You Do Not S What It Seems.
16 Isso não é possível. II
Notas iniciais
O motorista de Harry nos pegou logo na saída do aeroporto, algumas meninas correram atrás dele mas logo foram paradas pelo segurança. Ele ainda não tinha desgrudado de minha mão, olhei na janela e vi os grandes prédios de Londres que já estavam sendo erguidos, em apenas duas semanas parece que tudo tinha mudado, eu não estava conhecendo a cidade, eu não estava me conhecendo.
A alguns anos atrás, quer dizer, algum tempo antes de vir para Londres, tive um experiência amorosa que não deu nada certo. Oliver, esse é o nome dele, eu jurava de pés juntos que ele era o homem que me fazia mais feliz, nós brincávamos juntos, íamos a parques e ele me levava á passeios incríveis, quando eu ficava perto dele, sentia algo muito forte, mas infelizmente isso não durou muito tempo. Eu estava chegando da faculdade e fui para ser apartamento, que ficava á poucos metros da minha escola, abri o porta silenciosamente, pois seria um surpresa, fui andando cuidadosamente em direção ao seu quarto, girei a maçaneta e meu mundo caiu. Ver ele todo enrolado em um lençol dourado com um loira, foi definitivamente e pior imagem que vi na minha vida. Não tive como reagir, só murmurei coisas sem nexo e bati as portas, do quarto e da sala. Desci as escadas tropeçando em meu próprio pé, vaguei pelas ruas de Curitiba sem rumo. Me segurei para não chorar, só enquanto eu estiver em casa, sozinha! Depois desse acontecimento, nada mais foi igual para mim, comecei a me irritar com tudo, até com os meninos que me diziam ‘bom dia’ e jurei para mim mesma que nunca mais iria me apaixonar por mais ninguém. Essa jura minha já tinha se acabado quando conheci Harry.
– Amor? Já chegamos. Já tirei as malas do carro. – Harry disse para mim com a respiração alterada.
– Hm, certo, já vou entrando. – Ele bateu a porta do carro e logo em seguida abriu a minha porta. O motorista estava no hall da entrada de minha casa, cheio de malas minhas.
Caminhei até lá quase caindo em minhas pernas, Harry me segurou algumas vezes mas me contive para não me deixar cair mais assim. Revirei a bolsa e encontrei as chaves, abri e o motorista colocou as malas em cima de meu tapete. Harry olhou pra mim, se aproximando, como se fosse um beijo de despedida, parei ele e sussurrei em seu ouvido.
– Harry, fica comigo, só mais um pouco? – Ele apenas assentiu com a cabeça e fez sinal para que o moço entrasse no carro.
Entramos e logo fomos procurar alguma coisa para comer, minha casa, bem minha casa estava exatamente do jeito que eu pensei, eu sempre fui muito pessimista, alguém poderia ter assaltado ou coisa parecida. Tinha um copo de cappuccino fechado na prateleira, esquentei e dei para Harry. Resolvi eu mesma fazer meu café. Aquele cheiro já estava me matando, se eu tivesse uma pizza ali, devoraria ela inteira na hora.
– Aconteceu alguma coisa? – Harry disse tenso. – Você esta estranha.
– Não houve nada Haz, eu só estou muito cansada, e quero te dizer, hm, muito obrigada por essa viagem, foi incrível, nunca vou esquecer, nunca mesmo. – E abri um sorriso fraco.
– Eu que tenho que te agradecer, você é incrível, perfeita. – Resmungou ele no meu ouvido.
– Não Hazza, você que é. – Me encostei nele e deitei minha cabeça em seu peito. Ele olhou no relógio do celular e largou o cappuccino em cima da mesa.
– Desculpe, eu tenho que ir, Louis idiota me ligou ontem a noite querendo marcar um encontro comigo e com os meninos, disse que estava com saudades. – E sorriu.
– Vai lá Curly, ops, eu preciso realmente ligar para ele e agradecer o apelido, ah, não, ele sente ciúmes. – Gargalhei. – Estou brincando Harry.
– Ainda bem que esta. Quer ajudar com as malas, eu levo elas lá em cima para você. – Fiz um sim com a cabeça e ele subiu com duas malas.
