You And The Stars
14 My best friend and a little idiot
Notas iniciais

Eu estava sentada à beira mar; era tão cedo que o sol ainda estava começando a despontar no céu. Eu andava fazendo muito isso, acordando cedo para respirar ar puro, ficar em frente ao mar, só olhando… e também ficava de noite, por horas e horas, olhando o céu, as estrelas e a lua. Geralmente quando eu acordava cedo, eu voltava a dormir depois. Eu fazia isso porque havia parado de sair depois da pequena treta no mercado. Só saía quando Matthew não estava por perto, ou seja, quando eu deveria estar dormindo.
Não me leve a mal, eu não estava com raiva dele, mas eu precisava evitar vê-lo pra não ficar.
E eu também me sentia estranha. Aquele era um daqueles dias em que eu não sabia o que sentia. Não sabia o que fazer da vida. Me sentia um mistério, uma incógnita, incapaz de me desvendar ou ser desvendada. Sei lá. Era um daqueles dias em que eu não conseguia avaliar meus sentimentos. Não conseguia entendê-los. O que eu sentia por Matthew? Emma era minha amiga mesma ou só companhia? Os sumiços da minha mãe significavam o quê? Por que só o Will conseguia me fazer bem? E por que eu tinha o talento de fazer as coisas sem pensar? Um bando de perguntas sem respostas. Não, pensando bem, excluam a última pergunta, eu sabia porque eu agia sem pensar, mas isso era um caso a parte.
— Oi — ouvi uma voz atrás de mim.
Olhei por cima do ombro, me sentindo um pouco assustada. Era só Will.
— Ei — falei abrindo um leve sorriso.
Ele comprimia os olhos por causa da claridade do dia. Estava sem camiseta, usava só um short, e sua franja estava desalinhada e bagunçada. Will bocejou.
— Poxa, até quando você vai continuar essas suas caminhadas matinais que sempre me acordam?
— Acho que até eu cansar.
— Ah, saco.
— Mas por que você acordou?
— Digamos que você parece um elefante dançando balé de manha cedinho.
Dei uma risada.
— Não vou me ofender, hein — respondi.
Ele ficou em silêncio e então se sentou ao meu lado.
— O que você tanto pensa quando acorda cedo assim ou fica acordada até de madrugada? E sim, eu sei que você fica acordada de madrugada.
Dei de ombros.
— Acho que todo mundo precisa de um tempo só.
— Ah, claro, é melhor eu ir — disse ele, já se levantando.
Peguei em sua mão, fazendo ele ficar.
— Tudo bem. Pode ficar comigo. Gosto de estar com você.
— Não precisa dizer isso se é pra me fazer sentir bem.
— Relaxa. Tô sendo sincera — assegurei com minha mão ainda na dele. Tirei minha mão de lá com delicadeza, e então ele rodeou seu braço por meus ombros.
Ficamos em silêncio. Ali era bom, era calmo.
— Ei, o que é que tá rolando? — disse ele, longos minutos depois.
— O quê?
— Entre você e Matthew. Sei lá, vocês não se falaram mais.
Olhei-o de soslaio.
— Nunca fomos grandes amigos, você sabe disso. Nunca fomos nem colegas.
— Eu sei, mas vocês até que estavam tendo umas conversas normais.
— Não delira.
— Ah, vai. Você sabe que pode contar pra mim.
Seus olhos estavam fixos em mim. Eu sabia que eu podia confiar nele, aliás, se eu não confiasse nele, nem em mim eu poderia confiar.
— Não houve nada de mais. A gente saiu e ele mentiu dizendo que ia no banheiro quando na verdade foi comprar drogas.
— Não entendi. Você nunca teve nada contra drogas.
Revirei os olhos.
— Não é nada contra as drogas, é que ele mentiu.
— Hmm, entendi.
Dei um leve soco no ombro de Will.
— Ele é só um idiotinha — falei descontraída.
— Um idiotinha que você gosta.
— Não começa. Já falamos disso um milhão de vezes.
Taí um assunto que nunca iria sair de moda para ele.
— Mas não é verdade?
— Não é. Eu não gosto dele.
Ele me olhou com cara de quem não acreditava nem um pouco. Me deu uma vontade de esganá-lo. Acho que com 7 bilhões de pessoas no mundo, não iria fazer a mínima diferença se eu arrancasse uns dentes e colocasse um olho roxo em uma única pessoa, né?
— Ele é bem bonito — admiti.
— Uau.
