You And Me
37 Alguém tem que dar o primeiro passo.
Notas iniciais

– Alguém tem que dar o primeiro passo -
É estranho o que o tempo e a rotina são capazes de fazer com alguns casais. Sempre temi que isso acontecesse comigo, mas no fundo achava meio improvável, já que nunca havia me imaginado namorando com alguém tempo o bastante para que tal coisa acontecesse. Hoje em dia eu vejo que meus antigos pensamentos podiam estar certos.
Gajeel ultimamente tem se dedicado cada vez mais a sua banda e cada vez menos a Universidade ou a mim. Só posso pensar que talvez nosso relacionamento não esteja mais tão interessante, ou simplesmente ele achou alguém que o completasse de uma forma que eu não consigo – o que é o meu maior temor, confesso.
O pior de tudo é que eu não consigo abordar esse assunto com ele. Sempre que nos vemos alguém chega perto ou liga nos interrompendo, e este certamente não é um assunto pra se falar em uma mensagem de texto, meio pelo qual mais temos nos falado ultimamente. O que eu falaria, afinal? “Oi Gajeel, lembra que tem uma namorada? Pois é, acho que você esqueceu e queria muito ter a oportunidade de conversar sobre isso e, quem sabe, te fazer lembrar deste detalhe”.
Refleti um bom tempo a respeito e uma coisa me veio em mente, pedir ajuda para a Lu-chan. Egoistamente falando, agora com o Natsu longe nós temos feito mais programas só nós duas, como antigamente, e hoje mesmo marcamos de ir ao Puzzle depois da aula. Será o momento perfeito para o meu grito de socorro.
Meu dia de aulas passou vagarosa e preguiçosamente. Por que hoje tinha que ser justo uma segunda-feira? Além de ser o pior dia da semana para qualquer pessoa normal, ainda é o dia em que eu tenho as piores aulas! Agora são exatamente 16:31 e eu estou em meio a uma tediante e chata discussão sobre Literatura Clássica, coisa que eu adoraria se estivesse em meu estado normal.
Olho para o meu celular e vejo que não há nenhuma nova mensagem.
Suspiro desanimada.
A última vez em que falei com Gajeel foi ontem à noite via mensagem de texto, por sinal. Eu o mandei uma mensagem de boa noite, dizendo que sentia sua falta, e ele me respondeu horas depois.
“Boa noite baixinha. Também sinto sua falta, devíamos marcar alguma coisa um dia desses.”
– Devíamos marcar alguma coisa um dia desses. – falei tentando imitar seu tom de voz com desdém.
Papo de quem não está afim. Eu sei do que estou falando, já ouvi a Lucy dar essa desculpa a vários rapazes umas mil vezes.
– Algum problema Srta MacGarden? – o professor me fez voltar a minha realidade.
Só um namorado idiota e sem noção.
– Nenhum, me perdoe professor. – falei olhando para as minhas mãos.
– Tudo bem. Onde eu estava mesmo? – perguntou olhando para mim.
Meu coração parou. Eu não fazia a mínima ideia.
– No classicismo professor. – Laki respondeu salvando a minha pele. Não pude deixar de lhe direcionar um olhar de gratidão.
– Oh sim, obrigado. – ele respondeu indo em direção ao quadro.
E dessa forma a aula continuou em sua plena tediosidade.
–--
– Levy-chan!
Lucy vem acenando e sorrindo em minha direção.
– Oi Lu-chan. – retribuo o sorriso.
– Pronta? Estou louca para saber o que você tanto quer conversar comigo. Essa demora toda está sendo uma tortura! – fez um biquinho emburrado.
– Estou sim. Agora para de fazer essa cara, está me assustando!
Nós duas rimos juntas e ela deu um tapinha em meu braço.
Como o Puzzle é super perto da UFL acabamos optando por ir andando e deixar nossos carros onde estavam. Não queríamos arriscar ter que correr atrás de um lugar para estacionar uma hora dessas.