Lavei minha xícara de café e vi no meu livro de receitas alguma coisa para que eu pudesse fazer para comer. Batatas-fritas e hambúrguer, isso sim seria um bom jantar. Oscar que queria me fazer de modelo me mataria se me visse comendo isso. E falando nele, eu precisava que ele me ajudasse em encontrar um vestido para o compromisso que Felícia havia agendado para mim, ainda era um suspense, mas eu arrancaria a verdade dela custe o que custar. Perdida em meus pensamentos imbecis e toscos, ri pouco e senti uma boca quente tocando meu pescoço. Aquilo me deu um frio na espinha e estremeci, ele deu leves chupões nessa região e depositou vários beijos leves na minha bochecha, me virei e toquei o topo de minha cabeça no seu peito. Beijei seu ombro e subi para o pescoço. Olhei no seu rosto e fixei em seus olhos, o celular dele vibrou e ele viu no visor.
– Vai, Louis está te esperando com os meninos, não quero que você se atrase por minha culpa, a ultima coisa que eu quero é te afastar dos meninos.
– Você é perfeita, poderia escrever um livro sabe, você já imaginou o futuro, isso é fascinante. – Brincou ele.
– Sim, vai nessa, mas eu prefiro ainda ficar aqui, e por falar nisso, tenho pra você uma boa noticia, ou má, não vou mais embora de Londres, consegui um emprego aqui e vou tentar uma faculdade tese, meus planos seriam apenas permanecer aqui 6 meses, consegui meus objetivos e vou ficar aqui até quando eu quiser. – Contei a novidade pra ele.
– Ainda bem, se você fosse ficar só 6 meses, eu juro que ia fazer você entrar em uma faculdade e fazer você de nossa jornalista. – Sugeriu ele rindo.
– Ótima escolha. – Seu celular vibrou mais uma vez e sorri. – Agora você precisa ir.
Demos um selinho rápido e nos abraçamos, sentir seu cheiro era incrível pra mim, o volume que tinha em sua mão me incomodou um pouco. Mexi e vi que era um pano, ele viu o que eu vi, me beijou novamente e saiu correndo. Olhei para janela e ele acenou do carro para mim. Acenei de volta e olhei para minha cozinha, ela precisava de ser usada depressa!
Preparei minhas batatas-fritas com hambúrguer, aquilo parecia a essência da vida, tão delicioso. Mordi meu pão degustando cada pedaço dele. Fiquei em torno de 40 minutos sentada na mesa, depois veio a bagunça, limpar todas aquelas panelas e pratos, hm, Harry tinha que cozinhar para mim ainda, além do mais, ele ia adorar. Logo terminando de limpar tudo, decidi falar com Felícia sobre o compromisso de amanhã. Passei a mão em meu celular que estava em cima da bancada e disquei o numero dela.
– Oi. – Eu disse.
– Olá, voltou de viagem não é mesmo? – Ela resmungou.
– Sim, já estou em Londres, quero saber do compromisso que você terá comigo amanhã, quero mais detalhes. – Respondi.
– Ah, ok. Bom, é o seguinte, amanhã vai ter uma festa da revista no clube da empresa, como você trabalha aqui, sua presença é indispensável, fora que vai estar cheio de famosos e tudo mais, você precisa de um vestido, suponho que não tenha um em seu guarda-roupa não é mesmo? Tudo eu sei, eu também não tenho um para essa ocasião, Oscar e você irão as compras amanhã cedo. – Ela definitivamente desabou em falar. – E ah, talvez seu namoradinho vá, conversei com o empresário deles e a presença do One Direction está quase confirmada. – Ela deu uma risadinha.
– Tudo bem então. Como andam as coisas na revista? Amy, Oscar, Page? – Perguntei.
– Tudo ok, nunca esteve tudo tão calmo, só as correrias que Oscar faz em busca de sua modelos me deixa louca. – Ouvi murmúrios e ela voltou ao telefone. – Houve uma coisa aqui que preciso resolver, te vejo amanhã á noite, esteja linda, quer dizer mais linda do que você é jovem. Beijos. – E desligou o telefone.
– Beijos. – Disse mesmo ela tendo finalizado a ligação.
Ainda eram sete horas da noite. Minhas pernas teriam que estar bem preparadas. Sair com Oscar para ir ao shopping não deve ser coisa fácil. Arrumei minhas malas em um canto, procurei meu pijama, e só achei a bermuda dele, onde será que a blusa estava?
