Yoonay
7 Journée de surf.
Notas iniciais
Domingo, 21 de maio de 2017.
Era domingo pela manhã, mais especificamente 8h, e Noah já se encontrava fora da cama com uma disposição de dar inveja.
Enquanto ele escovava os dentes depois de um rápido e satisfatório café, por uma vídeo chamada interagia com seus melhores amigos: Camila e Gabriel. Os irmãos se encontravam numa praia pouco movimentada, com o vento soprando-lhes a face enquanto esperavam também pelo loiro.
“Pô cara, mas você demora para um cacete também. Ontem nós deixamos vários recados em sua caixa de mensagens, no whatsapp a mesma coisa, e você só visualizou.” — Gabriel ralhou, irritado.
─ Ih Gabriel, vamos parar com esse drama da desgraça? ─ Noah reclamou segurando a risada e cuspindo toda a pasta na pia.
“Ah Noah, esse aqui acordou inspirado no drama, cheio de fogo no rabo.”— Camila pronunciou-se e rolou os olhos, fazendo o amigo soltar uma gargalhada engasgada.
Noah, após bochechar, secou a boca, passou um desodorante e saiu do banheiro com o celular em mãos.
─ Eu percebi. O que foi? Problemas com a bruxinha? ─ entrando em seu quarto, Noah indagou descaradamente, referindo-se a namorada de seu amigo.
“Vai tomar no meio do s-.”
“Ei, ei, ei. Vamos com calma, bebê?” – Camila advertiu, franzindo o cenho em desaprovação e tomando o celular de sua mão. – “Mas olha, vem logo garoto, nós não temos o dia inteiro e as ondas estão de encher os olhos de tão maravilhosa.”
E a chamada foi finalizada sem ao menos um ‘tchau’, o que rendeu boas gargalhadas da parte de Noah, que simplesmente amava o sotaque dos irmãos.
Há uns quatro anos, que foi quando eles se conheceram, Camila e Gabriel estavam intercambiando pela Austrália, sendo um presente de aniversário dos pais para os irmãos.
Noah tinha um amigo e esse amigo acabou arrumando a maior confusão para cima de Camila e Gabriel, Noah se intrometeu para defende-los e por consequência disso, após essa noite, os três se tornaram inseparáveis.
Os irmãos sempre foram muito doidos, e na época quando decidiram intercambiar, o inglês de ambos era fraquíssimo, o que acarretou em histórias e mais histórias cômicas, quando, porém, conheceram Noah, não foi uma língua que os impediram de criar um dos laços mais bonitos dessa vida.
Durante o período em que passaram na cidade de Melbourne, Noah foi os instruindo da melhor forma que pôde, assim como da mais divertida. Ensinou-os a dominar por completo o inglês da Austrália, assim como foi ensinado, de modo divertido, a falar o português de Brasil, momentos que renderam boas risadas e uma cicatriz em seu antebraço direito.
Naqueles dias Noah os levou para as vielas fofas e becos ocultos daquela extraordinária cidade, tal como os apresentou aos barzinhos agitados, nada muito diferente do que tinham no Brasil, e levou-os para caminhar na famosa St. Kilda, uma área litorânea recreativa de Melbourne.
Quando, porém, o intercâmbio chegou ao fim, obviamente tiveram de voltar para o Brasil, entretanto, o reencontro não demorou a acontecer, já que um ano depois Gabriel completava seus dezoito anos, e com o consentimento de seus pais, junto com sua irmã, de mala e cuia, voltavam para a Austrália, dessa vez com o intuito de ficar.
E agora, ainda que se passado bons anos e em meio a circunstâncias duvidosas, os três continuavam intactos, com um elo inquebrável.
─ Mãe? ─ Noah sussurrou ao adentrar no quarto de iluminação lúgubre causada pelo conjunto de cortinas na cor areia.
O loiro caminhou até Lena, que estava deitada de costa para a porta e acariciou-a no ombro, fazendo-a despertar e soltar um resmungo em desgosto por ter sido acordada.
─ Estou indo pra praia, ‘tá bom? ─ Noah indagou e a viu assentir, puxando o cobertor mais para cima.
─ Gabriel e Camila irão?
─ Sim, talvez eu volte tarde.
