Notas iniciais
Ah gente, último capítulo (Vamos chorar... não). Então, obrigado quem acompanhou esta fic até o fim, é, eu sei que ela só teve três capítulos mas é emocionante do mesmo jeito, ok? Então, eu até pedi ajuda a uma amiga pra ler pra mim e ver se ficou bom, tudo por vocês, mas sem melação, leiam e é só. Tchau. Vejo vocês na Good Times.

Dez minutos depois, lá estava eu, encostada na parede de frente para o vestiário masculino esperando o dono do carro que iria me levar pra casa aparecer. Na verdade, eu só queria mesmo saber como ele estava depois do que aconteceu. Os jogadores saiam e me olhavam com uma cara de "O que essa garota faz aqui?", bom eu acho que era isso. Finalmente Lucas saiu com o olhar no chão e eu o segui até fora da escola sem falarmos nada.

– Você sabia? — Ele perguntou quando sentamos em um banco embaixo de uma árvore em que costumávamos sentar sempre uns dois anos antes.

– Todo mundo sabia, Lucas.

– Por que ninguém me contou? Por que você não me contou, Taylor?

– Você não sabe o quanto eu queria te contar. De verdade.

– E por que não fez isso?

– Eu achei que ela te fizesse feliz. — Menti desfazendo uma das minhas trancinhas — E eu só quero a sua felicidade, Lucas.

– Você acha que eu estou feliz? Sabendo que a minha namorada é uma vadia, que me traia e que era uma pessoa terrível com você e toda a escola? Quando eu entrei naquele time e a Kaytlin chegou na nossa escola eu não fazia a menor ideia de quem ela era, Taylor. Eu achava que ela era uma garota simpática e adorável que foi muito legal me apresentando seus amigos, mas não, ela só queria me usar pra ser mais popular, e isso me enoja! — Ele havia aumentado o tom de voz e eu me encolhi no banco sem perceber. Ele viu o que estava fazendo e ficou completamente sem jeito. — Me desculpa, Tay. Desculpa, desculpa. Eu não devia ter descontado a minha raiva em você, desculpa. — Lucas me abraçou e me confortou, então eu me senti segura novamente, como não sentia há muito tempo. Então eu soube que todo o pesadelo havia acabado, ela saíra de nossa vida, ficaria como sempre foi. E foi isso que me assustou.

– Eu sei que você deve ter esquecido, mas, bom, você acabou de ganhar um Campeonato Regional, e eu tinha preparado uma coisa pra te dar porque eu sabia que você conseguiria. — Tirei do meu bolso um mini porta-retrato com uma foto minha e do Lucas no dia em que ele ganhou o primeiro jogo pela escola. Ele abriu a boca mas parecia que as palavras não queriam sair então só ficou olhando a foto sem reação. Depois riu e me olhou por um tempo.

– Obrigado. Por tudo. Sério mesmo, Tay, eu lembro de como eu estava feliz naquele dia, eu só queria gritar e pular e te abraçar, você lembra que saiu correndo da arquibancada e invadiu o campo pra me abraçar? Aquilo foi o máximo. Eu me senti uma pessoa de verdade. Sabe, Tay, um dia eu ainda vou ser um jogador muito bom mesmo.

– Acredite, você já é. — Falei olhando no fundo dos olhos dele.

– Você é a melhor garota que eu conheço, sabia? — sorri e vi os olhos dele marejados, então eu descobri que precisava fazer alguma coisa urgentemente.

– Ei, eu estava maluca aquele dia. Eu não parei um segundo o dia todo, Peter chegou a me dar um remédio pra dormir, tinha gosto de meleca. É, não pergunte como eu sei o gosto de meleca. — Ele gargalhou, tirou meu chapéu e o jogou no alto da árvore. — O que? Meu chapéu! Tá maluco? Preciso dele.

– Não é importante agora. Em alguns momentos, as coisas ao redor se tornam irrelevantes. Sabe, você realmente ficou legal de trancinhas.

. . .

– Oi, mãe. — Falei ao chegar em casa e me jogar no sofá pela segunda vez naquele dia.

