You Again... - Season 2.
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Peter pareceu não notar Santana, seus olhos não saíam dos de Brittany e os dois soltavam faíscas com o olhar. A morena apenas encarava os dois, um tanto quanto nervosa, a última coisa que ela queria agora era seu sogro ali. Quando o homem ameaçou abrir a boca, Brittany ergueu a mão direita e puxou delicadamente sua outra mão que até então estava entrelaçada com a de Santana.
– Você não vai fazer show aqui dentro... Vamos lá fora. – A loira falou com uma calma que surpreendeu a esposa. Calma não era o ponto forte de Brittany.
A loira saiu primeira e depois de um tempo, Peter saiu junto.
– O que você quer? – Ela perguntou.
– Me ligaram no trabalho, dizendo que o meu filho estava no hospital, em estado grave, aí eu peguei o primeiro voo de LA até aqui, pra descobrir que a irmã dele sabia e que se recusa a doar sangue. – Ele falou irritado.
– Então?
– Então? Brittany ele é seu irmão! Você vai deixar que ele morra?
– Eu tenho certeza que existem muitas outras pessoas no mundo que podem doar sangue pra ele. O Noah quase matou a minha esposa, por mim ele fica do jeito que está...
– Ele é sua família, você vai deixar que aquelazinha entre no meio disso? – Peter perguntou. Santana era o ponto fraco de Brittany, e ela sentiu seu sangue ferver quando o homem a chamou daquela forma.
– Santana não é ‘aquelazinha’, ela é a mulher mais perfeita desse mundo, que por infelicidade do destino trombou com o Noah. Santana é a minha família, e não ele. – Seus dentes estavam trincados. – Você não tem o direito de vir aqui me pedir pra salvar quem quase tentou matar uma das pessoas que eu mais amo no mundo. Eu não vou ajudar. Sabe, eu ainda não consigo entender o que tanto você vê no Noah, ele quase matou uma pessoa, ele é horrível.
– Bom, você está agindo como ele... – Peter falou.
E antes que Brittany pudesse responder, um grito no fim do corredor chamou a atenção dos dois, e a loira não pôde evitar o sorriso que se formou em seus lábios quando viu Sarah correndo em sua direção. Ela ignorou o homem em sua frente se abaixou para pegar a pequena em seus braços.
– Mamãe! – Sarah gritou assim que Brittany a levantou do chão.
– Oi pequena. – A loira disse beijando repetidamente a bochecha da criança.
– Cadê a mami?
Brittany apontou para a porta ao lado de onde elas estavam e os olhos azuis da pequena brilharam, ela estava morrendo de saudades de Santana.
Peter encarava a cena incrédulo. Não sabia que sua filha tinha uma filha. A loira o encarou friamente por vários segundos antes de voltar a falar.
– Vá achar outra pessoa pra salvar o seu filhinho, eu não vou fazer. – Disse na mesma hora em que Quinn e Rachel chegaram.
A loira mais baixa encarou Peter com um olhar quase mortal.
Brittany abriu a porta do quarto da esposa e deixou que as amigas passassem antes de encarar seu ‘pai’ uma vez mais antes de fechar a porta e o deixar para fora. A loira ainda tinha a filha em seus braços que parecia assustada com o estado de Santana.
– O que aconteceu com a mami? – Perguntou sussurrando já que a morena deitada parecia estar dormindo.
– Ela caiu da escada lá em casa, pequena, mas ela vai ficar bem. – Brittany respondeu sorrindo.
– Eu... Posso ir lá? – Sarah perguntou apontando para a cama.
– Claro que sim, porque você não acorda ela? A mami vai amar te ver... – A loira colocou Sarah ao lado da esposa e sorriu ao ver o cuidado que a criança tinha com a mãe.
Sarah se aproximou do rosto da morena e depositou um beijo longo e molhado em sua bochecha, fazendo-a suspirar e sorrir ainda de olhos fechados. Santana abriu os braços e virou o corpo para que a filha pudesse abraça-la, a latina apertou a criança contra seus braços e beijou sua bochecha várias vezes.
– Deus, eu senti tanto a sua falta cariño. – Ela disse com a voz rouca.
–Eu também mami... Porque você não foi com a gente viajar? – Sarah perguntou inocente.
– Eu tinha que trabalhar meu anjo... Mas eu prometo que na próxima eu vou com vocês.
Sarah sorriu e assentiu.
