Yin e Yang
4 Como se fosse a última vez.
Notas iniciais
O fogo brotava de minhas mãos como se eu pudesse fazê-lo, ele subia e dançava em meus dedos, sem me queimar, enquanto Barry e os outros me fitavam com atenção. Dei um fraco sorriso enquanto brincava com a bola de fogo que eu mesma tinha feito. Caitlin caminhou em direção ao computador sem Cisco ao seu lado, o garoto de olhava fixamente com um sorriso ao lado do Dr. Wells quem me fitava como se eu fosse um enigma.
E, de certo modo, eu era. Sabia do que era capaz, porém, não sabia como conseguia fazer fogo sair de mim como se fizesse parte de meu corpo, era um tanto quanto inexplicável e, não era possível que, apenas a explosão fizesse com que, de repente, eu pudesse criar fogo, assim como minha irmã podia criar água – mesmo que seja mais explicativo do que o fogo.
E era por essa exata razão – a de água acabar com fogo – que minha irmã me feriu tanto quando ficou fora de controle no antigo apartamento em que moramos, onde fui salva por Jeff quem agora, provavelmente, me odiava por não ter aberto o jogo com ele.
Sorri novamente esquecendo Jeff, pelo menos naquele momento. Fiz o fogo sumir abaixando minhas mãos logo em seguida, coloquei as mãos na cintura rolando meus olhos entre Barry, Dr. Wells e Cisco quem estavam parados em minha frente pensativos e sem tirarem os olhos de mim.
Já estava ficando desconfortável com aquela situação onde, tudo o que se escutava era o teclado que Caitlin digitava feroz e rapidamente, quando Cisco estalou os dedos me fitando, os olhares correram para ele, em questão de segundos, e o vimos com um sorriso enorme nos lábios, ele veio andando em minha direção enquanto eu estava sem entender nada. Pude ver um sorriso surgir nos lábios de Dr. Wells e Barry tornar a me fitar também perdido. Caitlin, agora, havia parado de digitar, provavelmente, para prestar atenção no que Cisco iria fazer.
Senti seu braço em volta de meus ombros e ele logo abriu as mãos passando-a em frente á nossos olhos, com ênfase na voz disse:
– A Chama!
Virei meu rosto para fita-lo sem entender.
Dr. Wells riu explicando – Cisco é o que podemos chamar de... Nomeador.
Cisco sorriu orgulhoso retirando o braço em volta dos meus ombros e dei uma fraca risada enquanto trocava olhares com Barry.
– Barry... – Cailtin o chamou retirando o sorriso de imediato do rosto.
Fomos andando até a mesa enorme que continha os computadores, lá estava a imagem ampliada de minha irmã causando mais problemas ao redor da cidade, prendi a respiração tentando na transparecer o medo sobre o que poderiam fazer com ela caso Barry fosse atrás e conseguisse captura-la. Senti o vento balançar meus cabelos e sabia que Barry já estava de roupa trocada mais uma vez para atuar como The Flash e acabar com a bagunça que minha irmã estava praticando.
Senti os olhares todos em cima de mim e logo Barry saiu de perto de nós correndo tão veloz quanto sempre fora. Sai correndo em direção á porta, mas nada se igualava ao Barry e, naquela velocidade extremamente lerda para ele, tentei alcançá-lo, pois queria e iria junto dele para que não machucasse minha irmã. Escutei os gritos de protesto de Dr. Wells, Caitlin e Cisco me pedindo para voltar, mas eu já estava descendo as escadas ao fim do corredor tentando não chorar de pavor ao saber que minha irmã, de um jeito ou de outro, não teria um final feliz.
Talvez eu pudesse fazê-la mudar de ideia, talvez, caso ela me avistasse, ela pensaria duas vezes ao invés de espalhar sua raiva por ai. Raiva de que, afinal? Era o que eu mais queria compreender. Entender a raiva e a frustração que estava deixando-a daquela maneira. Talvez pudéssemos conversar, talvez pudéssemos nos entender e tudo voltar a ser – quase – como antes.
Empurrei a porta de vidro da entrada correndo em direção á rua. Estranhei o fato de não terem trancado a porta para evitarem que eu saísse, mas estava era contente demais sobre isso para argumentar. Pelos breves momentos em que a vi destruindo um pedaço da cidade sabia situar onde ela estava e não parecia muito longe dali, afinal. Seria longe caso estivesse em casa e, talvez, ela ainda pense em mim e em não querer me machucar novamente, por isso anda atacando lugares distantes.
Já sentia a respiração falhar, mas não cessava a corrida. Assim que virei a primeira esquina no fim do quarteirão notei a água batendo em meu calcanhar e de supetão pulei para trás. Tinha medo, era como se estivesse revendo o dia em que me afoguei em nosso antigo apartamento na presença dela e por causa dela. Olhei para frente e, não sabia calcular quantos metros estava, mas vi minha irmã com as mãos erguidas enquanto Barry mantinha sua mão direita erguida dando passos lentos para trás tanto quanto os que ela dava enquanto o fitava e o seguia.
Andei em passos lentos sentindo meu coração palpitar e querendo sair por minha boca. Tentava não chamar atenção alguma, pois eu não saberia o que fazer caso ela me visse ou caso atrapalhasse Barry com sua tentativa de negociar. Não sabia o porquê de estar fazendo isso, mas suspeitava que fosse por mim, o que, de certo modo, me deixava feliz, simplesmente, por saber que ele não pretendia machuca-la. Por mais má que ela estava sendo, por mais imbecil e impulsiva eu ainda queria vê-la bem, viva e fazendo parte de minha vida, positivamente e, caso não houve jeito, ainda sim queria vê-la, nem que fosse atrás das grades.
Não sabia como agir, era difícil de sequer pensar nela atrás das grandes, a irmã que cresceu comigo, que sempre dividi meus maiores segredos, a qual passou por todos os momentos difíceis e fáceis ao meu lado, por quem eu briguei pela primeira vez na escolinha... Deixá-la para trás parecia uma covardia, deixa-la ser presa mais ainda. Senti o vazio tomar conta de mim mais uma vez, sentia sua falta e quase nunca pensava nela e no que nos tornamos para não me sentir mal comigo mesma por tê-la deixado ir.
Minha espinha congelou quando meus olhos encontraram os dela quando estava tão próxima dela quanto Barry. Sabia que, naquele momento, Barry também me fitava desejando que eu não estivesse ali para vê-la daquela maneira. E foram poucos os segundos em que olhei em seus olhos e não a reconheci. Aquela não era minha irmã e a dor de vê-la ausente naquele corpo que mais parecia a minha imagem ao espelho fez com que eu entendesse que jamais a teria de volta.
Antes de tudo ficar inteiramente escuro e o ar de meus pulmões sumirem o suficiente para me deixar inconsciente a vi erguer as mãos e uma onda me atingir com toda a força possível.
Assim como ocorreu em nosso apartamento na última noite em que a vi.
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