─ Está bem. Tem dinheiro? ─ ela virou-se na cama para olhá-lo e o escutou dizer um ‘sim’ para logo curvar-se um pouco e somente deixar um beijo em sua testa.
Caminhando ao outro lado da cama, ele fez o mesmo com seus três irmãos, que deram um jeito de se espremer e dormir todos juntinhos com a matriarca.
Depois de escuta-la pedindo para ter cuidado com o mar, ele deixou o quarto e passando no seu somente para pegar uma bolsa com alguns pertences. Logo caminhou para os fundos da casa e abriu a porta de seu quiver, observando o conjunto de pranchas imaculadas e bem encapadas.
Dedilhou desde uma funboard até uma minimodels de coloração preto e branco e por fim decidiu pela Mini Malibu na cor terra com uma listra preta ao meio, sua preferida.
E como na noite do sábado anterior ele já tinha se encarregado de passar a resina na prancha, ele somente certificou-se de que tinha pego tudo e deixou a residência.
Prendeu com firmeza a prancha sobre o teto do carro e logo que entrou, deixou sua mochila no banco do lado e deu partida.
Na rádio da cidade tocava Eden do Hozier e aquilo foi o suficiente para Noah começar a batucar desajeitadamente no volante, enquanto mexia a cabeça de acordo com a melodia, cantando a letra a plenos pulmões com aquela voz angelical.
E quando passado cerca de quarenta minutos, chegando já na estrada litorânea, Noah estacionou seu carro em frente a um posto de abastecimento e deixando o frentista fazer o trabalho, ele caminhou até o banheiro, fez suas necessidades especiais e logo após higienizou suas mãos, caminhando em seguida para a loja de conveniências.
Noah pegou algumas besteiras e caminhou até o caixa, onde uma moça esguia, com um pirulito na boca, e cara de poucos amigos, o encarou com as sobrancelhas arqueadas, depois de medi-lo dos pés à cabeça.
─ Deu dez dólares. ─ ralhou enfiando a compra numa sacola só.
─ Valeu. Tenha uma bom dia! ─ ele exclamou simpático, e após pagá-la, retirou-se do estabelecimento, pagou o frentista também, assim como o agradeceu, e novamente entrou no carro, dando partida.
Depois daquela parada, não demorou muito para que chegasse ao seu destino, uns vinte minutos talvez, até estacionar o carro na faixa de areia coberta por uma vegetação rasteira.
Enquanto tirava sua prancha do capô do carro, ele ia sentindo o vento gostoso serpentear entre seus cabelos, talvez o dando as boas-vindas depois de tanto tempo sem pôr os pés nas areias de Gunnamatta.
Então, finalmente iniciando uma caminhada pelo deck de madeira, escutando os cantos das Gaivotas que protegiam seus ninhos escondidos sob as plantas rasteiras, Noah avistou, não muito distante, os irmãos acenando em sua direção.
A praia, diferente de algumas horas atrás, quando conversava com Gabriel pela vídeo chamada, se encontrava mais cheia. Vez ou outra, quando via algum conhecido, acenava com a cabeça e deixava um sorriso simpático, como de sua natureza.
─ Pô, achei que não viria mais. ─ Gabriel, quando já próximo, resmungou trocando um toque de mão com seu amigo e o puxando para um abraço fraternal, vendo-o fazer o mesmo com Camila, a qual deixou um carinho no alto de sua cabeça.
─ Caramba, quanto tempo que eu não venho aqui. ─ Noah, olhando as ondas agitadas e os outros surfistas que ali estavam, muxoxou.
A areia clara e morna sob seus pés encontrava-se repleta de conchinhas e pedaços de planta.
─ Sim, na verdade faz um bom tempo que não surfamos. ─ Camila acrescentou, enquanto ia retirando seu short e logo depois a regata, vendo os rapazes fazer o mesmo com suas camisetas.
─ Fazia tanto tempo que eu não vinha aqui que eu até me esquecera de como essa praia é de tirar o fôlego. ─ Gabriel continuou, enquanto os três iniciavam um breve alongamento e aquecimento.
─ Sabe se tem bancos de areia? ─ Noah indagou, referindo-se à formação arenosa que direto fazia as ondas quebrarem.
