Yoru no Hana

23 Paraíso


Notas iniciais
Ultimo capítulo de Yoru no Hana! Espero que gostem *-*

Obrigada á todos, de verdade!

Capítulo 23 – Paraíso

Na manhã seguinte Gary acordou revigorado. Estava devidamente descansado e pronto para seguir viagem. Seu espírito estava leve e sua vontade e ânsia de reencontrar Melissa só aumentavam com o decorrer dos minutos. Apos um banho rápido e um café da manhã reforçado o pesquisador pegou seus Pokémons e sua bagagem e partiu novamente, dando continuidade á sua viagem.

Dirigiu-se até o porto da cidade de Vermilion e apos constatar com tristeza que não haveria nenhum navio partindo da cidade naquele dia, optou por utilizar novamente seu Pidgeot para continuar a viagem. O Pokémon voador que havia recebido tratamento especial no centro Pokémon já estava revigorado e pareceu contente em poder ajudar seu treinador naquele momento.

Os dois partiram imediatamente, em uma velocidade incrível, atravessando o mar calmo e azulado. A viagem, se fosse de navio, duraria no mínimo dois dias, porém pelo ar, Gary estipulou que durasse um pouco menos. O primeiro dia de viagem foi tranqüilo e bastante cansativo, apos quase 18 horas de viagem, acharam uma ilha desceram para que ambos pudessem descansar.

Era uma ilha isolada, no meio do oceano que Gary acreditava se tratar de uma ilha inabitada. Pidgeot estava exausto e Gary percebia aquilo nitidamente, pois oPokémon, poucos minutos apos pousar, caiu em sono profundo.Gary deixou o Pokémon pássaro descansando na parte litorânea da ilha onde haviam pousado e partiu adentrando mais pela mata, á procura de algo que pudesse comer. Não demorou e achou uma grande variedade de frutas conhecidas que certamente serviriam para o propósito. Pegou o máximo possível e voltou para onde deixara Pidgeot. Teve pena de acordar o Pokémon que dormia tão profundamente, porém sabia que o mesmo precisava se alimentar, logo, mesmo contra vontade, o fez.

— Pidgeot...! Acorde, garoto! – Ele murmurou enquanto acariciava a cabeça do pássaro.

O Pokémon grunhiu e abriu os olhos semi-avermelhados devido ao cansaço.

— Você está sem comer há muito tempo. Tem que se alimentar, depois deixo que volte a dormir, prometo. – Sorriu.

Pidgeot anuiu e se levantou com certa dificuldade. Gary, com pena do esforço absurdo que estava submetendo seu Pokémon, ajudou-o á comer, dando praticamente todas as frutas que colhera para o Pokémon e tentandominimizar ao máximo o trabalho do mesmo. Por fim, devidamente alimentado, o Pokémon pássaro voltou á seu merecido sono. Gary voltou ao local onde colhera os frutos e então com calma, soltou todos os seus Pokémons e alimentou-os com a mesma calma e atenção que alimentaria um filho recém-nascido. Apos todos estarem alimentados, finalmente Gary pode cuidar de si mesmo.

Alimentou-se e utilizou um pequeno lago para tomar banho. Agradeceu em silencio quando constatou que aquela água era quente e gostosa, provavelmente provinda de algum vulcão adormecido da ilha. Relaxou os músculos, que por horas a fio permaneceram em uma única posição, de olhos fechados e com a cabeça encostada em uma pedra.

Viu novamente a imagem de Melissa em sua mente e não pode deixar de sorrir. Perguntava-se o que a garota estaria fazendo naquele momento. Abriu os olhos e observou para o céu percebendo que havia perdido completamente a noção de tempo. A lua já estava quase desaparecendo no céu, levando consigo o breu da noite. O céu ainda estava escuro, porém os primeiros raios de sol já começavam a surgir, tornando-o mais brando e claro. A madrugada estava no fim. Melissa ainda devia estar dormindo, ou então acordando para alimentar os Pokémons do laboratório.Ah, como desejava vê-la naquele momento. Ou melhor, desejava estar ao lado dela, e despertá-la com demorados beijos sobre a pele macia e alva da garota.

Olhou para trás e viu que Arcanine estava deitado, fitando-o com curiosidade. Ele sorriu para o Pokémon. Com certeza Arcanine entendia perfeitamente o sentimento de Gary e a ânsia que o dominava. Ele devia estar sentindo o mesmo.

- Falta pouco agora, Arcanine. Falta pouco, meu amigo.

