You Found Me
1 One
Notas iniciais
Ae, ae, ae, cambada, mais uma fic da tia linda Way (:
Tia Way tirou férias de uma semana em uma ilha paradisíaca e me deixou em cargo de postar ~morram de inveja~
Enfim, não vou tomar o tempo de vocês ~aqui em cima~, se matem de amores nesse primeiro cap e aguardem ansiosamente pelas atualizações de tia Way via eu, q.
“Eu te amo”. O quanto estas míseras e tolas palavras podem lhe ferir? Não, não digo ferir seu fraco ego, tampouco destroçar seu maldito coração. Digo em lhe desfigurar as faces, torcer seus membros e abrir algumas veias, retalhar sua pele e lhe fazer implorar para morrer de tanta dor.
Droga de sentimento.
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— Por favor, não ria disso... — implorei-lhe com um suspiro fraco de desconforto. Aquela coisa estava tão impregnada a mim que começava a ser associada com uma casca. Sim, sou uma droga de uma tartaruga.
— Fala logo — disse ele rispidamente enquanto dava um novo trago no cigarro, torcendo o nariz. Jogou o restante fora, observando a guimba queimar e logo apagar-se quando tocou o asfalto molhado pela chuva torrencial de alguns momentos mais cedo.
Ele fazia aquilo para irritar os pais. Um perfeito filho da puta. Ah, sim, e também muito mimado.
— Você tem que aprender a fingir — murmurei cruzando os braços e dando de ombros.
— Era isso que você queria dizer?
— Não — rosnei.
— Fala, caralho! — bradou.
— Eu te amo! — fechei os olhos e gritei, apenas ouvindo o eco da rua praticamente deserta, se não fosse por nós ali ainda parados de pé, um ao lado do outro.
Prendi a respiração por algum motivo idiota, talvez querendo ouvir a respiração dele, sentir qualquer coisa vinda dele.
Abri os olhos e expirei, deixando com que os ombros caíssem e minhas forças se fossem. Foi a pior ideia de toda minha vida, admito, e faria de tudo para voltar atrás.
Um riso baixo surgiu de repente e senti um frio percorrer meu corpo. Geralmente sinto quando algo de ruim vai acontecer. Não costumo errar.
Então por que fiquei ali?
Uma de minhas principais características é que adoro ficar para ver no que vai dar, e é geralmente por isso que me fodo ainda mais.
Ele me encarava com aqueles olhos cor de mel pelos quais um dia já fui apaixonado, provavelmente tentando me seduzir. Conhecia cada uma de suas técnicas de sedução muito bem para saber quais estava usando e como.
— Eu também te amo.
Naquela noite, ele me deixou feliz. Nem sequer cogitei o pensamento de que aquela sensação ilusória de felicidade pudesse ser mentira; não poderia ser, eu estava satisfeito demais, leve demais. Meus lábios pareciam não querer parar de ostentar aquele sorriso idiota que rasgou no momento em que ele falou que também me amava. Meu corpo parecia entorpecido e não sentia minhas pernas, meus joelhos tremiam e minhas mãos suavam. Aquilo tudo não era natural, havia algo errado.
Eu só não sabia o quanto.
Naquela noite, dormi feliz. Não, não dormi. Passei a noite em claro, os pensamentos soltos e disparados na mente em claro há tanto tempo. Parecia entorpecido por alguma droga, algo estava quente por dentro. Sentia meu coração bater; sim, o sentia muito bem e aquilo começou a me assustar por volta das três horas da manhã, quando ele respondeu minha SMS dizendo que não conseguia dormir porque não o tirava da cabeça. Ele respondera-me que também não conseguia me esquecer.
Aquilo, então, era o amor?
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A vida para quem estuda é um verdadeiro inferno por todos os motivos, obvios ou não, inimagináveis ou não. Enfim, você não vê a hora para acabar e inventa mil e uma mentiras para não ter que ir às aulas. Comigo nunca foi diferente, ainda mais porque acho que está escrito “gay” na minha testa. Sempre me achei o ser mais transparente do mundo e não é para menos.
Ele estava estranho comigo o dia inteiro. Tudo bem que era quase final do ano letivo e nossa formatura seria em breve. Aquilo não me exaltava nem um pouco, para ser sincero. E nem Collin, de fato. Entretanto, ele passou o dia ignorando-me.
Todo aquele torpor e felicidade da noite passada se esvaíram aos poucos com aquele tratamento frio e, quando cheguei em casa, fui arrancado da melancolia com uma mensagem dele. “Quero te ver”, era só o que dizia.