─ Não, estava observando alguns surfistas e ao que parece ‘tá limpinho, mas também ‘tá agitado. ─ Noah assentiu, olhando as ondas grandes que formavam belos tubos.
─ Eu gosto mesmo é do perigo. ─ Noah respondeu-o, fazendo um high five com Camila, que concordou freneticamente balançando a cabeça.
Após terminarem a preparação, eles envolveram a leash em seus tornozelos e tomando a prancha em mãos, rumaram na direção do mar. Quando a água gelada já lhes tocavam o fim da coxa, eles deitaram-se com o peitoral sobre a prancha e furaram a primeira onda.
O surf, além de tudo é mistura do estilo de vida, com uma filosofia. Uma maneira de estar, de sentir, de ser, que lhe proporciona desafios, prazer, satisfação e acima de tudo, adrenalina.
Noah remou lentamente quando viu uma boa onda chegando, e logo após pôs-se de pé sobre a água, sentindo a adrenalina lhe consumir em questão de segundos e executou um cutback, voltando na direção contrária da onda e retornando, como um zig-zag.
Por sua periférica, sentado com as pernas em cada lado da prancha, Noah percebeu seus amigos mandando algumas boas manobras, mas naquela manhã, ele sentia o mar estranho, ou era somente o tempo em que ficara tão longe.
Porém, tudo que fez foi dar de ombros e respirar fundo quando deitou-se novamente na prancha, passando a remar quando viu a formação de uma boa onda.
Ele pôs-se de pé e quando finalmente alcançou o pico da onda, perdendo o tempo de executar um floater, aconteceu uma vaca. Noah caiu de cima da onda, e Gabriel, ao lado de Camila, assistiu a onda quebrando em cima de seu corpo.
Os irmãos se entreolharam, engoliram em seco e sentiram o coração apertar, pois nunca era legal quando isso acontecia. Era um momento crítico da onda, totalmente perigoso.
─ Pelo amor de Deus... ─ eles sussurraram uníssono, após uns quinze segundos sem sinal de Noah, vendo outra onda quebrar no mesmo lugar.
─ Vamos lá, Cami. ─ Gabriel pediu quando viu somente a prancha de Noah subir, e ela assentiu, já remando junto consigo.
No entanto, mais à frente de onde a onda havia quebrado, emergiu um Noah resfolegado, jogando o cabelo para trás e soltando um riso frenético enquanto olhava na direção dos amigos que o observava apoiando-se na prancha.
Ele respirava fundo e pesadamente, apoiando levemente sua cabeça sobre a base enquanto via os irmãos se aproximar.
─ O que aconteceu ali cara? ─ Gabriel indagou num grito, assustado, e quase o xingou ao vê-lo sorrir travesso.
─ Eu perdi o tempo, subi para mandar um floater, mas quando fui ver, já estava caindo. ─ respondeu, soltando um suspiro pesado. ─ A onda foi alta demais.
─ Você é doido, sua praga? ─ Camila ralhou, jogando água em seu rosto e vendo-o gargalhar, negativando com a cabeça.
Os irmãos esperaram ele recuperar o fôlego e logo já estavam de volta, remando para suas ondas.
Noah viu, e gargalhou, quando Gabriel mandou a manobra que ele tentou fazer quando caiu. Um floater perfeito, reentrando na onda e lançando a prancha por cima da crista, acompanhando a cortina de espuma gerada em seu fim.
─ Seu vagabundo! ─ Noah gritou no meio de uma risada e bateu palmas pela manobra perfeita, vendo-o sorrir em sua direção e, num tom desafiante, dizer em seguida:
─ Agora é você, eu quero ver fazer melhor.
É claro que os dois estavam somente brincando, não havia rivalidade naquela amizade, mas Noah aceitou, arqueando as sobrancelhas em surpresa e assentindo com aquela feição ardilosa.
Esperou um tempinho e quando viu uma boa oportunidade, começou a remar na direção da onda.
Pondo-se de pé, Noah não demorou muito até executar um perfeito 360º, dando um giro completo em torno de si mesmo e finalizando com um cutback.
Enquanto gritava satisfeito, a plenos pulmões, sentindo-se feliz por ter feito uma manobra que há tempos não fazia, ele era aplaudido por seus amigos, que o viam se aproximar de pé na prancha.
