You And Me

33 Apenas um até logo.


Notas iniciais
Olá leitores lindos e queridos! Como vão? Bem-vindos novos leitores! E obrigada a todos os que favoritaram a fic. Queria agradecer muito ao MORGAX pela 17ª recomendação de YAM! Muito obrigada de verdade! É sempre bom saber o que os leitores acham da estória *-* ♥ Well, AVISO IMPORTANTE NAS NOTAS FINAIS! Leiam, por favor. Enfim, boa leitura ♥ Ah, espero que não peguem diabetes com esse capítulo! E tem um link azul de uma música lá em baixo entre colchetes :*

– Apenas um até logo -

Confusa. Desnorteada. Sem chão.

Foi assim que me senti após a revelação do Yuri e sinceramente não sei como agir a respeito. Eu tenho a terrível mania de me afastar quando descubro que algum amigo gosta de mim de um jeito diferente. Só espero não fazer isso com o Yuri, ele não merece.

Não consegui esconder minha frustração de Natsu. Afinal como eu poderia se a primeira coisa que fiz ao vê-lo foi abraçá-lo forte sem vontade de largar? Lógico que ele perceberia, e não foi só ele. Sinto que devo satisfações a Levy e Juvia, mas optei por deixar isso para depois.

Falei para Natsu tudo o que havia acontecido enquanto íamos para o meu apartamento. Primeiro ele tomou um susto quando eu disse que o Yuri era gay, por algum acaso do destino ele acabou nunca sabendo disso – o que não foi tão ruim já que não era verdade –, em seguida, ao saber a real situação, pronunciou algo do tipo: “Ele nunca foi gay, deve ter falado isso só pra se aproximar de você”. Preciso dizer que o rosado quase quebra o volante do carro enquanto dizia isso? Depois disso tudo quase dá meia volta ao saber que ele disse gostar de mim.

– Se ele é gay ou não o problema é dele, mas a namorada é minha. – falou revoltado.

Nada respondi. Apenas fitei a cidade silenciosa e escura que era clareada por alguns postes de estilo antigo que se mantinham acesos.

Passamos todo o caminho em silêncio. Natsu aparentava estar inquieto, mas acho que notou que eu precisava de um tempo sozinha com meus pensamentos. Lembrei da primeira vez em que olhei o Yuri. Ele é de longe o rapaz mais bonito da minha sala e recebia muitos suspiros por onde passava – na verdade ainda recebe. Ninguém além dos mais íntimos sabe sobre a sua sexualidade, ou melhor, suposta sexualidade. Tá vendo? É confuso até de pensar, quanto mais agir com uma informação dessas.

Finalmente chegamos ao meu prédio. Poderei tirar essa roupa e colocar algo confortável. Quem sabe isso não me ajude a relaxar e pensar melhor? Olhei para Natsu, que subia as escadas de mãos dadas comigo, e vi que ele também me olhava pelo canto do olho e sorriu quando nossos olhares se encontraram. Não consegui não sorrir de volta. Ele tem esse dom de me acalmar. Isso quando a culpa da raiva ou frustração não é dele, claro.

Ao contrário do que eu pensava, Natsu não teve mais nenhuma crise de ciúmes e não ameaçou sair correndo atrás de ninguém essa noite. Apenas ficamos juntinhos, deitados de pijama abraçados enquanto eu desabafava um pouco e ele brincava com o meu cabelo. Nunca pensei que meu namorado poderia ser meu melhor amigo. Sei que muitos dizem que essa é a receita certa para um relacionamento dar certo, mas mesmo tendo sido amiga de Sting antes de começarmos a namorar, com ele não foi a mesma coisa. Só é assim com o meu Natsu. Só com ele.

Em um dos momentos em que o fitei ele parecia estar viajando, como se sua mente estivesse em outro mundo. Comecei a reparar em seus traços fortes do rosto, seus fios rosados e macios – lembro que senti falta da textura deles no período em que ficamos afastados –, seus lábios formando uma linha reta e seus olhos ônix penetrantes que parecem ser capazes de decifrar a alma de quem os olha profundamente. Uma beleza exótica e única, eu nunca vi nada igual.