– Boa noite Max. – Lucy falou sorridente ao entrarmos no bar.
– Boa noite garotas. – só eu notei o sorriso galanteador que ele lançou para ela?
Dei um “boa noite” tímido e me sentei junto à minha amiga de infância numa mesa próxima ao balcão.
– Um milkshake de chocolate para mim. – a loira fez seu pedido.
– E uma limonada suíça, por favor.
Em um piscar de olhos Max já havia sumido.
– E então, agora posso saber o motivo dessa conversa? – ela não podia se conter de tanta curiosidade.
– Tudo bem. – respirei fundo. – Lembra quando eu te falei de como andava o meu relacionamento com o Gajeel?
– Sim.
– Continuamos na mesma. – sorri amarelo.
– Então o namoro de vocês está esfriando? – confirmei com a cabeça. – Entendo... Quanto tempo faz que vocês não transam?
– Lu-chan! – corei até o fundo da minha alma.
– Ah, qual é Levy-chan? Você foi a primeira pessoa desta mesa a perder a virgindade, não me olhe como se não soubesse do que eu estou falando. – Me olhou com um sorriso sacana.
– Faz alguns meses... – falei baixinho.
– O que disse?
– Alguns meses... – minha voz foi morrendo. Era muito embaraçoso.
– Ainda não estou ouvindo. -- um sorrisinho se formava em seus lábios.
– Tem alguns meses que a gente não transa! Satisfeita?! – cruzei os braços e respirei fundo.
– Suas bebidas garotas. – lógico que Max tinha que chegar justamente nesse momento.
Quase não consegui suportar toda essa vergonha. Minha vontade era de me esconder debaixo da toalha da mesa e nunca mais sair de lá. Me encolhi um pouco na cadeira e juro que se tivesse uma franja a colocaria em frente ao meu rosto.
– Obrigada Max. – Lucy quase não conseguia conter seu riso. Essa loira de farmácia...
– Enfim... – falei tentando tornar aquilo menos embaraçoso. – Não sei o que fazer.
– Já tentou seduzi-lo?
– Talvez funcionasse se nós ficássemos no mesmo recinto por mais de 10 minutos.
– Está tão ruim assim? – me olhou com compaixão.
– A banda toma tempo de mais. – suspirei.
– Hm... – ela mantinha a mão no queixo de forma pensativa.
– Você tem que me ajudar!
– Calma Levy-chan, estou pensando.
E, para a minha infelicidade, o celular da loira começou a tocar. E era ninguém mais ninguém menos que Natsu. A lancei um olhar significativo.
– Não precisa se irritar. Vou despachá-lo, ok?
Assenti enquanto a via se afastar com o celular em mãos.
Olhei ao redor e notei que alguns casais estavam por ali. Muitos deles conversavam, riam e pareciam felizes enquanto outros apenas comiam ou bebiam sem pronunciar uma única palavra. Era como meu início de namoro e meu dilema atual. Incrível como existem extremos nessa vida.
– Voltei. Desculpe por isso. – sorriu sem graça.
– Tudo bem.
– O Natsu quase surtou quando eu disse que estava no Puzzle. – deu um sorrisinho.
– Por que será? – perguntei brincalhona.
– Não sei. – deu de ombros.
Não posso dizer se ela estava sendo irônica ou se realmente não sabia.
– Já sabe como me ajudar? – perguntei esperançosa.
– Onde o Gajeel vai estar amanhã? – rebateu com outra pergunta.
– Ele tem uma apresentação amanhã no estacionamento de um shopping no final da tarde. – falei sem saber onde ela queria chegar.
– Ótimo! Já temos um programa para amanhã. – falou com os olhinhos brilhando.
– Do que está falando? Eu não vou até lá!
– E por que não? É o seu namorado afinal.
Nada respondi.
– Você está entregando os pontos, é isso?