─ Depois o vagabundo sou eu. ─ Gabriel disse risonho vendo-o descer da prancha e dá-lhe um toque de mão.
─ Foi bom pra cacete, né? ─ Noah se gabou, passando os dedos entre os cabelos molhados e jogando-os para trás.
─ O primeiro foi uma bosta, mas esse último compensou. ─ Camila pronunciou-se com um sorriso provocador e foi empurrada de cima da prancha, arrancando gargalhadas dos rapazes quando emergiu furiosa.
Os três ainda ficaram dentro da água por um tempo. Pegaram alguns tubos bons, mandaram mais umas boas manobras, outra simplistas, mas bem finalizadas, e ao fim ficaram somente sentados sobre a prancha, sentindo as ondinhas os empurrando para a areia, mas os puxando em seguida.
Até que depois de umas duas horas saíram da água e sentaram-se na canga que Camila havia trazido.
─ Quase tinha me esquecido de como é bom ter momentos assim com vocês, sério. ─ Noah confessou, secando as mãos em sua toalha e puxando uma barrinha de chocolate de sua bolsa.
─ Ah, que bonitinho você. ‘Tá apaixonado? ─ Gabriel zombou, dando-lhe um empurrãozinho no ombro e escutando a irmã gargalhar.
─ Eu não duvido nada. ─ Camila insistiu na provocação e Noah fez uma careta de negação, passando a barrinha.
─ Eu? Apaixonado? Nunca nem vi. Que dia foi isso?
─ Um palhaço mesmo. ─ os irmãos afirmaram ritmadamente e aquilo rendeu boas risadas.
─ Nós nunca devíamos ter ensinado português para ele. ─ Camila disse convicta, negativando com a cabeça.
─ Me sinto ofendido, viu? Seus embustes.
─ Olha só. ─ Gabriel murmurou, olhando para sua irmã com as sobrancelhas arqueadas. ─ O nosso erro foi deixar ele aprender esses memes e gírias brasileiras.
─ Vocês agem como se eu não estivesse aqui, seus vagabundos de merda.
─ Iti, é um bebê mesmo. ─ Camila provocou, apertando-lhe a bochecha no instante em que o viu praticamente petrificar. ─ O que houve, Noah?
O loiro demorou um tempo para responder, prendendo, inconsequentemente, sua respiração quando avistou ao longe, as silhuetas de quatro pessoas que conhecia bem.
Camila e Gabriel dirigiram o olhar para a mesma direção e soltaram uma lufada pesada quando entenderam.
─ Noah, só vamos embora, está bem? ─ Gabriel instruiu, levantando da canga e já a tomando em mãos.
O loiro nada respondeu, sentindo um desconforto total sobre si. Ele somente guardou tudo de forma desorganizada e esperou por seus amigos.
Quando começaram a caminhar, saindo do caminho do outro grupo de amigos, Camila viu as veias pulsando no pescoço do loiro, e logo que abaixou a cabeça, encontrou os punhos fechados, as veias também bem visíveis.
─ Se eles provocarem, só ignora Noah, sério. ─ ela instruiu. ─ Não vale a pena.
Como se estivesse de acordo, o loiro assentiu, mas sabia que se algo acontecesse, a última coisa que faria seria ignorar.
Tudo parecia estar indo bem, porém, o grupo alheio mudou sua rota e passou a caminhar até eles, todos com um sorriso maquiavélico nos lábios.
─ Mas se eu não sou o mais azarado de Gunnamatta, eu não sei quem é! ─ um rapaz alto, de pele branca e cabelos loiros como os de Ray, se pronunciou.
Noah, respirando fundo e se contendo ao máximo, somente desviou de seu corpo e seguiu o caminho ao lado dos irmãos, trincando a mandíbula com toda a força que tinha e engolindo bolos e mais bolos de salivas até que sua boca ficasse seca.
Contado dez segundos, Noah sentiu seu ombro ser tocado com força, e sabendo quem era, virou-se com brusquidão.
─ Tira sua mão de mim, seu infeliz! ─ ele ralhou com ódio nos olhos, retirando a mochila de suas costas e dando passos lentos na direção do rapaz.
