Notas iniciais
Aqui vai mais um capítulo, babes ♥ esperamos que gostem!

Pov. Tom

Eu estava jogando vídeo game com o Ian quando ouvi meu celular tocar. Pausei o jogo, deixando Ian com raiva, enquanto eu atendia. Era o Brad Shummer. Esse foi um dos momentos mais constrangedores da minha vida. Obviamente não tínhamos muito o que falar, e essa conversa fascinante não durou nem 1 minuto, mas eu já tinha me esquecido completamente que tinha que dar aulas pra ele. Jogar no Xbox com meu melhor amigo tinha esvaziado minha mente completamente.

Brad iria me mandar o seu endereço por mensagem, e eu teria que ir daqui há duas horas para a casa dele. Ainda tinha dúvidas se ele era confiável, como Lise disse, ou apenas um jogador otário de futebol. De qualquer forma, eu iria descobrir mais tarde.

– Cara, isso é uma armadilha. Aposto que o time inteiro de futebol vai estar te esperando pra jogar ovos na sua cara. Você tem que se preparar. – Ian estava mais nervoso do que eu, e os dedos batucavam no controle remoto da TV freneticamente.

– Obrigada pelas palavras de conforto. Vou lembrar de levar um capacete na minha mochila. – resmunguei.

Ouvi um barulhinho de mensagem no meu celuar, e vi o endereço de Brad. Não era tão longe daqui, apenas umas duas quadras da minha casa.

– É melhor eu ir, minha mãe vai me matar porque eu não lavei a louça. É o meu dia de lavar e está quase na hora dela voltar do trabalho. – Ian pegou a mochila dele e se levantou.

– Tudo bem, nós jogamos quando eu voltar da casa do Shummer. – falei.

Ele assentiu. Quando se levantou e guardou o vídeo game na mochila, lembrei-me de uma coisa.

– Hey, Ian. Antes de eu ir, vou passar na sua casa para pegar seu livro de química, ok? Esqueci o meu no armário.

– Depois de 9 anos, não sei como ainda não temos as chaves de casa um do outro. – ele riu. – Tudo bem, te vejo mais tarde.

– Ainda podemos pensar nessa possibilidade. – disse, antes da porta se fechar.

Vi algumas séries de TV até que a hora de ir chegasse. Me arrumei rapidamente, peguei minha mochila e minhas chaves e saí de casa.

Cheguei em alguns segundos na casa de Ian, e passei por uma pequena árvore perto da entrada da casa. Me lembro quando o pai de Ian, antes de se divorciar da mãe dele e sair de casa, nos fez plantá-la quando tínhamos apenas 10 anos de idade. O que ele não sabia era que escrevemos nossas iniciais na parte de trás da árvore. Incrivelmente, após 6 anos, ainda estavam lá. Como se tivesse sido ontem. I & T. Essa foi a última vez que plantamos alguma coisa em nossas vidas e, mesmo assim, a árvore permanecia intacta.

Toquei a campainha, e escutei o familiar som de passos indo até a porta.

– Oi, Tom. Vou chamar o Ian. – era a senhora Matthew. Ela me deixou entrar e gritou por Ian da escada.

Lorraine Matthew é surpreendentemente diferente da minha mãe, Stefanie Lewis. Ela é doce, e trabalha como garçonete em um restaurante, sempre tentando cozinhar coisas novas para agradar seu chefe e tentar ser promovida à cozinheira. Minha mãe, por outro lado, é uma policial séria e durona. Quase nunca tinha tempo para ficar em casa, infelizmente.

Ian desceu as escadas correndo e me entregou o livro.

– Boa sorte, Tom. Sabe, você pode usar a minha bicicleta, eu não uso pra nada mesmo. É melhor do que ir andando. – ele deu de ombros e indicou com a cabeça para a velha bicicleta caída na garagem.

– Obrigado. – agradeci e peguei a bicicleta, me despedindo de Ian.

Eu estava ansioso para saber como essa “aula particular” seria.

Pov. Brad

–Bem-vindo! – Falei abrindo passagem para que Tom entrasse em minha casa. Nunca me vi tão sem jeito na frente de alguém, era uma das situações mais constrangedoras da minha vida provavelmente.

–Obrigada. – Disse cordialmente e entrou.

–Podemos ir pro escritório, ninguém o usa muito mas é um bom lugar pra se concentrar.

Tom só assentiu, então fomos até o cômodo. Ele colocou o livro de química em cima da mesa onde o computador ficava e deixou a mochila em algum canto do chão. Sentamos em uns puffs que eu coloquei ali há tempos e ele decidiu que começaríamos pelo capítulo 10.

