Yokozawa Takafumi no Baai.
5 Ato 5.
Notas iniciais
"Feliz Aniversário. Feliz Aniversário.
Feliz aniversário, querido Onii-chan.
Feliz Aniversário!"
Zen e Hiyori cantaram descoordenadamente e fora de sintonia em frente ao bolo magnífico que a garotinha havia feito para Takafumi, que estava sentado à cabeceira da mesa de jantar. Um sorriso cresceu em seu rosto quando ele olhou para o bolo caseiro com uma única fatia faltando – aquela que ele havia roubado na noite anterior.
— Não se esqueça de fazer um pedido quando soprar as velas, Onii-chan. – Lembrou-lhe Hiyori.
Takafumi soprou levemente as velas, apagando-as sem qualquer dificuldade.
— Gostaríamos de ter adicionado vinte e nove destas, mas eu não acho que o bolo teria sido capaz de lidar com isso. – Riu-se Zen.
— Você é a pessoa mais velha aqui, Ojisan*.
Zen voltou a rir. Hiyori avisou que levaria o bolo à cozinha para cortá-lo e logo após ter desaparecido pela porta, Zen foi mutilado pelo olhar de Yokozawa, que deu-lhe uma cotovelada no estômago, fazendo com que ele se inclinasse, segurando o estômago enquanto soltava um gemido de dor.
— Você está bem, Papa? – Hiyori perguntou da cozinha.
— S-sim, eu estou... bem.
Zen esforçou-se para não expressar a dor que sentia em seu tom de voz. Logo ele fora puxado pelo colarinho e Takafumi sussurrou em seu ouvido:
— Não podemos deixar Hiyori comer sequer um pedaço desse bolo, entendeu?
— O que você quer dizer? – Zen ajeitou-se na cadeira enquanto olhava para Takafumi, totalmente confuso.
— Ontem à noite, quando provei um pedaço... Bom, como posso dizer? Acho que ela confundiu o açúcar com o sal e...
Os olhos de Zen se arregalaram, percebendo o que Takafumi estava tentando dizer.
— Se ela descobrir, ficará com o coração partido! – Takafumi concluiu.
Os olhos dos dois imediatamente se voltaram à garotinha que acabara de entrar pela porta, trazendo consigo três fatias de bolo espetados por garfos, em pequenos pratos. Ela parecia animada enquanto os entregava aos homens, que se entreolhavam nervosamente. Zen então, passou a fitar o bolo que até pouco tempo atrás parecia tão apetitoso, chegando a lhe dar água na boca.
— Prontinho! Espero que o gosto esteja bom!
Por de baixo da mesa, Takafumi chutou Zen, que pulou em sua cadeira antes de virar-se à ele, vendo-o articular as palavras "faça alguma coisa!". Zen entrou em pânico e os pensamentos começaram a correr em um milhão de quilômetros por hora através de sua cabeça, enquanto tentava bolar um plano. Foi então que seus olhos encontraram os guardanapos coloridos no canto da mesa, dando-lhe uma ideia. Quando Hiyori mergulhou o garfo em sua fatia de bolo, o braço de Zen atirou-se por cima da mesa, batendo nela, fazendo com que seu pedaço caísse no chão.
— Oh, não! – A menina lamentou.
— Eu sinto muito, Hiyori!
Zen fingiu estar arrependido, levantando prontamente de sua cadeira e começando a juntar o bolo do chão o mais rápido que podia. Hiyori suspirou, prestes a levantar-se também para ajudar seu pai a limpar.
— Tudo bem, deixe isso comigo. – Disse ela.
— Não, não! Eu vou pegar um pano e lhe trazer uma nova fatia, espere aqui! – Zen insistiu.
A menina, ainda que um pouco confusa, ajeitou-se na cadeira aceitando a proposta do pai. Então, Zen correu para a cozinha, despejando o bolo no lixo e pegando um pano antes de tomar um fôlego rápido. Ele olhou para o restante do bolo, encolhendo-se quando se aproximou dele. "Eu realmente sinto muito, Hiyori.", foi o que disse a si mesmo antes de por em prática o restante de seu plano.
"CRAP!"
Ambos, Takafumi e Hiyori, levantaram rápido de seus assentos voando para a cozinha. Assim que a adentraram, encontraram Zen de joelhos ao lado do bolo. O bolo estava de cabeça para baixo, espalhado pelo chão da cozinha.
— Está tudo bem, Papa?
Zen virou-se na direção deles. Seus olhos encontraram primeiramente com os de Takafumi e voltaram-se aos da filha em uma fração de segundos.
— Eu estou bem! Mas o seu bolo... Ah, querida, me desculpe!
— O que aconteceu? – Indagou Takafumi.
— Eu fui pegar um pano, acabei tropeçando e bati no bolo...
