Yin e Yang
10 Acelerado e quente.
Notas iniciais
– Oliver! – Felicity correu em direção à nós quem ajudávamos Oliver à caminhar.
O segurava nos ombros enquanto ele gemia e respirava lentamente. Jamais esperaria ver o Arqueiro daquela maneira, seja lá o que fosse, Mia tinha preparado com toda cautela para derrubá-los. Barry já estava melhor, mas ainda não cem por cento. Ele tinha uma coisa á seu favor: a aceleração até na cura.
Oliver estava “semi-acordado”, não estava com noção das coisas, do que estava acontecendo e não sabia se podia nos ouvir, olhava fixamente para Felicity quem levantava o rosto de Oliver tentando fazer com que ele tivesse alguma reação, mas ele parecia apenas em estado vegetativo e eu esperava que não fosse para sempre, não podia ser. Barry estava normal e em breve Oliver e Diggle também estariam.
Deveria ter algo a ver com o líquido verde ou talvez algo que ela tenha injetado em ambos os três, não sabia responder, por isso pedi a Caitlin para ver o que conseguia do líquido verde ainda presente nas roupas de Barry, Oliver e Diggle. Ela extraiu uma amostra pequena, mas significante, da roupa de Oliver e sugeriu que tirasse o sangue para ver se alguma substancia diferente estava presente. Felicity ficou ao lado de Oliver quando Barry e eu o deitamos em uma das camas da sala em frente à Central.
– Cisco – Barry o chamou – preciso da sua ajuda... Diggle está no carro.
– Certo – ele assentiu seguindo Barry.
Retirei minha máscara deixando-a em cima da mesa, estava do lado de Felicity quem parecia controladamente apavorada. Ela não movia os olhos de Oliver e não a culpava, agora entendia o porquê Barry disse não ser correspondido por Felicity, era um pouco óbvio que ela se importava demais com Oliver, mas vê-la daquela maneia, apavorada, desesperada, ansiando para que Oliver voltasse ao normal, demonstrava o quanto ela o amava.
Dr. Wells entrou na sala central e fitou Oliver diretamente.
– Foi uma armadilha Dr. Wells – falei saindo de perto de Felicity – ela deu a localização para nós de modo que eles fossem, mas ela sabia que não me deixariam ir por achar que ainda era vulnerável à ela.
– Faz sentido – ele disse.
– Ela achou que conseguiria acabar com os três tão facilmente já que pensava poder me matar.
– E o que houve com Oliver? – ele perguntou movendo-se até ele.
– Não sei, mas eles estavam dentro de um tubo com um líquido verde. Caitlin está fazendo os testes.
– Vou ajuda-la – Felicity ficou de pé.
– Você está bem?
– Não há nada que eu possa fazer ficando ali, sentada – ela me lançou um rápido olhar andando em direção ao computador.
Lancei um rápido olhar para Dr. Wells quem me fitava diretamente, deu um fraco sorriso e nos viramos para a porta onde Cisco e Barry traziam, curvados, em seus ombros, Diggle completamente desacordado. Colocaram-no na outra cama e Barry jogou-se na cadeira, onde Felicity estava, completamente ofegante.
– Ele é pesado – Barry bufou.
Ninguém disse uma palavra sequer. Barry recuperava seu fôlego enquanto Felicity digitava freneticamente ao computador, Caitlin analisava algo em outro e Cisco se mantinha encostado ao lado de Dr. Wells, um tanto ofegante. Nenhum de nós dizia nada, sabíamos que Barry acordou e desejaríamos que Oliver e Diggle também fizessem o mesmo, e o quanto antes. Barry se curava aceleradamente, por isso já estava normal de novo, demoramos quase meia hora no depósito para ele ficar bem o suficiente para aguentar Diggle e Oliver até o carro, ao meu lado.
Barry ficou de pé com a respiração ainda um pouco acelerada, foi andando até Felicity quem sequer levantou o olhar para ele, observávamos o que ele faria, e ele logo a abraçou. Não falou uma palavra sequer, apenas abriu seus braços com a roupa vermelha e a afagou em seu pescoço, dei um fraco sorriso observando aquela cena e, por mais que os dois não tivessem nada, aparentemente, seriam completamente perfeitos um para o outro, seriam o encaixe de dois quebra cabeças, mas talvez o oposto atraia mais à ela. Quem sou eu para julgar?
Olhei meu reflexo no vidro da sala onde a esteira de Barry permanecia e lembrei-me de trocar de roupa, mas assim que pensei na roupa dos Laboratórios S.T.A.R. também veio-me à cabeça a ideia de pegar roupas limpas e que realmente ficassem em tamanho exato para mim, no meu apartamento. A ideia já estava em minha cabeça desde cedo, mas sequer tive oportunidade de perguntar à Dr. Wells se tinha sua permissão para ir até lá.
– Claro – ele sussurrou me fitando após perguntar – você não está presa aqui, Deb.
Dei um fraco sorriso como agradecimento e vi Barry soltar Felicity virando-se diretamente para mim.