Além de química não ser minha matéria favorita, era quase impossível me concentrar ali. Não sei como tive essa ideia, uma vez que suas coisas estavam ali e minhas lembranças também.

–E é por isso que a reação acontece, é simples não? – Sou despertado pela pergunta de Tom e assinto para -sem êxito- fingir que estava entendendo do que se tratava.

Tom suspira.

– Se você não se der ao trabalho nem de prestar atenção, isso aqui não vai servir de nada.

– Sinto muito, vou me esforçar mais. – Eu ainda estava meio aéreo.

– Ei, te aconteceu alguma coisa? Você está mais estranho que o normal.

Dei uma risada.

– Não, é só que… Não foi uma ideia tão boa vir até aqui, não me traz lembranças boas.

– Quem é aquele na foto? – Apontou para uma foto minha com meu pai. Ou ele estava tentando mudar de assunto, ou ligou os pontos muito rápido.

– Meu pai. Tiramos essa foto alguns meses antes do acidente… O escritório era dele.

– Acidente?

– Meu pai morreu num acidente de carro ano passado, ele quase vivia nesse escritório. Por isso me traz lembranças não tão boas, eu achei que já tivesse superado e eu vivo com esse fato, mas vir aqui ainda me lembra muito dele.

– Sinto muito. – Tom levou a mão ao meu ombro, era a primeira vez que ele não parecia chateado comigo, ou algo do gênero. –Sabe, hoje uma amiga me falou que você não deveria ser tão ruim assim, estou começando a achar que talvez não seja.

– Juro que não mordo – Brinquei.

– É o time de futebol, você sabe…

– Eu sei, eu juro que não sou tão horrível assim.

Pov. Tom

Eu estava começando a achar que Brad não era tão ruim assim. Acho que eu realmente o interpretei errado. Deve ter sido bem difícil para ele me contar sobre a morte de seu pai. Eu realmente não tinha ideia do que ele já havia passado na vida. Afinal, não se deve julgar um livro pela capa. E foi exatamente o que eu tinha feito.

Brad acabou conseguindo prestar atenção nas minhas explicações e estava começando a entender e responder corretamente várias questões. Parece que essa ideia de professor particular não foi tão ruim assim.

Quando estávamos terminando o capítulo 10, ouvimos uma batida que indicava que a porta da frente da casa havia sido fechada e alguém havia chegado.

– Brad, querido. Eu cheguei. – escutei a voz de uma mulher.

– É a minha mãe. – ele falou. – Estou aqui, mãe.

A mulher apareceu na frente da porta do escritório em alguns segundos.

– Ah, olá. Eu sou a mãe do Brad, Janine Shummer. – ela esticou a mão e eu a apertei.

– Sou Tom Lewis.

– Espera… Lewis? Por acaso sua mãe é Stefanie Lewis?

– Sim. Como você sabe? – Janine começou a sorrir e foi até uma estante. Percebi logo de cara que ela havia pegado um anuário da Rosey High.

– Eu e sua mãe éramos melhores amigas no ensino médio! Estávamos juntas na equipe das líderes de torcida.

Ela folheou algumas páginas e me mostrou o que estava procurando. Era uma foto de duas garotas, mais ou menos da minha idade agora. Uma morena e outra loira. Ambas sorridentes e abraçadas, usando o uniforme verde e branco da nossa escola. Eram minha mãe e Janine Shummer, de acordo com a legenda da foto. Eu nunca havia visto minha mãe tão espirituosa e feliz assim. Nem ao menos sabia que ela era líder de torcida.

– Nossa… Minha mãe está… Diferente. – foi só o que eu consegui dizer. Estava realmente espantado.

– Pois é. Como ela anda indo? No que está trabalhando agora? – ela parecia genuinamente curiosa. Olho para Brad, que dá de ombros.

– Ela trabalha na delegacia da cidade. É a xerife.

– Uau! Nunca imaginaria. Será que você poderia me passar o número dela? Adoraria conversar com ela. Talvez até marquemos para nos encontrar! – Janine foi até à escrivaninha e me deu um papel e uma caneta.

– Claro. – peguei o meu celular e cliquei no contato da minha mãe. Anotei o número no papel e o entreguei.

– Agora os deixarei estudando. Meu Brad nunca havia trazido um amigo para estudar. – agora Brad parecia envergonhado. Até corou um pouco.

– Mãe. Temos que estudar.

Eu ri da reação dele.

Nós estudamos mais um pouco e, como estava ficando tarde, resolvi ir para casa. A mãe de Brad disse que eu poderia ficar para o jantar, mas eu tive que recusar. Meus pais estariam preocupados agora.

Hoje não foi um dia tão ruim quanto eu esperava.