Harry, eu sabia que era ele, por isso ele saiu correndo da minha casa com um pano na mão. Sorri de orelha a orelha e coloquei outra blusa. Arrumei minhas cobertas, escovei os dentes, tomei um banho rápido e me enterrei nas cobertas. Era estranho dormir sozinha sendo que duas semanas eu dormi com o cara mais perfeito de todo o mundo.
Que porra de buzina era essa? Eu quero ficar em paz, em pleno sábado oito horas da manhã, tem um infeliz fazendo barulho na frente de sua casa. Tirei o travesseiro e da cabeça e levantei da cama com passos fortes até a janela. Belo e formoso com seu conversível preto, Oscar estava descendo do carro em direção a minha porta com uma maleta na mão. Dei meia volta correndo e sai em disparada para baixo, as escadas estavam quase caindo com tanta força que coloquei nos pés. Peguei na maçaneta na mesma hora que ele, girei a chave e abri a porta.
– Olá, bom dia querida. – Me deu dois beijinhos no rosto como se fosse uma madame. – De pijama ainda? O que é isso? Felícia não te avisou não? Nós temos compras hoje querida, compras. – Disse quase berrando, saltitou quando falou ‘compras’. – Onde tem café aqui? – Apontei para o armário alto da esquerda na cozinha. – Ah, obrigada. E esta esperando o que para se trocar? Ande, vamos logo, você precisa de umas compras e eu preciso também, adoro. – E sorriu.
– Oscar, tem noção de o quanto estou cansada? Fiquei 13 horas dentro de uma avião, e oito horas da manhã? Esta louco filhote? Não quero ir ao shopping, não agora, eu vou subir e dormir mais um pouco ta bem? Bom dia pra você também. – Antes de subir, ele gritou para que eu voltasse, dessa vez eu fiquei com medo.
– Você não quer ir ao shopping? O que? Enlouqueceu? Não, não e não. Ande logo e se troque. – Me empurrou para as escadas e eu subi elas com uma má vontade sem igual.
Meus olhos estavam quase fechados quando peguei uma roupa qualquer, calça jeans azul escuro, blusa branca por baixo e um casaquinho vermelho, escovei os dentes e lavei o rosto, a maquiagem do dia anterior ainda estava em mim, penteei meus cabelos e coloquei meu Vans vermelho, desci as escadas com a cara vermelha ainda e dei uma voltinha na frente de Oscar.
– Ta bom assim? – Resmunguei.
– Hm, só não gostei do tênis, menina de tênis fica horrível sabe? – E tomou um gole de seu café.
– Como assim? Ninguém fica feio de tênis por favor né Oscar. – Puxei ele pela mão em rumo da porta. – Vamos, a gente tem que ir ao shopping lembra? – Disse irônica.
– O que achou desse? – Rodei para que ele visse meu vestido.
– Perfeito, dentre todos os que a gente viu, essa é o mais perfeito. Iremos levar moça. – Ele disse para a vendedora me fazendo sorrir.
Analisei melhor o vestido e era lindo mesmo, era um tubinho preto, todo decorado com brilho, tinha um pequeno decote na parte de cima mas nada exagerado. O sapato já havíamos comprado, era preto também e com alguns detalhes metalizados. A moça pegou o vestido e colocou em uma sacola, coloquei minha roupa normal e Oscar fez sinal para mim para que saíssemos da loja, cheios de sacolas, a maiorias das roupas ali eram dele.
– Sabe, eu não me controlo, quando vejo alguma coisa que eu gosto muito, eu me sento na necessidade de comprar. – E gargalhou. Paramos na frente de uma barraca de sorvetes e ele pediu dois. Enquanto esperávamos, ele veio jogando conversa fora. – Então... Você nunca ia me contar sobre Harry?
Aquilo me estremeceu.
– Oscar, você deve me entender, é complicado demais, ele é famoso e eu não, as fãs amam ele e eu não, Felícia só descobriu porque ela me reconheceu muito bem vendo as primeiras fotos nossas, eu não sei como elas ainda não descobriram que eu trabalho na revista.
– Bom, tecnicamente, elas já sabem. – Sua cabeça abaixou e sua voz era triste. – Estourou ontem no sites, que você trabalha na revista, que foi você quem editou as primeiras fotos e tudo mais, eu sinto muito, mas as mensagens de ódio contra você só estão aumentando, escute. – Segurou meu queixo para que eu olhasse para ele. – Você é como uma filha pra mim, eu faço de tudo pra te proteger, mas você também precisa tomar cuidado, e entender elas.
