You Are Not Alone
14 Depoimento de KiraraLSM.
Notas iniciais
Ok, vou contar o que anda acontecendo. Ando pensando muito em coisas ruins (Como se ninguém soubesse!) e acho que vou excluir meu depoimento para escrever outro... Não sei. Sinto que exagerei bastante no meu primeiro e creio que pode melhorar, além de que é o menor -qqq
Bem... Espero que gostem desse... Vai ser maior. :)
Tenho 11 anos, estou um ano adiantada na escola.
Me mudei muito pequena pra Portugal.
Aqui, sofri bullying, mas não de violência, pelo menos não fisica.
Meu nome era — e ainda é — estranho para meus colegas.
Houveram alguns que arrumaram apelidos como lacticínio e leite porque me viram bebendo leite uma vez. Mas foi a única vez, já que não gosto de leite.
Na pré, conheci D., minha melhor amiga até agora.
Nos dávamos perfeitamente bem. Eu era diferente de todos que ela conhecia. Acho que é isso que ela gosta em mim.
Eu tinha outras amigas, se é que posso lhes chamar disso.
Eu era alérgica a muita coisa e contei pra uma delas. Lhe chamemos de I.
Então, na semana seguinte I disse que pegou alergia. E disse que tinha pegado de mim, e que foi no médico e ele disse que ela tinha pegado de alguém.
E falou pra todo mundo que a minha alergia pegava. Mas não era contagiosa.
E apenas D falava comigo.
Eu acho que eles tinham uma falta do cerebro. Por que afinal, se ela pegou alergia de mim, ela também tinha alergia e podia pegar noutras pessoas, né?
Continuando...
Eu era diferente de todos. Eram todos meio baixos, meio gordos, pele meio bronzeada, cabelo e olhos escuros, enquanto eu era alta, magra, pálida, cabelo loiro, olhos claros.
Então, na 2ª série conheci M. Eu ela e D. somos melhores amigas. As únicas que me compreendem.
Bem, essa parte vai parecer diferente.
Com 7 anos, tive um irmão.
Agora ele tem 4 anos.
Ele tenta chamar minha atenção me machucando.
Eu não o suporto.
Eu digo que brincaria com ele se ele pedisse em vez de me machucar, mas na verdade, não brincaria. Eu ás vezes machuco ele sem razão.
Eu sou muito cabeça-quente.
Não consigo me controlar.
Eu sempre pensei " Como os Bullys fazem isso?" Mas agora me confronto " Como EU faço isso?".
Aprendi que muitas vezes, os Bullys querem passar a dor que têm.
Mas eu não sinto dor.
Não quando o machuco sem razão.
Eu simplesmente não consigo parar:
Ele chega ne mim > Eu grito com ele > Ele grita comigo > O machuco > Ele me machuca.
Eu já o insultei. Muitas vezes fiquei de castigo por sua causa. Eu acho que é isso :
Eu não o quero machucar. Ás vezes quero é ser quem sou. E a verdade é que sou meio violenta e rebelde.
No mês passado, fiquei pregada no computador.
Na hora de comer, comia pouco e dizia que estava enjoada.
Depois, comecei ficando mesmo enjoada. De manhã : Acordei sem fome
Almoço : Pouco e ainda vomitava Tarde: Nada Noite : Comia o que mandavam, dizia que tava enjoada e depois vomitava.
Depois, se tornou motivo pra não ir na aula.
D. e M. estavam preocupadas. Ficava tentando me matar não respirando.
Contei pra minha mãe o que aconteceu.
Por fim, melhorei.
Acredito que muitas vezes devia contar tudo pra minha mãe. Mas não me sentia confortável pra por exemplo, chegar e falar:
" Oi mãe! Tudo bem? Sabia que dei meu primeiro selinho com 9 anos?" Ou pro meu pai.
Foi difícil de contar pras minhas BFFs. Não me sinto á vontade pra falar. Então me refugio no computador, criando identidades e fazendo amigos, mas tenho dificuldade nisso.
Sou muito tímida.
Eu simplesmente sou... quem sou.
Dizem que sou perfeita. Muita gente diz que os insultos são por inveja.
Mas acredite, se estivesse perto da perfeição, não sofria.
Acho que a única coisa que alguém precisa pra ser perfeito é não sofrer. Ser a própria pessoa. Mas não é tão fácil como parece.
Não sofrer é uma coisa. Outra coisa é esconder uma lágrima atrás do sorriso.
Essa foi a primeira parte. A dona do depoimentos nos enviou uma outra parte, uma que dizia o ponto de vista de uma amiga dela. Achamos legal colocar o máximo possível de detalhes... Aqui vai:
" Eu a conheci quando estávamos na 2ª série.
Inteligente, bonita, parecia uma boneca de porcelana.
Eu não queria me aproximar. Ela parecia uma daquelas garotas mimadas e metidas.
Mas ela se aproximou de mim.
Ela sofria muito com o que os outros falavam. Não os insultos. Mas coisas que faziam os outros se afastar.
Houve uma vez, foi uma briga boba, estavamos almoçando na escola. Depois, tinha uma laranja. Ela foi buscar mais sopa. Outra garota, que será a I, pegou a laranja.
" Essa laranja é minha! " Ela disse.
" Busca outra! " I disse.
" Não. É minha. Você que busque a sua. " Continuou e pegou a laranja.
" Era só uma laranja! " I resmungou
" Não. Não era só uma laranja. É você! Eu não te suporto! Se fosse pra outra pessoa..."
" Ei, vamos ignorá-la" I disse pra mim.
Eu era pequena, não sabia o que estava fazendo, então, respondi:
" Como quiser."
E ficamos a ignorando.
Minutos depois, a encontrei, sentada no chão, chorando no colo de D.
Me arrependi profundamente do que tinha feito. Ela era minha BFF. Eu não tinha esse direito.
Passei a 3ª e 4ª série sem a ver, ela tinha mudado de escola.
Depois, quando a voltei a ver, ela estava muito diferente. Coração quebrado, mal com o irmão, rebelde, mas continuava com o mesmo rosto de anjo.
No fundo, ainda era ela.
Nesse ano, ela teve coragem e mandou um cartão pro garoto que ela gostava. E eu e ele começamos a namorar.
Ela estava muito triste.
Além de que descobri que uma garota tava me usando pra fazê-la ficar sem amigos, por pura inveja.
Agora, estamos na 6ª série.
Ela piorou. Apesar de seu coração estar novamente inteiro, ela começou a se tornar mais rebelde.
Ela deixou de comer. Inventava a desculpa que estava enjoada, e depois ficou mesmo. Sempre que comia, vomitava.
Eu estava muito preocupa, por que além disso, ela mentia pra professora e usava os enjoôs como desculpa pra faltar na escola.
Eu a falei com sua mãe. Ela melhorou um pouco.
Mas continua a mesma, tentando esconder uma lágrima num sorriso, como ela diz.
Eu não consigo fazê-la melhorar completamente.
Ela têm que colaborar.
Ninguém é perfeito. Ela é imperfeita, estranha, diferente, louca e se orgulha, e me orgulho de que agora ela não liga pro que os outros pensam.
Ela é minha amiga. Me preocupo com ela.
Mas é preciso que a própria pessoa queira melhorar para conseguí-lo.
Fale com o autor