Acho que ela estava na cozinha porque não foi me receber com suas bombas de perguntas. Lembrei que tinha um teste de Matemática no dia seguinte e saí correndo para ir estudar no meu quarto. Cheguei, joguei milhares de livros, folhas e cadernos em cima da cama e inevitavelmente olhei para a minha janela vizinha. A luz do quarto estava apagada, a do banheiro acesa e o feche de luz que saia de lá iluminava um terno preto em cima da cama do Lucas. Ele devia estar tomando banho, é, pro Baile. Tomei um banho, me vesti normalmente, fiz um rabo de cavalo e me joguei em cima dos livros colocando meus óculos logo em seguida. Estudei, estudei, estudei, e, ah é, estudei mais. Aquele era o último teste do ano e eu precisaria passar a qualquer esforço. Ouvi um barulho e olhei pela janela. Lucas sentou na cama meio lentamente. Eu bem sabia o que passava por aquela cabeça, algo como "Acho que eu não devo ir a esse baile hoje" ou "Todos os meus amigos vão estar lá", e por um momento eu pensei: "Ele esqueceu da melhor amiga", mas então ele se abaixou e levantou com o nosso caderno. Escreveu um "Você vai hoje a noite?", eu me senti ótima, ele não havia esquecido de mim, e era engraçado nós ainda usarmos os mesmos cadernos (Segunda versão, porque já havíamos detonado o antigo antes). Peguei o meu e escrevi "Não, estudando", ele suspirou e respondeu "Queria que você fosse", eu ri, ele pegou seu terno e saiu. Olhei para o quarto por um tempinho até ele voltar para apagar a luz. Talvez ele voltasse com a Kaytlin nesse baile, tudo iria por água abaixo novamente. Voltei meus olhos pelo meu quarto, pela cama e procurei o papel em que havia escrito "Eu te amo" na noite passada. Resolvi ir comer. Desci e dei de cara com a minha mãe na cozinha cantarolando e cozinhando. De repente ela olhou pra mim com o olhar de uma mãe com raiva.

– Taylor, me explica uma coisa, querida. — Ela perguntou com os olhos fechados.

– O que você quiser, mamãe. — Respondi prontamente prevendo uma onda de gritos da parte dela.

– Por que você não se vestiu ainda?! — Ela gritou como eu previ e quase voou no meu pescoço.

– Eu sei o que você está pensando, e eu não vou no baile, mãe. Não mesmo.

– Ah, não? — Ela ergueu uma sobrancelha e eu cruzei os braços.

– Mãe, sem chance, você não manda em mim. Eu não vou àquela droga de baile.

Então, uma hora depois lá estava eu, parada em frente àquela droga de baile. É insultante o modo como a minha mãe tem poder sobre mim, e aterrorizante também. Ela me fizera usar um vestido branco que havia comprado para eu poder usar naquela noite, até que ele era bonito. A quem estou querendo enganar? Era lindo! Eu o amei. E me fizera usar também meu par de lentes de contato que eu comprara um mês antes mas nunca havia usado publicamente. Todos os que passavam por mim me olhavam e sussurravam coisas como: "Quem é essa?", "Ela é bem gata" ou "Parece uma vadia", no último caso eu olhei pra garota que havia falado e observei bem o vestido dela, era roxo e uns dois palmos menor que o meu, eu pensei: "Olha quem fala" e continuei a andar, sentia meu cabelo contra o vento, ele estava solto e eu o arrumei bem como não fazia há anos. Entrei na escola e achei que quem organizou aquilo merecia parabéns, estava realmente diferente da escola normalmente. Muitas pessoas dançavam e conversavam pelos cantos, rodei meu olhar pela sala até encontrar quem eu queria. Lucas conversava com nosso antigo amigo Peter, de repente me notou e pareceu um pouco perplexo, veio andando até mim enquanto eu me sentia minúscula sob todos aqueles olhares de pessoas que nunca sequer notaram minha existência. Kaytlin o parou no meio do caminho e começou a se jogar pra cima dele. Cheguei a cogitar a ideia de sair de mansinho sem ninguém ver, mas tinha muita gente olhando pra ninguém ver. Então, para a alegria geral, ela a afastou apontando com a cabeça pra mim, ela se virou indignada e, sim, eu cheguei a achar que sairia fumaça pelas orelhas dela no momento em que ela me viu "roubando seu ex-namorado". Lucas veio andando até mim e sorrindo, enquanto eu o olhava ele parou na minha frente, tateei nas dobras do meu vestido o papel que trouxe comigo para me dar esperanças, desdobrei-o e mostrei para o loiro na minha frente. Ele sorriu mais ainda e pegou no seu bolso um outro com a sua letra mas que dizia a mesma coisa: "Eu te amo". Ele se aproximou de mim e colou nossos lábios, fazendo o que eu tanto esperei por anos. Bem, naquela hora, Kaytlin e todos os outros na festa eram absolutamente irrelevantes pra mim, como uma pessoa no meio de um planeta inteiro. Na verdade, a única coisa, ou a única pessoa que me interessava se chamava Lucas Daniel Till, eu o conhecia desde os 6 anos de idade, morava em uma casa ao lado da minha, nos comunicávamos por um caderno de desenho, eu já o vi dirigindo, envergonhado, chorando, irritado, desfilando, piscando, cantando, sonhando, me acordando no meio da noite, "apaixonado", de cueca, parecendo um zumbi, fazendo palhaçadas, e todos os outros modos de estar que podem existir, e, acredite, eu me apaixonei mais em cada um desses momentos, somos melhores amigos desde o dia em que nos conhecemos, e hoje eu sei, que nos apaixonamos um pelo outro nesse mesmo momento. Pertencemos um ao outro nesse momento. É, Lucas, você pertence a mim.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!