Rachel se aproximou da cama e abraçou sua melhor amiga, e as três iniciaram uma conversa sobre algo que Brittany não fazia ideia do que era, ela e Quinn apenas observavam, mas a loira mais alta estava com o pensamento longe, as últimas palavras de Peter haviam atingido-a.
– O que você acha de um café? – Quinn perguntou percebendo o semblante triste da amiga.
Brittany apenas se virou para a outra loira e assentiu.
As duas saíram do quarto silenciosamente e foram do mesmo jeito até o último andar do hospital, sentaram-se em uma mesa e Quinn foi pegar os cafés.
– E então? – A loira perguntou assim que voltou à mesa. – O que aconteceu?
– Eu... Você acha que eu estou sendo igual ao Noah por não querer doar sangue pra ele? – Brittany perguntou.
– Peter te disse isso? – Quinn perguntou e a mulher a sua frente apenas assentiu. – Nunca, nem pense nisso... Você pode ser explosiva e marrenta, mas você é uma ótima pessoa B.
– Mas...
– Você não querer doar seu sangue para um louco como o Puck, não te faz igual a ele. O Noah quase matou Santana, eu entendo você não querer fazer a doação. E se eu te conheço bem, se você não soubesse que existem mais pessoas que podem doar, você faria. Não é?
Brittany suspirou e pensou por alguns segundos, mas logo assentiu. Ela não seria capaz de deixar Noah morrer, não porque ele era seu irmão, mas porque ele era uma pessoa. E ela não conseguiria viver com essa culpa.
– Viu? Você não é igual a ele Britt. Você sabe que ele vai ficar vivo sem o seu sangue, por isso não doou.
A loira suspirou novamente e sorriu.
– Obrigada...
Quinn apenas deu de ombros e sorriu. As daus ficaram mais um tempo na mesa antes de voltarem para o quarto. O quarto de Santana ficou cheio até o fim da tarde quando a médica entrou e disse que a única pessoa que poderia ficar era a que passaria a noite ali com Santana. E isso gerou uma discussão, porque Brittany queria ficar com a esposa, mas a mesma queria que ela fosse para a casa com Sarah, Rachel se ofereceu, mas Quinn disse que poderia ficar e elas demoraram pelo menos mais meia hora para decidir que quem passaria a noite ali seria Brittany. Sarah não se importava em ficar na casa das madrinhas, na verdade, ela queria que suas mães ficassem juntas, queria que Brittany ficasse para cuidar de Santana. E quem negaria isso a uma menina de quatro anos?
***
Os olhos da morena se abriram para enxergar apenas escuridão em sua frente. Ela deduziu que ainda era madrugada. Estranhou a falta de calor em seu corpo, Brittany não estava mais ali, em lugar algum do quarto.
A porta se abriu e ela abriu um sorriso fraco, achando ser a esposa, mas não era Brittany que estava do outro lado da porta. Puck a encarava, seus olhos queimando de ódio.
Santana arregalou os olhos quando Noah começou a se aproximar. Gritou por Brittany, mas nada.
– Ela não vai te salvar. Eu já cuidei dela. – Ele disse chegando perto do corpo frágil na cama.
– Não. Ela não. – Já podia sentir as lágrimas rolarem por seus olhos rapidamente.
– Já foi. E agora é sua vez. – Puck disse. Ele apontou a faca para Santana e a mesma não conseguiu conter o grito.
Seus olhos se abriram rapidamente, sua respiração estava descompassada e ela se sentou na cama ignorando a dor que o movimento lhe causou.
– O que foi amor? – Brittany perguntou sonolenta, passando as mãos nas costas de Santana.
– Puck... Ele... Ele disse que tinha te matado e... Ele ia me matar. – A morena falou ainda respirando com dificuldade.
– Foi só um pesadelo amor. – Brittany a tranquilizou, fazendo-a deitar novamente sob seu peito. – Tá tudo bem, nada vai acontecer. Eu não vou deixar ninguém encostar em você.
A respiração de Santana foi voltando ao normal aos poucos e não demorou muito para que ela voltasse a dormir. Mas o sono demorou a chegar para Brittany. Ela não conseguia parar de pensar nos pesadelos da esposa. Da última vez que esses começaram, demorou até que eles parassem de acontecer e ela não queria que a morena voltasse a tê-los, ela sabia que eles deixavam Santana cansada. Não era sempre que a morena voltava a dormir depois de um pesadelo.
Brittany não queria que os pesadelos acontecessem, mas estaria sempre ali para Santana se eles a assombrassem.
Fale com o autor