Yns 2 (pt. 1) - Everything Youre Not

9 Capítulo 9 - Princesa Ou Psicopata?


Flash Back

– Eu não devia ter nascido. – disse Isabel, sentada em um tapete verde brincando com brinquedos longe de todos, de frente a uma tv, na creche.

Isabel olhou para o lado, esperando uma resposta, de sua melhor amiga, Dulce.

Suspirou e voltou a brincar com suas bonecas.

– Você se acha bonita? – perguntou Dulce, uma menina de cabelos vermelhos, pele branca e olhos pretos. Uma menina que só Isabel vê.

– Não... Eu posso ser bonita? – perguntou Isabel, colocando a boneca no chão para olhar nos olhos de Dulce.

– Você pode ser bonita. Você é perfeita para mim, tá?

Isabel olhou para o chão e sussurrou um tá.

– Mônica também te acha bonita. – disse Dulce, sentando ao lado de Isabel e pegando uma boneca com roupas vermelhas.

Isabel riu.

– Vou lavar minhas mãos, daqui uns 5 minutos vai ser a hora do lanche... – Isabel se levantou, passou pela porta e foi para o banheiro. Fechou a porta. Ficou na ponta dos pés e tentou abrir a torneira. Quando conseguiu abrir, ouviu um barulho, a porta se trancou. Isabel ouviu risos.

– Vamos vitória! – gritou um menino, rindo, chamando Vitória. Como a porta só abre do lado de fora, Isabel ficaria presa até que alguém a tirasse dali.

– Dulce! – gritava Isabel, desesperada.

Isabel tentou fechar a torneira que começou a abrir demais, e caiu água no chão liso. Isabel escorregou e caiu para trás, com a torneira cada vez mais espirrando água.

– ME DEIXE EM PAZ! – gritou Isabel, para o responsável pelo incidente da torneira.

– Você não é uma princesa, princesas são bonitas... – disse uma voz, Isabel olhou para o lugar de onde a voz veio e não viu nada. Isabel tampou os ouvidos, gritando para que as vozes parassem.

Silêncio.

– Você nunca estará sozinha... – a porta abriu, mesmo estando trancada. Dulce está no fundo da cozinha, o chão é de ladrilhos brancos assim como as paredes, há mesas de piquenique de madeira clara, onde vários alunos de 4 anos estão sentados. Isabel andou até a mesa, olhando para o chão, e se sentou, do lado de uma menina. A menina se distanciou.

– Ela é feia e gorda, ninguém quer sentar com ela... Legal. – disse a menina para um garoto, rindo.

Isabel não tem um lanche, como todos. Se levantou, com a testa franzida e foi para a sala novamente.

– Só porque te amo. – disse Dulce, segurando um sanduíche e entregando para Isabel.

– Obrigada...

– De nada.

– Dulce? – chamou Isabel, depois de terminar o sanduíche.

– Sim?

– O que você é? – perguntou Isabel.

– Sua protetora.

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Na hora da saída...

– Devolve minha mochila! – gritou Isabel, correndo atrás de vitória que segura sua mochila pequena e verde do Mickey.

– Venha me pegar! – Vitória corria pela rua, segurando a mochila no alto.

– Me devolve! – Isabel começou a chorar.

– Tome. – Vitória jogou a mochila no chão, que acabou rasgando ao chegar no asfalto.

– Seus pais chegaram, Isabel. – disse a professora Rita, apontando para um carro prata.

Isabel pegou sua mochila, e abriu a porta do carro e entrou, foi para a casa.

As 8:00 da noite...

– Vamos, Isa! Você é uma princesa! – disse Dulce, sorrindo, observando Isabel colocar um cobertor nas costas para fingir que é um manto, e colocar uma coroa de plástico.

– Vamos para o baile? – perguntou Isabel.

– Agora é hora de dormir, amanhã será o baile, ok?

Isabel assentiu. Dulce pegou sua mão e a levou para seu quarto. Isabel se jogou em sua cama, e Dulce a cobriu com um cobertor roxo, Isabel fechou o olhos e dormiu.

Em seu sonho, há um boneco com dentes afiados e olhos inteiros pretos repetindo “Princesa ou psicopata?” “ Você deve matar eles, eles não são seus amigos”. A cena mudou para a cozinha da casa de Isabel, em que ela está presa no chão de linóleo amarelo, com a janela da sala cada vez mais próxima a ela. A exorcista quebrou a janela e foi andando pela sala, sorrindo, até chegar perto demais de Isabel.

