You Do Not S What It Seems.
10 Esse é nosso amor.
Notas iniciais
Acordei sentindo um peso sobre mim, meus olhos estavam fechados e por qualquer força que eu fizesse neles, eles nem se abriam. Consegui liberar minhas mãos e abrir meus olhos. Harry estava abraçado comigo, seus braços eram completamente confortantes, ele parecia que estava dormindo com um sorriso no rosto. Estávamos com as mesmas roupas de ontem, meu vestido todo amassado, o smoking dele totalmente fora do lugar e tinha uma coberta jogada por cima de nós. Olhei no meu celular para ver as horas, era cedo ainda, dava muito bem tempo de ficar ali mais um tempo com ele, olhei suas covinhas, seu perfume doce me deixava tonta, suas mãos transpassavam pela minha cintura, dava para completamente sentir seu cheiro de longe, seu corpo estava quente igual ao meu, fui fazendo carinhos na sua bochecha, ele foi despertando aos poucos.
- Desculpe, eu não quis te acordar. – Sussurrei.
- Não me importo de ter que ser acordado com suas caricias. – Ele respondeu ainda com os olhos fechados. – Desculpe ter te abraçado forte, você estava me chutando e quase me derrubando do sofá. – Ele sorriu, eu também.
Ele foi me soltando aos poucos e eu levantei, fui preparando um café bem forte, eu precisava disso, afinal meu corpo estava todo dolorido por causa dessa noite. Não aconteceu nada demais entre nós, mas tinha me deixado cansada.
- Haz, quer café? – Perguntei.
- Hm, quero sim, que horas são? – Ele disse ainda sonolento.
- 6h15, acordamos cedo. – Ri e ele também.
Tomamos o café em silencio, nós dois estávamos ainda morrendo de sono, quase me encostando em seu ombro, eu fechei meus olhos e lembrei de tudo o que houve ontem.
Ele me beijou da forma mais apaixonada possível, nossas línguas pareciam que dançavam perfeitamente em sincronia, suas mãos eram macias e faziam massagem em minhas costas, ele estava com calor, muito calor, quis apagar seu fogo comigo mas o fez mais quente. Ele é a primeira pessoa que eu gosto intensamente. Já tive outros namorados mas eu não o amava-os, era só atração. Haz e eu não éramos namorados, mas tínhamos uma relação e quem sabe podemos avançar isso.
Olhei no relógio e já era 6h45, eu começava o trabalho as 7h30, não era fácil muito menos rápido para me arrumar.
- Hazza, eu vou subir e me trocar, preciso trabalhar. – Minha voz não era feliz, eu queria ficar com ele ali no meu sofá o dia inteiro, mas sempre tinha coisas que me impediam, quer dizer, nos impedia.
- Tudo bem, eu espero aqui. – Resmungou ele.
Tomei um banho rápido e coloquei minha roupa. Fui na minha mesinha de cabeceira pegar minhas maquiagens, de volta ao banheiro, comecei a deslizar o delineador pela pálpebra e levei um susto quando vi Harry atrás de mim.
- Você não precisa de maquiagem, é perfeita naturalmente. – Ele disse e sorriu.
- Harry, eu preciso, Oscar me mataria se eu fosse sem maquiagem.
- Quem é Oscar? – Disse ele num tom irritado.
- Oscar. – Dei uma risada abafada. – Ele trabalha comigo, fique calmo ele tem 52 anos e é um pai pra mim aqui.
- Ah, então tudo bem. Não quero ver você falando em outros homens que não sejam eu. – Disse ele com um sorriso travesso. Eu ainda passava meu delineador quando ele bateu no meu braço e me fez um risco enorme no rosto.
- Harry! – Eu disse brava, ele notou que tinha um pingo de brincadeira na minha voz.
- Ok, já estou lá em baixo. – Suas voz era abafada, ele estava mesmo nas escadas.
Terminando tudo, desci e o avistei dobrando a coberta que estava nos cobrindo essa noite.
- Foi você Haz? – Apontei para a coberta roxa.
- Foi sim, notei que você estava arrepiada de noite e subi para pegar uma coberta, pensei em te levar pra sua cama mas fiquei com medo de te acordar. – Deu de ombros e colocou a coberta dobrada sobre a poltrona.
- Obrigada Harry. – Dei um rápido selinho nele.
- Ciça, tenho que ir embora, você precisa trabalhar, enfim, vou indo, te deixo no trabalho.
