Yoonay
9 Regret et bonté.
Notas iniciais
Terça-feira, 23 de maio de 2017.
No dia seguinte, quando Noah entrou em sua sala quinze minutos atrasado, Seung não tardou em olha-lo e soltou um suspiro aliviado quando percebeu os ferimentos já menos aparentes.
─ Bom dia! ─ Noah saudou meio incerto, retirando a bolsa satchel de seu tronco e colocando-a sobre a mesa, para em seguida se sentar na cadeira.
─ Bom dia.
─ Peço desculpas pelo atraso. Eu enviei algumas mensagens para lhe avisar, mas acho que você não viu. ─ justificou-se apressado, observando o moreno buscar no bolso de seu paletó o iPhone ─ Eu tive que levar meus irmãos para a aula, e acabei me enrolando no percurso até aqui.
─ Sem problemas, Ray. ─ o assegurou de modo simplório, soltando um sorriso minimalista e repousando seu celular sobre a mesa, não dando continuidade ao assunto.
Seung saiu de sala em seguida, e Noah deixou uma lufada pesada sair por sua boca.
Percebia o clima tenso sucedido pelos acontecimentos do dia anterior e ficou absurdamente afetado por aquilo, sentindo sua consciência pesar por saber que não devia ter agido daquele jeito.
Mais uma vez ele suspirou pesado e passou a mão sobre seu rosto, levantando a tela de seu notebook em seguida, mas não chegou a executar alguma tarefa, já que no instante seguinte o telefone fixo tocou e ao ver o número discado na tela, já soube de quem se tratava.
"Bom dia, senhor Pilsen." Noah o saudou animado e logo sua curiosidade fora aguçada. "Algo de errado aconteceu?"o senhor negou do outro lado da ligação e deu continuidade, de forma prolongada, a sua fala. "Oh céus, isso é absurdamente maravilhoso." comemorou animado e com um sorriso enorme nos lábios. "Ah sim, absolutamente essa ideia é bem melhor... não é puxando saco do meu chefe, é só querendo ver o melhor para ele e sua galeria." disse risonho e escutou o senhor do outro lado da ligação se despedir, igualmente animado. "Está bem, Pilsen. Muito obrigado pela mudança, o senhor não vai se arrepender. Será incrível! Tenha um bom dia!" e finalizou, com um sorriso austero em seus lábios bem desenhados.
Noah ficou animado com as alterações propostas por Pilsen, pois sem dúvida alguma já seria um ótimo passo para o avanço da Univers, logo, também, a ascensão de seu chefe.
E inquieto, com as unhas tamborilando no vidro da mesa, ele não via a hora de contar com a novidade para Seung.
Alguns minutos depois, quando já andava de um lado para o outro dentro da saleta, sentiu a porta ser aberta, e no mesmo instante virou-se fitando a figura de seu chefe, que o encarou com o cenho franzido.
─ Aconteceu algo? Sua cara está estranha. ─ o moreno pronunciou-se, caminhando até a sua mesa e deixando sobre ela as costumeiras sacolas com seu café.
─ Senhor Pilsen ligou novamente, agora a pouco.
─ Algo de errado aconteceu? Mas estava tudo certo, não é?
─ Ah, não, nada de errado aconteceu. ─ respondeu risonho, retirando, sem perceber, um peso das costas de seu chefe, que já ia achando ter perdido uma importante parceria. ─ Na verdade aconteceu uma coisa incrível, Seung.
─ Então ande depressa com isso, Ray, conte-me logo. ─ pediu, encontrando-se, agora, desassossegado, assentando-se em sua cadeira e repousando as mãos entrelaçadas sobre a mesa.
─ Pois bem. Se lembra de que a reunião que estava marcada para acontecer em Queensland envolvia não somente a Univers, mas também várias outras galerias? ─ indagou com um sorriso contido nos lábios ─ Pilsen nos ligou para avisar de que houve uma mudança de planos e nesse meio ele decidiu fechar uma parceria somente com a Univers. ─ Seung puxou o ar e soltou devagar, desacreditado. ─ Isso não é incrível?
─ Céus... você está falando sério?
─ SIM! ─ exclamou animado, vendo o sorriso de seu chefe se alargar com o passar dos centésimos de segundos. Nunca havia o visto tão surpreso, e a sensação de presenciar aquilo era impagável.
