You Are Not Alone

25 Depoimento de Dani_nessie


Meu nome é Danielle Menezes e vou contar um pedacinho da minha história:

Eu tenho 14 anos, desde a pré escola sou tachada como estranha, gordinha e tudo mais. Na minha segunda série, que eu fiz em Goiânia, as pessoas começaram a falar mal de mim, dizendo que eu era gordinha, que eu era idiota, criança. Sempre era excluída das rodas de brincadeira, e meus primeiros dias, sempre eram uma tortura! As crianças eram más comigo, por que eu sonhava grande, na minha sala havia pouco mais de 09 alunos. Dentre eles, eu era a única menina de pele mais escura. Eu tinha uma estranha amizade com os meninos das séries anteriores, e não me incomodava, afinal, eu não ficava sozinha.

Na terceira série, tudo se repetia. As brincadeiras, as mentiras, nem grupos para trabalho eles queriam fazer comigo, então, no ano seguinte eu mudei de escola e de cidade, mas se na antiga era ruim, na nova era 3 vezes pior. Eu fiquei numa turma com pouco mais de 40 alunos! Foi um choque para mim, tentei me enturmar e, de novo não consegui. O problema sempre era meu peso, minha aparência, resumindo, eu!

Eu tinha inúmeras brigas com minha mãe, até que eu falei pra ela que queria morar com meu pai. Foi um momento de raiva, ela chorou, mesmo sem me deixar ver, eu sabia que ela chorava, acho até que se culpava por não ser uma boa mãe, coisa que é uma puta mentira, A minha quinta série, foi ótima. É claro que houveram discussões, e brincadeiras de mal gosto, mas eu tinha amigos! Meu melhor amigo, tentou me ensinar a jogar ping pong, me falou que ser popular era legal, me ensinou a gostar de música. Nossa primeira briga, foi um baque pra mim, mas no outro dia, estávamos de bem. Então, veio a noticia que abalou meu mundo, eu iria mudar de escola. Meu mundo caiu, eu, apesar das inúmeras brigas com meu pai, era feliz com meus amigos. Relutante, eu fui para a nova escola.

Sexta série=desastre. Meu mundo caiu!! Minha notas eram todas polares, eu brigava com meu pai todo dia, eu não agüentava mais isso, foi quando, pela primeira vez, eu fiquei sem esperanças. Eu poderia ate ter amigas, mas nada era como antes, todas cheias de frescura, e titititi, tatata, eu não agüentava, era muita coisa na minha cabeça, era pressão demais. Então eu comecei a evitar meu pai, não havia mais nada que eu poderia fazer. A gente não se encontrava, nós não brigávamos, mas algo veio para tirar meu sossego, cyber bullying, minha amiga e eu havíamos tirado uma fotos e ela as colocou no Orkut, mais ou menos um mês depois, me xingaram e humilharam na rede. Eu nem tinha/tenho Orkut, fiquei sabendo por uma colega. Fiquei arrasada, eu não havia feito nada, me humilharam na frente de todos. Eu fiquei sem chão. Então, comecei a ter um começo de Bulimia nervosa. Eu não comia e inventava desculpas e meus pais não percebiam. Eu estudava, mas não conseguia tirar notas muito altas, e meu pai falava que eu não era boa o suficiente! Sempre assim, sempre eu como o desgosto.

Sétima série, comecei a mudar, Chutei o balde. Todos notaram a diferença, comecei a me cortar, nada que eu fazia era bom o suficiente, eu só queria ser boa em algo! Só queria deixar meu pai orgulhoso, rezava todas as noites para Deus me levar deste mundo, não queria viver assim, como um cachorro sarnento, que todos não querem ficar perto, ninguém quis me ajudar, eu havia chegado ao fundo do posso, planejava uma saída de casa, fugiria pra algum lugar, para casa da minha mãe. Meu porto seguro, ela entenderia, e me ajudaria. Eu não estava mais com essa maldita bulimia, mas eu ainda me censurava por causa do meu peso, da minha cor, EU ERA RACISTA COMIGO MESMA(mas eu sempre achei as outras morenas mais escuras, LINDAS!)! Eu era idiota, invejosa, egoísta, mimada, burra e gorda ( ainda sou parte dessas coisas)

Na oitava, o cutting era meu prazer, meu escape, até me apresentarem o álcool, eu bebo muito, mas não chego a ficar doidona, não tenho facilidade de ficar bêbada, infelizmente, porque só o que mais queria/quero é uma válvula de escape de toda essa pressão. Minhas notas eram horríveis!! Brigava com meu pai todo dia, às vezes tinha a impressão de que ele não me amava, já cheguei a dizer isso a ele. Ele nunca me valorizou, eu sofro com isso. Só falta ele me chamar de vagabunda, por que ele fala que eu não estudo e já me mandou aprender o oficio de empregada domestica, por que eu nunca vou virar algo na vida.

Esse ano, aumentei a dose nas bebidas e no me cortar! Só que tenho um anjo que me ajuda muito, esse anjo me salvou de mim mesma inúmeras vezes, graças a esse anjo e a Deus eu estou superando, com dificuldade e recaídas, tudo o que já me aconteceu. Esse ano eu entrei na igreja, e tudo melhorou, posso não ter notas maiores, mas tenho Deus e esse anjo ao meu lado, o nome desse anjo é Nicole Lopes. Eu agradeço a ela, minha amiga, minha irmã. Obrigada!! E agradeço também a Deus, que também é meu porto seguro. O sofrimento, apesar de diminuído, não esta extinto. Ainda choro e me pergunto porque fiz essa decisão, mas não posso mudar o passado, apenas fazer o futuro.

Esse foi um pedacinho da minha história, deixei muita coisa de fora. Pode não ser a história mais triste, sofrida, mas foi minha e garanto que não foi nada fácil passar por tudo isso quase sozinha. Obrigada.