You Are Loved

1 Capítulo 1


Julieta nunca gostou de ser tratada com delicadeza (bem, não nunca. Um dia, há muitos anos atrás, era tudo o que ela queria). Ser tratada com delicadeza, ela aprendera a duras penas, era a maneira mais gentil que os homens tinham para menosprezá-la, para diminui-la. E isso Julieta não poderia permitir.

Mas é diferente com Aurélio.

Principalmente porque, com ele, não se trata de um negócio.

Aurélio é delicado com ela, não porque ele a acha inferior ou frágil. Ele é assim por achá-la importante. Ele a olha como se ela fosse algo maravilhoso, diz seu nome como quem declama um poema. Ele a toca com reverência.

Julieta não gosta de toques, mas os toques de Aurélio são diferentes. São como luz incidindo sobre um jardim, enchendo-lhe de vida, de amor, de uma ternura que deixa uma sensação morna e gostosa sob seu peito.

Ele também pode deixa-la queimando com um desejo que até então ela não sabia ser possível sentir.

Quando seu falecido marido a procurava, era doloroso e aterrorizante e deixava Julieta se sentindo suja por dias. Com ele só havia dor, o som de tecido rasgando, choros.

Com Aurélio só há gemidos de prazer e sussurros e olhares que vão tão fundo que Julieta se pergunta se ele pode ver sua alma. Ela o sente contra sua pele, contra sua alma. Traça as linhas do corpo dele com suas mãos e é a primeira vez que ela descobre o corpo de alguém daquela maneira. É a primeira vez que ela se sente tão próxima, tão conectada a alguém.

Julieta se sente viva, como há muito tempo não se sentia.

Se Julieta fosse boa com as palavras, ela conseguiria dizer como se sente.

De certa forma, ela não seria a negociante que é se não fosse boa com as palavras, então talvez ela realmente não seja boa em identificar seus sentimentos. Julieta só sabe senti-los. Descrevê-los lhe escapa totalmente.

Ela inveja um pouco Aurélio por isso. Aurélio que fala sobre seus sentimentos sem reserva, que os sente sem pudor, que não tem vergonha em demonstrá-los. Eles são muito diferentes, Julieta e Aurélio. E ainda sim...

Ainda sim ela sente tudo o que sente.

As vezes, não sempre, mas as vezes, ela gostaria de dizer a ele exatamente como se sente. Mas as palavras lhe escapam, fogem dela. Seus próprios sentimentos se escondem dentro dela. Mas então Aurélio a toca, a beija, olha para ela de uma maneira especial. Aurélio, que leva sua alma em seus olhos, sem medo de que alguém possa vê-la. Aurélio, que a ama; que a faz se sentir amada.

Julieta se sente amada.

E, como não consegue achar maneira melhor de contar, ela diz exatamente isso a Aurélio.

Ela não levanta a cabeça para olhá-lo, um tanto envergonhada com sua confissão. Aurélio é muito melhor que ela com as palavras. Nem sempre ele é bom com elas, mas ele tenta com maior frequência, logo, acerta mais também. Aurélio não a força a olhar para ele, mas Julieta sente seu sorriso contra seus cabelos.

— Bem. – Ele diz tranquilo. – Você é amada.

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