Apesar de tudo, gosto de um pouco de emoção e sentimentos. A vida que escolhi não é uma das mais fáceis e seria bom se tivesse um pouco de calor para me reconfortar nos momentos de recriminação e tudo mais.
Uma hora se passou e decidi ver o que ele queria. Respondeu-me que eu deveria encontrá-lo no mesmo lugar da noite passada.
Sem a mínima vontade de encontrá-lo, tardei aquilo ao máximo que pude. Não, não estava nem um pouco arrependido — ainda — de ter me confessado. Só queria reorganizar os pensamentos. Muitas vezes pensei ter amado alguém, mas era somente o frenesi do momento e passava em pouco tempo. E se pensei errado? E se foi só mais um engano?
— O que há? — perguntou-me quando finalmente cheguei. Não estávamos sozinhos, tive o desprazer em notar.
— Você disse que queria falar comigo, então seria melhor se eu lhe perguntasse isso.
— Collin, vai dizer ou nós temos que falar? — o garoto disse.
Na verdade, não conhecia nenhum deles, seja por vista ou não. Collin nunca nos apresentara, mas aquilo não fazia muita diferença.
Collin nada disse, deixando o silêncio estranho imperar ali.
— Hey — chamei-o e obtive como resposta seu olhar frio e distante.
— Collin nos disse o que houve na noite passada — o mesmo garoto retomou, vendo que ninguém falaria nada mais.
— E o que você tem a ver com isso?
— O problema não é comigo, e sim com nós.
Revirei os olhos e tive a melhor ideia de toda minha vida: sair dali o quanto antes.
Dei de ombros e já estava pronto para deixá-los sozinhos quanto senti um puxão forte em meus cabelos. Foi naquele mesmo segundo que me arrependi do comprimento deles.
Ao olhar para trás, sentindo as lágrimas de dor, constatei um dos outros garotos, aparentemente o maior e mais velho dentre os seis, agarrava boa parte das mechas e me mantinha ali. Seu rosto não demonstrava outra coisa se não um ar pesado e rude. Seus olhos pareciam inflamar e temi novamente que alguma coisa pudesse acontecer.
— Solte — rosnei com os dentes trincados, fincando as unhas nos antebraços dele. Aquilo, no entanto, pareceu não surtir efeito algum. Na verdade, era como se eu não tivesse feito e nem dito nada.
— Explique logo, John. Estou cansado e quero ir embora — Collin finalmente disse alguma coisa, mas sua voz parecia entediada.
Só o que meus pensamentos conseguiam indicar era que tinha algo de errado ali. Primeiro porque Collin não estava fazendo nada para me ajudar e nem parecia estar preocupado comigo. Geralmente, junto com o amor, vem o sentimento de proteção e aquilo não estava acontecendo naquele momento.
— Acontece que Collin nos pediu para dar um jeito em você. Entenda, noite passada ele diria que amava qualquer um, estava chapado e sequer lembrava o próprio nome.
— Mentira. Ele mal consegue fumar um cigarro sem torcer o nariz — procurei um jeito confortável de encarar John, mas senti meus fios sendo puxados ainda mais quando tentei virar-me para ele.
— Não foi bem isso que aconteceu naquela festa ontem... Sabe quando ele disse que daria uma volta para falar com alguns amigos? Pois bem, ele nos encontrou e oferecemos um pouco. Claro, como ele poderia recusar? — e então riu maldosamente, sendo seguido pelos outros. — Enfim, o caso é que você se confessou e não foi a melhor ideia da sua vida... O que você disse não foi nada legal e vai custar caro.
— Basta esquecer. Estou pouco me fodendo para isso tudo... — procurei me acalmar por dentro para não cair no choro ali mesmo.
— Não é bem assim que funciona — John chegou mais perto e franziu o cenho. — A pedido de Collin, que deve ser muito seu amigo e um cara bem razoável, vamos lhe concertar para que nada disso aconteça novamente.
— Do que está falando?
— Isso que você gosta é errado, sabe disso, não?
— Minha opção não diz respeito a ninguém — rosnei.
— É aí que você se engana... — ele riu maldosamente.
No segundo seguinte, John tinha uma faca em sua mão. Não vi de onde a tirou e aquilo pouco importou, pois no segundo seguinte a ponta fria estava roçando em meu pescoço. Fechei os olhos e tentei tranquilizar a respiração. Estava com medo, não poderia ser diferente, só que não sabia como aquilo terminaria.
— Aliás, por que você gosta disso?
— Não tenho que me explicar para você.