– Não!
– Então não se acomode Levy! Você não vê que esse seu orgulho só vai afastar vocês dois ainda mais? Alguém sempre tem que dar o primeiro passo.
Fiquei pensando a respeito. Ela tem toda a razão, não posso perder o Gajeel.
– Tudo bem, você venceu.
– Muito bem! Você estará linda e radiante amanhã e resgatará aquele brutamontes nem que seja a última coisa que eu faça na minha vida!
– Calma Lu-chan, também não é para tanto.
– Como não? Eu só quero te ver feliz Levy-chan. – falou sorrindo gentilmente.
E a partir daquele sorriso eu soube que sempre poderia contar com ela.
–--
– Lu-chan, por favor, não me faça vestir isso. – falei amedrontada.
– Qual o problema? Não gostou do look que eu montei?! – me olhou desafiadoramente.
– Longe disso. – falei rapidamente. – É só um pouco de mais, não acha?
– Na verdade não.
Um short jeans preto e justo, uma regata branca um pouco folgada com a frase “I love headbangers” e um sneaker preto de camurça. Acho que tem pele de mais aparecendo!
– Tudo bem, você deve saber o que está fazendo. – me dei por vencida.
– E sei mesmo. – falou empolgada. – Agora vamos dar um jeito nesse cabelo. Nada de tiaras por hoje. – me lançou um sorriso medonho.
Depois de muitos puxões de cabelo com aquela escova assassina e um bom tempo fazendo a maquiagem Lucy determinou que eu estava oficialmente pronta.
Quase não acreditei quando me olhei no espelho.
– Ai meu Deus! Essa sou eu mesmo? – toquei em minhas bochechas para ter certeza.
– Lógico que sim sua boba. – deu um risinho. – Só fiz destacar aquilo que você tem de melhor.
– Obrigada Lu! Nem eu resistiria a mim mesma.
– Eu sei, sou ótima mesmo. Agora eu vou terminar de me arrumar, fique ai se namorando no espelho que eu já volto.
Fiquei pensando enquanto encarava meu reflexo. Gajeel nunca tinha me visto daquela forma antes e provavelmente não esperava que eu fosse ao seu show hoje. Na verdade eu só sei da existência dessa apresentação graças ao site da banda, que por sinal eu visito quase todos os dias para saber das novidades. Lógico que seria bem melhor saber pelo próprio Gajeel, mas como não é possível... Santa tecnologia.
Sentei em minha cama e comecei a ficar nervosa. Estava cada vez mais perto do momento em que eu ficaria cara a cara com aquele metaleiro brutamontes e o forçaria a conversar comigo. Não teria escapatória dessa vez. Ou nos acertávamos ou...
Eu preferia nem pensar nessa possibilidade.
– Vamos? – Lucy apareceu na minha porta.
– Uau! O que o Natsu diria se te olhasse saindo desse jeito? – a provoquei.
Ela vestia um short jeans meio rasgado, uma blusa preta de mangas curtas e uma sapatilha da mesma cor. Seus cabelos estavam soltos e sua maquiagem parecia com a minha.
– Você e essa mania. – revirou os olhos. – Eu uso a roupa que eu quiser na hora que eu quiser. – fez uma cara emburrada.
– Tudo bem, não está mais aqui quem falou. – levantei as mãos em rendição. – Agora vamos antes que eu perca a coragem. – peguei sua mão e sai puxando-a pelo apartamento até a saída.
– Calma aí, não vai me derrubar!
Descemos as escadas com rapidez. As apresentações começariam às 17 horas e já eram 17:30. Para a nossa sorte a banda do Gajeel seria a segunda a tocar. Preciso falar com ele antes que suba no palco!
– Droga de trânsito! – exclamei irritada.
Como eu pude ser tola o bastante para acreditar que não teria congestionamento neste horário?! Tenha santa paciência!
