Flash Back

- Gabbe! Me ajude, por favor. – pediu Isabel. Gabbe abriu a mala, e colocou qualquer roupa que viu pela frente.

- Ok. Não se esqueça do meu sorvete...

- Vou passar uma semana lá, sua gulosa.

- Não se esqueça do meu sorvete. – repetiu Gabbe.

- Tudo bem.

- Não mate ninguém. Não se afogue no mar. Não corte seu cabelo mais curto ainda. Não se esqueça das nossas Sims que são casadas no The Sims, a Avril e Taylor, elas podem morrer. Não devia ter tirado a censura daquele jogo, eu hein!

- Você também tirou a censura. – reclamou Isabel.

- É para uma série minha. Eu amo escrever, e você sabe disso. Eu era a melhor aluna da classe, até... Até...

- Você desistir de tudo por minha causa. – completou Isabel.

- Não me importo. Vá na sorveteria com ele, se esconda na casa dele. Cinema, vão ao show de rock... Qualquer coisa que eu disse ontem. Mas vá.

- Vai dar certo? – tem uma certa insegurança na voz de Isabel.

- Claro. Você vai conhecer ele, mas pode ser levada para casa a força.

- Ok. Estou indo Gabbe... Muito obrigada. – Isabel abraçou Gabbe e se despediu.

...

Havia planejado essa viagem por meses. Iria fugir de casa, como sempre. Iria ver seu atual amor. Pediu a ajuda de Gabbe, ela sabe o que fazer numa situação dessas. Amava muito Joarle, sim. Mas... E Gabbe? A mãe de Gabbe tem muito preconceito, ao contrário da mãe de Isabel. Ambos pais complicados, para Gabbe e Isabel. Isabel encostou a cabeça no travesseiro, está sentada no banco do ônibus, a caminho para a praia. De sua cidade natal, está frio essa noite. Escreveu algo no vidro embaçado. Se aproximou mais ainda da janela, vendo a paisagem. O ônibus balança de um lado para o outro, Isabel tenta se sentir segura. Pegou seu celular, e começou a ouvir música. As luzes se apagaram. Isabel quis gritar, em plena meia noite, aqueles monstros vão atacar! Se enrolou em um cobertor, que trouxe para caso sentisse frio (como agora). Uma ruiva alta, caminhou pelo corredor, até chegar na poltrona de Isabel.

- Dulce... – Isabel falou baixo.

Dulce se sentou ao lado da janela.

- Pode dormir, eu estou aqui. – disse Dulce, olhando para Isabel.

- Obrigada. Eu realmente não quero estar sozinha.

Dulce a abraçou, e Isabel dormiu 7 minutos depois. Só há algumas pessoas acordadas, a maioria está dormindo. Isabel começou a suar, e a se contorcer. Dulce se assustou, pois estava olhando a paisagem. Isabel abriu os olhos, a procura dos inimigos. O ônibus está totalmente escuro, não se enxerga nada. Só os postes do lado de fora, na estrada, iluminam as janelas por alguns segundos, como flashes. Agora, o que ilumina a sua frente, é os olhos azuis de Isabel. Por instinto, os ativou. Isabel vê vultos no chão, e quando Isabel pisca, eles somem. Fechou os olhos, um pouco irritada. Só não fica observando os vultos, porque sabe que Dulce fará eles irem embora. E assim aconteceu. Mas eles voltaram horas depois. Talvez umas 2.

- Faça eles ficarem ao seu favor. – sussurrou Dulce. Não queria chamar atenção falando alto, e acordando alguém.

- Eu não consigo...

- Dessa vez eu faço, a próxima te ensino. Você aprenderá, tenho certeza. – Dulce ficou parada por alguns minutos, sem mover nada. E logo voltou ao normal. Dulce dormiu um pouco, enquanto Isabel estava acordada e Isabel dormiu, quando Dulce ficou acordada. As horas restantes se passaram, Isabel chegou até a praia. Caminhou pela rua, segurando um papel com o endereço. Achou a casa certa, abriu o portão, Joarle veio ao seu encontro. Isabel pulou em cima dele, sorrindo, feliz. Dulce deu uma última olhada em Isabel – Joarle não a percebeu -, e foi embora. Passaram algum tempo juntos, como um verdadeiro casal. Joarle levou ela para um lugar de show ao vivo, de rock, que os dois gostam. Isabel foi na praia, de jeans, blusa xadrez azul escura e all star. No final do dia, quando foi para a casa de joarle, havia policiais na rua. Perguntando se Joarle viu uma tal de Isabel pela rua. Isabel se escondeu dentro da casa, com medo. Joarle negou.

- Vou ter que ir embora... Estão me procurando pelo estado inteiro! – disse Isabel, ao ver o policial ir embora.

O celular de Isabel atendeu, atendeu.

- Sua mãe está ligando até para mim! COMO ELA SABE MEU NÚMERO? ISABEL, ONDE VOCÊ ESTÁ? – gritou Gabbe, desesperada, no celular.

- Estou no Joarle ainda. Como a polícia soube? Como minha mãe soube? Gabbe!

- Eu não contei nada. – se defendeu Gabbe.

- Eu sei. Mas... Vou comprar seu sorvete, e ir embora para onde eu deveria estar. Na outra praia.