– Psicopata. – disse exorcista, fazendo Isabel abrir os olhos e acordar.

Com um olhar triste e assustado, olhou para o corredor para ver se há algo nas paredes brancas e frias. Nada. Pegou seu cobertor, o arrastando até a porta, mas quando foi acender a segunda luz do corredor, algo puxou o cobertor. Isabel gritou.

– PARE! – gritou Isabel, puxando o cobertor. O que está segurando o cobertor não soltou ainda. Isabel foi até perto da cama, e apertou com força a mão que segura o cobertor.

– Eu. Disse. Para. Parar. – disse Isabel, falando as palavras uma por vez, com raiva. Puxou o cobertor com mais raiva ainda, e se foi pelo corredor resmungando. Se inclinou em cima da beirada da cama, para acordar sua mãe.

– Posso dormir com vocês? – sussurrou Isabel, observando a expressão sonolenta de sua mãe. A mãe assentiu, deu um espaço para Isabel dormir ao seu lado. Abraçou sua mãe, e dormiu. Sem saber, teria mais uma longa noite de pesadelos.

No dia seguinte, na creche...

– Psicopata. – disse Isabel, trancando Vitória no banheiro.

– ME SOLTE, SUA LOUCA! – gritava Vitória.

– Não... – Isabel deu de ombros, e foi sentar no tapete da sala, brincar de bonecas com a Dulce.

Dulce arrumou a roupa da boneca Mônica.

Isabel riu. Uma menina com aparência de ter 9 anos, com cabelos pretos longos, pele branca e vestido branco apareceu do lado de Isabel, segurando um anel de plástico. Dulce se levantou, junto com Isabel. Dulce, Isabel fizeram uma “concha” com as mãos, e fecharam os olhos. A menina colocou o anel na mão de uma das duas. Isabel e Dulce abriram os olhos, o anel tinha sumido, pois não está na mão da menina.

– Ei, passe o anel! – exclamou Isabel, com um olhar desconfiado para a menina. A mesma passou o anel para Dulce, sorriu e desapareceu.

A professora Rita apareceu na porta da sala.

– Foi você quem trancou Vitória naquele banheiro? – perguntou Rita, com uma voz calma e autoritária.

– Não. – disse Isabel com firmeza. – Estou brincando com Dulce.

– Quem é Dulce?

– Minha... Boneca! – Isabel pegou uma boneca qualquer e ergueu ela no alto. Rita assentiu e saiu da sala. Isabel ouviu um barulho de porta sendo aberta e fechada, e viu Vitória correr até chegar na sala. Começou a pisar nas bonecas de Isabel, arrancando braços, pernas, cabeças, de sua única polly. Quebrou também os 7 cachorros do conjunto, a coleira, e começou a pegar as bonecas para despedaça-las com a unha.

Lívia, sentada no sofá longe da tv observava tudo. Foi perto da Isabel e mordeu seu braço. Isabel gritou.

– Aquela menina que... Me mandou fazer isso. – disse Lívia, devagar, sem mexer muito a boca, pois não consegue falar e nem pensar direito. Lívia apontou para um vulto mal formado, no canto da parede branca.

– Saia de perto de mim. – disse Isabel, com raiva.

Isabel pulou em cima de Vitória, que caiu no chão. Isabel pegou sua boneca Mônica, e como ela é grande e a roupa é feita de tecido de almofadas fofas, colocou no rosto de Vitória, a impedindo de respirar. Vitória solta alguns murmúrios, mas nada que possa ser compreendido.

– Insana! – berrou Vitória. Essa foi sua última palavra dita.

Depois de alguns minutos, Isabel tirou a boneca do rosto de Vitória, e a mesma não respira mais. Isabel se sentou no tapete novamente, com um olhar vago e começou a concertar seu conjunto de polly.

– Dulce... Concerta o cachorro 5 para mim? – pediu Isabel. Dulce piscou, estava assustada com a atitude de Isabel.

– Concerto sim. – disse Dulce. Uma cola apareceu em sua mão, e ela pegou o cachorro de brinquedo e começou a juntar as duas metades.

– Isabel. – Dulce chamou a atenção de Isabel. Isabel olhou para Dulce.

– Não se preocupe que... As próximas pessoas eu elimino.

– Assim espero. Obrigada.

Fim do Flash Back