O Pokémon grunhiu e se levantou. Gary passou a mão pelos cabelos molhados e saiu da fonte termal. Um vento frio passou por ele e fez com que um arreio subisse por suas costas. Riu daquela sensação e correu para se secar e se vestir.Retornou com calma para o local onde havia pousado e deitou-se ao lado de Pidgeot. Arcanine fez o mesmo e Gary aproveitou para utilizar o Pokémon legendário como apoio para cabeça. Arcanine lambeu o rosto de Gary, que devolveu a demonstração de afeto com um leve afago na pelagem e um sorriso discreto nos lábios. Pouco tempo depois, ambos caíram no sono.

Apos recobrarem suas energias, Gary e Pidgeot partiram novamente, destino á terra firme. Demorou mais 16 horas para que chegassem em terra firme De lá, sem nem mesmo parar para descansar ou para se alimentar, Gary trocou de Pokémon, utilizando Arcanine para completar a viagem. Sentia que a cada momento estava mais perto de Melissa e seu coração começava a palpitar mais e mais forte. Uethon estava apenas á alguns quilômetros e com algumas poucas horas de viagem, Gary já podia reconhecer ao longe á floresta que antecedia a cidade destino. Arcanine uivou em alegria ao perceber o mesmo que seu treinador, e intensificou a corrida para que pudesse alcançar o local com maior rapidez.

Eram quase 4 horas da tarde. O sol estava alto no céu e brilhava com tamanha intensidade que os campos verdes pelos quais Gary percorriam, algumas horas mais pareciam dourados.Gary e seu Pokémon atravessaram a floresta com uma rapidez surreal, como se já conhecessem aquele local com a palma de mão. Logo, Gary avistou a rústica casa/ laboratório do professor Darrow. Sentiu um frio na barriga e um incomodo aperto no coração. Estava tão ansioso por aquilo que era inevitável não se sentir também um pouco nervoso.

Assim que chegou na porta, demorou um momento para desmontar de Arcanine. Suas pernas não se moviam conforme ele desejava e seu coração há muito tempo que já estava descompassado.

Respirou fundo e saiu de cima de Arcanine com uma lentidão fora do comum. Os passos eram demorados e pareceu durar uma eternidade até que por fim, ele alcançasse a porta de entrada. Tocou a campanhinha.

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8... Os segundos passavam como minutos e aquilosó servia para que Gary se sentisse mais angustiado ainda. A porta se abriu. Gary pode vislumbrar os cabelos brancos do venho pesquisador, junto á sua notória cara de surpresa.

— Gary...?
-...Oi! – Ele sorriu sem graça.
— O que faz aqui, Gary? Você não deveria estar no seu laboratório?
— Bem.. Deveria. – Gary murmurou. Como explicaria á Darrow o fato dele ter abandonado tudo para voltar para a casa dele.

O professor fitava Gary com um olhar confuso. Havia sido pego, realmente, de surpresa com a visita inesperada de Gary. O velho ajeitou o óculos sobre os olhos, aproximando-os mais de sua face e analisando Gary com uma maior cautela.

— Você está terrível. O que houve com você? Está cheio de olheiras.
— É que eu não descansei muito bem esses dias. Estava com pressa de chegar aqui. – Gary resmungou.


O velho sorriu e pareceu entender o que Gary fazia ali.

— Entre, rapaz! – O Velho disse virando de costas e seguindo para o sofá. Gary entrou, seguido por Arcanine. Fechou a porta e observou Darrow, enquanto o mesmo se sentava sobre o sofá. Gary aproximou-se, porém não se sentou, apenas manteve-se em silêncio, parado.

— Como ela está?- Indagou receoso.

O velho homem fechou os olhos e abaixou a cabeça, esboçando um sorriso triste.

— Irreconhecível. – Fez uma breve pausa. — Desde que você foi embora, Melissa não é mais a mesma. Nos primeiros dias ela não saiu do quarto, mas depois acabou voltando a fazer as tarefas domesticas porque viu que eu não conseguia fazê-las sozinho. Mas as coisas não mudaram por isso. Ela continua quieta, silenciosa demais. Não visita mais as amigas, não vai mais na cidade, e nem mesmo sorri enquanto cuida dos Pokémons, coisa que ela sempre amou fazer.

Gary ouvia aquilo e sentia seu coração se contorcer de dor. Por mais que soubesse que Melissa devia estar sentindo sua falta, não fazia idéia de que a situação era tão drástica. Abaixou o olhar, fixando-se no chão de madeira de lei. O professor continuou.

