Yoru no Hana
22 Apoio
Notas iniciais
Capítulo 22 – Apoio
Gary pouco se importou com a noite que já cobria o céu em seu manto escuro. Partiu da ilha de pesquisas naquela noite mesmo, montado sobre as costas de seu velho amigo Pidgeot. Atravessou o mar que o separava do resto do continente e seguiu na direção de Uethon. Resolveu que não passaria no laboratório de seu avô para contar de seu abandono ás pesquisas de pokemons pré-históricos. Optou por contar á ele por telefone, ou quando já estivesse em Uethon, ou antes, caso tivesse de parar em algum centro pokémon durante a viagem, porém apostava na primeira opção. Sua intenção original era seguir direto para Melissa. Usaria Pidgeot até sair da ilha, e depois quando o pokémon se cansasse, pediria ajuda á Arcanine, que certamente não negaria, e ficaria muito feliz por estar voltando para perto de sua amada Ninetales e deste jeito, revezaria seus dois pokémons para que chegasse o mais rápido possível á Uethon.Porém Gary não teve tanto êxito como gostaria de ter. A viagem era longe demais para ser feita assim, não só pelos próprios pokémons, como por ele mesmo. Mesmo relutante, após 2 dias de viagem, chegando á cidade de Vermilion, Gary se viu obrigado á parar para descansar.
Chovia bastante naquela noite e ele fazia o possível para correr o mais rápido possível para o centro pokémon daquela cidade litorânea. Chegou ensopado ao centro de saúde e respirou fundo quando viu que estava devidamente abrigado. Olhou para os própios pés e viu que uma poça de água o circulava, molhando o chão branco e perfeitamente limpo do centro.
A enfermeira do centro, Joy, logo veio correndo na direção do jovem e o envolveu com um manto azul-marinho e aquecido.
— Você está bem? – Ela indagou com preocupação.
— Sim! Obrigado, enfermeira Joy!
- Seja bem vindo, rapaz! Irá passar a noite aqui?
— Se for possível, gostaria sim!
- Certo, vou mandar arrumarem um quarto para você, então. – Ela disse ao se virar em direção á uma porta, onde havia algumas Chanseys amontoadas. A enfermeira fez um movimento com a mão e rapidamente suas pokemons ajudantes já estavam ao seu lado. – Preciso que vocês, por favor, arrumem um quarto para nosso hospede. Prepare também um banho bem quente e algo para ele comer. Ah, sim, e também sequem o chão da entrada para que ninguém leve um tombo, sim?
Todas as Chanseys anuíram com um largo sorriso no rosto e se dividiram cada uma disposta obedecer a uma das ordens dadas pela Enfermeira Joy. Gary corou um pouco quando a enfermeira voltou á fita-lo. Levou a mão á nuca e abriu um sorriso sem graça e acanhado.
- Desculpe pelo chão molhado.. E pelo trabalho.
— Não á problemas algum, senhor...
— Gary Carvalho. – Ele sorriu levemente ao se apresentar.
— Fique á vontade, Senhor Gary! Gostaria que eu cuidasse de algum pokémon seu?
— Sim, gostaria. – Gary pegou a pokebola de Pidgeot e de Arcanine e entregou á enfermeira. – Eles estão bem cansados da viagem. Acho que exigi muito deles..!
— Não se preocupe, cuidarei bem deles!
— Obrigado!
Duas Chanseys voltaram a aparecer ao lado da enfermeira, uma carregava um balde e um esfregão, enquanto a outra tinha ambas as mãos vazias.A Enfermeira sorriu para os pokémons e em seguida para Gary.
— Chansey, por favor, guie o Senhor Gary até o banheiro para que ele não acabe pegando um resfriado com essas roupas molhadas.
