Eu acordei cedo, porque hoje tinha aula, e me arrumei apressadamente. Quando desci para tomar café, eles já estavam lá.

— Por que vocês acordam tão cedo?- perguntei. Eu não conseguia entender, por mais cedo que eu acordasse quando via eles já estavam prontos.

— Eu vou levar uma amiga pra escola hoje, por isso, levantei mais cedo. Victor, você pode levar a Manu?- disse o Daniel. Eu sorri ao ver a Manoela me olhando pensativa.

— Claro, eu levo sim. Mas quem é essa amiga misteriosa, em?!

— Não vou te falar.- disse ele se levantando e pegando a bolsa.- eu vou indo, tchau.- ele deu um beijo na testa da Manu, e fez o nosso toque comigo.

— Até mais.- disse a Manu.

Quando ele saiu eu me sentei ao lado da Manu, e peguei bacon com ovo mexido. Eu estava comendo, e a Manoela continuava a me observar pensativa.

— Eu sei que sou bonito, mas você está me deixando envergonhado.- disse eu. Ela ficou vermelha e desviou o olhar.- No que estava pensando?

— Em algo que o Gabriel me disse.- disse ela distraída.

— O que aquele idiota te falou?- perguntei irritado.

— Que você gost...- ela ficou quieta quando percebeu o que iria falar. Do que ele falou que eu gosto?

— Bom, eu não sei o que ele te falou, mas sabe do que eu gosto?- perguntei me aproximando dela.

— Do que?- Caramba, hoje a Manu, está muito distraída.

— Disso.- falei pegando o rosto dela delicadamente, e a beijando. Ela retribuiu, sua boca estava com gosto de morango. Eu gostava de beijar ela, porque ela era diferente de todas as outras garotas. Seu beijo era calmo, e ao mesmo tempo provocante. Era ousado e tímido, e parecia que nossas bocas se encaixavam perfeitamente. Mas, como tudo que é bom dura pouco...

— Manu, querida eu cheguei.- disse o Louis entrando na cozinha, e nos vendo daquele jeito. Nós nos separamos rapidamente. Ele começou a rir histericamente. A Manu ficou envergonhada, e eu com raiva por ele estar ali atrapalhando.

— Manoela, você não sossega mesmo, em safadinha?! Primeiro pega o Gabriel, depois começa a conversar com o Matheus pelo WhatsApp, e agora pega o Victor?! Eu pensei que se odiassem.

— Eu não peguei ninguém. E, eu já te falei, o Matheus é meu amigo, só isso.- eu não estou gostando dessa conversa nem um pouquinho.

— Mas foi com ele que você perdeu o bv e vocês sempre gostaram um do outro.- disse o Louis.

— Quem é esse tal de Matheus?- perguntei.

— Ninguém- respondeu a Manu.

— Ah, ele é alguém sim. Ele é o melhor amigo hetero — disse ele dando ênfase na palavra- da Manu. Ele já deram uns pegas, mas depois ele teve que ir para a França com a família dele.

— Mas como eu nunca vi ele?

— Você nunca prestou atenção em mim, Victor. Eu vivia com ele. — disse a Manoela.

— Mas diz aí? Desde quando vocês estão ficando?

— Nós não estamos ficando, Victor. Nós não temos nada.- disse ela.

— Percebe-se.

— Manoela você ainda vai querer a carona, ou vai com o Louis?- perguntei.

— Ela vai com você. Eu já atrapalhei demais. — disse o Louis. E eu me segurei para não sorrir.

— Não, nem pensar. Tchau, Victor, até a aula.

Quando cheguei na escola, a Dalila estava me esperando no portão da frente, eu tentei voltar, e entrar por trás, mas ela me viu. E veio até mim:

— E aí, Dalila, como vai?

— O que você acha? Eu fiquei te esperando na frente da sua casa ontem à noite, e você não apareceu e nem me mandou uma mensagem avisando... Onde você estava, Victor? E por que não voltou pra sua casa ontem ?

— Eu estava na casa do Daniel. E eu não voltei porque eu esqueci que nós tínhamos combinado...

— Calma aí, você nunca deixou de ficar comigo por causa do Daniel. Isso tem alguma coisa a ver com a nerd?

— Acho que isso não te interessa...- falei me irritando.

— Se não me interessasse eu não estaria perguntando!- Disse ela irritada e arrogante como sempre.

— Se te interessasse eu já teria te falado!- respondi bravo e a deixei lá falando sozinha.

Quando eu chego na sala, não tinha ninguém lá, mas eu preferia assim, eu não estava com cabeça pra conversar com ninguém. E o pior era que eu não sabia porque estava tão bravo. Infelizmente minha paz durou pouco, porque a Dalila entrou na sala chorando, e veio até mim.

— Momozim, me desculpa? Eu não queria ser arrogante com você... Me perdoa? Eu posso te recompensar depois.- disse ela fazendo biquinho. Eu odeio menina que faz esse biquinho... Elas acham que estão sendo fofas, mas na verdade estão pagando mico. É essa desculpa da Dalila é claramente falsa, como tudo que ela faz, aliás.