─ Caramba, isso caiu como luva na vida da galeria, Ray. Mas continuará para a mesma data? ─ indagou curioso e viu o loiro positivar, sentindo sua própria feição mudar por um instante.
─ Por que a pergunta?
─ Ah... é que essa experiência seria realmente incrível para você, queria que estivesse lá. ─ soltou divagante, não olhando-o nos olhos, mas para as próprias mãos grandes e bem cuidadas. ─ Mas de qualquer forma, não lhe faltará experiências ainda melhores que essa, não é?
Noah engoliu em seco e soltou o ar que prendeu por poucos segundos, sorrindo e assentindo em concordância.
Transmutou-se de mega-animado para pensativo em questão de centésimos, e ponderou na incredibilidade de Seung em tratá-lo tranquilamente mesmo após aquela afronta do dia anterior.
Encarou novamente a seu chefe, que dessa vez encontrava-se concentrado à tela de seu computador lendo algumas notícias pela internet, já que naquela manhã não tivera como comprar o jornal e tomou coragem pra falar.
─ Seung, sobre o que nos aconteceu ontem, aquela pequena discussão, eu gostaria de me desculpar contigo. ─ o moreno franziu o cenho confuso, levantando seu olhar até o dele. ─ Me desculpa por ter agido como um babaca mimado e amador, misturando o pessoal ao profissional, isso não vai mais acontecer.
Seung riu nasalado e negou com a cabeça, o encarando. As íris âmbar encontravam-se ainda mais radiantes naquela manhã, perfurando a alma do loiro.
─ Escuta Ray, o que aconteceu ontem não me afetou, ok? Eu percebi que você realmente estava diferente, então relevei, não tinha porque causar uma tempestade num copo d’água com aquilo.
─ Me desculpa por não ter te respeitado, por favor. Eu não sou um chefe, mas se fosse, com certeza eu iria gostar de ser tratado por onde, com respeito e não de modo desafiador.
─ Eu te desculpo Ray, é claro que te desculpo. ─ ele afirmou, com um sorriso contido, formando duas curvinhas aos cantos de sua boca, e empurrando para ele um copo com café. ─ Forte, como você disse que gostava.
Noah, quase que inconsequente, balançou a cabeça de um lado para o outro não acreditando na benignidade do homem à sua frente. Até porque, vejamos: eles tiveram uma discussão quase que feia no dia anterior, Noah o desafiou, o respondeu, e ainda assim, Seung o comprou um café e rosquinhas recheadas.
Isso não era justo, absolutamente!, Seung deveria estar com raiva, e o destratando, sendo desdenhoso, mas o que estava acontecendo era totalmente o contrário, chegando a afetar Noah de modo não aprazível.
Este não recebeu nenhuma ligação, assim como Seung também não tivera nenhum assunto importante para ser tratado. Ficaram ali, somente escutando a respiração um do outro e rolando as telas de seus dispositivos aleatoriamente, como se, de fato, tivessem algo para fazer. No entanto, nenhum dos dois se encontravam confortáveis o suficiente.
Noah, ainda que desculpado, se sentia imensuravelmente arrependido por ter rebatido de um modo tão brusco no dia anterior. E não, não importasse quantas vezes fosse dito por Seung o quão aquilo não tinha relevância, ele provavelmente continuaria se importando com isso.
Noah e suas neuras.
Sentia-se mal porque além de ter discutido com uma pessoa por quem de certo, apesar do curto período de tempo, nutria grande sentimento de admiração, totalmente puro e incontestável, ele certamente não havia correspondido da forma certa a suas expectativas.
Mas Seung, por outro lado, realmente estava sendo sincero quando disse que não se encontrava afetado pelo ocorrido, pois sabia muito bem separar o pessoal do profissional, porém, não era só isso.
Seung, apesar da natureza reservada e silenciosa, se encontrava animado demais com a eficiência que o loiro sempre apresentava. O modo em como a cada momento se revelava ainda mais disposto, e somado isso a sua espontaneidade, o moreno não tinha outra coisa senão relevar os momentos de mixórdia iguais ao do dia anterior.
Seung considerava momentos como esse passadiços demais para dar-lhes tanta atenção, e sendo Noah um jovem de dezenove anos, ele focava somente naquilo que lhe fazia bem e trazia sentimentos de satisfação.
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