You And The Stars
23 I like you very much
Notas iniciais

Saí do quarto batendo a porta. Ela precisava ficar sozinha e eu estava com raiva.
O que havia me feito pensar que uma garota como ela iria me dar moral? Will ama Samantha. Samantha ama Samantha. Simples assim.
Desci as escadas, saí no Hall de entrada. Abri a porta para a fora. Fui para o deck. Me sentei ali, no assoalho de madeira, aos pouquinhos fui deslizando até estar completamente deitado. A chuva já tinha passado. O chão ainda estava molhado, e, por sinal, me molhava também, mas eu pouco me importei. Ainda estava claro, porém era como se o sol tivesse atenuado, não estava quente, a claridade não estava forte… estava tudo suave e calmo.
Talvez estivesse na hora de acabar logo com isso. A merda de sentimento.
Voltei a me sentar e não consegui esconder a cara de surpresa. Matthew estava ali do meu lado, fumando um cigarro de maconha.
Ele me olhou com uma careta.
— Quer? — tirou o cigarro da boca.
— Não — respondi friamente.
— Por quê? O que te impede de aceitar? — disse ele, enfiando novamente na boca.
— Ahn… não sei se você sabe, mas essa porra aí causa impotência sexual, colega — respondi.
Matthew deu de ombros.
— O que posso fazer?
Tipo, parar? Mas não falei nada, até porque era uma pergunta retórica.
— Vamos lá, Will. Tô vendo que você tá deprimido. Que tal alguma garota?
Não seria ruim, se a garota fosse Samantha.
— Por que você tá aqui, Stonem? Não somos amigos.
Ele demorou um pouco pra responder, e quando respondeu, sua voz veio baixa.
— Pelo mesmo motivo que você. Samantha.
Ah, claro, que piada. Como se ele gostasse de alguém, quem dirá de Samantha.
— Não me olhe assim, falou? Muita coisa mudou desde que chegamos nessa joça. Sabe que eu não ando ligando mais para nada? Garota nenhuma importa, a não ser… ela — arrematou, suspirou e atirou a batuca do cigarro no mar.
— Que bom, porque ela vai quebrar seu coração, pisotear, colocar no triturador e jogar as sobras ao vento.
— Isso foi meio… — disse e deu um bocejo — melodramático, não acha?
— Completamente.
Ficamos em silêncio.
— Ela é uma garota difícil — afirmei longos minutos depois.
— E o pior é que ela vale a pena.
E daí eu parei para pensar. Será? Será mesmo?
— Vale? Será que ela vale tanto a pena assim? — murmurei.
—- Vale — sussurrou. Matthew se levantou e eu me levantei também.
Entramos para dentro sem dizer mais nada.
Pov’s Will OFF
O corpo é 70% água, então a questão é: é possível se afogar em si mesmo?
Chorei um mar depois que Will havia saído do quarto. O que eu havia feito? Por que eu tinha que ser tão idiota? Eu podia ser grosseira e cuzona com todo mundo, menos com a única pessoa que se importava comigo, isso eu não podia ser. Nunca.
Afundei a cara no travesseiro e chorei. Chorei porque de repente tudo começou a doer.
Emma, Will, Nicholas e eu naquele quarto… Matthew.
Podia ficar pior? Não, vida, não responda… porque podia, sempre podia.
Pov’s Matthew
Will subiu para o andar de cima. E eu fui para a cozinha. Me perguntei sobre onde estava minha mãe, e aí eu vi bilhete colado na geladeira dizendo que ela havia ido ao mercado. Torci para que ela trouxesse Ruffles sabor cebola e salsa, meu favorito.
Abri a geladeira, mas não era à toa que ela tinha ido ao mercado. Tava até criando teia de aranha lá dentro. Nem ovo de galinha tinha. Fui olhar na despensa, vai que era meu dia de sorte. Mas… tinha alguma coisa errada.
Quando me aproximei da porta de correr da despensa ouvi sons, gemidos e risadas. Que porra era aquela? A porta estava entreaberta, me aproximei, me esforçando ao máximo pra não fazer barulho e não ser descoberto. Espiei pela pequena fresta na porta.
Meu primeiro impulso seria o de gritar, o segundo era o de sair correndo. Mas eu me segurei, soltei um arquejo e fui me afastando lentamente, chocado.
E o que e quem eu vi lá dentro permaneceriam estampados na minha mente para sempre.
Pov’s Matthew OFF
No dia seguinte, saí do quarto decidida a pedir desculpas para o Will, só que eu não o achava em canto algum. Ele não havia passado a noite no quarto, nem ele e nem Emma.
Desci para o café da manha, mas não tinha ninguém na mesa, o que era estranho, afinal, era aquela exata hora que saía o café.
Fui para o deck, e acabei encontrando meus pais e o Sr. e a Sra. Stonem comendo em silêncio, porém preferi sair de lá antes que eles me percebessem, e assim o fiz.
