You Dont Know a Thing About My Sins
6 Capítulo 6
- Gerard\'s POV —
Esperei que a porta do quarto se fechasse para poder sair do banheiro com segurança. Passei as mãos – agora limpas – pelos cabelos desalinhados, rindo ao encontrar o cômodo vazio. Merda, quando estávamos na melhor parte…
Respirei fundo, deixando de lado o pensamento de que minha fantasia de comer alguém num seminário havia sido adiada. Maldito Reverendo. Por que ele não estava rezando por almas perdidas como a minha? Ou de Robbie? Claro, porque eu e ele estamos na mesma barca furada. Vamos todos pro inferno.
Desci as escadas em espiral, sabendo imediatamente que fazer aquilo com freqüência deixaria-me com dor de cabeça. Aliás, tudo ali me dava dor de cabeça, me deixava extremamente doente.
No andar de baixo, muitos dos seminaristas já estavam reunidos em mesas grandes, que eram separadas por turmas. Cada padre responsável por um determinado grupo estava sentado à mesa junto com seus queridos garotos. Mordi o lábio inferior ao ver que o assento ao lado de Bert estava desocupado. Apressei meus passos até ele, notando que Bert parecia horrorizado com a idéia de que [i]eu[/i] preenchesse o local. Ele deu um olhar esperançoso para o tal garoto que se responsabilizara em mostrar os quartos dos outros, provavelmente esperando que este fosse mais rápido. Não foi, porque alguém retardou o caminho dele; algum velho babão parou-o para falar qualquer asneira que nem me dou ao trabalho de saber o que é. O importante é que [i]eu[/i] estou sentado aqui, ele não.
Dei meu sorriso mais cativante para Bert.
- Gostei da disposição dos lugares.
- Gerard. Preste atenção ao Reverendo, sim?
- Farei o meu melhor, Padre. – respondi, juntando as palmas das mãos e abaixando a cabeça, num movimento inutilmente oriental.
Ouvi Bert rindo antes de virar-me para a bancada onde se encontravam o Reverendo e o Bispo. Já tinha ouvido algo sobre eles, e tinha inclusive visto um dos dois pelas redondezas, ajudando mendigos ou dando apoio moral a fracassados que enchiam a cara e dormiam no banco da praça, embriagados.
Okay, isso só aconteceu uma vez comigo. Releve.
- Uh, bom dia a todos. Padres e aspirantes. Veteranos e novatos. – o Reverendo limpou a garganta. – Estamos começando, oficialmente, mais um período da nossa tão prezada vida religiosa. Uma vida voltada para os ensinamentos e caminhos do Senhor. Uma vida de prazer espiritual.
Pigarreei, atraindo muitos olhares para mim. Bert, entretanto, continuou com o rosto na direção da bancada, de modo que seus olhos estavam focalizados em algum ponto acima de minha cabeça.
Ele parecia tão compenetrado no que o reverendo estava dizendo que eu acabei me concentrando na sua concentração. Difícil de entender, eu sei, mas é que ele ficava lindo daquele jeito, se esforçando tanto para prestar atenção em alguma coisa tão desinteressante e chata.
Eu apenas não me contive. Juro que eu estava pensando seriamente em me concentrar e não fazer nenhuma bobagem. Bobagens aos olhos dos outros que estavam ali, para mim era algo bem prazeroso.
Estava batucando sonoramente meus dedos na mesa de madeira. Você já deve ter percebido que tudo aqui é de madeira, né? Pois bem, madeira faz muito mais barulho que as outras coisas, isso é uma das coisas boas desse lugar. É... Eu gosto de barulho.
Percebi que estava deixando Bert irritado. Ele não parava de olhar para os meus dedos, provavelmente me amaldiçoando mentalmente. Devo dizer, eu estava amando irritá-lo.
Desci meus dedos pelo meu próprio corpo. Bert, que ainda olhava, arregalou seus olhos, como se por algum acaso eu pudesse matá-lo ali mesmo. Quer dizer, eu não poderia matá-lo literalmente, mas ia fazer o meu melhor.
Ri baixinho, tentando abafar o riso para que ninguém ouvisse. Ele voltou sua concentração para a pessoa que agora estava falando. Eu não fazia a mínima idéia de quem era. Essa maldita mania de fazer um testamento, e não um simples discurso de boas vindas.
Aproximei minha mão calmamente até sua coxa, sentindo-o congelar automaticamente. Por um momento eu achei que ele fosse tirar minha mão dali, mas ele simplesmente continuou olhando fixamente para algum ponto.
Comecei a batucar os meus dedos ali, explorando toda aquela área apenas com a ponta dos meus dedos. Estava dando o melhor de mim para fazer com que aquela bata, maldita bata não atrapalhasse.