— E é extremamente sexy também e às vezes eu tenho vontade de mordê-lo, mas isso não significa que eu goste dele. Você também é bonito.
Na real, Will é lindo.
— E isso significa quê?
— Eu te acho bonito e somos só amigos — falei como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. E, pô, era mesmo, não era? E lá estava eu novamente sem saber se era só amizade mesmo.
— Devo concordar com a primeira parte.
— Primeira parte?
— Que eu sou bonito.
Ri.
— Convencido. Não concorda com a segunda parte?
Arqueei a sobrancelha e Will respondeu:
— Não, porque somos melhores amigos. Tem uma diferença enorme aí, de “só amigos” para “melhores amigos”. Ah, você é uma gata também.
Quanta fofura pode caber em uma pessoa só? Confie em mim, sabe aquele garoto tímido que deve ter em sua vida, mas que você não conversa? Faça amizade com ele, às vezes você consegue a sorte grande e ganha um Will na sua vida também. Se não tiver um garoto tímido na sua vida, então espere que ainda vai ter. Ou não, aí o problema é seu, colega.
— Valeu, agora chega de viadagem. Vamos sair daqui? Alguma ideia melhor do que voltar a dormir? — indaguei.
De repente Will se levantou, me agarrou pela cintura, me levantando e quase me fazendo cair. Então soltou minha cintura e pegou minha mão, me puxando para longe da onde estávamos sentados.
— Uou, calma aí, garoto — falei surpresa e animada.
— Lembra que eu disse que te ensinaria a nadar?
— Lembro.
— Vamos lá na piscina. Vou te ensinar — ele falou num tom meio que “sem discussões”, mas eu não era assim fácil…
— Mas agora? Tá cedo ainda. E tá meio frio…
— E dai? É pra até de noite você já estar expert.
Chegamos a casa e entramos. Subimos até o nosso quarto. Me surpreendi ao descobrir que Emma não estava mais acordada.
— Ué, cadê ela? — indaguei.
— Sabe-se lá. Mas desconfio que ela esteja tendo alguma coisa com o Josh.
— Vagabunda, nem me contou.
Will me olhou de esguelha.
— Vai ver é porque você também não anda dando muita atenção à ela, sabe…
Dei um suspiro entediado.
— É só que eu não me sinto muito a vontade conversando com ela. Isso é uma coisa que eu só consigo ter com você.
Ele sorriu sem graça e arrumou a franja. Awn.
— Eu sei… vai lá colocar seu biquíni.
Pov’s Will
Ela sorriu pra mim quando saiu do closet. Eu gostava do sorriso dela.
Pelo menos ela falou sobre o que sentia por Matthew. Não era nada do que eu imaginava, pelo menos. Ela não gostava dele. Ele só era um rosto atraente pra ela. Eu tinha chances. E elas eram grandes.
Mas como? Já sabia que uma Amizade Colorida não era a solução. Samantha não dava muita bola para o que fazia porque era impulsiva e um pouco pior… mas Emma dava, então ela provavelmente faria a cabeça de Sam, dizendo que isso iria destruir nossa amizade e blá blá blá. E se eu conversasse com a Sam? Falasse sobre o que eu sentia? Não. Ela iria me achar um gayzão. Ninguém gosta de gays.
Porém, sinceramente, você vai ter que admitir: eu era um gay, um viado. Mal sabia conquistar uma garota. Eu deveria saber, não é? Tinha 15 anos, quase 16. Eu deveria saber. Quero dizer, eu não tinha uma lista muito grande de namoradas e conquistas, mas a que eu tinha era suficiente para saber como agir quando a garota que você gosta é a sua melhor amiga. Metaforicamente falando.
Não era tão simples assim. Samantha parecia ter algum fetiche por caras maus. Digo, errados, que só fazem besteiras. Matthew mesmo era assim. Ela disse que não gostava dele, e não gostava, mas eu sabia que a atração que ela sentia por ele não era só pela aparência física. Ela simplesmente gostava de caras cafajestes. Um exemplo disso era o Ex namorado dela, o Tyler. Ele não valia a comida que comia e quando Sam percebeu o quanto ele era um bosta, eles terminaram, só que desde o início ela sabia que ele era um bosta, mas ela só foi realmente levar isso a sério quando a bosta começou a atingi-la. Se é que você me entende.
Não to dizendo que o que Sam sentia por esses caras era amor, sentimentos maiores e etc. Era atração e prazer pelo errado, a exata coisa que ela sentia por Stonem.
E aí que tava o problema. Eu não era assim. Nunca iria ser.
Pov’s Will OFF
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