Eu precisava encontrar Will. Eu precisava abraçá-lo, olhar nos olhos dele que sempre me fascinaram e dizer que eu não estava nem aí para o resto do mundo, que só eu e ele importava.
Fui para a área particular da praia. E lá estava: Matthew. Não era bem quem eu procurava, mas… servia também. Pra quê, eu não sei.
Matthew usava uma blusa cavada, uma bermuda caindo, mostrando metade da sua cueca Calvin Klen, que devo dizer, realçava sua bunda. Estava descalço, braços cruzados. Parecia pensativo e estava bonito.
O quê? Eu disse bonito? Devo ter me enganado, ele estava o pior impossível.
Lindo.
E daí? Você também acharia se estivesse lá.
Andei até parar ao lado dele. Olhei na mesma direção em que ele olhava, o mar. As ondas quebravam sem parar, e a correnteza estava forte. A água parecia estar fresca e relaxante. Seria ótimo se molhar naquele momento.
— Ah, que diferença faz? Você já me viu de biquíni mesmo — tirei a minha blusa, joguei-a na areia e em seguida despi meu short. Entrei na água.
— Você é mesmo maluca — Matthew falou atrás de mim.
Me virei para ele, mas continuei andando na água. Arqueei a sobrancelha.
— Vai ficar aí olhando ou vai entrar também?
Matthew deu um sorriso sem graça. Aquele não era o Matthew que eu conhecia.
Aí ele me olhou dos pés a cabeça, dessa vez abrindo um sorriso malicioso. Retiro o que eu disse, aquele era o Matthew que eu conhecia.
— Preto. Sexy — murmurou olhando para a minha lingerie.
Ele se apressou em retirar a camiseta, desabotoou os botões da bermuda e deixou que ela escorregasse pelas pernas. Jogou longe atrás de si.
A água estava uma delícia, fresca sem estar fria demais. Eu não sabia exatamente o que tinha dado em mim — só acho que todo mundo já se habituou com minhas mudanças de humor — mas de repente eu estava satisfeita e aquela água era o paraíso.
Matthew começou a correr na minha direção com um sorriso bobo no rosto. Fiquei parada esperando seu corpo se chocar com o meu, e assim aconteceu. Eu e ele caímos sentados na água.
— Porra, você podia acordar mais vezes assim — falou ele, enxugando o rosto com as mãos.
— Assim como? — falei abrindo um sorriso curioso.
— Sei lá… atrevida — respondeu.
Dei uma gargalhada.
— A água me parecia tão boa… e está mesmo uma delícia.
— Tem outra coisa aqui que também tá uma delícia — falou Matthew me encarando descaradamente.
— Para com isso! — falei rindo.
— Não vai me xingar?
— Eu não ia… mas se você faz tanta questão. Idiota.
Matthew deu uma gargalhada.
— Eu tô melhorando, sabia?
Sorri.
— Acredito em você. — falei crispando os lábios. — Não estou sendo irônica, o.k?
— Jura? Porque você costuma ser totalmente irônica.
— Cala a boca. Eu sou só 98% irônica. A ironia é a minha forma elegante de ser má.
Ele arqueou a sobrancelha.
— E qual é a minha forma?
Ser lindo e me olhar dessa forma que me desestabiliza completamente. Isto que é maldade de verdade.
— Você não é mau. Você é o maior mané — menti.
— Sua cara não me engana, Crimsey — Matthew abriu um sorriso divertido. – E você é previsível. Você baba no loiro aqui que eu sei.
Fechei minhas mãos em concha e chutei água no rosto dele.
— Filha da puta! — exclamou ele, mas sem conseguir conter a risada.
Mostrei a língua.
— Previa isso?
Então senti as mãos dele se fecharem nos meus cabelos, puxando-os com força. Em seguida minha cara foi afundada e eu estava engolindo água. Sabe o tanto de água com sal que eu engoli? Sabe o tanto?!
Não queira saber.
— Desgraçado! – xinguei quando Matthew me puxou de volta.
E ele ficou rindo da minha cara.
— Não tem graça – cuspi água – blah.
— Venci – vangloriou-se. – Não tem jeito, Crimsey, eu sempre supero você.
— Babaca – falei entre dentes. Me levantei e estendi a mão para ele.
Matthew segurou-a, mas em vez de se levantar, ele me puxou com todas as suas forças para cima dele. E eu caí bem em seu colo.
Entrelacei minhas pernas nos quadris dele, lentamente, quase que em transe. Matthew tinha um sorriso amistoso no rosto. Nos olhávamos nos olhos, olhos no olhos. Ele segurava minha cintura e fazia uma leve carícia. Seu rosto estava tão próximo do meu que eu conseguia sentir seu hálito de menta. Matthew aproximou mais nossos rostos. Eu sentia algo duro pressionando minha virilha, e eu acho que eu sabia o que era, e achava aquilo bom. Então Matthew soltou minha cintura para pegar na minha nuca. Sua boca a distância de um palito de dentes da minha. Fechou os olhos, e porque eu sou estraga prazeres, me atirei para trás, caindo sozinha na água.