– Eu sei Oscar, obrigada, já entendi elas, eu só não entendo o que elas ganham em me xingar, não vai fazer com que Harry termine comigo ou...
– Pera ai! Vocês estão namorando? Como você não me conta isso? – Oscar abriu um belo sorriso e pegou os sorvetes, saímos do shopping e fui contando todos os detalhes.
– Ah, a gente não esta namorando ainda, mas acho que agora estamos, nos prendendo um no outro, estranho eu sei. – E sorri.
Oscar me deixou em casa com todas as sacolas, tudo bem agora era só manter a calma, entrei no twitter e várias meninas me xingando, FCs do One Direction, me mandando largar ele, e me chamando de vadia. Aquilo apenas me deixou irritada, mal abri o computador e já fechei a tela com força, fiz uma almoço rápido, afinal já se passavam das três horas da tarde, e a festa era as oito da noite. Eu tinha que ver cabelo, maquiagem unha...
– Onde está meu estojo de maquiagem? – Gritei para mim mesma. – Que droga, que droga, eu não acho nada aqui.
Revirei minha gaveta de maquiagens do guarda-roupa e não achei nada, procurei no banheiro e nada encontrei, corri para a sala quase tropeçando e caindo de boca no chão, gavetas, portas, armários, atrás do sofá, nada! Subi para o quarto de hospedes e não vi meu estojo, entrei mais para a beira do quarto e vi que em cima da cama tinha uma camiseta, me acalmei e fiz minha respiração voltar ao normal, eu pensei de onde aquela camiseta tinha parado ali, era preta e tinha um símbolo, bem masculina, me aproximei da cama e sentei na ponta, peguei a camiseta em um movimento rápido e cheirei. Com certeza aquela era a camiseta da pessoa mais perfeita nesse mundo, com um perfume doce mas não exagerado, suave a ponto de doer minhas narinas, de uma forma formidável, cheirei mais um pouco e fiquei tonta, me dei conta de o quanto eu precisava de Harry, de o quanto ele era importante pra mim, de o quanto ele era especial pra mim, de o quanto eu amo ele. Com aquela camiseta eu tive vontade de largar minha casa e ir correndo para a dele, de me agarrar em seus braços como se fossemos dois melhores amigos que não se viam á tempo, por um lado isso era besteira da minha parte, eu conhecia ele a pouco tempo e uma pessoa não se ama a outra em pouco tempo, a outra parte me dizia ‘corre atrás dele porque vale a pena’, ‘se você está amando ele nada mais importa’. Ele nunca me disse ‘eu te amo’, mas seus atos mostravam isso, talvez eu estivesse errada e ele mal se importasse comigo, o tempo ia me dizer tudo, o tempo poderia me dar noticias boas ou ruins.
Sai desse transe parecendo que tinha acordado de um sonho, me levantei e levei a camiseta junto á mim, só restava um lugar que eu não tinha procurado, abri minha mala de viagem a lá estava meu estojo, me senti burra por não ter procurado ali primeiramente. Eram seis e meia da tarde, a festa era só as oito, parece muito tempo mas isso não é nada, eu precisava de um tempo maior, deveria ter me arrumado mais cedo, perdi minha tarde inteira pintando minhas unhas roxo. Como já tinha tomado banho, fui a parte critica do meu dia, a maquiagem! Passei um pouco de pó em toda a face, corretivo nos olhos para fixar a sombra. Deslizei uma fina camada de delineador e vi o resultado, estava certo e perfeito. Fiz isso com o outro olho e deixei secar, logo que terminou, passei um sombra lilás, prefiro maquiagem mais neutro do que maquiagem que cubra toda minha pálpebra, passei no outro olho e depois passei um pouquinho de rímel. Bom, a maquiagem já estava pronta, só faltava depois fazer alguns retoques, mas isso na hora da saída. Meu cabelo, isso era um problema, tinha feito uma chapinha nele e depois coloquei um creme para “amassar” ele e ficar ondulado, tirei a touca e vi o resultado. Nada mal! Não estava armado nem nada, normal, do jeito que eu queria, olhei no relógio e quase levei um susto, já eram sete e vinte da noite, perdi a maioria do tempo com isso. Corri para o closet e peguei o vestido, tirei do plástico protetor e tirei minha roupa. Passei um creme em minhas pernas e em todo o corpo, o vestido (modéstia parte) ficou lindo em mim, Oscar me ajudou a escolher bem. Achei uma bolsa preta e pequena qualquer e coloquei lá somente o essencial, batom e celular. Juntei os sapatos e desci, coloquei eles perto da porta e liguei o computador, entrei no twitter e logo vi as mensagens mais horríveis.
