You Are My Wonderwall
3 Capítulo 3
Eu precisava mesmo de esquecer aquele dia e deixar de me preocupar com coisas estúpidas e muito pouco improváveis de acontecer.
No entanto, existia sempre aquela voz atrás da minha orelha que dizia que ainda não tinhamos chegado ao fim de nada. Isto era apenas um novo começo e eu precisava de estar mais atenta do que nunca aos passos que dava e a quem os seguida.
Durante o meu caminho de volta á casa silenciosa do meu pai, tinha pensado imenso sobre a conversa que tinha tido com aquele rapaz.
Não percebi o que ele queria de mim, mas eu tinha a certeza que tudo o que eu queria dele era distância. O rapaz podia ser um assassino em série ou um violador, e eu já estava com eles até á ponta dos meus cabelos.
Um arrepio subiu pela minha espinha acima quando entrei na casa. Era estranho estar num sitio onde o silêncio reinava. Quando morava com a minha mãe havia sempre alguém lá em casa, ou os meus primos, ou vizinhos ou apenas amigos do meu irmão ou da minha mãe. Havia sempre alguém para fazer barulho, para nos fazer lembrar que estamos vivos.
Ia ser dificil habituar-me aquilo, mas não havia nada que pudesse fazer contra isso.
Não sabia bem o que uma pessoa fazia quando estava sozinha em casa á noite. Decidi-me pelo mais lógico, fui até ao frigorifico e tentei preparar alguma coisa para eu e o meu pai comer-mos quando ele chegasse. Já eram quase nove da noite, ele devia de estar mesmo a chegar. Achei que seria bom para nós ter-mos uma noite relaxada e por isso escolhi um filme para ver-mos enquanto comiamos.
Ouvi a porta da frente abrir e olhei para lá com medo. Desde o acidente que achava que tudo o que se mexia me queria fazer mal. No entanto, era apenas o meu pai.
-Olá querida — disse ele e eu apenas sorri. — Cheira mesmo bem, foste tu que fizes-te o jantar?
-Sim. — respondi e sentei-me no sofá — Pensei que pudessemos ver um filme enquanto comiamos ou assim, para relaxar.
-Parece perfeito. — respondeu — Vou só trocar de roupa e desco já. — acenei com a cabeça e enrolei-me no sofá.
Um dos pandas do meu casaco encarou-me e eu sorri.Aquilo era a coisa mais estranha que eu alguma vez tinha feito, contando com a dança que o meu irmão fazia sempre quando ganhava alguma coisa. Parecia um macaco a ter um ataque cardiaco.
-Já estou pronto. — disse o meu pai enquanto descia as escadas — Que filme escolhes-te?
-Como aqui só á filmes de guerra e terror, escolhi o que me pareceu ter menos tiros. — disse levantando-me para ir buscar os pratos com a comia, deixando-o visivelmente desconfortável — A capa está em cima da mesa.
-Não é mau. — disse ele enquanto lhe entregava o prato.
-Vamos lá ver isso. — Sentei-me ao lado dele não com muito entusiasmo e comemos entre medos. Só sabia que em cada vez que havia um tiro eu saltava no sofá. Era como uma recordação de tudo. Rezei para que o meu coração durasse até ao fim do filme e conseguisse superar o medo que tanto sentia.
Já estava em Londres há quase uma semana quando vi o rapaz dos pandas novamente. Não sei se aquilo contava muito como ver, mas a verdade é que ele estava na televisão.... a cantar ... nos jogos olimpicos.
Eu precisava urgentemente de consultar um psicologo e um oftomologista. Das duas, uma. Ou eu estava a ficar completamente doida, ou estava a começar a ver mal para caraças. Passei o resto da noite a inventar histórias para aquele estúpidez, até que me cansei e acabei por adormecer no sofá.
Acordei com a luz do sol na minha cara e algo a cair ao chão.
-Pai? — chamei. Só podia ser ele, mais ninguém tinha a chave da casa. Levantei-me cuidadosamente e peguei num candeeiro como proteção. A porta da frente estava aberta e havia um papel no chão. Peguei nele e abri-o. Era a conta de um restaurante. Muito provavelmente era do meu pai, logo á noite perguntava-lhe.
Decidi ir dar uma volta pela cidade e secalhar ir assistar ao ensaio daquele grupo de dança que tinha visto no primeiro dia. Eles eram extraordinários e eu estava a precisar de algum movimento.
Vesti uma roupa simples e saí.
Era mais um dia em Londres e menos um dia de sonho interrompido pelo som do telemovel a tocar. Olhei para visor e percebi que era a minha mãe. Já á quase 2 dias que não falava com ela, e só este pensamente já era insuportavel.
-Mãe! — gritei mal atendi.
-Então querida, está tudo bem?
-O mesmo de sempre. — suspirei — Tenho passado os dias fechada em casa, sem a minha dança e com o pai sempre a trabalhar. — tinha percebi perfeitamente como ela tinha ficado depois da parte da dança. Ela também tivera esse sonho um dia e esperava que eu o pudesse ter concretizado. Ainda não acreditava que não podia.
-Tu sabes o quanto lamento isso, mas eu acredito que é o melhor para ti neste momento. Precisas de esquecer tudo, o máximo que puderes.
-Eu percebo. — fingi, eu nunca iria perceber. — Já os apanharam? — ela sabia perfeitamente do que eu estava a falar e sabia também perfeitamente que eu não me ia esquecer de nada até que o fizessem.
-Não, querida. Mas estão num bom caminho.
-É o que eles dizem sempre.
-Tens que confiar na policia ... — naquele momento ouvi alguém a respirar mesmo atrás de mim. O medo começou a apoderar-se de mim quando senti também alguma coisa a tocar nas minhas costas. Não consegui respirar, nem sequer ouvir nada do que a minha gritava ao telemovel. Eles tinham ido atrás de mim e era desta que me iam matar.
-Mãe... — disse o mais calmamente que pude — Amo-te. — Não havia mais nada que me pudesse salvar da morte, por isso respirei fundo e fiz a única coisa que me podia dar alguma vantagem. Dei-lhe um pontapé bem em cheio nas partes baixas e comecei a fugir.
-Aven!!! — gritou. — Para quê que foi isto?! — Ele continuava agachado por causa das dores que eu imagino que tinha, e afinal era apenas o rapaz dos pandas.
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