– Ta pensando em que? – coloquei a mão em seu rosto e ele piscou algumas vezes como se saísse de um transe.

– Em você. – sorriu maliciosamente e me puxou para mais perto de si tomando meus lábios em um selinho demorado. Aprofundei nosso beijo e gemi ao sentir o toque de nossas línguas. Cessei nossos movimentos.

– Fala a verdade. – sorri brincalhona.

– Para a sua informação eu disse a verdade ok? Estava pensando nessas duas semanas que estão por vir.

– Entendo. – comecei a fazer um círculo em sua barriga desnuda com meu dedo indicador. – São só duas semanas. – tentava convencer também a mim mesma.

– Então quer dizer que você não se importa em ficar duas semanas sem me ver? – arqueou uma sobrancelha. Comecei a rir. – Qual a graça? – fez um biquinho emburrado.

– Primeiro, você fica a coisa mais fofa desse mundo com esse bico. – o dei um selinho. – Segundo, eu estava falando aquilo pra tentar aliviar a tensão do momento seu insensível!

– Aham, finja que me engana Heartfilia. Vou te ligar todos os dias e ai de você se não me atender.

– E se eu estiver ocupada? – estava disposta a provocá-lo.

– Ocupada demais pro seu namorado?

– Quem sabe... – dei de ombros.

Ele fechou a cara. Era muito fácil irritá-lo.

– Natsu, – voltei a rir. – me deixa ser a mulher da relação pelo menos uma vez?

Me olhou sério até não conseguir mais e começar a rir.

– Tudo bem, você venceu, mas ainda vai ter que atender as minhas ligações.

– Lógico que eu vou atender seu bobo. – bocejei.

– Tá com sono?

– Não. – ele sorriu.

– Relaxa, eu vou estar aqui quando você acordar loirinha. – sorri.

– Eu te amo. – falei com os olhos pesados.

– Também te amo. – me deu um selinho demorado.

Sem mais delongas me aninhei em seu peito e adormeci sentindo-o mexer em meus cabelos.

Não sei como, mas acordei com Natsu agarrado à minha cintura e com a cabeça apoiada entre meu ombro e pescoço, como quando ele fazia ao querer sentir meu cheiro. Estava totalmente presa. Olhei o relógio do meu despertador e ele marcava 14:45. Com certeza dormimos até mais tarde que o normal, mas que horas fomos dormir ontem mesmo? Eu sinceramente não sei.

Tentei me soltar do aperto do rosado, que mantinha uma expressão tranquila ao meu lado, mas tudo o que eu consegui foi fazer com que ele me juntasse ainda mais ao seu corpo.

– Não, fica aqui. – falou com uma voz mais rouca que o normal.

– São quase três da tarde. – protestei.

– E daí? Hoje é sábado. – e não é que ele tem razão?

– Tudo bem. – suspirei derrotada.

Comecei a lhe fazer um cafuné e ele se ajeitou colocando seu rosto mais próximo do meu pescoço e me dando um beijo de leve que, por mais simples que fosse, arrepiou os pelos dos meus braços.

Quando dei por mim me peguei pensando no Yuri e em tudo o que aconteceu ontem, mas ao avistar o belo rapaz de cabelos rosados na minha cama vi que esse é um assunto que pode ser deixado para depois. Natsu viajará por duas semanas depois de amanhã e eu tenho que aproveitá-lo ao máximo para pelo menos tentar não sofrer tanto com a distância, o que vai ser impossível, tenho certeza.

Sinto a respiração dele se estabilizar mostrando que caiu no sono novamente. Essa é a minha chance de escapar! Não que eu não esteja gostando da posição em que estamos, muito pelo contrário, por mim ficaria aqui pelo resto da vida, mas minha bexiga está prestes a explodir e eu quero muito tirar esse gosto amargo, típico de quem acabou de acordar, da boca.