– Calma Levy-chan, vai dar tempo. -- Lucy tentou me acalmar enquanto dirigia. Decidimos usar seu carro já que se o plano desse certo, e contávamos com isso, eu voltaria para casa com Gajeel.
Olhava meu celular de cinco em cinco minutos para ver que horas eram e sempre me espantava ao ver como os minutos estavam correndo. Por que o tempo sempre trabalha contra a gente?
Depois de quase uma hora presas no engarrafamento finalmente chegamos ao bendito estacionamento do shopping. O local estava lotado e uma banda estava no palco, porém eu não tinha noção de qual era o nome dela. Torcia com todas as forças do meu ser para que a de Gajeel ainda não tivesse tocado ou todo o meu esforço teria ido por água a baixo.
Lucy foi pedir informação para saber qual o nome da banda que estava tocando enquanto eu olhava ao redor à procura de Gajeel. A quantidade de pessoas ali estava atrapalhando muito e esta não estava sendo uma tarefa fácil.
– Para a minha sorte a garota com quem falei tinha um panfleto e disse que essa ainda era a primeira banda. – Lucy falou sorridente enquanto me entregava o papel.
Suspirei aliviada. Eu ainda teria uma chance.
– Como eu faço para achá-lo?
– Deve haver um jeito. – Lucy olhou ao redor como se procurasse alguma coisa e segui seu olhar. – Isso! – exclamou ao parecer ter uma ideia. – Vem comigo. – me puxou em meio à multidão.
Andamos nos espremendo pela quantidade de pessoas e às vezes uma de nós era puxada por algum pervertido, mas sempre dávamos um jeito de nos soltar e continuar andando. À medida que nos aproximávamos eu pude notar o que Lucy havia visto anteriormente. Era uma espécie de camarim improvisado para as bandas. Não contive o enorme sorriso que surgiu em meus lábios.
Paramos próximas à porta.
– Chegamos.
– Sim. – voltei a sentir o frio na barriga.
– Está pronta? – confirmei com a cabeça. – Sabe o que vai falar? – confirmei novamente. – Então boa sorte! Vou ficar na praça de alimentação do shopping, qualquer coisa me liga ou manda mensagem. – sorriu na tentativa de me incentivar e me deu um abraço.
Respirei fundo. Teria que fazer as coisas sozinhas a partir dali.
Entrei no local, que devia ser uma espécie de depósito, e por lá tudo estava muito agitado. Pessoas com instrumentos andando de um lado para o outro, algumas garotas ensaiando em um canto e, na outra extremidade, lá estava ele. Gajeel usava uma roupa totalmente preta e segurava sua guitarra com uma das mãos enquanto conversava com algumas pessoas, das quais reconheci apenas uma, Mike, o baterista. O que me incomodou nisso tudo foi a forma como ele estava, encostado em uma mesa com uma garota ruiva, e estupidamente bonita, grudada em sua cintura. Então era esse o tipo dele agora?
Imediatamente meus olhos se encheram de lágrimas e meu céu da boca começou a doer por tentar reprimi-las. Olhei para os meus pés na tentativa de me acalmar, respirei fundo e estava prestes a dar meia volta e ir chorar no colo de Lucy quando ouvi a voz dele me chamando.
– Baixinha?
E lá estava ele vindo em minha direção. Então ele resolveu desgrudar da ruiva? Decida-se Gajeel, azul ou vermelho, você não pode ter os dois.
– Oi. – dei um sorriso amarelo.
– O que faz aqui?
– Eu... – voltei a olhar para os meus sapatos. Eles eram muito bonitos afinal.
Gajeel segurou meu queixo para que eu o fitasse.
– Está muito bonita. Gostei da camisa. – deu um sorrisinho. Não pude deixar de corar.
– Acho que a gente precisa conversar. – meu tom de voz transmitia seriedade. Resolvi ser direta, afinal não tínhamos muito tempo.
