles pensaram que nada mais justo esse ser meu nome. – ela chegou mais perto e vestiu a jaqueta jeans do chão pois aos poucos começava a chover.
– Voce conhecia ele? George. – perguntei.
– Mais do que você, com certeza – brincou ela libertando os cabelos das trancas e os escondendo dentro da jaqueta. – Ele era meu melhor amigo e… Nos tinhamos uma profunda conexão.
– Meu irmão namorava você? Garota quantos anos você tem? – disse sorrindo daquilo.
– Não! digo não era namoro, ele tinha 14 e eu 16. Ele era como um irmão pra mim. – confesso que me sentia mal toda vez que falavam de George e Irmão no mesmo contexto. Sentia que não cumpri com meu papel de irmão mais velho, eu sempre adiei o fato de finalmente conhecer-lo e agora estou aqui conversando sobre ele no passado com a garota que provavelmente o conhecia uma vida inteira. Pensei um pouco no que ela disse, sobre as pessoas da cidade viverem distantes umas das outras, e como eu me sentia deslocado de todos meus parentes juntos na mesa da sala abrindo seus sentimentos entre si. Eu era complemente diferente de George e não precisava ter o conhecido para dizer isso, ele morreu se aventurando em um cavalo. E minha única aventura era quando saia de noite com meus amigos atras de alguma forma ficar Chapado.
– O que você esta fazendo aqui sozinha mesmo? — perguntei Quenia, agora estávamos colados um no outro debaixo da enorme arvore dividindo um segundo cigarro enquanto a chuva caia bem forte la fora.
– E quase Abril, estou esperando as Margaridas.

Depois que a chuva passou me despedi de Quenia e voltei para a casa, a sala agora se encontrava vazia, todos estavam espalhados pela fazenda com sua devidas tarefas, meus pais podiam estar no quarto desfazendo as malas ou por ai sofrendo com lembranças e nostalgias do local. sentei no gelado sofá de couro e juntei minhas pernas me apertando para não sentir frio. Não tinha televisão ou computador a vista, talvez sim em algum dos quartos mas o enorme cômodo que eu estava não ia muito alem de um belo conjuntos de cadeiras em uma mesa de madeira, uma lareira apagada e vários quadros e pratos pintados na parede. Peguei um livros qualquer de uma das estantes e comecei a folhea-lo em busca de alguma frase sublinhada ou anotação de alguém o leu antes de mim, as paginas era velha e amarelas, me concentrei na minha procura ate que ouvi um rangido bem próximo, era minha avo sentada na poltrona de ferro e almofadas na frente da mesinha do outro lado do tapete, ela me olhava fixamente. A Senhora vestia um vestido e um curto cobertor por cimas das pernas , os cabelos amarados para atras e uma franja curta, ela era bem magra ao ponto de seus joelhos tocarem um no outro mas suas canelas era muito finas para se juntarem também, ela segurava uma xícara branca de chá e batia repentinamente o anel de ouro no dedo conta a fina porcelana.
– Tempo feio, não? – tentei puxar assunto com a velha que so movia os lábios em forma de um simples sorrisinho no fundo da boca. Ela continuava me encarando, tomou um gole do chá e voltou para a exata mesma posição que estava. – Ehm… Eu acho que vou procurar meu quarto, meus pais devem ter colocado minha mala por ai ou ja decidiram onde eu vou dormir, espero que la tenha uma vista legal. – continuei eu, me levantando da sofá agora não mais tão gelado.
– Me conte novidades sobre a cidade, sobre o mundo a fora. – disse ela finalmente.
– Bem eu não sei se a senhora iria gostar de saber o que esta acontecendo la fora, digo, aqui e tudo tão calmo, la de onde eu venho e cheio de pessoas ruins e guerras entre vizinhos.
– Talvez você, talvez vocês todos, estão simplesmente olhando constantemente para o lado errado. Nasceram perdidos e se acostumaram com esse sentimento ao ponto nem tentarem mais escapar.


