You Belong With Me
1 One-shot: You Belong With Me
Notas iniciais
Típica noite de terça-feira. Lá estou eu, fazendo as tarefas do dia, quando ouço um berro. Levanto os olhos e vejo meu vizinho Klaus berrando ao celular.
As chances de a pessoa do outro lado ser sua namorada Fiona são enormes. Todo dia vejo-os brigando na escola. Não me pergunte como eles ainda namoram. Eu não sei. E, sinceramente, queria ver o fim daquele romance.
Não, não é por causa dos berros que escuto toda noite, me forçando a ligar o som quase no máximo. Ok, por isso também. Mas o principal motivo é que eu gosto do Klaus. Quem deve ser a namorada dele sou eu, não a Fiona.
Mas sei que não tenho chances. Fala sério, como vou conseguir ofuscar o brilho de Fiona? Ela é líder de torcida, veste shorts que mostram o útero dela e blusinhas que só servem para tapar os peitos, usa salto de 25cm, tem o cabelo pintado do mesmo tom da peruca que a Katy Perry usa em California Gurls, é alta (mesmo sem o salto alto), magra...
Eu? Sou só uma torcedora anônima, que veste calças compridas e blusas que vão até a cintura, usa tênis All Star, tem cabelo moreno natural, é baixinha e está 2kg acima do peso ideal... Sem chance para mim.
Mas a esperança é a última que morre. Principalmente quando o relacionamento dos 2 está no limite.
Klaus desliga o telefone. Conhecendo-o bem, ele está a ponto de explodir. Ou ele tocará seu violão ou ligará para mim.
Ele escolhe a 2ª opção. Logo ouço meu celular tocando Again, da Natasha Bedingfield. Atendo. Sim, é ele.
– Oi, Klaus.
– Oi, Isa. Tudo bem?
– Tudo. E com você? – Já sei a resposta, mas pergunto mesmo assim, para não levantar suspeitas.
– Não ouviu os berros?
– Ouvi, mas não entendi direito.
– Posso desabafar com você?
– Sabe que sempre pode. É a Fiona de novo?
– É. Sabe, Isa, acho que nosso namoro está a dias de acabar.
– Quer que eu seja sincera?
– Acho que mentir não é a melhor coisa agora.
– Não entendo como ainda estão juntos. Vocês brigam todo dia!
– Eu sei. Mas acho que ainda não tenho nenhum motivo concreto para romper com tudo.
– Você ainda gosta dela? – Se houver justiça no mundo, ele dirá não.
– Não sei... – Ótimo. Não sabe. 50% de chance de não gostar mais.
Mas 50% de ainda gostar.
– Você vai ao jogo amanhã? – Klaus é jogador de futebol na West High. Clichê, eu sei. A menina completamente não popular se apaixona pelo jogador de futebol, o cara mais popular da escola. Mas isso é clichê na imaginação das pessoas. Talvez na vida real não seja. Ah, tanto faz. Clichês existem para continuarem a ser usados. Se não, não seriam clichês.
– Claro.
– Obrigada, Isa. Sabe como seu apoio é importante para mim.
– De nada.
– Até amanhã.
– Até. – E desligo.
Termino as tarefas e, exausta, vou dormir. Nem sonho, de tão cansada.
No dia seguinte, vou à escola, praticamente só para ver mais um duelo entre Fiona e Klaus. Que saco.
À tarde, depois das aulas, estou no banco, esperando o ônibus para ir à casa da minha tia. De repente, Klaus sai de casa, com um jeans meio desgastado, e senta ao meu lado. Antes que eu perceba, estamos conversando descontraidamente, como os velhos amigos que somos. É ótimo se sentir assim com ele. Queria que pudesse ser assim sempre. Sem Fiona para nos atrapalhar. Só eu e ele.
Mas, como tudo que é bom dura pouco, aparece Fiona em sua BMW caríssima.
– Tenho que ir – diz Klaus. – Vejo você no jogo?
– Claro. Olá, Fiona.
– Oi, Isadora. Vamos, amor.
Klaus suspira.
– Tchau. – Ele entra no carro e minutos depois está fora da minha visão.
À noite, logo após o jogo...
Estou na 1ª fila da arquibancada, vendo Klaus ser erguido pelo time. Merecidamente. Ele fez o ponto necessário para desempatar o jogo. Abaixo um pouco o olhar e vejo uma cena que me fez dar um sorriso egoísta.
Fiona está dando em cima de um jogador reserva. Não sei o nome dele, mas ele era mais alto que Klaus, e aparentemente mais forte.
Assim que é colocado no chão, Klaus olha na direção dos 2 e morre de raiva. Corre até eles e berra com Fiona, rompendo tudo. Segundos depois, ele está fora do estádio.
Meu desejo é segui-lo, mas nossos caminhos são diferentes. Ele vai para sua casa; eu vou para a da minha tia. Meus pais estão numa festa e provavelmente voltarão bêbados. Ou seja, tenho que dormir na casa da minha tia para que ela me leve para a escola amanhã, já que o ônibus é revoltado e não para na minha casa.
20 horas depois...
Vou ou não vou? Ai, que saco. Não sei se vou ou não ao baile da escola. De repente, a ligação que me fez decidir:
– Vai ao baile? – pergunta Klaus.
– Não sei...
– Queria que fosse. Preciso te dizer algo importante.
– Hm, ok. – E desligamos. Em 10 minutos eu já estou lá, procurando por ele.
Após minutos de procura, nossos olhares se encontram. Ele sorri e caminha em minha direção, mas é interrompido por Fiona. O que aquela safada quer?
Mas ele não a ouve e volta a andar. Daqui a pouco ele está em frente a mim, nossos corpos tão próximos um ao outro que consego sentir sua respiração.
– Desculpa se não percebi antes... – começa ele.
– Percebeu o quê?
– Que meu lugar não é com a Fiona.
– Verdade. Se soubesse antes, teria poupado meu som.
– Não é isso. Ok, isso também. Mas é que eu gosto de você, Isa. Muito.
Meu coração para de bater. Não respiro mais.
– O-O quê?
– Eu te adoro, Isa. Fui um idiota de não ter me tocado antes, mas...
– Não, que é isso, Klaus. Antes tarde do que nunca.
– Então quer dizer que você...
– Também te adora? Claro!
Ele segura minha cabeça delicadamente e encosta seus lábios nos meus. Não sei quanto tempo dura o beijo, mas por mim seria para sempre.
Bom, que seja eterno enquanto dure.
Can\'t you see
That I\'m the one
Who understands you
Been here all along
So why can\'t you see?
You belong with me
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