- Ah, poderia ficar aqui se quisesse! Não precisa, eu vou sozinha e nossos caminhos são diferentes. – Sorri para que ele se animasse mas não deu certo. Passando as mãos na chave do carro e na minha bolsa, fui saindo com Harry para a porta, logo seu celular toca.
- Alo? – Ouvi uma voz bem grossa atrás de deu por entender que era algum agente dele. – Sei, mas hoje?! – Ele disse tremulo, segurei no seu braço e estava gelado. – Mas como ninguém me avisa? Vocês deveriam me falar antes. – A voz do outro lado da linha gritou e Harry foi abaixando a guarda. – Tudo bem, estarei ai. – Desligando o telefone, olhou com tristeza para mim.
- O que foi? – Cheguei mais perto fazendo nossos corpos ficarem colados.
- Terei que viajar para a Suíça hoje, ficar um mês lá, eu ainda mato esse Paul, o idiota disse que eu não tinha compromisso nenhum. – Ele me abraçou a passava a mão nas minhas costas. – Teremos gravar algumas coisas do próximo álbum lá! Desculpa Cecília mas não deu, não deu pra passar mais tempo com você.
- Tudo bem Harry, nós dois temos trabalhos. – Tentei acalmá-lo. – Embarca hoje?
- No voo de meio-dia. – Ele disse triste.
Ele foi chegando mais perto de mim, me encostou na porta me impedindo de sair, seus olhos estavam verde escuro e assustadores, beijou a ponta do meu nariz, me fazendo rir, colocou a mão gelada na minha cintura e me causou um arrepio na espinha, encontrou minha boca, pediu passagem com a língua e eu cedi na hora, era um beijo que deixaria saudades em mim, ficar um mês sem ele era torturante. Harry foi me beijando com mais intensidade e calor, nossos beijos quase nunca eram calmos e frios, eram sempre cheio de paixão e desejo. Passei minhas mãos em volta de seu pescoço, ele mordeu meu lábio e isso me estremeceu, umedeceu os lábios e beijou-me novamente, estávamos em uma guerra de línguas, para ver quem conseguia fazer o entro sentir mais prazer. Por falta de ar, apartamos o beijo, consegui um tempo para olhar no relógio e já era 7h15.
- Harry, eu preciso ir agora. – Eu ia acabar me atrasando, se eu entrasse para dentro de casa, eu com certeza ia deixar as coisas rolarem, não era fácil, nós dois tínhamos compromissos inadiáveis, mas fazia nosso relacionamento nessas partidas ficar mais forte, querendo ou não, nós dois estávamos nos gostando, por completo, um ficava feliz com o outro, essa é a essência do amor, mesmo distantes e sendo completamente diferentes.
Vi os olhos de Harry ficarem bem murchos.
- Ei, ei...- Peguei no seu queixo e levantei ficando na minha altura. – Harry, não fique triste, sei que é difícil mas a gente supera.
- É que... eu nunca consigo ficar com você sozinho por um tempo, tempo mesmo, por duas semanas ou um mês. – Olhando no relógio, ele me fitou aflito. – Tenho que ir. Tchau Ciça, vou sentir sua falta.
- Eu também Haz, muita!
Fomos descendo as escadas do jardim, ele beijou minha testa e nós dois fomos em direções opostas com nossos carros.
Já na minha sala de trabalho, eu estava com uma terrível dor de cabeça. Editei várias fotos e isso já estava me deixando zonza. A revista estava praticamente vazia, os funcionários geralmente estavam de folga nas quintas, num vulto, vi Felícia passando e se jogando no sofá que fica em frente á minha mesa.
- Está tudo bem? – Eu á perguntei.
- Não, não e não! Nada bem, morta de dor de cabeça com problemas de amor. – Fez uma massagem em sua próprias testa.
- Será que posso ajudar? – Arrisquei.
- Não! Quer dizer, talvez sim, você é jovem, não sei se entende muita coisa de amor. – Fui para o sofá e sentei no seu lado, ela encostou sua cabeça em meu ombro, parecia minha mãe quando estava de TPM, tudo ela recorria á mim. – Ele não me quer, eu tenho certeza disso, é sempre estranho comigo, grosso e antipático, mas tem alguma coisa que me prende á ele, não sei o que é, nós dois nunca conseguimos nos separar sabe. – Falou com o tom de voz um pouco dramático. – Ele diz que me ama e eu também o amo, mas ele nunca me dá carinhos, nunca me chama de amor, só de Felícia pra cá, Felícia pra lá. Tem horas que eu tenho raiva de mim, nunca consigo um relacionamento sério, que droga! Sou uma idiota, idiota! – Ela já estava gritando histéricamente.