- Ela sentiu muito a sua falta, meu filho.
— Eu também senti a dela, professor. Demais.
— O que pretende fazer agora? Pretende ficar?
-... – Gary fez uma breve pausa. – Eu não posso mais continuarlonge da Mel, professor. Eu juro que tentei fazer isso durante o tempo que estive longe dela..mas..não consegui. Eu senti muito a falta dela.. cada minuto que eu passei... — Você está aqui agora. – Interrompeu. – O que está esperando?

Gary o olhou surpreso com a interrupção e as palavras do professor, porém depois deixou que um suave sorriso se formasse em seus lábios. Aquilo significava apenas uma coisa, a aprovação do professor.E isso era extremamente importante para ele, afinal, ele era o único parente de sangue de Melissa.

Virou-se e sorriu para seu Arcanine, fazendo um breve movimento com a cabeça em direção a porta. O Pokémon logo entendeu seu treinador e saiu da casa, não demorou e Gary o seguiu, porém não sem antes olhar de soslaio para o velho pesquisador.

— Muito obrigado, professor. – E saiu.

Correu o olhar pelo campo esverdeado do laboratório, porém nada viu alem de alguns Pokémons e arbustos. Respirou fundo e fitou Arcanine.

— Consegue achá-la, amigão?

O Pokémon uivou em alegria e Gary retribuiu com um sorriso.

— Então vamos!

Arcanine saiu correndo na frente e Gary o seguiu. Dando meia volta pelo laboratório, o Pokémon seguiu em frente, afastando-se da casa em uma velocidade alta, porém baixa suficiente para que seu treinado o seguisse sem ser deixado para trás. Não demorou para que Gary visualizasse ao longe o que mais desejou ver durante aquele ultimo mês. Ou não. Para falar a verdade, o que viu não o agradou tanto quanto ele esperava que alegrasse. Seu coração se contorceu em dor.

Melissa estava deitada no gramado verde, encolhida, enquanto acariciava morbidamente o rosto de sua Ninetales.Gary não tinha certeza, mas teve a nítida impressão que haviam lágrimas secas no rosto da morena. Não havia sorriso, não havia brilho e muito menos felicidade, haviam apenas olheiras, pálpebras inchadas, lábios secos e palidez. Era incrível como mesmo daquele jeito ela ainda continuava linda.

Gary sem perceber parou de correr e ficou a observar a triste e encantadora cena. Arcanine diminuiu os passos, também parecia meio abalado com o que estava presenciando, porém continuou a andar. Gary não, estava paralisado. Incapaz de se mexer. Seus olhos não queriam acreditar no que viam. Preferia mil vezes a cena que havia imaginado inúmeras vezes em sua cabeça. Melissa sorrindo, esperando por ele. Pura utopia. Naquele momento ele viu o quão mal fez á Melissa, e desejou poder mudar o passado, refazer, dessa vez sem deixá-la sozinha um minuto sequer.

Arcanine logo se aproximousuficiente para que Ninetales notasse sua presença. A Pokémon raposa virou o rosto na direção do cheiro que tanto conhecia, e pareceu sorrir ao comprovar que quem estava ali era realmente seu amado Arcanine. Bruscamente ela se levantou e correu na direção do cão legendário de Gary.Quando os dois correram mais rapidamente até que chocaram-se um contra o outro, como se fosse um verdadeiro abraço. Entre carinhos e grunhidos os dois pareciam estar verdadeiramente contentes e aliviados por estarem juntos outra vez.

Melissa ainda continuava parada, talvez devido à morbidade em que estava ultimamente, seus reflexos estavam cem vezes mais lentos que o de costume. Pareceu demorar bastante para perceber que não havia mais o que acariciar. Levantou lentamente a cabeça, enquanto apoiava o antebraço no chão para erguer um pouco o corpo. A primeira coisa que viu foi sua Ninetales trocando caricias com Arcanine. Demorou um pouco pra assimilar o que se passava, e só quando entendeu que aquele Arcanine só poderia pertencer a uma única pessoa, ela rapidamente se ergueu mais, levantando-se por completo.

Gary hesitou. Melissa correu os olhos para o horizonte e então se deparou com aquele que lhe roubara a paz no ultimo mês.

- Gary... – Ela murmurou, quase em um suspiro para si mesma, enquanto deixava algumas lágrimas reprimidas escaparem de seus olhos.