Matthew abriu os olhos e eu consegui enxergar sua decepção estampada no rosto. Demorou alguns instantes para dizer qualquer coisa e quando falou, sua voz saiu triste e baixa, porém acompanhada de um sorriso.
— Eu ainda vou te ter.
— Para com isso! Que droga, Matthew. Tava tudo bem, aí você vem e destrói tudo! – me levantei e comecei a caminhar até a areia. O que nós íamos fazer? Olhei para minha roupa, ou melhor, para a minha falta de roupa. Só estávamos de roupas intimas. Agora pensa em mim naquele estado, em cima de Matthew… o cara mais galinha de toda a escola. Senti meu rosto esquentar, cruzei os braços, me esforçando ao máximo para esconder meu corpo até eu chegar a minhas roupas.
Matthew se levantou também.
— Por que é tão difícil para você acreditar que eu mudei? — disse ele.
— Por quê? Por que será, hein? – afinei a voz. — Porque desde que eu me entendo por gente, você é o maior babaca! E não, eu não quero estar na sua merda de listinha!
— Sam, quando eu cheguei nessa porcaria, eu realmente era… mas, agora eu sei que eu gosto de você. E eu não tenho mais essa de listinha, porque agora você é tudo que importa.
Peguei minhas roupas do chão.
— Você fala isso do mesmo jeito que as pessoas dão “bom dia”!
Matthew estava cada vez mais próximo de mim, saindo da água.
— Achei que já tínhamos saído dessa fase.
Encarei-o, incrédula.
— Fase? Que droga de fase, Matthew? Que porcaria de fase é essa? – falei com rispidez.
Agora ele estava frente a frente a mim.
— A fase em que você me acha o maior filho da puta do universo. A fase em que você não acredita e nem confia em mim. A fase em que você só sente completo desprezo por quem eu sou. A fase em que você acha que eu só quero te fazer mais uma da minha listinha. A fase em que eu sou só um garoto imaturo e incapaz de se apaixonar. A fase do garoto que te queria.
Eu estava surpresa, sem palavras. Mas alguns segundos depois, me obriguei a perguntar:
— E em que fase estamos agora?
Matthew pegou a camiseta dele do chão. Ajeitou ela e se ofereceu com um olhar para colocá-la em mim. Ergui os braços e ele passou-a por meus braços, depois por minha cabeça e eu deixei que ela deslizasse pelo meu corpo. A blusa batia um pouco abaixo da coxa e tinha o cheiro dele. Um cheiro bom e inebriante. Um cheiro que quase me deixava sem fôlego.
— Não sabia que você vestia garotas – falei baixinho. – Pra mim você sempre foi do tipo que tira as roupas delas.
Ele sorriu.
— Estamos na fase em que eu verdadeiramente dou motivos pra você confiar em mim. Estamos na fase em que eu beijo você, e depois do beijo, eu digo que gosto de você, e eu sei, e você sabe e todo mundo sabe que estou sendo sincero, porque a gente tá numa fase em que eu parei de tentar fazer você ser minha, afinal, você conseguiu o que ninguém antes tinha conseguido. Eu sou seu — ele pegou minha mão. — Aliás, faz alguns dias que você sabe que eu te pertenço. Você riu da minha cara, lembra? Eu falei sério, e hoje eu tô falando sério. Não ria da minha cara de novo. Isso não é uma piada.
Senti meu coração bater forte no peito. Eu lembrava… mas para mim ele não tinha falado sério. Aquele dia… era mentira… eu ri porque era mentira. Era, não era?
Eu não achava que ele estava falando sério! Eu não achava mesmo! Mas agora…
— E eu não acho certo tirar sua roupa agora, baby – arrematou. – Mas e aí? Quer entrar nessa fase?
Matthew soltou minha mão e segurou meu queixo, tinha um olhar inseguro, mas sincero. Provavelmente se perguntando se eu ia dar risada da cara dele de novo.
Revirei os olhos e abri um sorriso.
— Você é um bobo por perguntar isso – sussurrei.
Eu nunca mais riria da cara dele.
Ele então sorriu. Nós sorrimos.
Os lábios dele se fundiram nos meus com delicadeza. Sem pressa, sem desespero, apenas toques suaves e doces. Aos pouquinhos ele ganhou velocidade. Matthew era bom naquilo. As mãos dele pegavam na minha nuca, contornava os traços do meu rosto, me fazendo arrepiar, enquanto eu alisava o ombro forte e largo dele. Era tão bom. Naquele instante, nada no mundo podia estar mais certo. A não ser pelo fato da enorme tristeza que eu ainda sentia por ter dado aquele fora no garoto dos olhos claros e fascinantes. Aquilo decididamente não estava certo.
Quando nos separamos, Matthew olhou no fundo dos meus olhos, abriu um sorriso tão doce e aveludado que eu senti algo afundar no meu estômago.
— Eu gosto de você. Muito.
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