- Calma, calma! – Abaixei os braços dela para que ela pudesse conversar decentemente comigo. – Talvez vocês tenham uma relação de amor e ódio, um tipo de amor, doentio a ponto de não demonstrar nada, você só vai saber isso se testar ele.
- Como assim “testar”. – Ela fez o sinal de aspas com as mãos e me olhou com cara de quem gostou da ideia.
- Ah, testar ele, quando vocês saem ele olha pra outra mulher? – Ele balançou a cabeça fazendo um negativo. – Ele olha pra você o jantar todo? – Ela balançou a cabeça fazendo um sim. – Ele te ama, de uma forma diferente mas ama, é um amor louco, mas se você se acostumar com ele, podem dar certo. – E sorri logo em seguida.
- Obrigada Cecília, nunca pensei que receberia conselhos de uma pessoa mais nova que eu, ainda mais sobre amor. – Ela me abraçou bem forte, como uma mãe, melhor amiga e irmã. – E seu namoro com Harry, como está indo?
- Ah, a gente não está namorando, só, como eu te disse aquele dia, se conhecendo, mas parece que eu me sinto uma pessoa mais feliz quando ele está comigo, quando ele me diz coisas fofas e quando ele me beija, é incrível, me sinto nas nuvens. Ele é perfeito e muito carinhoso, agora ele deve estar na Suíça gravando algumas coisas, vai ficar com mês lá.
- Você está apaixonada. – Ela só disse isso.
- O que?
- Seus olhos brilharam quando eu falei o nome dele, foi colocando ênfase em todas as coisas que ele fez pra você.
- Sério? Poxa, eu nem percebi, não sei se apaixonada é a palavra certa mas, eu nunca senti isso por ninguém, estou com saudades dele já. – Minha vontade era de sair dali e ir para a Suíça.
- Sintomas de adolescente apaixonada. – Ela resmungou, esticando o braço para pegar uma aspirina.
- Bom, não sou mais adolescente, já tenho 19 anos. – Sorri descaradamente. – Fiz semana passada. — Eu não queria que ninguém descobrisse, muito menos o Hazza, eu sou mais velha que ele, e talvez ele não quisesse isso. Sorri com meu pensamento.
- Oh meu Deus, parabéns Cecília. – Ela se levantou e me deu um longo abraço. – Muitos anos de vida, tudo de bom e muito juízo. Que tal a gente sair hoje a noite?
- Obrigada e você acha que deveríamos sair?
- Claro! Um HappyHour não seria nada mal, a gente pode levar o Oscar e a Amy. Pra comemorar seu aniversário, atrasado, mas temos que comemorar.
- Não sei não, quando penso em sair eu lembro do Harry e isso me machuca um pouco.
- Apaixonada eu já disse, anda, vamos, vai ser divertido. Não adianta dizer não, Harry ficará contente que você saia com os colegas de trabalho. – Disse ela animada.
- Ok, ok eu vou.
Mais a tarde, eu, Felícia, Oscar e Amy fizemos mil planos para a noite, seria incrível, eu queria que Harry estivesse comigo, eu estava sentindo muito a falta dele, nunca pensei que um simples relacionamento, de duas pessoas que se conheceram num avião fosse tão forte assim, a cada passo do dia, eu recebia suas mensagens, o que me fazia sentir mais mal ainda, me deixava para baixo, causando uma dor imensa, cheia de saudades.
Terminando o expediente, fui liberada mais cedo, afinal minha chefe sairia comigo. Logo fui para casa me arrumar, me vesti (http://www.polyvore.com/cgi/set?.locale=pt-br&id=54426426), fui reforçando meu delineador, até em uma maquiagem eu lembrava dele, hoje de manhã, ele me fazendo borrar toda meu rosto, seria difícil viver um mês sem suas brincadeiras e carinhos.
Peguei minha bolsa e as chaves do carro. Não demorei para achar o restaurante, o GPS estava ligado e não tive problemas. O motorista estacionou minha mini BMW, o hall da entrada era magnífico, tinha um pequeno vale de águas onde por cima tinha uma ponte de madeira brilhosa, arranjos de flores de todos os tipos, a porta era de vidro fume, fazendo tudo lá dentro ficar escuro, um homem alto abriu a porta para mim.