“Ele não te pediu em namoro, ele não te ama e muito menos gosta de você.”
“Você esta sendo usada por Harry Styles, isso deve-se ser uma honra.”
“Ele irá te largar qualquer dia, de um jeito ou outro, apenas quer uma noite.”
Chega! Isso já chega! O ponto que elas chegaram já estava chegando ao ponto mais ridículo e hipócrito de todos. Isso não era fácil para elas mas porque me atingir dessa maneira? Esse foi o dia em que eu fiquei mais irritada de todos, no começo eu tolerei, e tolero até agora, mas se disso fosse para mais, seria impossível aguentar tudo calada.
Faltando 10 minutos, coloquei meus sapatos e subi para escovar meus dentes, me olhei no espelho e um pensamento louco atingiu minha mente. Eu não era boa o suficiente pra ele, ele não era bom o suficiente pra mim, nós dois éramos totalmente diferentes e nossas destinos foram cruzados para nos causar uma desilusão amorosa? Não, definitivamente não, onde eu estava com a cabeça em pensar dessa maneira? Terminei de me arrumar e passei o batom, peguei minha bolsa e sai de casa, tranquei a porta e abri a garagem. Meu carro estava embicado para sair e logo arranquei com velocidade.
Ajustei o GPS e coloquei o endereço da festa, Felícia me mataria se eu não aparecesse por lá, eu estava indo mais por conta de Harry, ele estaria lá e seria o grande momento que seriamos vistos juntos em publico, com todos. Virei o carro em uma esquina e já pude escutar o som alto, as luzes e toda a decoração em verde escuro e vermelho, parei meu carro na frente da entrada e o motorista veio estaciona-lo para mim. Puxei minha bolsa e desci do carro, tinha várias fotógrafos mas nenhum focou em mim, eu não era famosa então melhor assim! Entrei e logo na entrada um moço me ofereceu bebida e recusei, eu não gostava de beber. Olhei para os lados e não encontrei ninguém que eu conhecia. Adentrei mais e acabei indo parar na pista de dança, várias pessoas já estavam bêbadas e dançando loucamente. Fui para a esquerda e estava mais vazio, escutei vozes de homens e me virei, encontrei ali Niall, Zayn, Liam e Louis, todos enfileirados sentados no bar.
– Oi Cecília. – Disse Liam simpaticamente. – Você está linda!
– Olá, é bom ver vocês aqui. Vocês também, estão incríveis. – Falei e dei um abraço em todos eles.
Ma faltava um, o garoto que era meu, quase meu. Olhei de todos os lados e não vi ele, pensei em ter visto mas foi só um relance. Os meninos conversavam alguma coisa comigo mas eu não prestei atenção.
– Cecília, ei, Cecília. – Niall gritou. – Desculpa, você está bem? Parece pálida e não ouviu a gente? Perguntamos se a dona da festa esta aqui.
– Não, me desculpem, sim, ela esta, andando por ai eu acho, ela não costuma ficar muito tempo parada. – E sorri, eles me ofereceram bebida mas eu recusei novamente. – Onde está o Harry? – Tomei coragem e perguntei, me inclinei para sentar no banco ao lado de Zayn.
Ouve apenas um silencio, ninguém me respondeu e todos desviaram o olhar, tomaram um gole de sua bebida e nada de respostas.
– Onde está Harry? – Repeti.
– Bom, ele, hm. – Louis começou. – Ele encontrou uma velha amiga aqui, eles estavam mais atrás á poucos minutos, mas já deve estar voltando. – E sorriu fraco.
– Posso perguntar qual o nome dela? – Quis me pagar de protetora mas não deu certo.
– Caroline. – Zayn respondeu.
– Ah, então, ok. – Disse baixo.
– Cecília, estamos indo andar um pouco e ir para a pista, vai ficar ai? – Niall me perguntou.