Com isso, Peter — o que até então estava me mantendo imóvel pelos cabelos — soltou-me e senti um alívio estranho. Comecei a pensar que aquilo não poderia ser algo bom.
— Repita se for homem — John ameaçou.
Só o que ouvi em seguida foi uma explosão de risos ao meu redor, inclusive de Collin.
— Desculpe, desculpe! Esquece a parte do ser homem.
Só queria nunca ter ido ali, sentia-me cansado.
— Vou perguntar de novo e desta vez você vai dizer. Por que gosta disso? — repetiu e a ponta metálica roçou em minha bochecha esquerda.
Então eu não tinha uma boa resposta para aquilo. Ou se tinha, não sabia onde estava. Não lembrava de mais nada e o medo era a única coisa que sentia.
— RESPONDA! — bradou e a lâmina da faca correu pela minha pele, abrindo um corte longo que ia desde minha bochecha ao meu maxilar inferior. — Se gritar, leva mais dois e cada vez piores — rosnou e tornou a agarrar meus cabelos, puxando-me para mais perto.
Desviei os olhos e trinquei os dentes, procurando abstrair da dor gelada que sentia.
— Se não tem um motivo, por que disse que amava Collin?
— Porque é o que sinto — murmurei com a voz fraca.
Nem bem terminei de falar e senti algo me atingir nos joelhos, me derrubando de maneira brutal e violenta. Logo em seguida, mesmo sob protesto e gritos de dor, fui posto de joelhos logo à frente de John. Peter e outro garoto me seguravam pelos pulsos, sendo firmes e impiedosos.
— Você sabe que Collin não gosta disso, não sabe?
— Não, não sabia.
— Mas são amigos. Pensei que soubesse.
— Já falei que não sabia — respondi de forma ríspida, o que me garantiu um soco pesado na têmpora esquerda.
— O que você sentia quando ele lhe apresentava uma namorada?
— Sentia-me estranho... — finalmente percebi que deveria ser sincero para não sofrer mais.
— Estranho como?
— Sentia ciúmes das garotas. Não queria que elas o tocassem ou ficassem muito tempo com ele.
Ouvi Collin gemer em descontento e John riu.
— Será que não sentia ciúmes das garotas e interpretou errado?
— Não.
— A boa notícia, Collin, é que quando você estiver entediado e sem ninguém, já temos a garota perfeita para se distrair — e isso rendeu uma nova rodada de risos por parte de todos, menos de Collin.
— Cala a boca, não brinque com isso. Porra, é sério... — sua voz deixou a desejar e parecia estar irritado com tudo aquilo. Em momento algum ele me olhou.
— O que quer que façamos? Ele te ama e está louco pra ser fodido por você.
— Dê um jeito. A culpa disso tudo é sua. Se não fosse pelo que me deu ontem, nada disso teria acontecido.
— Ah, então a culpa é minha? É minha culpa o seu amiguinho ter se apaixonado por você?
— Termine isso logo — Collin disse com desgosto e virou-se de costas, começando a se afastar.
— Collin! — num ímpeto de desespero e desolamento, só o que pude fazer foi gritar por seu nome. Não conseguia raciocinar tudo aquilo e queria que tudo não passasse de uma triste mentira. Ou de um horrível sonho.
Ele parou de andar e fuzilou-me com os olhos tenebrosos, causando-me choque e pavor. O velho Collin que um dia conheci já não existia mais. Quando disse algo, por fim, sua voz era tão cortante quanto a lâmina da faca que cortara meu rosto e ameaçava cortar meu pescoço. Naquele momento, ouvindo aquelas duras palavras, preferi estar morto:
— Eu nunca amaria um homem, que dirá você.
Silvos zombeteiros de gemidos de dor podiam ser ouvidos ao meu redor, sendo a provocação perfeita para aqueles idiotas.
Não, o único idiota ali era eu, de joelhos — possivelmente luxados pela pancada com o taco de beisebol —, com o sangue escorrendo do corte no rosto e as lágrimas transbordando sem meu controle. Aquela era uma situação no mínimo deplorável.
— Agora poderiam, por favor, terminar o serviço logo?
Com aquelas últimas palavras, Collin se fora, me deixando refém daqueles cinco que eu jamais vira na vida, mas que tinha certeza absoluta que me deixariam em um estado beirando à morte. Então, implorei para que aquilo acontecesse logo. Em meu peito, algo frio me consumia, latejando de tal forma que tornava a tarefa de respirar praticamente impossível. Naquele momento, viver tornou-se algo que eu estava já bem disposto a abrir mão.