— Está tudo bem. O importante é que você não se machucou! – Hiyori suspirou olhando toda aquela bagunça e logo se ajoelhou ao lado do pai, envolvendo os braços em volta dele enquanto um sentimento de culpa batia em seu coração. – Eu vou limpar isso enquanto você e o Onii-chan comem suas fatias de bolo.
— Você tem certeza? Eu sou o único que fez a bagunça, depois de tudo.
— Eu tenho certeza! – Ela sorriu calorosamente para seu pai enquanto pegava o pano de suas mãos. – Agora volte lá e coma! – Ela insistiu, empurrando seu pai até que ele ficasse em pé.
— Tudo bem, tudo bem! Apenas grite se você precisar de uma mão.
— Ficarei bem, só vá!
Ela enxotou os dois homens para fora da cozinha, voltando toda a sua atenção à bagunça que o pai havia feito. Zen arrastou os pés até a sala de jantar, olhando desanimado para os pedaços de bolo sobre a mesa enquanto sentava-se. Logo ele afundou sua cabeça em seus braços dobrados.
— Cara, eu me sinto horrível!
Takafumi apertou o seu ombro, sentando-se no assento ao lado dele.
— Eu acho que você fez a coisa certa. Um dia nós vamos contar a ela e ela provavelmente vai rir e pensar que você estava sendo bobo por causa de tudo o que fez apenas para não ferir seus sentimentos.
— Sim, eu acho que você está certo...
Ele colocou a mão sobre a de Takafumi, sorrindo para ele com seus olhos castanhos.
— Tudo limpo! – Avisou Hiyori após enxugar as mãos.
Assim que ela entrou pela porta, fez um beicinho ao ver as fatias de bolo intocadas.
— Vocês nem tocaram no bolo! Há algo de errado com ele?
— Nós estávamos esperando por você! – Afirmou Zen.
Os dois homens pegaram simultaneamente seus pratos, começando a comer o bolo. Ele estava salgado e o gosto ficava pior devido à mistura excessiva de creme de manteiga e morangos, tornando-o azedo.
— E então, como está o gosto? – Indagou a garotinha, animada.
Eles concordaram com entusiasmo. Suas bochechas arredondadas, cheias de bolo, assumiram a aparência de dois esquilos armazenando comida para o inverno. Engolindo a seco, eles tentaram o seu melhor para esconder o olhar de desgosto em seus rostos.
— D-Delicioso! – Comentou Takafumi.
— O melhor bolo que já comi! – Concordou Zen.
Um sorriso de orelha a orelha enfeitou o rosto de Hiyori enquanto ela saltava de alegria.
— Sério?! O que vocês mais gostaram nele?
Os dois homens entreolharam-se.
— Os sabores funcionam muito bem juntos. – Concluiu Takafumi.
— Sim! E... Os morangos foram picados perfeitamente. Nem muito grossos, nem muito finos.
Eles engoliram a última garfada antes de entregarem seus pratos a Hiyori, que escorregou de volta para a cozinha para lavá-los. Os homens pegaram seus copos d'água, bebendo todo o líquido num único gole.
— Eu acho que vou precisar de uma cerveja... Só assim conseguirei me livrar desse gosto horrível! Quer uma?
Takafumi assentiu enquanto pegava o copo de água que pertencia à Hiyori, bebendo-o rapidamente. Zen apareceu na cozinha e momentos depois voltou com duas garrafas de vidro do refresco borbulhante, seguido de perto por Hiyori.
— Oh, já é passado das nove horas! Eu provavelmente deveria ir para a cama. Boa noite, Papa. Boa noite, Onii-chan.
Zen ajoelhou-se, permitindo que Hiyori beijasse o seu rosto para após retribui-la. Ela, então, pulou sobre Yokozawa, fazendo o mesmo e surpreendendo o homem.
— Boa noite e feliz aniversário novamente, Onii-chan!
Ele sorriu calorosamente para Hiyori, desejando que ela tivesse doces sonhos enquanto a via correndo para o seu quarto. Zen riu para si mesmo enquanto observava Takafumi.
— Parece que ela realmente gosta de você.
— Você acha?
— Você está brincando comigo? Ela fez um bolo para o seu aniversário! Tudo o que eu recebi foi um bolo comprado na padaria da esquina.
Takafumi riu, esquecendo tudo sobre o gosto salgado que tinha queimado suas papilas gustativas. Ele tomou um gole de sua cerveja, suspirando em satisfação. Se Hiyori gostava dele, este era um sentimento recíproco. Sentando-se ao seu lado, Zen deu um suspiro enquanto olhava a porta aberta que dava para a cozinha.
— "Os morangos foram picados perfeitamente"? Sério, isso foi o melhor que você pode dizer? – Debochou Takafumi.
