You Are Not Alone

18 Depoimento de LoLita_Pepper


Notas iniciais
Oi, pessoal, aqui é a Nicole. Eu decidir voltar para o grupo... Sim eu tinha pensado em sair , nem cheguei a falar para ninguém, mas tudo bem. Só mais uma coisinha, não fiquem achando que a felicidade cai do céu tem que se lutar muito até chegar a ela :)

Meu nome é Mariana e tenho 13 anos.

Não posso dizer que minha vida é perfeita, quer dizer, se você vive diariamente numa selva chamada carinhosamente de colégio sua vida nunca será fácil. Eu nunca sofri de alcoolismos ou bulimia, eu sofri e ainda sofro um pouco de bullying.

Tudo começou ano passado, quando eu mudei de escola. Minha irmãzinha iria também, então minha mãe resolveu me colocar também. É um colégio de elite, sério. Alunos chegam com mercedes e caminhonetes de ultima geração lá, a maioria vive em mansões e tem sobrenomes influentes.

Eu estava muito empolgada, amigos novos, uma escola maior, matérias novas... Como era tola. Assim que eu cheguei, já implicaram com minhas roupas. Veja bem, calça jeans, uniforme e uma camisa xadrez por cima é Ok, não? Não para eles, segundo eles eu estava vestida de professora. Até hoje não entendo o porque da implicância.

Até ai, tudo bem, mas então as implicações aumentaram, sempre das minhas roupas. As meninas vestiam calças jeans coladas, regatas, blusas curtas... Eu não. Nunca gostei de me vestir assim, nunca. E por causa disso, falavam – alto – de mim:

- Olha ela, a blusa folgada. Com certeza escondendo a gordura.

Ou então:

- Onde ela comprou essa calça! Que horror!

Fútil não?

E então eu me afundei nos livros. Tem gente que se afunda em bebidas e drogas, eu me afundo em livros. Eu sempre li muito, mas naquela época eu li exageradamente. Foi nesse meio tempo que eu encontrei minha melhor amiga, a L. A L. era um ano mais velha do que eu, a principio nos unimos por nós duas sofrermos com essas piadinhas, mas a L. sofria mais de certa forma, ela sofria cyberbullying. As garotas da sala dela a xingavam e mandavam mensagens anônimas a ameaçando. Covardia, eu sei. A L. e eu sempre fomos muito ligadas, até hoje nos falamos (ela mudou de escola por conta disso). Tudo que acontecia com ela, ela me contava. Eu escutava e achava bárbaro.

Mas era a realidade que eu vivia.

Até agosto eu não tinha amigos na minha sala, na hora de fazer trabalhos eu nunca era escolhida, e todos me zuavam por ler demais. Mas então eu fiz três amizades maravilhosas: A V. a La. e a D. Todas nós éramos excluídas, então nos juntamos. A principio ela falavam muito mal do pessoal da classe, mas eu fiz elas pararem, por mais que os idiotas mereçam, acho horrivel falar pelas costas de alguém. É mais divertido se vingar.

Por um tempo tudo parou, as picuinhas, tudo. Mas ai, um garoto começou a gostar de mim. Eu o odeio, e quero dar um machado na cabeça dele. Um otário. Sabe aquele idiota que mesmo tirando nota baixa se acha o inteligente? O espertinho? Esse é ele. (Recentemente eu me vinguei dele, na frente de todo mundo, mas isso é outra historia). Mas ele gostar de mim já foi motivo para as piadinhas recomeçarem. Eu não sou bonita, e sei disso. Se você tem o cabelo rebelde, sardas (muitas) fica vermelha com freqüência e não tem olhos azuis/verdes você é considerada uma leprosa.

Todos encheram muito meu saco, por que o menino falava para todos que namorávamos. Um dia, eu o ameacei. Sou maior que ele, muito maior, e mais durona. Ele se borrou inteirinho.

Agora a anorexia. Não posso dizer que sofri muito com isso. Eu gostava. Eu sentia prazer em não comer. Não foi por causa da escola. Foi o balé. Sempre amei dançar. Fazia balé desde os nove anos, mas eu dei uma engordadinha, e minha professora de dança começou a pressionar:

- Ai, encolhe sua bunda! Está enorme! Horrível! Como você quer ser uma bailarina gorda assim?

Veja, eu tenho 1.59 e 48 quilos. Não sou totalmente magra, mas sou. Mas na cabeça doentia da minha professora, eu estava obesa.

Eu parei de comer. Tomava suco no café, e não pegava o lanche que minha mãe fazia para mim levar. Almoçava pouco – nunca vomitei depois – e não jantava. Meu pai sempre vai ao mercado nesse horário, e minha mãe trabalha de enfermeira, então nunca esta em casa no jantar. Meu pai me instruía a jantar e eu o tapeava. Ele não sabe até hoje disso.

E ai, eu emagreci. 3 quilos. Só.

Eu estava feliz. Mas minha professora não. Cobrança. Magreza. Muita pressão.

Então eu larguei. Tudo. Meus sonhos, minhas apresentações, minha saia de tule. Sai do balé. Eu não estava afim de morrer.

Eu parei com isso. Hoje como normalmente. Tenho minhas recaídas e as vezes deixo de jantar e tomar café, mas esta rareando.

Nunca contei nada disso com ninguém, simplesmente tomei uma decisão, que acho que salvou minha vida. Nunca fui de obedecer, meus pais me consideram uma rebelde sem causa. Eu não ligo, para nada. Eu apenas revido, na mesma moeda e com intensidade maior.

É isso. Tenho mais depoimentos, mas acho que já enrolei muito.

Bjs.

Mariana