You Are Not Alone
5 Depoimento de Nicole part. 2
Notas iniciais
O meu problema com alimentação faz bastante tempo. Desde pequena não como direito. Criança mesmo almoçava tarde, quase nunca merendava na escola, não comia (e ainda não como) pão de manha e jantar é a coisa mais rara do mundo
Os anos foram passando ate que eu mudei de cidade pela primeira vez. Menos de um ano depois meu primeiro distúrbio alimentar, acho que poucos já ouviram falar, se chama: transtorno do comer compulsivo. Consiste em basicamente comer, sem motivo, por qualquer coisa. Eu realmente comia. Não muito, pois eu nunca fui de comer. Eram mais ou menos duas caixas de chocolate por mês, e quando não tinha chocolate eu ia comer Nescau, ou leite, muitas frutas, comia na escola e foi por um tempo. Ate que veio a anorexia, ela não veio com muita força e eu era bem nova devia ter no máximo dez anos. Eu parei de comer na escola, cortei o chocolate, almoçar era bem pouco isso quando eu almoçava, e foi mais um tempo.
Nas férias eu voltava com a o transtorno de comer compulsivo tanto que eu tenho colesterol e triglicerídeo alto. E continuou com altos e baixos. Já pensou em duas doenças COMPLETAMENTE DIFERENTES numa mesma pessoa? É muito difícil!
E enquanto tudo isso acontecia eu tinha outros problemas. Minha mãe era um deles. Minha mãe é muito legal, compreensiva, eu amo ela mias que tudo, porem ela tem um defeito: ela bebe. E muito
Não consigo dizer quantas vezes eu tive que arrastar ela de um bar ate em casa. Trocar a roupa dela. Ter que cuidar da ressaca dela. Tive que ouvir as coisas horríveis que ela falava pra mim. Eu chorei muito. E sozinha. Por isso eu tentava me matar. Eu tinha amigas, mas pra elas eu era a pessoa mais feliz do mundo. Eu chorei e tentei me matar.
Se bem que minha mãe beber é de muito antes. Acho que eu tinha uns sis anos quando começou. Teve uma vez que ela gastou todo o dinheiro dela com bebida e não deu pro ônibus, sorte que o cobrador a deixouela ficar no ônibus pelo que ela tinha. Teve outra vez que ela esqueceu a bolsa no carro da amiga dela e a chave tava lá. Eu me lembro desse dia como se fosse ontem, eu a arrastei para a casa da vizinha- que é amiga dela há anos- e nós dormimos lá. Foi triste sabia? Chorei a noite toda!
Agora vamos avançar um pouco. Onde eu tava? Ah, sim na minha mãe. Bom isso realmente era um problema não só por ela beber, mas... Ela me prometeu tantas vezes que ia parar. Jurou olhando nos meus olhos, porem não parou. Então quando ela diz que vai fazer ta coisa eu não acredito. Por causa dela eu não acredito nas pessoas. Às vezes desconfio ate das minhas amigas. E choro mais ainda. Eu quero acreditar, mas tem uma barreira e eu não consigo, toda vezes que alguém me diz “te amo” eu fico com um pé atrás. Dói demais não acreditar em quem eu amo
Outro problema muito grave era o que eu tinha- e graças a deus não tenho mais- com meu pai. Eu tinha raiva dele por que ele se esqueceu de mim. Passou dois anos sem falar comigo e eu tava tão mal precisava dele e ele não tava nem ai. Eu sofri muito por que eu sempre fui muito apegada ao meu pai
Bom outra cosa que me perturbava era a saudade da minha família. Não tenho nada a dizer por desse assunto saudade não pode ser dita só sentida
Eu tinha mais algo a dizer que era... Ah, sim. É sobre o porquê de mesmo eu mudando de escolas inúmeras vezes continuava sofrendo de bullying. Seguinte eu não me adapto muito bem a qualquer lugar. Seja aonde for. Faço amigos, me apego e eles destroem a minha vida. Final
Depois de fazer esse logo texto que tenho certeza não ajudou em nada chegamos a minha recente situação. Ano passado minha mãe teve que viajar duas semanas e nós ficamos totalmente sem contado já que lá não pegava telefone. Minhas “amigas” (incrivelmente ainda falo com elas) inventaram uma incrível brincadeira ignorando a Nicole. A brincadeira era simples quem falasse comigo primeiro perderia. Imaginem como eu estava sem minha mãe, quer dizer eu tenho problemas com elas, mas ela é a única família que eu tenho nessa cidade dos infernos e eu fiquei arrasada com a brincadeira. Até que um belo dia eu invento de comer um, sei lá me esqueci agora, só sei que eu não podia comer aquilo. Eu comecei a passar mal e ficar tonta e fui ao banheiro, uma colega minha disse pra eu colocar o dedo na garganta e vomitar o negocio lá pra ficar melhor. Acho que vocês já sabem o resultado disso, né?
As duas semanas seguintes foram terríveis. Eu vomitei tudo. Tudo e mais um pouco. Eu não vomitava só uma, duas ou três vezes de uma vez. Eu passava horas no banheiro. Não tinha ninguém em casa mesmo. Eu sabia que tinha que comer então funcionava da seguinte forma. Sem café da manhã, merenda na escola, vomitava o almoço e comia o mínimo possível de noite pra não dar gastrite. Demorou muito, foi muito tempo assim. Eu só não tomei uns laxantes que achei em casa, por motivos que da minha mãe e ela ia sentir falta. Foi ai que a confusão começou. Eu passava logos tempos sem comer (anorexia), depois comia muito (transtorno do comer compulsivo) e em seguida vomitava tudo (bulimia). E assim ate hoje
Não estou escrevendo para ninguém ter pena de mim. Ou receber jeitos de solidariedade. Não que eu não esteja grata por todos que me apóiam, para essas pessoas não tenho palavras para exercer minha gratidão, mas o único propósito para qual estou aqui postando o depoimento é que ninguém faça como eu. Para que vocês saibam onde estão os meus erros e aprendam com eles. Acho que é só. Beijos
Notas finais
Quem quiser dar um depoimento é s ó mandar uma mo pra cá ou pra qualquer uma das meninas que compõe o grupo
Fale com o autor