– Sei que não é o momento certo, mas tenho que dizer que estávamos errados sobre você, Deb – ele deu um fraco sorriso – sei que todo mundo aqui está de acordo com o que digo – ele lançou rápidos olhares para eles – e gostaria de te agradecer, porque... Se não fosse por você, não sei se estaríamos aqui, agora. Deveríamos ter confiado e acreditado em você desde o principio...
– Barry – o interrompi sorrindo – obrigada.
Ele apenas sorriu. Não havia necessidade de se explicar por ele nem por ninguém, e ele logo compreendeu isso quando viu meu sorriso no rosto. Era mais complicado do que pensava e agora entendia isso, eles tiveram razão em não me mandar junto deles, mesmo que isso evitasse a inconsciência de Oliver e Diggle naquele momento, mas estavam certos e eu não podia negar. Certos por me manterem longe de Mia, porque, honestamente, antes de ver o que ela tinha feito aos meus amigos não sei se era capaz de entrega-la nas mãos de Oliver para mantê-la presa em uma ilha longe de tudo e todos.
Mas agora compreendia, realmente, o quão perigosa ela era. E faria o que fosse necessário para ajudar a prendê-la naquela ilha de modo que ela nunca mais visse nada ou ninguém. Ela não merece nenhum tipo de gratidão, não pelas vezes que tentou me matar, por ter feito o que fez com Oliver, Diggle e Barry, não por estar matando as pessoas e saindo impune por isso. Como advogada tenho sempre que ver o melhor das pessoas, mas, impressionantemente não vejo em Mia e, cheguei a conclusão de que nunca vi, em toda nossa vida, seu melhor.
Sorri andando em direção à porta comunicando à Barry que estava indo para meu apartamento pegar roupas limpas e do meu tamanho correto. Seu sorriso deu uma breve sumida e logo os papéis voaram pela sala, em segundos ele estava em minha frente, novamente com seu sorriso aberto, as mãos na cintura e de roupa trocada. O fitei sem entender e ele respondeu com uma pergunta:
– Vamos?
– Barry – hesitei o fitando – você acabou de acordar de... O que quer que fosse aquele troço, você não está completamente recuperado.
Ele me fitou nos olhos sem tirar o sorriso do rosto – Sim, estou.
– Não, você não está.
Barry me puxou pelas pernas tão rapidamente que podia dizer que no senti nada além de uma vibração – Sim, estou.
Senti o vento forte balançar meu cabelo tão violentamente onde, por impulso, segurei nos ombros de Barry passando meus braços em volta de seu pescoço. O vi sorrir mesmo com o borrão à minha volta – vulgo: cidade.
Barry corria rápido e, por um momento, senti o vento em meu rosto e gostei mais do que me preocupei em cair ou vomitar. Mas foi breve, afinal, quando abri os olhos novamente estávamos dentro do meu apartamento já com as luzes acesas. Dei uma fraca risada dando um impulso com meu corpo descendo dos braços de Barry. Mesmo não parecendo tanto, ele era mais forte do que se podia pensar.
– Não devia ter vindo, Barry.
– Estou bem – ele sorria me fitando.
– Sei, mas... Felicity precisa de você por perto.
– Não há nada que eu possa fazer, Deb – ele olhou á sua volta se referindo à meu apartamento – quanto tempo.
Sorri olhando em sua direção – Que eu não entro em casa ou você não vem aqui?
Ele mudou seu olhar de direção – Continua o mesmo.
– Dá muito trabalho mudar – apenas ri – sinta-se a vontade.
– Obrigado – ele colocou as mãos no bolso apenas me fitando.
Assenti em silêncio e fui andando em direção ao meu quarto. Ah, como eu sentia falta da minha própria casa, minha cama, meu quarto, minha comida, meu chuveiro, meus momentos sozinha. Não que eu estivesse detestando lá, nada disso, eu só tinha a agradecer por poder dormir por lá, ficar segura e ter amigos confiáveis para me proporcionarem tudo aquilo. Não que eu estivesse sendo ingrata, apenas sentia falta dos meus momentos e do meu apartamento, o meu refúgio.
E lá estava eu, por apenas alguns minutos, apenas para pegar algumas roupas e ir embora correndo novamente com Barry. Balancei a cabeça negativamente e pensei em como Mia podia estar fazendo algo completamente errado com alguém naquele exato momento e me pus a andar em direção ao guarda-roupa. Empurrei a porta branca e escolhi as primeiras roupas simples que vi deixando-as em cima da cama. Vi uma caixa de tamanho médio cair ao chão abrindo com o impacto. Sorri fitando a gravata vermelha que estava guardada há anos no meu guarda-roupa com uma promessa mentirosa de devolver quando encontrar o dono.
Talvez não tão mentirosa quanto pareceu quando a fiz.
Sorri andando até a sala com a gravata em mãos, Barry ainda estava de pé fitando o teto quando virou seu olhar até mim dando um pequeno sorriso, ele olhou para minhas mãos e assim que viu a gravata veio andando em minha direção com um sorriso e a cara de surpreso.
– Oh, minha gravata!
