You Dont Know a Thing About My Sins
2 Capítulo 2
- Gerard\'s POV -
Estão todos dormindo. Ótimo. Assim eu posso fugir sem maiores problemas.
Eu sei, eu não deveria estar fazendo isso. Mas eu não consigo agüentar essa gente, não consigo passar uma noite sem encontrar meu verdadeiro mundo. Porque o meu mundo não tem nada a ver com esse modo religioso de se viver. Se é que pode chamar isso de viver. Quem, no mundo, sobrevive a uns meses sem uma trepada? Ninguém, absolutamente ninguém.
Eu não estaria aqui por vontade própria. O último lugar no qual eu me imaginaria seria esse. Querer ser padre, eu? Nunca! Tudo aqui é sobre religião e eu lhe digo que religião é algo muito… complexo. Complicado demais para mim. Tenho que deixar bem claro em minha mente que só estou nesse seminário por conta do que vou ganhar quando sair daqui. Ou então eu enlouquecerei.
“Acho que agora dá para ir”, falei para mim mesmo, saltando do parapeito do meu quarto para o galho da árvore que quase invadia minha janela. Desci toda a sua extensão silenciosamente e cheguei ao chão sem nenhum arranhão. Minha roupa estava intacta. Passei a mão pela jaqueta de couro e ajeitei os cabelos. Eu estava pronto para a noite.
Há três quarteirões dali encontrava-se um dos melhores bares da cidade. O Black Sun Alley, que servia os melhores e mais loucos drinques que alguém poderia imaginar. Fora as mulheres em suas roupas justas e curtas. Um verdadeiro pecado, se me permite dizer.
Analisando pelo lado de fora, o bar parecia quieto e até inofensivo. Muito diferente do que se passava lá dentro, onde as pessoas fumavam, cheiravam e fodiam até dizer chega. Já aconteceu algumas vezes de gente morrer com tiros e brigas lá dentro. Estranhamente, nunca sequer ameaçaram fechar o bar.
Passei pelos monstruosos gorilas – mais conhecidos como seguranças – e entrei no local escuro e barulhento. Havia poucas pessoas, o que tornava o bar propício a mais diversões. Sempre odiei lugares lotados e ainda evito multidões, porque me dá aquela sensação de sufoco.
- O que vai querer? – perguntou uma moça bonita que se encontrava do outro lado do balcão, limpando alguns copos de vidro com um guardanapo.
- Vodka com tônica, por favor. – a moça sorriu. Seus dentes eram claros e brilhantes como seu cabelo loiro platinado. Ela se virou, saindo dali e me deixando sozinho.
Observei as pessoas ao meu redor, rindo um pouco do homem bêbado que cambaleava e esbarrava em todo mundo. Sabia que daqui a pouco alguém iria se irritar e começar uma briga.
Ela voltou, trazendo um grande copo de vidro com o liquido dentro. A garota sorriu de novo pra mim me entregando a bebida, agradeci. Ela não parecia ser muito velha, na verdade, desconfiava que fosse apenas uma universitária ou que até não tivesse terminado o colegial.
Coloquei o liquido na boca, o engolindo de uma vez. Senti queimar ao passar pela minha garganta. Gostava da sensação. Claro, gostava ainda mais porque fazia tempo que não bebia.
Estava pretendendo beber bastante naquela noite. Mas ainda assim tinha uma consciência que me dizia que não seria legal, porque no dia seguinte teria aula no conservatório. Só de ouvir essa palavra meu estômago revirava. Sobre o que me confessaria?
O tempo passava rápido, e quanto mais tarde ia ficando mais cheio o bar ficava.
Estava no segundo ou terceiro copo de vodka, não me lembrava muito bem. Sentia minha cabeça girando um pouco.
Estava com a minha cabeça apoiada na mão. Encarei muito desinteressadamente um homem cabeludo sentar ao meu lado. Seus olhos azuis brilhavam. Ele parecia estar cansado ou aflito. Sua respiração estava pesada.
Ele me encarou, com a mesma expressão de desinteresse. Pediu uma bebida, e depois sorriu pra mim.
- Você parece estar fugindo de alguém. – eu disse, fazendo-o lançar-me um olhar curioso que logo foi acompanhado por um sorriso.
- Posso dizer o mesmo de você. – respondeu um tanto quanto rude.
- Por quê?
- Porque alguém que estivesse despreocupado estaria trepando ou caindo de bêbado. Porque afinal, as pessoas vêm aqui para isso. – o garoto passou a mão pelo seu longo cabelo negro, sorrindo.