Com ainda mais delicadeza que da vez anterior, tiro a mão dele da minha cintura e, em um movimento rápido, levanto da cama colocando um travesseiro em meu lugar. Natsu instintivamente abraça o travesseiro sem abrir os olhos.

Luce... – ele sussurra enquanto dorme tirando um sorriso dos meus lábios.

Tem como ele ser mais perfeito? Alguém me belisca porque eu estou sonhando. Não, se for sonho me deixem dormir, por favor.

Tomo um banho rápido, escovo meus dentes e uns minutinhos depois saio do banheiro. Respiro aliviada ao ver que Natsu continua dormindo. Quero preparar nosso café da manhã/almoço antes que ele acorde.

Passo pelo quarto da Levy e vejo que ela não está em casa.

– Deve ter dormido com o Gajeel. – falo para mim mesma.

Quando chego à cozinha vejo uma cena nada agradável. O saco preto e grande de lixo, que devia ter sido colocado pra fora pela Levy, estava lindamente – só que não – ao lado da porta de serviço.

– Essa baixinha miserável. – praguejei.

Peguei o enorme saco preto, coloquei em cima de um carrinho de compras com rodinhas enferrujado que não usamos mais e saí do apartamento. A simples hipótese de haver bichos indesejáveis na minha casa por causa desse lixo idiota já me dá nos nervos.

Ter que descer as escadas segurando aquilo era uma tortura, ainda mais quando você já fez isso há mais ou menos uma semana atrás. Com certeza vai ter volta McGarden.

O processo de levar o saco do meu apartamento até o latão de lixo próximo a garagem nunca demorou tanto. Talvez o meu mau humor tenha ajudado nessa parte, confesso. Subi as escadas, ofegante, e finalmente chego ao apartamento dando de cara com um rosado de cara emburrada sentado no sofá.

– Onde você estava?! – perguntou vindo em minha direção. Estava com uma cara de sono, seus cabelos estavam bagunçados e ainda vestia a bermuda que usou para dormir noite passada, mas mesmo assim conseguia ser sexy.

– Jogando o lixo fora... Pensou que eu tinha fugido? E deixando meu violão pra trás? Nem em sonho. – sorri.

– Você podia ter pedido a minha ajuda.

– Eu não quis te acordar amor. – o dei um selinho rápido.

– Tudo bem. – ele suspirou e me puxou pela cintura selando nossos lábios novamente.

Aprofundei o beijo e envolvi meus braços em seu pescoço juntando mais os nossos corpos. Suas mãos foram descendo até chegarem à minha bunda, onde ele apertou com força me fazendo arfar. Nosso beijo era calmo, mas ao mesmo tempo quente; lento, mas ao mesmo tempo cheio de luxúria. Subi uma de minhas mãos até seus cabelos e a afundei ali. Como eu amava beijá-lo.

– Tenho que fazer alguma coisa pra a gente comer. – falei quando paramos para tomar ar. As mãos de Natsu continuavam no mesmo lugar.

– Eu estou olhando pro meu almoço. – sorriu maliciosamente.

– Mas o meu está lá na cozinha. E você já para o banho mocinho.

– Eu to fedendo? – fez uma careta. Sorri.

– Não amor, é modo de falar.

– To brincando. Vou tomar um banho. Faz meu almoço mulher. – deu um tapa na minha bunda.

– Folgado idiota. – revirei os olhos.

– Que você ama! – falou com um sorriso no rosto ao se afastar.

Ele sabia que estava certo afinal.

Olhei na geladeira e, para a minha infelicidade, não havia nada pronto, então terei que preparar alguma coisa. Resolvo fazer uma macarronada com molho vermelho, queijo e calabresa. Tem algo mais fácil do que fazer um macarrão? Reformulando, tem algo mais fácil, e que não esteja previamente feito, do que fazer um macarrão? Miojo não conta! – afinal não seria um tipo de macarrão?

Enfim, tirando os pensamentos macarronísticos da minha cabeça, coloco a água para ferver e começo a cortar alguns dos ingredientes. Sempre odiei cortar cebola, mas no momento não tem ninguém que possa fazer isso por mim. Normalmente é a Levy-chan quem corta. Por falar nisso, ela não deu sinal de vida até agora. Ligarei para ela após o almoço.