Ri o entregando.
– Quanto tempo! É a minha favorita, sequer lembrava que tinha deixado ela aqui – ele levantou o olhar até mim com a gravata em mãos – obrigado.
Sorri o fitando – De nada.
– Você a guardou? – ele perguntou sem retirar os olhos de mim.
Dei de ombros sem graça – Planejava te entregar, ai está.
– Obrigado – ele riu – sabe, eu levei um sermão tão grande do Joe por não ter aparecido de gravata.
– Como sempre – falei sorrindo – você saiu daqui completamente atrasado.
– Não foi, de tudo, minha culpa – ele sorriu me fitando.
E o silêncio permaneceu. Sentia meu coração bater tão acelerado que, por um instante, quis parar de me segurar e pular nos braços de Barry novamente, porém, desta vez para beijá-lo e deixar que ele entre e fique na minha vida de vez, mas algo bem maior me parava, era como se segurasse meus pés e comandasse todo o meu corpo fazendo com que eu ficasse ali, parada no mesmo lugar, apenas o olhando.
Aquela gravata ele usou na noite anterior à audiência que ganhei para minha cliente contra a polícia. Foi a última noite que passamos juntos e, sem dúvidas, a melhor. Na manhã seguinte, para não levantar suspeitas à ninguém, fui na frente e deixei Barry em minha casa para ir depois. Não queríamos levantar suspeitas para não acharem que não somos profissionais e que um queria lucrar com o outro saindo juntos, mas não era nada disso, apenas nos atraímos um pelo outro logo a princípio. Achei sua gravata em cima do guarda-roupas branco quando fui fazer faxina em minha casa, quase uma semana depois do ocorrido.
Desde então, o ignorei, não retornei suas ligações e sequer dei uma explicação de que não teríamos nada, simplesmente sumi de sua vida e fiz com que ele jamais me achasse no trabalho, em casa ou em qualquer lugar, tudo isso por medo de me entregar à um cara extremamente legal e que sei que seria bom para mim. E lá estava ele, novamente, em minha casa com a gravata vermelha e seu olhar fixo no meu, seu sorriso pequeno e encantador no rosto, mas não poderia tê-lo.
Não mais.
– Barry eu... – senti que precisava falar algo – depois da audição, eu simplesmente o ignorei e eu...
– Sei que sente – ele me interrompeu segurando a gravata na mão direita – agora entendo.
– Ninguém entende.
– É mais complicado do que parece – ele veio andando em minha direção e meu coração pareceu estar na garganta de tanto que batia aceleradamente – acredite, eu sei.
O fitei parado bem à minha frente, tão perto. Tão perigosamente perto.
– Deb, eu...
– Você não precisa dizer nada.
Ele me fitou e sorriu ao ver meu sorriso o encorajando. Chegou seu rosto próximo ao meu e logo me beijou, senti seus lábios nos meus enquanto meu coração ainda saltava dentro do meu peito, as borboletas no estômago acordavam e me deixavam malucas. Retribuía o beijo de Barry sentindo suas mãos na minha cintura tão levemente, como só ele fazia. Passei meus braços em volta de seu pescoço fazendo com que nossos corpos ficassem mais próximos do que já estavam.
Barry parou o beijo me fitando com o seu sorriso de sempre nos lábios, também sorri retribuindo e peguei a gravata de sua mão a jogando no chão novamente, ele nada disse apenas veio em minha direção me beijando mais uma vez e desta vez, pude senti-lo sorrir em meio ao beijo. Novamente passei meus braços em volta de seu pescoço e sua mão direita veio parar em minha nuca, por baixo dos cabelos, me fazendo arrepiar por completo.
O puxei lentamente em direção ao meu quarto, mantinha meus olhos fechados e quebrei o beijo rapidamente para ver se estávamos na direção correta, e lá estava ele ainda com aquele sorriso nos lábios o que fazia com que o desejasse cada segundo mais. Ele passou seu braço livre em volta da minha cintura, mantendo a mão direita em minha nuca. Os sorrisos em meio ao beijo pararam dando espaço para um beijo mais ardente, de tirar o fôlego.
Barry me levantou do chão me deitando lentamente em minha cama e deitando seu corpo por cima do meu sem jogar todo seu peso em mim. Quebramos o beijo mais uma vez, mas desta vez nos fitamos sem sorrir, o senti arrepiar assim que desci minhas mãos para a barra de sua blusa enquanto o fitava escondendo o sorriso. Ele logo me ajudou a retirar sua blusa azul de mangas compridas e mordi meu lábio o fazendo sorrir.
– Senti sua falta – ele sussurrou me fitando atentamente.
– Eu também, Barry Allen.
Seu sorriso mais aberto foi breve. Novamente nos beijamos como da última vez que nos vimos: um beijo acelerado e quente. Um beijo que ambos desejávamos como se fosse o último, mas talvez não fosse. Sabíamos o quão improvável era permanecermos juntos agora, mas, naquele momento, isso não importava nem um pouco.
Afinal, estávamos juntos mais uma vez e desta vez não pretendia fugir.
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