- O mar lá é azul. Eu quero fotos. Isabel, há vários policiais te procurando. Pegue o ônibus agora!

A ligação caiu.

Isabel se despediu de Joarle, está quase escurecendo. Saiu pela rua, procurando o ponto de ônibus. Esperou alguns minutos, até que o ônibus chegou. Entrou, e se sentou no mesmo lugar que antes. Dulce está sentada do lado da janela, contou tudo o que aconteceu para ela. Duas horas depois, o ônibus parou inesperadamente. Um grupo de policiais entrou no ônibus, encontraram Isabel. Os policiais a levaram para a casa de praia, onde sua família está. Sua mãe está gritando, bateu em Isabel por estar com raiva. Isabel percebeu que não pensou nas consequências.

Alguns dias depois...

Isabel ligou a web cam.

- Você deveria vir aqui, o mar é realmente azul. – disse Isabel, sorrindo, o que fez Gabbe sorrir também.

Dulce está sentada na cama atrás de Isabel, mexendo em um tablet.

- Como você consegue ver a Dulce? – perguntou Isabel.

Silêncio.

- Desculpe, não sei, simplesmente vejo.

Gabbe digitou algo no chat,

- Não, não fale pelo chat. Os policiais estão vendo minhas conversas por alguns dias, para que eu não consiga fugir de novo.

Gabbe começou a falar mal dos policiais pelo chat. Isabel e Gabbe riam, por um longo tempo. Passou algumas semanas, e Isabel voltou para a casa.

...

- Gabbe! Estou na cozinha. Tem alguém me observando, venha logo, por favor. – disse Isabel, pelo celular. Está escondida atrás do fogão, com medo. Alguém está gritando seu nome. São 6 da tarde, as cortinas tampam as janelas. As luzes estão apagadas, não querem acender, porque a luz acabou de repente. Algo se aproxima, Isabel só vê um rosto assustador sorrindo para ela. Isabel grita, e tenta sair correndo. O monstro pega no braço dela, e a puxa para perto. Isabel se jogou no chão, e foi tentando correr até a porta. Gabbe ouviu o barulho, e abriu a porta. Seja qual for o monstro, uma Gabbe com raiva é mais assustador, o monstro desapareceu. Isabel no mesmo momento, se lembrou de quando era criança, de como apagava as luzes e tentavam arrastar ela para fora da cama. Isabel começou a chorar, e abraçou Gabbe. Não é a primeira vez que esses monstros aparecem. Gabbe está segurando uma lanterna, iluminando tudo ao seu redor. Isabel tenta acender a luz, mas sem sucesso. Há mais monstros saindo de baixo das coisas. Parece algo infantil para qualquer um, Isabel não deveria teria medo, se eles não fossem reais, é claro. Sussurram em sua mente algo que só Isabel pode ouvir.

- Eu sou bonita, de acordo com Dulce, eu posso ser bonita. Porque para eles eu sou tão diferente? Você devia saber, eles querem me machucar, eu não quero morrer. — disse Isabel. Está enlouquecendo novamente?

- Nunca morra. – disse Gabbe, abrindo a porta, e puxando Isabel para fora. Dentro de sua casa, algo bate na janela. Isabel nunca teve medo de bonecas, mas tem algo que prova ao contrário. Em sua mente, em vermelho, Isabel vê sua imensa coleção de bonecas saírem do baú e recitarem palavras que Isabel não quer ouvir. Visão do presente, passado ou futuro? Está atordoada, não consegue ouvir Gabbe a chamando. Está... Assombrada?

Em longos passos, começaram a correr, ao perceber que alguma coisa as seguia. Chegaram na casa de Gabbe. Seus pais olham Isabel com surpresa por ela estar ali, e segundos depois, lançam um olhar de reprovação. Gabbe entra no seu quarto, e acende a luz rapidamente.

- Aqui você estará a salvo... – disse Gabbe, fechando a porta.

- Assim espero.

...

- Está tudo bem Gabbe, qualquer coisa eu falo que estou conversando com a Laís. – falou Isabel no celular, indo para casa de seu namorado.

- Eu também falo que estou falando com ela. Nossas mães não se conhecem mesmo.

- Será que o André está em casa? – perguntou Gabbe.

- UM CARRO QUASE ATROPELOU MEU PÉ! – gritou Isabel.

- VOCÊ ESTÁ BEM?! – gritou Gabbe, desesperada.

- Sim! Vou ir para a calçada, espere. – disse Isabel. Gabbe esperou.

Se passou meia hora, e no fim André não estava. Gabbe não sabia o que aconteceria depois, mas Isabel sabia.

...

Isabel está com um vestido preto curto, em um enterro. Chutou a maquete de uma loira caindo de um prédio com raiva, malditos. Pegou Nessie no colo, que tem apenas 4 anos e não entende o que aconteceu. Nem mesmo Isabel entende. Rose e William estão desolados... Yane está sentada em cima do túmulo, lendo um poema para todos os familiares e os amigos da vítima.

- Eu não estou de luto por você... Eu vou te esquecer. – disse Isabel para si mesma, tentando não chorar. Umas das pessoas que fez sua vida ter um pouco de sentido, se foi.

- Adeus. Isso não é para sempre, eu prometo.

Isabel correu para longe, longe de todos, tentando esquecer o que aconteceu. Será possível?

Fim do Flash Back