Apertei sua coxa de leve, deixando claro que ia avançar para outra área. Foi ai que ele soltou um gritinho, que quase foi ouvido se não fosse as risadas, provavelmente de uma piada idiota que padres costumam fazer nas igrejas.
Continuei batucando meus dedos, até sentir que estava tocando sua virilha. Sorri. Rocei meus dedos ali por um bom tempo, decidindo assim ir finalmente para a parte do seu corpo que me importava. Foi quando ele se levantou, e toda a atenção do salão se voltou a ele.
- Er, eu vou ao banheiro. – ele disse, tentando fazer com que as pessoas parassem de olhar para ele. E não é que funcionou?
Revirei os olhos, apoiando o queixo em uma mão tediosamente. Ai, Robert. Eu sinceramente quero saber qual é o seu problema. Digo, ele simplesmente [i]foge[/i] de mim como o diabo foge da cruz. Eu tenho algum problema ou o quê? Feio eu sei que não sou, mas será que eu estou com uma espinha horrorosa na ponta do nariz ou algo do gênero? “Que coisa mais feia para um homem dessa idade… Fugindo de pobres garotos inocentes como eu”. Apoiando o queixo em uma mão tediosamente, decidi que precisava de um espelho.
Ah, espelhos eram proibidos ali.
Aindatentei de todas as maneiras prestar atenção às palavras do Bispo, que agora tinha a bancada para si, fazendo um monólogo tão grande ou até maior que o Reverendo fizera. Porra de tempo idiota que não passava. Olhei instintivamente para o meu pulso esquerdo, esperando ver as horas.
Ah, relógios [i]também[/i] eram proibidos. Aparelhos eletrônicos em geral. Cara, isso parecia a Idade Média.
O que importava era que Bert estava demorando mais que o necessário e isso me deixou preocupado. O Bispo finalmente terminou o maior discurso do mundo, e todos os seminaristas e padres responsáveis estavam se levantando e indo sabe-se-lá-para-onde. E Bert, que era bom, nada…
Como Bert não estava presente, um rapaz iria ser nosso guia no tour pela Igreja. Mas desde quando se faz um tour em uma igreja? Vai saber o que esse padres tem em mente. O rapaz era alto, com os cabelos pretos, magro, ou seja, muito bonito. Mas que desperdício ele querer tornar-se padre. Ta, isso não era da minha conta. A única coisa que me importava agora era [b]Bert[/b]. Onde será que ele estava? Não estava gostando nem um pouco desse esconde-esconde, vou dar fim nisso já!
Após o fim do tour, cada menino foi guiado até o seu quarto e teriam a tarde livre. Eu não gostei nem um pouco da idéia, porque ficar trancafiado não era meu estilo de vida. Fiquei andando de um lado para o outro pensando em algo para passar o tempo, até que tive uma idéia. Retirei uma folha dos pergaminhos que utilizaríamos e escrevi o seguinte bilhete:
“Querido Robbie,
A brincadeira acabou, trate de levar as coisas mais a sério, sim? Lembre-se que eu sei mais de você do que a maioria, então é melhor você me manter calado. Me encontre hoje às 21:00 horas no bar aonde nos encontramos pela primeira vez.
Gerard.”
Abri a porta do quarto e coloquei apenas a cabeça para fora. Não notei nenhum movimento e resolvi pôr meu plano em prática. Não fazia a mínima idéia de onde ficavam os quartos dos padres. Fui até o refeitório para ver se descobria algo. Escutei algumas conversas de alunos, de padres novatos e de quem eu realmente estava interessado. O Reverendo conversava com Ian, e pelo que pude escutar Bert havia saído para resolver assuntos financeiros relacionados à Igreja. Depois disso o Reverendo se retirou e eu o segui discretamente.
Depois de muito andar, o Reverendo finalmente chegou ao seu destino. Era um corredor com muitas portas, com plaquinhas em cada uma. Esperei o Reverendo entrar em algumas das portas e fui olhar aquilo de perto. Ah, finalmente! Em cada plaquinha tinha o nome de algum padre. Albert, Alan, Matt, Michael. Nada de Bert, já estava muito puto, quando pensei um pouco e cheguei a conclusão de que Bert era apenas um apelido. Andei mais um pouco e achei o que queria. Robert.
Retirei o bilhete do bolso interno de minha jaqueta e o empurrei por debaixo da porta. Escutei algum barulho vindo de uma porta no fim do corredor e resolvi sair logo dali.
A minha parte estava feita, se ele continuasse fugindo, as coisas iriam se complicar para ele. Pobre Robbie!
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