Gary pensou que por um momento sua voz havia sumido, pois ele também tentou murmurar o nome de Melissa, porém o som simplesmente não saiu. A morena levou a mão a cabeça e ajeitou uma madeixa de cabelo que caia sobre os olhos. Ela sentiu seu rosto corar e um desespero de não saber como agir dominar seu coração que, naquele momento, batia em um ritmo muito acima do comum. Gary deu um passo à frente e novamente hesitou. Melissa fez o mesmo.

Ficaram um momento em silencio antes que o silencio fosse quebrado pela morena, que em um tom de voz tremulo murmuroupalavras em um tom baixo, porém suficientemente alto para que Gary a ouvisse da distancia em que estavam.

— Você voltou... de verdade?

Gary deixou um sorriso triste transparecer em seu rosto.

— Você vai me perdoa por ter demorado tanto?
— Ah...Gary! – Ela mordeu o próprio lábio e tentou conter as lágrimas que queriam novamente transbordar de seus olhos. A diferença é que desta vez as lágrimas não eram mais de tristeza, ou saudades. Não. Nunca mais seriam.

Ela não esperou mais. Correu. Correu o mais rápido que pode. Gary apenas abriu os braços e assim que ela se jogou neles ele a envolveu com um carinho sem igual. Era a primeira vez em meses, que Gary se sentia em casa, e que Melissa sentia-se protegida. Ele apertou-a contra si, pressionando o corpo e ela, agarrou-se a blusa do pesquisador, escondendo seu rosto no peitoral macio do mesmo.

- Desculpe, Mel! Desculpe!Eu senti muito a sua falta.
— Eu também senti, muito, muito, muito, muito! – Ela disse quase em suplica. – Me promete que não vai mais embora? Por favor, Gary!
— Eu te prometo. Não vou mais embora. Nunca mais.

Ela sorriu e soluçou em alegria, enquanto ele aos poucos se afastava dele, porém não muito, apenas o suficiente para poder fitar aqueles belos olhos esverdeados que ela possuía.

- Eu te amo, Mel.

Ela riu entre o choro e beijou-o com carinho. Mal podia acreditar que ele finalmente estava ali novamente, dizendo aquelas palavras que ela tanto amava ouvir dele. Beijou-o, e beijo-o mais uma vez. E mais outra. Não queria parar de beijá-lo, porque no fundo ainda tinha medo de que aquilo fosse mais um de seus muitos sonhos de reencontro com Gary. Ele a apertou em seus braços sentindo aquela pele macia e cheirosa que só ela possuía.

- Eu também, Gary. – Ela murmurou entre um beijo e outro. – Eu também te amo demais.

_______ * ______

“Nunca havia imaginado que a minha vida pudesse mudar tanto por causa de apenas uma pessoa.

Há alguns meses eu sabia exatamente como seria toda a minha vida. Eu sabia com quem eu me casaria, como eu me casaria e como eu me sentiria. Sabia de tudo, absolutamente tudo e vivia sem muitas expectativas de que isso se alterasse um dia. Porém, quando ele chegou em minha vida, tudo, absolutamente tudo o que eu sabia deixou de ser como era. Ele mudou tudo. Minha vida, meu jeito de encarar as coisas, meu jeito de agir. E eu devo minha vida á ele. Pois se ele não aparecesse eu iria continuar naquela vida miserável e jamais notaria que na verdade eu não passava de um casca vazia fazendo coisas sem muito propósito nenhum. Hoje, eu sei o que eu quero, eu sei o que eu tenho e eu sei onde eu estou. Eu estou no paraíso, vivenciando a coisa mais grandiosa que há neste mundo. Eu estou amando e sendo amada e quero continuar até o fim do meus dias desse jeito, ao lado de Gary.

Eu estou no paraíso, vivenciando o amor que ele me mostrou existia e sou a mulher mais feliz do mundo por isto.”

Fim

Notas finais
Oi pessoas que acompanham essa fic! ;_; Bem.. Esse é o último capítulo de Yoru no Hana ( Flor da Noite) e bem.. eu tô muito triste. Quer dizer.. Estou feliz por ter terminado a história mais também tô triste porque vou sentir um pouco de falta dela i-i. Foi muito legal imaginá-la e escrevê-la! Quando eu comecei a escrevê-la ela era a minha primeira fic! E isso faz MUITO tempo e só agora tô terminando! Bem, eu espero que tenham gostado dela! De verdade.

Bem, espero que tenham gostado! Mandem Reviews por favor *-*
Quero agradecer muito aos leitores que acompanharam e principalmente á aqueles que comentaram! Brigadão mesmo pessoal! Beijinhos e até uma próxima ;***
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!