Ykari

2 Cápitulo 2


No mesmo dia, eu fui á casa de Ykari. Era um chalé pequeno e muito bonito; tinha uma aparência velha, robusta, melancólica... como eu. Eu entrei pelo jardim seco e coberto de neve. Vi uma cadeira de balanço que rangia por causa do vento. Fui até a varanda e bati na porta. Escutei minhas batidas e depois ouvi o som de pequenos pés correrem para me atender.

Ela abriu a porta com brilho nos olhos; ela me fitou como se olhasse dentro de mim. Senti meu coração bater como a bateria de minha banda, senti como se ela me tocasse com os olhos. Eu queria tocá-la, para ver se sua pele era tão delicada quanto ela era. Aparentava ser.

Ela sorriu para mim, me abraçou e falou, ainda grudada em meu pescoço:

– Que bom que veio Juan.

Eu senti o cheiro doce de sua pele e de seus cabelos, eu afaguei seu cabe-lo, me sentindo quase nas nuvens. Sentindo maciez do seu cabelo e de sua pele, hipnotizado por seu cheiro doce de rosas.

Ela parou de me abraçar e me puxou porta adentro.

Ela era pequena; usava meias brancas e ainda estava com o sobretudo vermelho sangue. Ela era linda e pequena; eu pensava como uma garota tão pequena poderia ser tão linda. Os seus cabelos eram pretos e enrolados, pele branca, lábios vermelhos e seus olhos eram puxadinhos mas ainda eram grandes, a cor de seus olhos eram marrom avermelhado. Ela era estranhamente perfeita. Eu senti meu coração ir á boca quando fitei seu corpo delicado de menina.

Suspirei.

– Juan, você esta bem?

Ela me olhava com preocupação.

– Sim, estou; só estou com um pouco de frio.

– Desculpa. Suba, meu quarto é no fim do corredor; eu vou levar uns chocolates quentes para nós.

Ela sorriu e desapareceu na cozinha.

Eu subi as escadas e entrei no quarto de Ykari. Ali tinha varias bonecas japonesas e vários pôsteres de bandas, também japonesas. Reconheci algumas. Eu me sentei em sua cama, pegando uma pequena caixa de música muito velha. Eu á abri e vi uma pequena bailarina dançar; sorrindo á deixei do lado da cama, escutando sua melodia melancólica. Ouvi minha pequena subir as escadas e fui rápido á fechar a caixinha de música, me sentando, e esperei.

Ykari veio com até mim, me oferecendo uma caneca de chocolate quente. Ela havia trado seu sobretudo; estava com um pequeno vestido preto que mostrava suas coxas.

Eu suspirei novamente.

Fiquei a tarde inteira conversando com a minha pequena Ykari. Quando eu pensava em ir embora, ela fazia biquinho e me convencia á ficar mais um pouco. Eu peguei meu violão e sorri, olhando para ela.

– Que música você mais gosta? – ela me perguntou.

Apontei para o pôster da banda Gazette.

– Gosto de praticamente todas as músicas, mas amo Guren – ela disse.

– Está bem – respondi. – Eu tocarei para você. Também é a minha preferida.

Comecei a tocar a música para minha pequena e amada Ykari. Quando terminei a música, vi seus olhos se abrirem e uma pequena lágrima escorrer pela sua face perfeita.