You Are The Light
1 Único.
A verdade é, ele nunca imaginaria que aquilo aconteceria. Nunca passou pela sua cabeça, que um dia a ausência dela fosse lhe ferir mais do que asas arrancadas. Mas feriu! Feriu como se cada pena de sua asa fosse arrancada da forma mais bruta que se tem, feriu mais do que o sangue da luz e das trevas se encontrando. Feriu mas do que qualquer outra coisa que ele pudesse se lembrar.
A ausência machuca, destrói, e no caso dele, não imaginava que tinha muita coisa a ser destruir, mas tinha. Um coração talvez? quando foi a última vez que ele sentiu algo como aquilo? quando foi mesmo que ele começou a sentir? Mas ali, diante do local onde tudo havia acontecido ele era capaz de sentir. Sentir a saudade, ausência, o pesa das palavras nunca ditas, e dos sentimentos recém-descobertos. Ele podia sentir tudo, inclusive a presença dela.
Não era justo que um ser como ela pudesse ter pagado tão caro. Não se lembrava de nenhuma única vez que a viu sendo uma pessoa ruim. Ela era uma luz, um corda de equilíbrio. A garota fazia o bem, limpava o rastro de destruição que ele deixava. Ela era uma luz no fim do túnel, pena que só agora ele havia percebido. Era ele que devia ter partido. Era ele que devia ter ter pagado por tudo. Era ele, e mais ninguém.
As mãos brancas e trêmulas foram de encontro ao chão, onde ainda jazia alguns poros da poeira que havia deixado. As lágrimas desciam compulsivamente, e por mais que ele tentasse não derrama-las, ele não conseguiria. Era difícil de mais. Não era do feitio dele derramar lágrimas. Na verdade, ele nunca o fazia. E sentir o rosto molhado por lágrimas o fazia ter certeza que aquilo era real, e que ele nunca mais a teria. Ergueu a cabeça para o céu — os cabelos pretos, agora estavam longos, não importava muito para ele cuidar de tais coisas, os olhos eram inchados pelas incontáveis noites que se via chorando, a barba estava pra fazer. Tudo nele indicava sofrimento, indicava o quanto ele havia mudado. Se pegou pensando no que ela diria para ele se estivesse ali, ela questionaria o estado deplorável dele? ela ao menos se importaria em lhe dirigir a palavra?
- Sou Gabbe - disse arrastado, abrindo um sorriso para Luce. - lembrou-se de quando havia reencontrado a garota no reformatório.
- Cam, meu bem — disse uma voz atrás dele. Era Gabbe, cutucando seu ombro. Uma mecha fina na frente de sua cabeça estava amarrada e presa atrás de sua orelha, como uma faixa de cabelo perfeito.
Balançou a cabeça não se permitindo ser inundado por lembranças. Era tarde de mais para lamentações, para arrependimentos. Era tarde de mais para ele, e para ela. Era tarde de mais para eles. E a única coisa que lhe restava, era viver sabendo que nunca mais veria os olhos sempre brilhantes do anjo que era Gabrielle, lhe restava acreditar, que no fim, ele superaria.
- Me encontrarei aqui, sempre que precisar. Sempre que a saudade apertar. — disse por fim, para o céu, como se ela pudesse ouvi-lo. Mas ele sabia, ela nunca mais o ouviria.
Find me here
And speak to me
I want to feel you
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