— Tudo bem, sem problemas. Mas eu não quero mais você se metendo na minha vida pessoal. Você não tem esse direito. Você não é nada minha.

— Mas querido, eu me preocupo com você. E eu pensei que nós namorávamos, ou sei lá...

— Não, nós só ficamos às vezes, e sem compromisso. Se eu quiser ficar com outra pessoa, você tem que ficar quietinha.

— Ok! Tchau, mozão. Eu e as meninas vamos matar as primeiras aulas, quer ir com a gente?

— Não, tchau!

As primeiras aula foram chatas como sempre. E na hora do almoço, a Dalila e o bando dela já tinham chegado. Elas se sentaram conosco. A Manu se sentou à duas mesa de nós, e quando a Dalila percebeu que eu estava olhando pra ela, me beijou. E como eu não sou idiota, eu retribui.

— Fala sério, será que dá pra vocês pararem com isso? Ou vão pra um lugar que não tenha plateia.- disse o Daniel. Nós nos separamos e o fuzilamos com o olhar, mas paramos, ele tinha razão. Quando olhei pra Dalila vi que ela encarava alguém com um olhar de vitória, eu olhei na mesma direção e vi a Manu olhando pra Dalila com um olhar desafiador. Eu acabei de aumentar a rivalidade entre elas.

Hoje o professor da educação física dos meninos, faltou. Logo nós tivemos que ficar nas arquibancadas olhando as meninas. O que nos amamos, é claro. As meninas já estavam jogando, mas estava faltando alguém...

— Cadê a minha irmã e as amigas dela?- perguntou o Daniel.

— Eu iria fazer a mesma pergunta.- eu olhei pra entrada da quadra, e a vi entrando com com suas amigas.- Ela está ali.

— Ata!- elas chegaram até o meio da quadra. E formaram o time delas, pelo jeito iriam jogar vôlei.

— Daniel, quando sua irmã ficou tão gostosa?- perguntou o Thiago. E os meninos concordaram com ele, o que me deixou muito irritado, eles não tinham esse direito.

— Fiquem quietos. Se eu descobrir que algum de vocês falou com ela, ou qualquer coisa assim, vocês estão mortos.- disse o Daniel.

— Que ridículo.- murmurei.

— Eu sei, dá pra acreditar em uma coisa dessas?- perguntou o Daniel indignado. — Sorte você e a Manu se odeiam... Imagina?! Meu melhor amigo ficando com a minha irmã?

— Chega a ser uma piada- disse meio nervoso, mas ele não percebeu- Eu nunca faria isso.

— Mas é claro que não. Você é o meu melhor amigo.

— É! — disse engolindo o seco.

Como se o dia não pudesse pudesse piorar, depois da aula meu pai me mandou uma mensagem me falando pra ir pra casa direto, pois precisava falar comigo. Dai você pensa, porque isso é ruim? Simplesmente porque meu pai me odeia, ele me culpa pela morte da minha mãe. Ele a amava muito, e quando morreu no parto, ficou muito abalado e começou a me culpar por isso.

— Ele está te esperando no escritório.- disse a secretária dele.- Boa sorte.

Eu bati na porta e ele me disse para entrar...

— Licença.- disse entrando e fechando a porta- Alguém problema, pai?

— Me diz você.- falou ele seco, como sempre. Eu o olhei sem entender- Suas notas, Victor. Eu não pago aquela escola pra você reprovar.

— Desculpa pai. Eu realmente fui mal esse ano.

— Não só esse ano. Como você acha que chegou até o terceiro? Com sorte? Não, eu que dei um jeito de você passar...

— Você quer dizer que pagou pra mim passar todos esses anos?- perguntei indignado.

— Sim. Mas esse ano eu não vou fazer nada. Se você passar, ótimo. Se não passar, você sai daquela escola e vai estudar em uma pública.

— Eu já estou cuidando disso.

— Ótimo.

— Mais alguma coisa?- perguntei.

— Sim, hoje a minha namorada vai vir aqui em casa e eu não quero você aqui.

— Mas pai, onde eu fico?

— Sei lá, se vira. Fica na casa do Diego, sabe, aquele que tem uma irmã gemia.

— Você que dizer Daniel.

— É, esse aí. Falando nisso, manda um oi pra Manoela, essa menina sim merece o meu respeito, super inteligente, gentil e também quer ser médica, assim como eu. Sabe o que eu queria? Que vocês namorassem, mas infelizmente eu te conheço, você a magoaria.

— É você está certo. Porque não adota ela?

— Se eu pudesse eu o faria. Agora tchau, Victor. Eu tenho mais o que fazer.

Esse é um dos motivos pelo qual eu sempre odiei a Manoela, meu pai sempre falou bem dela, enquanto só reclama de mim.

Eu liguei pro Daniel e ele disse que eu podia ficar lá, sem problemas. Pelo menos eu posso ficar com a Manoela, o dia não será um desastre total...