- Boa noite Srta. Parker, é por aqui. – Disse ele com uma voz aveludada.
Pegou meu braço e foi me guiando para onde estava meus amigos, e quando cheguei lá, apenas ouvi gritos e muitos papéis coloridos voando pelos ares.
- Surpresa! – Todos os disseram formando um coro.
- Eu... não... acredito. – Gaguejei, Oscar veio e me deu um abraço me tirando do chão. Amy me deu um abraço bem apertado, em seguida veio Felícia com um sorriso no rosto com cara de que já tinha bebido alguma coisa. – Você me paga! – Sussurrei brincando.
- Sei que você precisava disso! E, tenho que te dar uma coisa. – Ela pegou uma caixa e me entregou, era grande e não pesada.
Abri e logo em seguida, eu queria uma arma para matar essa mulher.
- Gostou? – Disse ela com um sorriso travesso.
- Você está maluca? – Dá pra acreditar que ela me deu uma lingerie rosa com laçinhos? – Você deve ter bebido muito, acho que precisa mais de Vodka pra esquecer isso.
- Ora, você é maior de idade e Harry também, podem muito bem fazer essas coisas.
- Ok, mas você ta parecendo minha mãe, não vou usar isso tão cedo. E pode não ser do meu tamanho. Me desculpe mas quem você pensa que é para se meter na minha vida pessoal. – Eu estava rindo de não me aguentar.
- Felícia minha filha, você não é mais uma adolescente ta lembrada, você e Harry estão de rolo quase um mês pelo o que você me disse, acha mesmo que ele vai aguentar tanto tempo sem sexo?
Essa pergunta era tosca, mas fazia sentido, Harry era do tipo ‘quero pegar uma toda noite’, ele estava comigo, a gente não fez nada desse tipo ainda, ou ele me traiu, ou ele estava sofrendo para lidar com seus hormônios, ele seria capaz de me trair? Acho que não, se isso aconteceu, eu cortaria seu membro, sem dó nem piedade.
O jantar todo foi incrível, Oscar e Amy não sabiam do meu ‘relacionamento’ com Harry, seria um choque para eles, eu não queria misturar isso com o trabalho, mas isso sempre acontecia, eu não suportava a ideia de saber que não podia beijar ou até mesmo pegar na mão de Harry agora! Malditos hormônios, idiotas, pensar naquela noite em que eu e Harry estávamos mal falando, eu não tinha ar, só fogo, muito fogo, só de lembrar das suas mãos passando por minhas pernas me deixava com arrepios, foi ai que a saudade mais me deixou deprimida, de uma forma tão grande que me fez levantar ligeiramente para telefonar pra ele.
- Eu já volto! – Murmurei para eles.
Fui correndo para o jardim no qual eu estava sozinha, no ar livre.
Uma, duas e finalmente na terceira chamada ele me atendeu.
- Olá. – Ele disse alegre.
- Oi, oi Harry, desculpe ter ligado tarde, quer dizer, ai é tarde, mas eu não, não...
- Senti sua falta também, pensei em você no voo todo, quando cheguei no hotel, quando fui jantar, enfim o tempo todo.
- Estou com saudades Haz, muitas, como estão as coisas ai?
- Está bem chato na verdade, vamos gravar algumas coisas amanhã e bom, ficar aqui por um longo e doloroso mês. Mas e você Cis? Sua voz está estranha, aconteceu alguma coisa? Onde você está, escuto barulhos.
- Estou bem, estou em um restaurante, com a Felícia, acho que você não conhece ela, é a dona da revista. – Passou pela minha cabeça falar para ele que ela sabe sobre nós, mas isso ia causar uma mágoa muito maior. – Ele insistiu para eu sair com ela, não tive como negar.
- Hm, então você saiu do jantar só para me ligar? – Uma risadinha abafada soou em suas voz.
- Sim! – Ri também. Vi Oscar vindo em minha direção, se eu falasse á ele que estava conversando com um garoto em pleno um jantar com amigos do trabalho, ia me fazer um interrogatório. – Haz, tenho que desligar agora, beijo. Durma bem.
Não pude esperar pela resposta e finalizei a chamada. Era uma das coisas mais difíceis que eu estava fazendo com muita frequência.
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