— Ei, eu não sei nada sobre a "linguagem culinária", ok? Foi a primeira coisa que me veio à cabeça...
Depois de terminar a sua cerveja, já era passado das dez horas e Takafumi encontrou-se cansado, bocejando diversas vezes dentro de poucos minutos.
— Eu deveria ir pra casa. – Pensou em voz alta.
— Está tudo bem se você quiser ficar aqui essa noite... Eu deixo você se aconchegar em mim, na cama, se sentir frio!
Takafumi estreitou os olhos para Zen, que provocadoramente riu antes de tomar outro gole de sua cerveja.
— Eu vou recusar, obrigado. – Retrucou Takafumi.
— Você tem certeza? Eu acho que tenho um futon* guardado, se este for o problema.
— Não, não é isso. Eu realmente preciso ir, há algumas coisas em meu apartamento que preciso levar ao escritório amanhã. Por isso é mais fácil assim.
Os dois homens conversaram por mais alguns minutos, enquanto Zen terminava a sua cerveja antes de levar seu amante até a porta da frente.
"Miau~"
Takafumi olhou para baixo e encontrou Sorata junto aos seus pés. Sua cauda balançava no ar enquanto o felino esfregava o rosto contra a perna de seu dono. Takafumi comoveu-se e se agachou para acariciar o pêlo brilhante da cabeça até à cauda, voltando para o queixo e começando a coçá-lo. Não pode deixar de rir ao ver o pequenino ronronando em aprovação da carícia.
— Eu acho que essa é a sua maneira de dizer "feliz aniversário". – Zen concordou consigo mesmo.
— Obrigado, Sorata! – Takafumi sorriu, voltando-se a Zen novamente. – Bem, eu estou indo. Obrigado por esta noite. Até amanhã!
— Oh, quase esqueci! Espere um segundo, eu já volto!
Takafumi levantou uma das sobrancelhas enquanto pegava seu paletó e esperava junto a porta da frente.
— Aqui! – Zen caminhou até ele, carregando uma sacola de papelão de cor dourada cintilante.
— O que é isso?
— O seu presente de aniversário, é claro!
Takafumi aceitou a sacola, observando o seu peso leve.
— O-obrigado. Te vejo mais tarde.
Ele abriu a porta e, de repente, foi puxado de volta por Zen que deu-lhe um beijo apaixonado nos lábios antes de sussurrar em seu ouvido com uma voz extremamente sedutora:
— Feliz aniversário!
Ele sorriu, liberando Takafumi num aceno antes de fechar a porta, deixando o homem completamente corado.
— O-o que diabos foi isso!? Aquele idiota deve ter um parafuso a menos! Nem pensou que alguém poderia ver, tsc. – O tsundere resmungou consigo mesmo.
Ele limpou os lábios com as costas da mão antes de descer no elevador e sair do prédio com a sacola balançando em sua mão. Finalmente, quando chegou ao seu complexo de edifícios, Takafumi girou a chave na porta e entrou no pequeno apartamento de um quarto. Ele jogou os sapatos num canto e após largou o casaco sobre o sofá antes de se sentar. Suspirou conforme a dor em suas juntas doloridas começava a diminuir, então ele olhou para baixo, fitando o tal presente que Zen lhe dera, percebendo uma pequena etiqueta pendurada ao lado. Então, começou a ler:
"Para: O grande urso-tsundere."
Os olhos de Takafumi estreitaram-se, aborrecidos com o apelido. Contudo, ele continuou a ler.
"Feliz aniversário, espero que goste do teu presente. Quem sabe você possa usá-lo para mim numa próxima oportunidade, certo? HAHAHA. Eu gostaria muito ~
Amor, você é único pra mim.
Zen."
Ele balançou a cabeça enquanto brincava com o selo da fita adesiva, puxando-a suavemente até que o saco se abrisse.
— O que–
Ele olhou dentro do pacote e avistou um artigo de bolinhas vermelhas. Confuso, enfiou a mão no saco para retirá-lo. Desdobrando-o cuidadosamente, seus olhos se arregalaram quando descobriu que se tratava de um avental.
— Porquê ele me daria um... Ah, aquele desgraçado!
Takafumi torceu o avental, transformando-o numa bola antes de jogá-lo de volta no saco, deixando-o de lado. Seus punhos estavam cerrados em frustração quando ele pegou seu telefone, determinado a descobrir que tipo de coisas Kirishima tinha planejado, embora já tivesse uma boa ideia do que seria.
Mal sabia ele que teria uma vida inteira para se irritar com esse tipo de coisa. Zen jamais o deixaria em paz! Ele escolheu dar seu coração à Kirishima e essas atitudes faziam parte do pacote. Tsc, tsc. Sorte ao tsundere!
~ Fim.
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