Natsu sai do banheiro só de toalha e me lança um sorriso sacana. Desvio meu olhar do seu e volto a me concentrar na minha receita. Após cortar todos os ingredientes e colocar todos os utensílios necessários em cima da mesa vejo que a água já ferveu e coloco o macarrão dentro da panela. Hora de fazer o molho.

– Você fica linda cozinhando. – me abraça por trás e me dá um beijo no pescoço.

– Você tá cheiroso. – me viro e cheiro seu pescoço. Suas mãos vão parar na minha cintura e sua boca na minha.

– E você é cheirosa. – sorriu pra mim. Aquele sorriso inconfundível e único.

– O macarrão! – me desespero ao perceber que estava perdida naquele sorriso.

Por sorte estava tudo nos conformes e não houve nenhum dano. Pouco tempo depois já estava tudo pronto. Lógico que Natsu não deixou de me provocar um só instante e eu não posso dizer que não gostei.

– Cara, isso tá muito bom. – ele falou cheio de macarrão na boca. – Quer casar comigo? – continuou comendo.

– Lógico, porque esse é motivo suficiente pra casar com alguém.

– Há uns séculos atrás era.

– Realmente. Bem-vindo ao século vinte e um. – sorri.

– Isso, pisa nos meus sentimentos. – se fez de ofendido.

O mandei um beijo e voltei a comer.

Depois do almoço liguei para Levy, que me perguntou como eu estava e, após eu pedir que deixássemos o assunto Yuri para depois, disse que passaria esse final de semana na casa do Gajeel para que eu pudesse aproveitar meu namorado ao máximo – com certeza ela estava com um sorriso saliente no rosto quando disse isso – antes de sua viagem. Quem vê pensa que essa foi a única razão para ela ficar por lá. Quem te viu e quem te vê Levy McGarden...

Passamos a tarde toda juntos no sofá da sala assistindo alguns romances água com açúcar. No começo Natsu não pareceu muito contente com a escolha, mas depois ele mesmo optou por assistirmos “Diário de uma paixão”. Juro que não influenciei em nada. Mesmo amando esse filme, queria muito ver “Querido John” pela milésima vez, mas Natsu disse que esse nome era horrível e que o John não era nada querido. Por que será?

O domingo foi ainda mais especial, como um sonho, mesmo que da nossa maneira.

– Luce, o que você acha da gente reviver nosso primeiro encontro?

– Na praia?

– Sim. Podemos almoçar por lá.

– Acho uma ótima ideia. – falei animada. – Quem sabe eu não descubro um pouquinho mais sobre você?

– Ainda querendo entrar na minha mente?

– Lógico. Nunca vou desistir de tentar te entender. – sorri.

– Então, para a minha sorte, você vai tentar pra sempre. – sorriu de volta.

– Pra sempre. – o puxei pela nuca para um beijo.

[...]

Estávamos no mesmo quiosque do nosso primeiro encontro, mas, diferente da primeira vez, não houve aquele silêncio constrangedor e eu não me senti mais segura com a chegada do garçom. Éramos apenas nós dois.

– Já que isso aqui é uma revivência do nosso primeiro encontro a gente podia aproveitar pra se conhecer melhor. – falei enquanto tomava um pouco da minha água de coco.

– Conhecer melhor? Mas eu sei tudo sobre você. – ele é um convencido mesmo.

– Pode até ser, mas você ainda é uma incógnita pra mim.

– Sério?

– Lógico. Para começo de história demorou horrores pra me levar até sua casa, não sei nada sobre a sua infância e, o pior de tudo, nunca conheci seus pais.

– Uau. – passou a mão por trás da nuca. – Ok, começando pela primeira acusação. – sorriu e arrumou sua postura na cadeira como um perfeito advogado. – Em minha defesa eu nunca tinha namorado antes e não tinha o costume de levar garotas até a minha casa.

– Nem a Lisanna?

– Nem a Lisanna.