Já era o começo da noite, estava no meu quarto arrumando as malas e espalhando meus pertencer pelo novo quarto, iríamos passar 3 meses ali então fiz questão de trazer o máximo que pude de tudo. Aos poucos eu começava a ficar sem espaço nas gavetas e prateleiras. Coloquei pequenas luzinhas na janela enroladas na cortina e montei um improvisado espaço para o violão, abri o MacBook em cima da cama deixei tocar Sufjan Stevens, as paredes e a portas eram grossas o bastante para segurar o som rouco e a musica extremamente calma em um volume um pouco alto. Deitei na capa do lado do Computador e fechei os olhos, não queria acreditar que estava ali, não queria acreditar que tinha que passar meus últimos meses de escola, longe da escola. Não que isso fosse de fato ruim mas era meu ultimo ano antes da faculdade e esses três meses seriam as maiores festas de veteranos, todos seus amigos estavam animados com a ideia das aulas finalmente estarem acabando enquanto eu terminei o ano letivo mais cedo por ter notas suficientes para fechas todas as matérias antes de julho. Como mais pais conseguiram todos os papeis e assinaturas necessárias para isso em apenas 3 dias? Como eu disse, eles eram advogados incriveis. Rolava pela cama imaginando o que seria de mim naquele lugar, o que eu iria fazer desconectado do mundo e sem nenhum amigo durante tanto tempo.
Ate que minha mãe abriu a porta, com o olhar ela pediu para abaixar a musica e sentou do meu lado, chegou perto de mim e sentou na ponta da cama.
– Eu sei que você não quer estar aqui, e me desculpe por termos te arrastado dessa forma, mas ele era seu irmão. — disse ela calmamente segurando minha mão.
Evitei olhar minha mãe nos olhos, eu me importava com o fato do caçula George ter subido para um lugar melhor, mas não tanto ao ponto de ficar 3 meses falando sobre ele como se ele fosse algum tipo de ganhador do prêmio Nobel. Ficamos em silencio por alguns segundos, acho que este seria o momento perfeito para eu disse algo para confortar-la, foi ai que eu percebi o qual egoísta eu estava sendo, ela encostou a cabeça no meu ombro e chorou em silencio, sem drama e sem falar uma palavra. Dois minutos de passaram e meu pai também entrou no quarto, estendeu a mão para minha mãe e a abraçou levando-a para fora. Eu deitei novamente na cama.
La fora ja estava bem escuro, escuro o bastante para não ser ver mais nada que não estivesse exatamente debaixo de um poste de luz. Tranquei a porta e fiquei olhando para o telefone procurando dentro da minha alma algum tipo de poder magico que me ajudasse a ter sinal de internet naquele fim de mundo. Era angustiante não ter o que fazer, não queria descer para a sala e me enturma com meus primos casados ou minhas tias sempre com as mesmas perguntas. Ate que alguém ouviu minhas preces. Foi um som rápido e baixo mas ligeiramente eu o captei como algum tipo de estralo, e então aconteceu de novo um pouco mais alto que a primeira vez. Procurei pelo Quarto se alguma frecha de madeira estava aberta ou se algum vento vinha da porta, então eu ouvi de novo, vinha da janela. Olhei para fora e não vi nada a não ser escuridão, ate que uma pedrinha voou em minha direção batendo no vidro da janela e me assustando, olhei de novo para o lado de fora e la estava a garota loira com olhos cor de mel, com uma mochila nas costas e uma mão cheia de pedrinhas ela jogava na minha janela tentando acertar minha atenção.
– O que você esta fazendo aqui?
– Estou ouvindo seu choro de longe, quer sair comigo e uns amigos meus?
– E fazer o que? corrida de porcos? brincar de desenhar sinais alienígenas nas plantações de milho por ai? – Perguntei sarcástico, nem um pouco amigável.
A loira fechou a cara da mesma forma que fez mais cedo, jogou as pedras no chão e fechou o zíper da jaqueta. – Olha vai se foder então, fica ai sozinho.
– Não ei, espera. Ta foda meu, eu saio então. – Disse pegando a jaqueta no armário e descendo as escada – Vou andar por ai para tomar um ar. – Disse a aqueles que estavam sentados na sala, meus pais não estavam la. Desci para os fundos da grande casa e la estava ela junto a um garoto usando um casaco pesado que mais parecia uma capa de chuva. Estendi a mão ao menino e ele se apresentou como Jonas, descemos os três em uma estrada de chão escura iluminada pela lua, Quenia cantarolava uma musica qualquer enquanto Jonas andava devagar quase ficando para trás em alguns momentos, a única luz que tinhamos era quando ocasionalmente um de nos acendíamos um cigarro. Evitei perguntar para onde estávamos indo pois não queria passar a impressão que estava inseguro ou com medo, o que eu não estava, estava curioso, estava entediado e com um pouco de frio, mas não com medo. Paramos assim que chegamos a uma estrada larga de asfalto, provavelmente uma das rodovias que cortava uma cidade da outra.
– Estamos esperando alguém? ou alguma coisa. – Disse me sentando com eles dois no banco estrategicamente localizado entre o nada e a porra nenhuma, ele balançava e rangia um pouco e provavelmente ja de ter sobrevivido muitos anos ali parado.
– Estamos esperando um conhecido meu. – disse Quenia.
Ficamos la sentados em silencio por longos 6 minutos se interagir de maneira alguma um com outro, ate que finalmente um carro foi avistado de longe correndo pela longa estrada sem fim e nem começo. Ele andava rápido e os faróis queimavam bem alto nos deixando quase cegos, ele parou alguns metros depois do banco com uma freada forte e de uma vez. A loira corre para a porta e a abre entrando para o banco dos fundos. Me aproximo do carro e vejo que sou obrigado a sentar no banco de carona na frente ou me apertar la atras com Jonas e Quenia. Me sento fecho a porta e sem sucesso tento encontrar o cinto. O carro era bem antigo com bancos de couro e a tinta de dentro descascando aos poucos. O motorista olha para mim e solta um sorriso bobo. – Então quer disser que você e o irmão do nosso tao querido George.

Notas finais
Ja comecei a escrever o segundo capitulo, espero que tenham gostado.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.