─ Hum, ela ficou nervosa. ─ retorquiu o loiro, na sua mais pura e bruta provocação. ─ Achei que tivesse controle de suas emoções, Noah.
─ Dominic, você não cansa? ─ Noah ralhou, respirando fundo e virando lentamente seu rosto para o lado, engolindo novamente em seco e trincando os dentes em nervoso. ─ Você não cansa de ser infeliz e tentar de todas as formas fazer com que as pessoas sejam infelizes com você?
─ Eu, infeliz?
─ Sim, Dominic. Você! Totalmente infeliz, a pessoa mais podre, nojenta e infeliz que já tive a triste oportunidade de conhecer. ─ exprimiu com nojo, tendo algumas gotículas de saliva saindo de sua boca.
Mas Dominic era aquele tipo de pessoa que não sabia resolver uma situação de forma civilizada, então no instante seguinte, tudo o que Noah viu foi um punho fechado vindo de encontro a sua bochecha.
Não esperando por aquilo, o loiro acabou caindo de costas na areia, dando a deixa perfeita para Dominic, que veio por cima de si e desferiu dois socos, um o acertou bem no queixo e o outro no olho, mas Noah, desvencilhando-se em uma generosa rapidez, ficou por cima e deu três, quatro, cinco belos socos na face e costelas de Dominic, vendo o sangue escorrer em seus supercílios ao sexto e sétimo golpe.
Os lábios de Noah se curvaram num sorriso possesso, e ele, sentindo cada átomo de seu corpo ser tomado por uma fúria incontrolável, cravou seus dedos na garganta de Dominic, que estava fazendo o mesmo em si, e começou a apertar, vendo cada vez mais a face do loiro transmutar-se de vermelha para roxa.
Gabriel, Camila e o grupo de Dominic correram até o loiro, entre gritos desesperados implorando para que parassem, e o puxaram pela cintura e braços, o empurrando para longe.
─ Seu desgraçado, vagabundo. Eu te odeio! ─ Noah esbravejou em puro ódio, vendo Dominic tossir compulsivamente e levar a mão a própria garganta. ─ Eu odeio a sua vida, a sua conduta, eu odeio o que você fez aos meus amigos. Por mim eu te mataria agora, seu desgraçado. ─ continuou tentando desvencilhar-se dos braços de Camila e Gabriel, respirando furiosamente. ─ A próxima vez que você ousar encostar em mim ou ofender a qualquer um de meus amigos, na minha presença ou em qualquer outro lugar, você vai sair com muito mais do que roxos e costelas fraturadas. ─ cuspindo o sangue no chão, ele voltou seu olhar para o loiro. ─ Eu vou deixar você sem vida, Dominic!
E por não mais querer prolongar aquele momento, Noah saiu daquele ambiente pesado, sendo seguido por Gabriel e Camila, totalmente preocupados.
─ Desgraça. ─ ele murmurou passando a mão sobre o corte em seu queixo, por onde um filete de sangue escorria.
─ Eu achei que você fosse matá-lo. ─ Gabriel foi o primeiro a se pronunciar, logo quando chegaram ao carro.
Noah riu nasalado e passou a mão pelo rosto, sentindo-se irritado.
─ É o meu desejo mesmo.
─ Noah, o que está acontecendo? ─ Camila preocupou-se, vendo melhor a mudança brusca no comportamento do amigo.
Sabia que desde o último encontro que os três tiveram as coisas mudaram.
─ Camila, eu só odeio o Dominic, é só isso.
─ Tudo por causa daquele dia? ─ ela indagou, quase indignada.
─ É Camila, tudo por causa daquele dia infeliz. ─ confirmou, cuspindo novamente o sangue de sua boca. ─ Ele quase matou vocês dois, e o problema é de vocês se não dão a mínima para isso.
─ Não é bem assim… ─ Camila tentou argumentar, mas foi cortada.
─ É assim, sim! Vocês simplesmente deixaram para lá e tratam disso como se não fosse nada. Mas eu não sou assim, e todas as vezes que eu tiver a oportunidade de quase matar o Dominic pelo o que ele fizera a vocês, eu não vou deixar escapar por nada. ─ finalizou, entrando em seu carro e batendo a porta com força.
Naquele dia, Noah pôde sentir na pele que: a desgraça põe à prova a sinceridade e a amizade.
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