– Hm, ok. Próximo. – sorri internamente.

– Minha infância foi normal, nada de mais. Meus pais se separaram quando eu tinha sete anos e eu fiquei morando com a minha mãe, conheço o Gray, o Gajeel e a Lis desde pequenos e acho que só. – parecia pensativo.

– Nenhum marco significativo na sua infância? Ela não pode ser apenas normal. Ou melhor, defina normal. – me aproximei um pouco e apoiei meus braços em cima da mesa.

– Não, nada. – suspirou. – Você não está me analisando, está? – arqueou uma sobrancelha.

– Eu? Imagina. – me fiz de ofendida. – Que mania que as pessoas têm de achar que as pessoas que fazem psicologia sempre estão analisando os outros. – revirei os olhos. Não queria que ele soubesse, mas a resposta é que eu estava sim.

– Tudo bem, tudo bem. – levantou as mãos em forma de rendição. – Qual era o outro tópico mesmo?

– O “Nunca conheci seus pais” – fiz aspas com as mãos.

– Bem, é porque eles não moram aqui. Meu pai tem uma nova família em Sakura e minha mãe mora em Tókio. Pensei que já tinha te falado isso.

– Sakura, a mesma cidade dos pais da Juvia? – ele assentiu. – Então você tem irmãos?

– Uma irmã com quem não tenho muito contato. – falava sem expressão. Não sei se esse era um assunto do qual ele gostava de falar, mas eu precisava saber.

– E a sua mãe nunca se casou de novo?

– Não.

– Você pretende me apresentar a eles um dia? – meu coração foi a mil por hora com a expectativa.

– Talvez à minha mãe... – talvez? Preciso dizer que isso me afetou?

– Hum...

Comecei a fitar o mar como se buscasse alguma resposta.

Por que ele tinha tanto receio em me apresentar aos seus pais? Será que eles não me aprovariam ou será que ele não tem vontade? Eu não sou boa o suficiente ou o sentimento que ele diz ter por mim não é o suficiente? São muitas as alternativas e talvez até muitas respostas, mas pelo tom e forma como ele falou acho melhor não ter muitas expectativas em relação á isso.

– Algum problema? – todos, com certeza.

– Nenhum. – respondi sem tirar os olhos do mar. – Vamos dar uma caminhada?

– Claro. – chamou o garçom e saímos após pagar a conta. Vi que ele buscou a minha mão, mas eu a envolvi em meu corpo como se estivesse com frio no intuito de não tocá-lo. Minha sanidade vai pelos ares quando toco nele e eu quero pensar mais um pouquinho.

– Tá com frio? Vem cá. – estendeu os braços.

– Só um pouco, não precisa. – sorri sem graça.

Ele tinha uma feição confusa, mas não disse nada. Continuamos caminhando em silêncio por um tempo. Não sei o motivo, mas aquilo que Natsu falou continuava assombrando meu pensamento.

Talvez à minha mãe...Talvez... Tal-vez...

Todo mundo sabe que um namoro se solidifica de verdade quando o namorado conhece os pais da namorada e vice versa. Quem sabe essa não é a razão da minha inquietude? Muitas vezes o pensamento de não conhecer os pais do Natsu me vieram em mente, mas isso nunca pareceu me incomodar realmente até um certo dia.

Estávamos andando com Lisanna pelo campus da universidade quando ela pareceu se lembrar de algo.

– Natsu, Maya me ligou pedindo notícias suas. Ela disse que sente sua falta e me fez prometer que faria você ligar para ela já que não atende seus telefonemas.

– Ah sim, depois eu faço isso. – ele respondeu rapidamente e, depois de me dar um selinho, saiu para falar com Gray deixando-me sozinha com a albina.

– Quem é Maya? – perguntei confusa.

Ora Lucy, você não sabe? É a mãe do Natsu.

É, eu não sabia. E pelo visto vou ficar sem saber por um bom tempo.