– Vou, mas daqui a pouco eu apareço por lá, divirtam-se.
Eles foram e logo meus olhos os perderam de visão, a fumaça artificial causava-me um mal-estar incontrolável, pedi uma água gelada e o garçom me trouxe. Cruzei minhas pernas em cima da cadeira e pude ter uma visão privilegiada da festa, pessoas dançando uma musica mega agitada como se não houvesse o amanhã. Observei um casal de jovens de beijando (lê-se quase se comendo) no sofá que tinha do lado da pista. Olhei para a esquerda e avistei Felícia agarrada no cangote de um homem alto e loiro, não quis ir falar com ela, já nessa hora já deveria estar bêbada. Não vi Oscar, Amy, nem Paige. Suspirei e tomei um gole de minha água, desceu rasgando pela minha garganta de tão gelada. Fechei os olhos para tentar entender essa dor e logo abri vendo que já tinha passado, isso era drama meu. A festa estava se tornando vazia para mim, as luzes que iluminavam o local não faziam efeito nos meus olhos, parecia que tudo estava escuro, eu só precisa de um par de olhos verdes para levantar minha noite. Pensado e feito.
– Acha que eu esqueci de você essa noite? – Sussurrou ele em meu ouvido. Não me virei da cadeira, eu sabia quem era e não tinha coragem de olha-lo, não agora.
– Achei que Caroline estivesse ocupando todo seu tempo. – Respondi no mesmo tom de voz.
Ele fez a cadeira girar para que eu ficasse frente á frente com ele. Olhei diretamente em seus olhos e estavam verdes escuros, mas que o normal. Ele deslizou os olhos em cada parte de mim, primeiro nos meus olhos, minha boca, depois não pude deixar de notar que tinha um olhar pesada em minhas coxas e pernas, sorri torto e olhei para baixo, seus sapatos brilhavam com o efeito das luzes. Seus smoking estava perfeitamente alinhado na altura dos ombros e caia perfeitamente em sua cintura.
– Você esta linda! Mais do que já é. – Empolgou-se ele e colocou as mãos em minhas coxas.
– Obrigada, você também esta incrível. – E sorri. – Não bebeu nada ainda, estou aqui no bar com você, não precisa se esquivar.
– Uma água gelada com gás por favor! – Ele pediu ao garçom que logo trouxe á ele uma garrafa e uma taça. Observei cada detalhe dele, colocou a água no copo e bebeu um gole, foi só para molhar os lábios. Ele queria que alguém molhasse para ele, eu deduzi, essa pessoa poderia ser eu ou não.
Estávamos em um jogo de olhares e sorrisos misteriosos, ambos queríamos dizer mas as palavras simplesmente sumiam, tudo aquilo que pensei hoje poderia ser dito da forma mais dura e cruel, eu deveria estar errada, eu tinha que estar errada.
Minhas mãos geladas que estavam em cima da mesa, logo encontraram um par de mãos mais geladas ainda. Desci da cadeira e Harry me puxou para o meio da multidão, ninguém nos notou ali, ninguém notou nossa presença. Cada passo que eu dava, Harry estava na frente e comandava tudo, um passo em falso e eu estava caindo com meu salto e poderia morrer pisoteada no meio de tanta gente. Numa parte mais folgada na pista, Harry parou e ficamos um na frente do outro, ele esticou os pés e começou a dançar, tentei acompanhar ele mas foi totalmente sem sucesso, eu estava longe dele, minhas pernas se moviam com dificuldade, estavam bambas, droga! Isso sempre acontecia quando eu ficava perto de Harry, eu sabia o que ele ia querer comigo depois dessa festa. Minhas mãos apenas tocavam as dele, apenas isso e nada mais. Lendo meus pensamentos, ele nos juntou rapidamente e acabou com toda a distancia que estava entre nós, não tive coragem de olhar para ele, encostei meu queixo em seu ombro e minhas mãos passaram por sua nuca. Começava agora uma música calma e “melosa”. Isso não era bom, eu sentia meus estomago borbulhar por tudo isso, eu estava duvidando do sentimento de Harry por mim e pior, estava duvidando do meu sentimento em relação á ele.
– Eu queria que não tivesse mais pessoas aqui nessa pista, seria perfeito só nós dois. – Ele disse de repente com a voz rouca e roçando a boca em meu ouvido.
