Yns 2 (pt. 1) - Everything Youre Not
5 Capítulo 5 - Encontrando "velhos amigos"
– Ei, podem ir na frente, cada um para sua casa ou apartamento. Eu... preciso fazer uma coisa. – disse Nessie, parando em frente a uma loja de esportes.
– Nessie o que você vai... – Nathália franziu a testa, ia falar algo, mas Nessie a interrompeu.
– Não se preocupem, só quero ir no cemitério. Tenho um pressentimento que... tenho que ver algo. Vejo vocês mais tarde! – antes de alguém protestar a favor de Nessie ir para sua casa, Nessie correu até o final da rua e correu para uma rua qualquer, esperando que as Rainhas fossem embora. Depois de alguns minutos, foi para o cemitério. Andou pelo gramado, desviando de túmulos. Alguns são bem cuidados, com ladrilhos, limpos, com buquês de flores. Outros, são simples, cheios de folhas em cima, sem buquês de flores. Parou até achar o túmulo que queria. Afastado de todos, Nessie pegou um punhado de folhas, fez uma ‘almofada’ com as folhas, e se sentou, para não sujar sua roupa com a terra molhada. É uma cruz de cimento, de 1 metro de altura, com a terra marcada com pedrinhas. Se inclinou para frente, limpando a placa cheia de poeira. “Yane Campbell, Nunca será esquecida.” Não poderiam colocar na frase: “Melhor prima, melhor filha, melhor sobrinha, melhor amiga do mundo.” Porque Yane não é. Seria muita ironia para quem conhece Yane, colocar essa definição na frase de seu túmulo. Nessie sentiu uma rajada de vento forte vindo em sua direção. Ignorou, fechou os olhos e recitou algumas palavras –das quais nem sabia que está falando-, e abriu os olhos. Não notou que, em frente à cruz, há velas que já estão gastas há anos e um buquê de petúnias e rosas brancas, com suas pétalas murchas. Em baixo das petúnias e das rosas brancas, viu um álbum de fotos. Se inclinou novamente, a pegou e voltou ao normal. Tirou a poeira e a terra do álbum, e conseguiu ver a capa. “Família Feliz” em letra cursiva, escrita em caneta que marca CD. Provavelmente é a letra de algum parente. Na capa, há Wally sorrindo, William, Rose segurando Nessie –ainda bebê-, Yane com 7 anos, e Zoe com 15 anos. Todos em uma praia, sentados na areia, alguns rindo, outros sorrindo. Nessie folheou algumas páginas que contém fotos, mas não prestou muito atenção.
– Vou levar comigo, depois trago de volta, eu prometo. – sussurrou Nessie para o túmulo, como se falasse com Yane. Se levantou, segurou o álbum e foi embora. Yane está em encostada em uma árvore, observando Nessie ir embora.
– Você não sabe o que te espera, Nessie Campbell. – disse Yane e depois desapareceu.
...
Rafaela jogou sua capa vermelha em sua cama, pegou seu notebook, seu celular e um fone de ouvido. Ainda está com sua roupa de quando foi fazer a missão, há 7 minutos atrás. Abriu a porta da varanda, e se sentou no puff branco. Colocou seu notebook em seu colo, e o ligou. Está exatamente 13 graus, com um vento forte, folhas voando para todo o lado, ocupando a varanda. Porque Rafaela não fica no seu quarto, sendo que lá está quente? Simples, só queria esquecer um pouco o mundo, então decidiu ficar na varanda. Começou a sentir o frio, então colocou todas as coisas no chão e rapidamente foi para seu quarto. Vestiu uma toca preta, sua jaqueta preta, blusa branca, jeans, e uma bota de veludo pequena preta. Adequadamente vestida, voltou para a varanda. Colocou o notebook em seu colo novamente, pegou seu celular, colocou os fones no teclado do notebook. Se limitou a olhar só na tela do celular. Quando pensou em ligar para alguém, seu celular começou a tocar. “Jubs” apareceu na tela, com o nome em letra preta.
– Alô? – atendeu.
– Megurine quer nos ver na cafeteria, rua 13 de janeiro, cafeteria Stars, daqui meia hora, não se atrase. – disse Jubs, desligando o celular.
– Mas que... – disse Rafaela. – Tá bom né...
Rafaela olhou no relógio do computador, 8:30 da noite. Se daqui meia hora teria que estar na cafeteria, seria as 9:00, certo? E Nessie, estaria lá também? É a única Rainha que ainda tem uma forte ligação com o seu passado, sempre esbarrando em sua concorrente para o trono. Será que Rafaela encontraria Kagari algum dia? Não sabia. Diante de todos os pensamentos, conectou os fones de ouvido no notebook, colocou uma música, e adormeceu.
20 minutos mais tarde...
Descansada, guardou o seu notebook em uma bolsa, ainda com seu celular no bolso, pegou algum dinheiro, guardou os fones no bolso. Pegou sua bolsa com o notebook, e saiu de sua casa, indo em direção à cafeteria.
Parou e pisou no tapete branco escrito ‘Bem-vindo!” em sépia. “Está bem mais frio aqui dentro.” Pensou Rafaela, olhando para o ar condicionado em cima da porta de vidro. Na cafeteria, há o balcão, uma porta que leva para a cozinha, e mesas redondas com geralmente 9 lugares. Há também, o caixa, praticamente do lado da porta, com uma catraca, um balcão com uma caixa registradora, e uma mulher sorridente desejando uma boa noite a todos e um volte sempre. Há poucas pessoas, um casal na mesa da direita, do lado sem janela. Umas 5 adolescentes na mesa do lado com janela. Estava olhando todos os detalhes da cafeteria, para passar o tédio enquanto espera alguém chegar, até que viu Nathália. Como não a tinha visto antes? Quem... Quem são aquelas duas?
– Saladas? Comer só isso engorda. – disse Nathália, olhando para as meninas. Tem a idade de 16, a mais nova, e 17, a mais velha. – Luana, então...
Rafaela piscou duas vezes para ter certeza do que via. Luana? Sua antiga ‘amiga’ que a acusou de rasgar sua mochila e trouxe uma pilha de problemas na infância? Sim, ela mesma, pensou Rafaela. E... a outra... Deve ser sua nova amiga. Luana agora está com uma blusa rosa, uma jaqueta azul, jeans e um all star branco. Sua amiga, um vestido preto, salto branco, meia calça de mais de uma camada branca, e uma jaqueta de lã rosa. Do que estão falando? Salada? Sobre engordar? Que Nathália é essa?
– Então... E a Rafaela, tem visto ela? – perguntou a amiga de Luana.
– Sim, Lary. – Nathália olhou para o chão.
– Nunca gostei dela. – Luana riu. Nathália ainda olha para o chão.
– Ela é... legal... – disse Nathália.
– Não seja amiga dela. – Lary olhou com um olhar firme para Nathália. Rafaela franziu a testa. Não haviam percebido que a mesma está atenta a conversa.
– Então, continuando, a salada... – Nathália desviou o assunto. Ia falar algo, mas o barulho da porta se abrindo a fez parar. Jubs entrou para a cafeteria.
– J-Jubs? R-Rafaela? – gaguejou Nathália.
Rafaela franziu a testa mais ainda.
– Adeus. – disse Rafaela, com raiva.
– Ei, espere! – gritou Nathália, mas é tarde demais. Rafaela saiu da cafeteria e bateu a porta. Será que Nathália foi longe demais?
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