You Are The Music In Me | jjk + pjm
1 Capítulo Único
JEON JUNGKOOK
Todo mundo busca inspiração em algum momento da vida. Seja para colorir um desenho, para fazer um desenho, para cantar, para dançar, escrever algum texto ou, como eu, para compor uma canção. Sim, me considero compositor, embora não mostre minhas músicas quase nunca.
A minha inspiração começou por conta de um dançarino de rua. Sim, um dançarino de rua! Ele se movia feito uma pluma, mesmo quando dançava alguma música eletrônica. O estilo não importava, ele era perfeito em absolutamente todos.
A única coisa que sabia sobre ele além da dança, era seu nome, pois tinha um cartaz atrás dele: Park Jimin.
Quando saí de casa em busca de inspiração não esperava encontrá-lo em uma praça, com o som não muito alto ao seu lado, movendo-se de acordo com a batida, sendo agraciado por gritos e aplausos de uma bela roda de pessoas que ficava em sua volta.
Ele era cheio de vida, sorria, conversava e trocava energia com as pessoas que lhe assistiam. Ele não me notou em um primeiro instante.
Nem em um segundo.
Ou terceiro.
Ele nunca me notou.
Não notou meus olhares, não notou a atenção com a qual lhe encarava, não notou a maneira que me prendeu a si apenas com seus movimentos e sua forma de cativar aos outros.
Mas isso não me abatia, de alguma forma, porque se agora eu conseguia escrever, conseguia compor e possuía motivação o bastante para nem pensar mais em desistir, era graças a ele. Era graças ao fato de ter o encontrado naquela praça naquele determinado dia. E isso era o suficiente, eu não precisava de mais nada.
Óbvio que em alguns momentos me sentia triste, porque estava tendo uma paixão por um cara que nem mesmo sabia a minha existência, só que ainda assim me sentia grato de alguma forma. Porque ele não me conhecia, mas mesmo assim fazia tamanha diferença em minha vida. Tornava meus dias melhores e trazia cor e música para todos os meus momentos.
Eu nem mesmo percebia quando começava a, repentinamente, pensar em Jimin.
Era apenas inevitável.
Se apaixonar nunca é fácil, ainda mais quando vivemos um sentimento que sempre será unilateral. Sempre serei o único a sentir, o único a perceber, o único a ver. Afinal Jimin jamais olhou para mim ou sequer na minha direção, ele apenas está lá dançando enquanto é observado por várias pessoas — incluindo eu.
Naquele fatídico dia algo estava estranho na minha percepção. Jimin não estava dançando no lugar de sempre e isso me enervou de uma forma sem igual. Fiquei preocupado como se fôssemos amigos de longa data e ele tivesse repentinamente sumido da minha vida sem mais nem menos. E quando eu soube que o dançarino que tanto admirava tinha sofrido um acidente, algo que o dono de um dos quiosques dali me disse, senti-me travar por inteiro.
Park Jimin não me conhecia, mas ainda assim ele era de tanta importância e valor para mim que precisei questionar ao homem do quiosque onde o dançarino estava. Hospital do centro da cidade, era lá que ele se encontrava e não sei como ou o porquê, mas fui em busca de resposta para saber como ele estava de saúde.
Chegar ao hospital não foi difícil, na verdade foi bem mais fácil e rápido do que eu imaginava que seria. Disse o nome do dançarino na recepção e fui informado sobre seu estado já ser estável. Me perguntaram o que eu era e precisei mentir alegando ser o namorado do Park, mas apenas disse isso para poder entrar e vê-lo. A aflição era tanta que meu coração não se aquietava dentro do meu peito em momento algum.
Me aproximei da cama em que Jimin estava, me surpreendendo por sentir-me verdadeiramente triste de vê-lo ali. Ele não demorou a abrir seus olhos e me encarar como se eu fosse um estranho — o que na verdade eu era mesmo. Nossos olhares se cruzaram e senti meu corpo inteiro se arrepiar.
— Você... eu conheço. — Sussurrou, me deixando boquiaberto. — Você sempre me olha dançar, tipo, todos os dias.
— Você notou? — Brinquei como se não fosse algo óbvio apenas para tentar deixar de lado todo o nervosismo que me habitava e então abri um sorriso. — Como de costume, fui ver você dançar hoje, mas o dono de um dos quiosques me disse o que tinha acontecido.
A verdade é que me senti bem tímido. Jimin estava um pouco machucado, mas parecia bem de alguma forma. Ele sorriu fraquinho e demonstrou dor por conta de um corte que havia em seu lábio inferior. Meu peito apertou, mas eu fiquei em silêncio somente o observando, não querendo de algum jeito deixá-lo desconfortável com meus comentários nem nada assim.
— Eu estava indo, mas um carro me pegou antes disso. — Ouvi-lo dizer isso apenas aumentou minha dor. — E eu quebrei a perna e fraturei minha coluna, mas... vou dar um jeito de ainda dançar. Mas, por que se preocupou comigo? Sou só o garoto que dança na rua e consegue alguns trocados de vez em quando.
— Na verdade, você não é só um dançarino qualquer. — Ri comigo mesmo, sentando-me ao lado de sua cama. Era engraçado o quanto parecia que nós nos conhecíamos desde sempre. — É a minha maior inspiração para compor. Esses dias eu ando sem muita criatividade, não componho muito bem e nem com muita variação de palavras, andei buscando mais ainda por você. Talvez você não saiba, mas, enfim, é a minha maior inspiração.
Jimin sorriu, mas dessa vez não reclamou por sentir dor ou algo assim, ele só deixou uma risada baixinha o escapar e entrelaçou uma mão na outra sobre sua barriga, logo aconchegando-se melhor na cama que parecia tão desconfortável no meu ponto de vista. O Park era realmente muito bonito, meu coração não se aquietava no peito apenas admirando os traços tão bonitos de seu rosto. Não entendia exatamente o motivo para achá-lo tão diferente das outras pessoas, somente sabia que ele não era igual.
— Será que poderei ver suas músicas um dia? Só para ver se sou uma boa inspiração mesmo. — Gostei do tom levemente debochado de Jimin e de seu jeito descontraído. — A propósito, me chamo Jimin. E você é?
— Jeon Jungkook. — Respondi depois de alguns segundos, totalmente perdido em sua beleza. — E sim, você poderá ver minhas composições... será que gostaria de sair comigo?
Joguei como quem não queria nada, ouvindo mais uma risadinha bem baixinha em resposta. Sério, meu coração ia fugir pela minha boca a qualquer instante por causa dele.
— Acho que eu gostaria sim.
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