– Nós já ficamos tempo demais sozinhos não acha? – Respondi com frieza.
– Por que diz isso?
– Por que, as vezes Harry, a gente precisa de um tempo para que as coisas se esclareçam.
– Está querendo dizer alguma coisa?
– Sim Harry! Eu só, não sei o que aconteceu comigo hoje, mas, estou duvidando de mim mesma e isso não é bom.
Vi seus olhos ficarem tristes e sua boca ficou aberta, como eu era mais baixa que ele, ergui sua cabeça com um beijo, um selinho cheio de amor e sentimento puro. O sentimento do qual eu estava duvidando. Suas mãos me agarraram mais á ele e agora elas estavam no meu tronco. Meus peitos estavam apertados de tanta força que ele fazia para que ficássemos juntos, não reclamei, não me incomodou. Voltei a colocar meu queixo em seu ombro e senti ele pegando nos meus cabelos. A musica agora era animada e não pegaria bem dois idiotas parados ali no meio dançando lentamente. Desci minha mão e encontrei a sua, estávamos saindo da pista quando alguém me barra no caminho. Felícia eu juro que mato você.
– Bom, aqui estão os pombinhos, desculpe atrapalhar mais Harry, seus amigos estão te chamando. E Cecília, você esta radiante querida. – Disse ela com a voz irritada e um bafo forte.
Harry olhou para mim sinalizando que ai ver Louis, Liam, Niall e Zayn. Apenas balancei a cabeça e sorri. De pouco eu pouco, perdi ele de visão totalmente.
Troquei poucas palavras com Felícia e tornei ao bar, não tinha ninguém lá, alem do que, só tinha bebidas fracas e as pessoas que estavam ali não gostavam disso, pedi uma garrafa de água novamente e fiquei ali.
Depois de ter passado duas horas, eu não aguentava mais beber água, os canapés me causavam dor de estomago por conter muita gordura. Procurei Harry umas quatro vezes e nada, acho que dormi, alguém me levou para outra festa mais eu não sabia onde era. Minha imaginação vai longe vê só.
Peguei minha bolsa e sai com a garrafa na mão. Passei pelo meio da multidão toda suja de bebida com dificuldade, olhei para todos os lugares possíveis e nada de Harry! Nem dos amigos dele. Minhas pernas não se moviam mais do jeito que eu queria, com certeza se eu fosse embora ninguém ia notar. Harry iria me ligar então eu decidi ir embora. Quase chegando na porta de saída, olhei para dar mais um olhada e logo vejo o garotinho. Estava sentado no bar com cara de burro quando foge, uma loira estava na sua frente conversando animadamente. A cada passo ela jogava os cabelos para trás sinicamente, tocava no braço de Harry com frequência e sua risada era escandalosa, acho que essa era a Caroline. Apenas sorri e dei meia volta, o motorista logo trouxe meu carro. Larguei minha bolsa no banco do passageiro e sai cantando os pneus. As ruas ficavam embaças para mim, já era bem tarde e as luzes das ruas começavam a ficar desligadas. Liguei o radio e estava tocando uma musica melancólica, isso tudo para melhorar meu dia. Monotonamente, meu carro virou para a rua de minha casa e cheguei á tempo de ver as luzes de meu jardim ainda acessas. Estacionei na garagem e fechei o portão. Tirei os sapatos na varanda mesmo abri e porta com dificuldade. Bati e porta em encostei na parede, meus olhos já estavam se fechando de tanto sono. Joguei as chaves e minha bolsa em cima da mesinha de entrada e subi correndo para meu quarto.
Coloquei os sapatos no closet e me acabei em minha cama, parecia que tudo ainda girava e aquela imagem da loira não saia de minha mente. Harry deve ter tido um caso com ela, isso era obvio, para os dois conversarem tão bem por hoje. Encarei o teto por bastante tempo e estava na hora de tomar um banho. Eis então que levo um susto com o telefone tocando. Voei para a mesa de cabeceira e atendi.
– Alô! – Eu disse rápido.
– Como anda você, acho que esqueceu seu sapatinho na festa e devo levar até ai? – A incrível voz rouca dele que me deixava louca.
– Não, deixei com Caroline, entrega para ela.
– Pra que entregar para irmã feia se eu tenha a Cinderela?
– Idiota! – Retruquei.
– Gatinha.