Continuávamos andando e eu resolvi sentar na areia para aproveitar melhor a brisa e o Sol. Amo o cheirinho do mar, acho que me acalma. Natsu, vendo o que eu tinha feito, sentou-se ao meu lado. Fechei os olhos, inclinei meu corpo um pouco para trás tendo minhas mãos como apoio e fiquei aproveitando a sensação de estar ali.

– Me fala o que você tem. – não sei ao certo, mas podia sentir seu olhar queimando em mim.

– Nada. – nem sequer abri os olhos.

Senti um toque forte em meu braço. Abri os meus olhos lentamente e vi que Natsu me encarava sério.

– O que foi que eu disse de errado? – sério que ele não sabia?

– Nada Natsu. Eu não vou mais te colocar contra a parede pra que você faça as coisas, eu quero que você faça porque quer fazer e não porque eu quero que faça.

– Do que você tá falando? – suspirei.

– Lembra que eu quis saber o motivo de eu nunca ter ido até a sua casa? Isso foi o “colocar contra a parede”. – ele parecia pensativo. – Lembra que você acabou me levando lá? Isso foi você fazendo o que eu queria que fizesse. – suspirei novamente. – Eu só quero que você decida as coisas por conta própria, que tome a iniciativa, sabe? E enquanto isso eu vou esperar pelo seu tempo.

– Luce... Você tem que entender que eu estou aprendendo tudo com você. – segurou minha mão e dessa vez não resisti. – Então acho que você tem que ter um pouco mais de paciência comigo ok? – se aproximou um pouco mais.

– Ok. – afirmei com a cabeça.

– Então acho que agora é a minha vez de fazer as perguntas. – deu seu sorriso único.

[...]

Domingo à noite. Em apenas algumas horas Natsu estaria em um voo para Crocus, a cidade com a maior concentração de gente bonita que já vi na vida. Sem falar que é longe.

Depois da praia voltamos para o meu apartamento e acabamos tomando banho juntos. Meu coração aperta só em saber que amanhã, nesse mesmo horário, eu não poderei mais vê-lo. Estamos sentados no sofá assistindo uma comédia romântica – que por sinal já está no final – daquelas bem clichês, minhas preferidas.

– Ei. – ele chama minha atenção. – Tá chato. – faz uma careta e eu começo a rir.

– Qual o problema? Não é romântico o suficiente pra você?

– Haha, muito engraçadinha você. – fala com ironia.

– Tudo bem. – desligo a TV. – O que você quer fazer?

Ele sorri maliciosamente e me puxa mais pra perto colando sua boca com a minha. Dou um sorriso durante o beijo lento e desejoso que dávamos.

– Te amo loirinha. – fala ao parar para respirar.

– Também te amo meu ciumentinho. – coloquei meus braços ao redor do seu pescoço. – Vou sentir muito a sua falta.

– Eu também vou sentir a sua. Muito. Mas a gente vai se falar todos os dias ok? Por mensagem – me deu um selinho –, ligação – beijou meu pescoço –, sinal de fumaça...

– Sinal de fumaça? – sorri.

– Todos os modos possíveis. – sorriu de volta.

– Ok, então eu vou cobrar.

– Sim senhora.

Voltamos a nos beijar e lentamente Natsu foi nos encaminhando para o quarto. Eu só queria poder parar o tempo para que o amanhã nunca chegasse. Para não ter que ficar sem ele mesmo que por duas semanas. Para que Natsu nunca tivesse que ir.

[...]

Estávamos no aeroporto. Era madrugada. Pode parecer clichê – na verdade é, e muito –, mas nesse dia estava chovendo mesmo que fosse apenas um chuvisco, como se os céus entendessem o que se passava comigo. Eu só queria desabar no choro e segurar Natsu pelo braço para que ele não fosse. Sei que é egoísmo da minha parte, afinal essa viagem vai ser boa para a carreira dele, mas eu sinto como se essa ausência fosse enfraquecer o nosso relacionamento. Há quem diga que duas semanas passam rápido, mas não é verdade. Pelo menos não quando uma das pessoas que você mais ama no mundo, a única que você ama daquele jeito, vai sair de perto de você.