— Você ouviu seu namorado. Olha, eu gostei de você, então não vou pegar muito pesado. Talvez o melhor castigo seja lhe ver remoer a dor de ver Collin e não poder tê-lo — John disse tão calmamente como se dissesse que choveria mais tarde.
Ainda tendo meus pulsos segurados fortemente pelos dois outros, senti um chute forte em minhas costas, derrubando-me no asfalto da pior maneira possível; em seguida uma sequência de dolorosos outros chutes, igualmente pesados àquele que me derrubara, mas desta vez mais concentrados em minhas costelas; no entanto, isso não queria dizer que era apenas nessa área. Sentia cada parte de meu corpo protestar e, de alguma forma, aquilo parecia incitá-los. Talvez também fossem pelos meus urros de dor, não sei.
Em determinado momento, alguém resolveu invocar com o meu cabelo de novo. Fui puxado de repente e de maneira lenta e torturante até estar novamente de joelhos. Mantiveram-me assim, já que eu não tinha forças para fazê-lo por mim mesmo — e já não sentia mais minhas pernas.
— Devo confessar: você tem um rosto muito bonitinho. Se fosse uma garota, seria minha. Mas de verdade, com seios e tudo mais. Não vejo o corpo de outro homem nu, a não ser o meu. Sabe, seria uma pena se esse corte na sua bochecha não melhorasse... Oh, a quem tento enganar? Que se foda, vou dar alguns irmãozinhos a este.
Tirando um soco inglês do bolso traseiro de sua calça jeans, ele sorriu ainda mais ao encaixá-lo nos dedos de sua mão direita, fazendo com que vez ou outra o metal captasse o brilho vacilante do sol que tentava rasgar por detrás das pesadas nuvens cinza de chuva que cobriam o céu da cidade.
O primeiro golpe já me desorientou, fazendo com que todo o lado esquerdo de meu rosto latejasse a partir de onde ele me atingira, ou seja, perto de meu olho.
Deixei que minha cabeça pendesse pesada para frente, gemendo baixo e longamente de dor. Tinha a suspeita terrível de que se eu gritasse, seria pior. Estava certo, ou não. De fato, para John não importava: em áreas diferentes, ele me acertava com uma força dobrada à anterior e chegou uma hora que já não aguentei mais ficar quieto e gritei o mais alto que pude, desesperado para que aquilo acabasse logo. Não havia uma só parte de meu corpo que não estivesse doendo e tudo aquilo era demais para suportar calado.
— Veja — ele disse com um riso irônico e tocou a ponte de meu nariz; podia jurar que estava quebrado, mas não queria pensar naquela possibilidade no momento. — Este não é nem de longe o pior — em seguida passou os dedos em meu pescoço, limpando o pouco sangue que ficara ao tocar meu nariz.
Pode ser que ele tenha dito mais alguma coisa, só não pude registrar o quê. Sentia-me beirando à inconsciência, tamanha era a dor, porém, forçava-me a ficar acordado, assim poderia pelo menos implorar um pouco de misericórdia.
No segundo seguinte, seus dedos apertaram meu pescoço, causando-me um novo desespero em busca de ar. Levantando-me do chão como se meu peso fosse algo insignificante, jogou-me com toda sua força possível contra a parede mais próxima, com certeza me garantindo algum corte na cabeça. Suas unhas cravavam-se na pele fina daquela área. E eu? Tentava debilmente me soltar, arranhando seus antebraços para que daquela forma ele me soltasse; em vão. Seu rosto estava sereno, como se nada estivesse acontecendo e que não tinha minha vida em suas mãos. Com a voz complacente, disse com a maior serenidade do mundo:
— Não é que eu goste de fazer isso. Amo fazê-lo. E espero que entenda que a escolha que você fez é errada. Mas acho que disso você já sabe — e em seguida todos riram.
Não pude registrar mais nada depois disso, caindo em um breu profundo e ficando à mercê deles. Entregara minha vida ao bel prazer daqueles cinco e estava dividido: fora bom e ao mesmo tempo fora a pior ideia de toda minha vida.
Não, a pior ideia fora dizer que amava Collin.
Notas finais
Mas enfim, eu já tenho uma parte do segundo cap pra postar, mas tenho que esperar tia Way me mandar o resto quando puder. Caso contrário, ela mesma irá postar quando voltar.
Espero que gostem da fic, de coração, foi uma ideia conjunta ~porque afinal, três cabeças pensam melhor do que uma~.
Now, encham tia Way de review, porque senão ela não se alimenta direito e não atualiza a fic u_u
~ohsucks out~
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