- Calma, estou apenas começando. – falei, erguendo meu copo para ele. – A noite é uma criança…
- Robert.
- A noite é uma criança, Robbie.
- Bert, por favor.
Fiz um gesto displicente e minha mão se movimentou de uma forma bem estranha. Acho que o álcool já estava me afetando. Também pudera, eu não havia bebido muito, mas essa mania que eu tinha de ‘virar’ o líquido mais rapidamente que o necessário sempre me deixava tonto por antecipação.
- Que seja. O nome é a última coisa com que devemos nos preocupar.
- Oooh, certo. Aposto como você nunca lembra o nome das pessoas com quem transa.
Tomei o resto da minha vodka, não tirando os olhos dele. Nem sei como poderia, ele era tão… atraente, lá do jeito dele.
- Yeeh. – pousei o copo de volta no balcão, batendo-o com mais força do que planejei. – Mas não se preocupe, eu vou lembrar do seu nome, Bert.
Ele me deu um sorriso malicioso. Sim, a noite prometia ser ótima.
Acordei em uma cama que não era a minha. Virei e meu acompanhante já havia ido embora, como era mesmo seu nome? Ro...Ronald? Roger? Não, não era isso. Sentei-me na cama enquanto observava o que parecia ser mais um daqueles motéis a beira da estrada. Ah! Robert, era esse seu nome. Não lembro muito bem de suas feições apenas de seus belos olhos azuis e seu semblante transtornado.
Levantei e fui tomar um banho, mas antes reparei que havia um bilhete em cima do criado-mudo.
“ Espero que você lembre do meu nome, como havia prometido. Até mais, Gerard Way.”
Robbie, robbie. Além de sarcástico, mexeu nas minhas coisas.
Tomei um banho, vesti minhas roupas e saí. Espero que ele tenha pago a noitada.
Assim que saí do motel, senti algo vibrar no meu bolso. “Mas a essa hora? Quem é o filho da puta que ta me ligando?”. Bem, não era o filho e sim a puta. Minha mãe.
- Alô.
- ONDE VOCÊ ESTA?NÃO DORMIU EM CASA E NEM LIGA PRA AVISAR. QUEM VOCÊ PENSA QUE É? SEU DESGRAÇADO! – disse ela aos berros, fazendo com que eu afastasse o celular 20 centímetros do ouvido.
- E desde quando você se preocupa? Vá fazer compras com as suas amigas e viver sua vida fútil. – disse, desligando logo em seguida.
Não fazia a mínima questão de tratar minha mãe bem, ela não ligava para mim não sei porque todo esse drama. Se não fosse por seus caprichos ainda estaríamos morando em Nova York e não em Belleville. Não que aqui não seja um bom lugar, mas Nova York é insubstituível. A única coisa que me agradava em Belleville eram meus melhores amigos, Frank e Ray. Quando saímos juntos, pois suas famílias são bem rigorosas o que a minha não é, nós somos os melhores. Mas a minha “má fama” se espalhou pela cidade e agora só consigo vê-los na escola.
Já com o meu pai as coisas eram um pouco melhor, era uma troca. Eu fazia o que ele queria e eu ganhava algo em troca. Foi nessas condições que ele me fez a proposta de entrar para o seminário. Ele me ofereceu um carro, não tive como recusar. Mesmo que tenha que aturar 1 ou 2 horas de sermão. Mas meu pai fez isso para tentar me ajudar, achando que se eu freqüentar a igreja as pessoas a nossa volta me olharão com outros olhos. Mal sabe ele que só faço as coisas por interesse e isso não vai mudar até eu achar algo que realmente me faça querer viver. Apesar de tudo, meu pai é um cara legal.
Olhei para o relógio que marcava 9 horas. Lembrei-me que o seminário começava as 9:30, por conta disso resolvi apressar o passo. Por volta de 9:15 já estava nos arredores da igreja, havia muitos meninos por lá. Os caretas, eu quis dizer. A medida que me aproximava todos os olhares voltavam-se para mim. Deviam estar se perguntando o que o “errado” da escola estava fazendo ali. Não dei a mínima para os olhares e continuei caminhando. Por um carro novo até dou minha bunda. Ah, mas isso eu já faço. Duh.
Sentei embaixo de uma arvore esperando alguém nos chamar para entrar. Passado se 15 minutos, algum dos padres veio nos chamar. Espera aí, eu conheço aquele homem de algum lugar. Pensei por um momento e logo lembrei, Robbie. O que ele estava fazendo ali? Não pude conter o riso fazendo com que alguns nerds me olhassem com desdém. Isso vai ser bem interessante.
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