O pokemon sorriu e repetiu o seu nome como costumeiro, em seguida pegando a mão de Gary e puxando-o para o banheiro. Gary sem muitas escolhas, deixou ser puxado, arrastando consigo sua própria mala de viagens. Chegando á porta do banheiro, Chansey indicou o local para ele entrar e em seguida saiu, deixando-o sozinho.
Após um delicioso e quente banho, Gary se sentiu mais aliviado. Dois dias inteiros de viagens haviam sido bem cansativos. Vestiu-se e saiu do banheiro, deparando-se com a mesma Chansey anterior, aguardando-o do lado de fora. Ela o guiou até o seu quarto e após ele guardar a mala, o levou até o refeitório. Já havia um prato aguardando-o em uma mesa e a comida pareceu maravilhosa á seus olhos. Esfomeado, o moreno demorou apenas alguns minutos para devorar completamente o prato servido. Fazia três dias que não comia direito, alimentando-se apenas de biscoitos que, por acaso, lembrou de trazer para a viagem. Acabou repetindo o prato e após isso, deixou o resto de seus pokémons sobre o cuidado de uma chansey, para que estes fossem devidamente alimentados.
Por fim, voltou ao saguão principal do centro Pokémon e foi até a enfermeira, que parecia compenetrada enquanto digitava alguma coisa em seu computador.
— Com licença, Enfermeira!
— Olá! – Ela levantou a cabeça e fitou-o com um sorriso sutil nos lábios. — Senhor Gary! Posso ajudá-lo em algo?
— Ahn.. Sim...! Será que eu poderia usar o telefone?
— Fique a vontade. Primeira á direita. – Ela indicou uma direção, sempre com o sorriso no rosto.
Gary agradeceu e saiu na direção indicada. Quando pegou o telefone, sentiu seu coração contorcer. Não fazia idéia de como contaria aquilo á seu avó, que tanto o incentivava naquela pesquisa. Ele certamente ficaria desapontado com sua desistência, mesmo que o motivo de tal tenha sido nobre. Respirou fundo e discou o numero com relutância. Apenas dos toques bastaram para o professor atender.
— Alô? Gary! – O avô pareceu um tanto surpreso com a inesperada ligação do neto.
— Oi Vô! – Ele forçou um sorriso.
— Que bom que ligou! Como estão as coisas?
— Muito bem, Vô! Ahn... E por aí?
— Tudo maravilhoso como sempre! Me conte, quais as novidades aí no laboratório?
— Ahn.. Foi exatamente por isso que eu liguei, Vô! – Gary revirou os olhos, tentando procurar a melhor forma de dizer aquilo. – Bem.. Eu..Não estou no laboratório agora.
— Não? – Indagou confuso. – Aonde está então?
— Eu estou em Vermilion.
- O que faz em Vermilion?
— Estou de passagem. Bem.. é que.. – Hesitou. – Eu.. ahn.. abandonei a pesquisa de pokémons pré-históricos. – Disse por fim, evitando olhar na direção dos olhos do avô.
O Velho homem se calou por um momento, com os olhos arregalados devido á surpresa. Era algo que ele realmente não esperava ouvir de seu neto naquele momento. Demorou um pouco para que o silêncio fosse quebrado.
— Como assim? Abandonou? O que houve, Gary?
— Eu estou voltando para Uethon, vovô. – Ele disse com firmeza. – Desde que voltei para o laboratório.. Bem, eu não me sentia muito bem. Eu não podia mais continuar ali.. Longe de Melissa.
O Avô demorou um momento para assimilar as coisas que ouviu do neto, mas por fim, abriu um gentil sorriso de compreensão.
— Se é o que deseja, Gary, sabe que tem o meu apoio!
Gary sorriu aliviado. O apoio do avô era algo realmente importante para ele.
— Obrigado, vovô!
Naquela noite, Gary dormiu em um colchão fofo e cheiroso, com um cobertor quente e aconchegante e com o coração mil vezes mais leve.
Sonhou com Melissa, com o sorriso dela e com o beijo que tomaria da mesma quando se reencontrassem.
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