– Tem que ser agora? – delicadamente soltou meu rosto. – Minha banda é a próxima e – o interrompi.
– Vai ser rápido, prometo.
– Gajeel, lembra que nossa banda é a próxima? Os garotos querem falar com você. – a tal ruiva se aproximou roubando a atenção.
– Eu sei disso. -- ele não tirava os olhos de mim – Diga a eles que já estou indo.
– Tudo bem. – ela finalmente olhou para mim. – Oi! Me chamo Megan, e você?
– Levy. – tentei ao máximo ser simpática.
– De onde conhece o Gajeel?
Respirei fundo em meio a esta pergunta. Eu que deveria estar perguntando isso para essa louca que estava agarrada ao meu namorado!
– É a minha namorada. – Gajeel respondeu por mim, provavelmente notando o meu humor.
– Por que nunca me contou que tinha uma? – ela sorriu e deu um murrinho em seu braço.
– Meg, será que você podia nos deixar um pouquinho a sós? -- seu tom de voz era neutro.
– Tudo bem, não está mais aqui quem falou. Prazer em te conhecer Levy. – sorriu e se afastou.
– Podemos ir para um local mais reservado? – perguntei enquanto via a silhueta da ruiva se distanciando.
– Vem comigo. – segurou minha mão e me guiou por um caminho desconhecido por mim.
Andamos um pouco e entramos num quartinho similar ao lugar onde guardam materiais de limpeza. Era minúsculo, então tivemos que ficar bem próximos, mas ainda era possível ouvir a banda que tocava no palco.
– O que houve? – ele perguntou após trancar a porta.
– Como assim o que houve? Eu que deveria estar perguntando isso! O que houve com a gente?
– Eu não sei do que você está falando.
– Não sabe? Ah, não sabe. – ri com escárnio. – Tudo bem, então eu vou te explicar. Nós quase nunca nos vemos, só nos falamos por mensagem de texto e o pessoal da sua banda nem sabe da minha existência!
Ele nada respondeu.
– É por causa da ruiva não é? Eu vi que vocês estavam agarrados quando cheguei.
– A Meg? Não! De onde você tirou isso?! Ela só gosta de abraçar as pessoas, só isso.
Sorri novamente sem humor.
– Tudo bem, se você prefere assim... Nos falamos outra hora por mensagem, que seja. – me dirigi até a porta lutando contra minhas lágrimas. Não permitiria que ele me visse chorando.
– Espera! – parei meus movimentos. – Você me disse que queria conversar e que eu saiba não é conversa quando apenas uma das pessoas fala.
– Ok, então fale. – o encarei.
– A banda ainda está no início e você deve imaginar a dificuldade que deve ser. Nós queremos que ela cresça. Eu mal tenho tido tempo para os meus estudos, quanto mais para... – deixou as palavras no ar.
– Quanto mais para mim? É isso o que você ia falar? Afinal quem sou eu na sua vida, não é mesmo? – ficamos ambos em silêncio. – Então por que eu não facilito as coisas para você? – abri um sorriso falso. – Vamos terminar por aqui, então você vai ter uma preocupação a menos. Não é ótimo?
O silêncio reinava no local e isso só aumentou o buraco que estava se formando em meu peito. Se ele não dizia nada era porque concordava com tudo o que eu dizia.
– Você está terminando comigo? – ele parecia surpreso.
– Eu não quero, mas...
– Então é assim? No primeiro probleminha você pula fora? – agora era a vez dele de rir sem humor. – Eu esperava mais de você.
– Não é nada disso! – me exaltei e já não conseguia mais controlar minhas lágrimas. – Eu te amo seu estúpido! Imagina como é difícil pra mim a situação em que a gente está? Nós não passamos mais de 20 minutos juntos há séculos! A gente nunca mais ficou junto e eu sinto a sua falta! Mas você é idiota o suficiente para não notar nada disso e, o pior de tudo, pra nem sequer sentir a minha falta ou tentar me ver. – minha voz foi sumindo aos poucos.