– O que?
– Linda.
– Está bem Harry?!
– Gracinha.
– Harry para com isso.
– Gostosa.
– Olha o respeito!
Escutei sua risada abafada e parecia que estava bem perto de mim.
– Chega disso, mas abre logo a porta gata. – Ele resmungou.
Corri para minha sacada e vi seus cachinhos de cima, sua cabeça encostada no pedestal onde ficava minhas flores. Dei meia volta e larguei o telefone ainda ligado em cima da cama, corri para as escadas e quase cai na ponto enrolada no tapete. Já perto da porta, me recompus de ar e abri.
– Gostosa? – Foi a primeira coisa que eu disse e cruzei os braços.
– Queria que eu mentisse? – E sorriu, não um sorriso qualquer, apareceu suas covinhas, o que me deixou completamente sem chão.
– O que está fazendo aqui?
– Acha mesmo que aquela festa ia ficar legal depois que você saiu? – Ele perguntou e respondeu ao mesmo tempo. – Acha mesmo que eu quis ficar com Caroline a festa toda? Bom, metade do tempo eu fiquei com os meninos, e a outra metade foi que ela me puxou para conversar minutos antes que você saiu.
– Como sabe a hora que eu saí? – Perguntei tentando ser discreta.
– Te segui esse tempo todo. Tive que ficar parado na esquina de sua casa 5 minutos, não seria fácil você me deixar entrar. – Ele respondeu. – Está magoada comigo não é?
– Não, não estou. Eu só não quero ter meu coração quebrado mais um vez Haz. — Chamei ele de Haz, droga, merda! Eu sempre chamava ele assim quando estava quase me rendendo. – Vamos subir, lá a gente conversa tudo bem? – E sorri forçadamente.
– Tudo bem.
Subimos um longe do outro para a parte de cima, tinha roupas dele guardado na minha mala por um motivo que eu desconheço. Dei á ele as roupas e ele entrou no banheiro que tinha no corredor. Escolhi um pijama curto e entrei no box, prendi meus cabelos e entrei debaixo da água gelada. Os pingos caiam nas minhas costas como pedras, fechei meus olhos e ergui minha cabeça, minhas narinas começaram á arder por causa da água que tinha entrado. Desliguei a ducha e me enrolei na toalha, coloquei a roupa e sentei na cama. Me virei para olhar a sacada e vi as arvores se mechando levemente com o balanço do tempo, a luz fraca do abajur que estava perto da porta estava me atrapalhando, Haz não tinha saído do banho ainda, fechei os olhos e senti a brisa batendo no meu rosto. Meus dedos faziam massagem um no outro e umedeci meus lábios que estavam secos. Encarei a paisagem noturna e só hoje percebi o quanto era bela. Abri meus olhos e escutei o barulho da porta se fechando, a luz do abajur foi apagada.
Minha cintura foi laçada por uma mão forte e eu tinha sido capturada e não tinha mais a mínima volta. Relaxei e deitei em seu ombro, onde ele depositava leves beijos, minha cabeça estava girando rapidamente e eu mesma me perdi e não sabia onde estava, apenas com quem eu estava e assim, era a melhor sensação do mundo. Ele me puxou mais para o centro da cama e eu ainda não tinha nenhuma reação. Agora ele dava pequenos chupões na região do meu pescoço. Senti seu hálito quente e aquilo havia me despertado, me virei e minhas pernas ficaram entre as suas. Nós dois queríamos deixar aquilo mais quente, mas árduo, mas caloroso.
Com muito impulso, ele me atirou para mais perto dos travesseiros e jogou um deles longe, nossas bocas se tocavam freneticamente como duas libélulas batendo suas asas. As vezes apartávamos devido ar que nos faltava. Olhei em seus olhos e estavam negros, negros de desejo, negros de amor. Liberei minhas mãos e rapidamente abri os botões de sua camisa, joguei-a longe e tirei a camiseta que tinha por baixo. Minhas mãos geladas tocavam suas costas quentes e ele se arrepiou, sorri com o ato e voltei a beijar ele. Suas mãos passeavam por minhas coxas me fazendo estremecer a cada instante. A barra de meu vestido logo subiu e já estava na altura de meus peitos, ele viu a parte de baixo de minha lingerie preta e sorriu maliciosamente. Sabe-se lá o que ia rolar depois disso.
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