– Vai passar rápido ok? – ele segurava meu queixo e me encarava. De ônix para castanho. Acho que ele também sabia que aquilo não era verdade.

– Tudo bem. – o abracei forte. – Promete que não vai ficar de olho nas mulheres de lá? – ele me abraçou de volta enquanto ria e minhas lágrimas começavam a escorrer pelo meu rosto.

– Prometo que não vou nem olhar para o lado. Toma cuidado com os garanhões que ficam em cima de você? E eu falo de todos. – continuou me abraçando.

– Pode deixar. – sorri fraco ao me lembrar do Yuri.

– Ei, não chora. – falou ao ver minhas lágrimas. – Já disse que prefiro ver você sorrindo. – as enxugou delicadamente.

– Sou uma boba mesmo. Você só vai ficar duas semanas fora e aqui estou eu parecendo uma cachoeira. – revirei os olhos.

– Você está se saindo muito bem. Acho que se fosse o contrário eu mataria aula por duas semanas pra poder viajar com você e ainda ficaríamos no mesmo hotel. – sorri. – Por que a gente não fez isso mesmo? – falou com um tom brincalhão.

– Porque alguém tem que ser responsável nessa relação. – dei um tapinha em seu ombro.

– E é por isso que eu te amo. – se aproximou e me beijou. Até o seu beijo tinha gosto de despedida.

– Eu também te amo. Juízo!

– Isso eu tenho de sobra. – o encarei incrédula.

Última chamada para o voo 1603 da Fiori Airlines com destino à Crocus.

– É a minha deixa. – falou olhando ao redor. Alguns passageiros já se encaminhavam para o portão de embarque.

– Tudo bem. Se você ama alguém deixe-o ir... – falei uma daquelas frases clichês.

– Não se preocupa, eu vou voltar pra você. Isso não é um adeus, é só um até logo. Você acha mesmo que eu ia conseguir ficar longe de você por mais tempo? Já vou estar fazendo mágica nessas duas semanas. – sorri e ele me beijou novamente. – Então até logo Heartfilia. – deu seu sorriso único e se afastou seguindo o grupo de pessoas.

– Eu te amo! – gritou enquanto se afastava e a essa altura minhas lágrimas já voltavam a se fazer presentes. – Ah, e Luce... – virou para me olhar – Se prepare pra conhecer minha mãe quando eu voltar. – piscou para mim e passou pelo portão.

Fiquei tão tomada pela surpresa que acabei não respondendo nada na hora. Só conseguia observar sua silhueta desaparecer.

É estranho quando a sua felicidade passa a depender não só de você, mas também de outra pessoa que há um tempo atrás era um completo desconhecido pra você não é mesmo? Como o amor é masoquista. Te faz depender de uma pessoa mesmo sabendo que você está vulnerável a perdê-la a qualquer momento.

– Eu te amo! – gritei de volta para o nada. – Até logo Natsu. – falei como em um sussurro.

Notas finais
Primeiramente eu queria perguntar o que vocês acharam do capítulo. Ficou bom? Ruim? Mais ou menos? Dá pro gasto? Bem, em relação ao aviso... Como vocês sabem eu estou estagiando agora e minhas aulas começaram na terça. Isso faz com que eu tenha menos tempo pra escrever, mas mesmo assim não deixei que isso me impedisse agora. Poxa vida, eu deixo de estudar às vezes pra escrever, mas mesmo assim muitos leitores apenas leem os capítulos sem me dar nenhum retorno. Não queria ser o tipo de autora chata que fica cobrando as coisas, mas estou vendo que é necessário. Eu me esforço muito pra tentar fazer dessa fic uma coisa digna e o mínimo que eu queria era algum reconhecimento. Bem, então aqui vai o aviso... Caso as coisas continuem como estão, críticas, acho que vou dedicar menos do meu tempo à YAM e começar a focar mais em LMTCOY, ou seja, postarei os capítulo daqui uma semana sim e uma não. Peço perdão aos leitores que estão sempre aqui comigo. É por vocês que eu continuo aqui firme e forte ♥ Até o próximo. Beijocas!