– Me perdoa, tá legal? Eu te amo caramba! Não queria ter te afastado desse jeito e prometo que daqui pra frente eu vou mudar, mas, por favor Levy, não vai embora.
– Eu não quero que me prometa nada e muito menos que mude só porque eu te dei um puxão de orelha. – coloquei minha mão em seu rosto. – Eu quero que fique comigo porque quer e não porque acha que deve.
– Mas eu quero baixinha. – segurou minha cintura e me trouxe para mais perto de si. – Muito mesmo. E eu também sinto a sua falta.
Antes que eu pudesse sequer pensar nossos lábios já estavam unidos. Como eu senti falta disso, da sua língua envolvendo a minha e da sua respiração quente batendo contra minha pele. Envolvi seu pescoço com meus braços e o aproximei ainda mais de mim. Suas mãos foram descendo até meus quadris e eu envolvi minhas pernas nos seus.
Eu estava com fome, com fome de Gajeel.
– Gajeel, você está ai? – era a voz da Megan.
Nos separamos ofegantes.
– O que é? – perguntou impaciente e seus lábios foram para o meu pescoço me fazendo arfar.
– Temos cinco minutos para subir naquele palco.
– Mas que droga! – seus lábios se afastaram do meu pescoço e ele me pôs no chão. – Sinto muito baixinha, mas eu tenho que ir.
– Tudo bem. – falei enquanto arrumava minha roupa.
– Fica pra ver minha banda?
– Acho melhor não, a Lucy é minha carona de volta pra casa e... – ele me interrompeu.
– Eu te levo pra casa Levy. Qual é? Vai ser tão ruim assim assistir o show da minha banda?
– Claro que não. – sorri. – Vou ligar para ela.
– E eu vou pro palco. – me deu um selinho. – Não deixe nenhum engraçadinho se aproximar de você. – segurou meu queixo e me fez fitar seus olhos. – Está muito gostosa nessa roupa. – deu um sorrisinho sacana e em seguida aproximou nossos lábios novamente, mas desta vez de forma mais brusca.
Esse é o meu Gajeel.
– Lu-chan?
– Levy-chan! Como ficaram as coisas?
– Acho que nos acertamos, mas com o Gajeel nunca dá pra ter certeza. Ele disse que vai me dar uma carona até o apartamento.
– Ótimo! Fico feliz por vocês.
– Então você está oficialmente dispensada, pode ir pra casa. – sorri.
– Na verdade eu ainda vou demorar um pouquinho. Acabei encontrando um amigo e estamos lanchando juntos.
– Amigo? Que amigo?
– Loke.
– O tal ruivo?
– Esse mesmo. – ela sorriu.
– Então tudo bem. Juízo!
– Eu que devia te falar isso!
– Até mais tarde Lu, e obrigada!
– Tudo bem. Não precisa agradecer, afinal pra que servem os amigos?
Rimos juntas e em seguida desliguei a ligação.
–--
O show da banda do Gajeel foi incrível, mas mais incrível ainda foi o fato dele não ter desgrudado os olhos de mim em momento algum, coisa bem difícil de fazer já que aquele local estava lotado. Sem falar nas caras que ele fazia sempre que algum carinha se aproximava de mim. Impagável!
E agora aqui estamos nós, em seu carro, indo em direção ao meu apartamento. Infelizmente amanhã temos aulas e eu ainda sou responsável de mais pra virar a noite em um dia de semana, mas sexta-feira nós mataremos toda a saudade que sentimos um do outro, e lógico que não deixamos de dar uns amassos em frente ao prédio.
– Foi legal você ter ido me ver hoje. Acho que a gente, ou melhor, eu estava precisando desse empurrão pra acordar pra a vida.
– É como dizem, alguém sempre tem que dar o primeiro passo. – sorri e selei nossos lábios novamente.
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