Yesterdays Feelings
8 Capítulo 8: Angustia.
Notas iniciais
Mell’s P.O.V
Depois de tanto tempo andando e perguntando, consegui chegar em casa. Mas eu não estava nem um pouco afim de ficar lá dentro, me arrumei e resolvi sair pelas ruas de L.A. Parei por alguns minutos em frente ao teatro Henry Fonda, me lembrando de Bert, daquela nossa conversa, de como ele fora carinhoso, de como ele foi perfeito… Seu maldito mentiroso. Não, não era uma boa idéia ficar ali. Continuei andando sem rumo, foi quando ouvi a ultima voz que eu queria ouvir na vida, ou não.
-Mell! –Era Bert, estava gritando do outro lado da rua. –Por favor, precisamos conversar!
-Você esta me seguindo!? –Coloquei as mãos na cintura e o fitei do outro lado da rua, o ódio que sentia era insuportável. –Eu não quero conversar com você, Bert! –Continuei andando.
Quando percebi, ele estava na mesma calçada que eu, logo atrás de mim.
-Por favor, é serio. Você precisa ouvir o que eu tenho pra te dizer. –Ele apressava o passo atrás de mim.
-Você não tem nada pra me dizer, não preciso de explicações, eu já saquei tudo. Você não precisa me explicar que eu não importo pra você!-Eu gritei ofegante, ainda dando passos rápidos e largos pela calçada, desviando das pessoas na rua, que nos olhavam confusas.
-Se você não importasse, eu não estaria correndo atrás de você no meio da rua!
-Então volta pra tua casa! Não tem nada melhor pra fazer alem de ficar me seguindo!?
-Não dá. E mesmo se desse eu não vou voltar pra casa até conversar com você!
-Como assim não da pra voltar pra casa!? –Eu continuava fugindo.
-Eu esqueci minhas chaves na casa de Gerard. –Ele riu debochado.
Então eu me toquei. Parei subitamente, fazendo Bert tropeçar em mim. Eu me virei pra ele e nos olhamos nos olhos novamente. Sim, eu sentia medo de nao poder mais olhar naqueles olhos.
-Não acredito… –Eu resmunguei e enfiei a mão no bolso, tirando a chave misteriosa. –É essa?
Bert ficou sem reação, de boca aberta pensando no que falar.
-Como isso apareceu aí? –Ele parecia confuso.
-Não sei, ela estava no meu bolso. Eu devo ter pegado por engano quando saí da casa do Gee. –Dei as chaves na mão dele.
-Parece que de algum jeito era pra gente se encontrar, não? –Ele sorriu, levantando uma de suas sombracelhas.
-Ah, não me vem com esse joguinho! Agora tem as chaves de casa, me deixa em paz.
-Mell, você não entende? Eu sentei na mesa da lanchonete em frente ao Henry Fonda, na mesma mesa do dia que você dormiu em casa… Eu estava pensando em você… E aí eu te vi parada na frente do teatro…
-Ah, por favor Bert… Vai dizer que foi Deus que colocou essas chaves no meu bolso, e que foi ele quem me fez parar na frente do Henry Fonda?
-Não… Mas… É muita conhecidencia… –Bert olhava pro chão.
Minha vontade era de dar um soco na cara dele, depois de tudo aquilo ele ainda conseguia ficar filosofando?
Eu não conseguia me mover, eu não queria sair de perto dele, eu sabia que era isso que meu conciente queria: Que eu permanessece ao seu lado. Ficamos em silencio por um tempo.
-Vem pra minha casa, por favor, pelo menos ouça o que eu tenho pra te dizer. Eu vou entender se você não quiser olhar na minha cara nunca mais, eu sei que eu errei com você, mas eu preciso… Entenda isso, eu preciso te dizer, eu preciso te explicar o que ta acontecendo comigo… Se não… Sei lá meu, eu vou pirar e não vou me perdoar nunca mais.
Eu dei uma risada, me fazendo de forte, debochando da cara dele, eu sabia o quanto ele odiava aquilo.
-Não faz isso comigo Mell…
-Não fazer o quê? Depois do que você fez comigo você vem reclamar do que eu estou fazendo com você? Por favor né, Bert! Vai pra tua casa, eu não estou a fim de conversar com você hoje, nem nunca mais, você me decepcionou Bert, eu não consigo mais confiar em você, não importa o que você diga. –Ouvindo isso, Bert abaixara os olhos em tom de tristeza. –Não venha atrás de mim, me esquece Bert, eu fiz de mais por você esperando ter algo em troca... Achei que você fosse a pessoa certa, Bert. Eu realmente queria fazer isso dar certo, achei que eu fosse mais do que apenas um rolo na sua vida. –Suspirei fundo, finalmente tinha tirado tudo o que estava entalado em minha garganta, a cabeça de Bert estava baixa, escondendo seus olhos, que sorte, pois assim nao veria os meus cheios de lagrimas.
Dei as costas e segui meu rumo. Como fui idiota.
Voltei pra minha casa no mesmo momento, emburrada. Minha mãe ficou fazendo uma série de perguntas, mas eu não estava num momento certo para inventar qualquer mentira idiota. Me tranquei no quarto e coloquei o som o mais alto que pude, para abafar o som dos meus xingamentos em voz alta.
-Filho da puta, filho da puta, filho da puta! –Eu gritei pra mim mesma me jogando em minha cama.
Como podia eu estar tão nervosa e tão pra baixo por causa de Bert? “Nem aconteceu nada de mais entre nós dois… Foi uma coisa tão passageira… Tão rápida. Uma paixão relâmpago…”
Mas com tudo aquilo que havia ocorrido, eu sabia que Bert não era uma pessoa confiável, sabia que era melhor não me relacionar mais a fundo com ele –como eu tanto queria –e talvez por isso eu estivesse tão mal.
Passei toda aquela noite no meu quarto, varias vezes minha mãe ou Danny batiam na porta, mas eu os ignorei. Até que meu pai resolveu bater, com certeza por vontade de minha mãe.
-Anda Mellanie, abre logo essa porta!
-Me deixa em paz, o que você quer de mim agora!?
-Viu Miranda? Eu disse que não ia funcionar, posso voltar a ver tv? –O ouvi falando com minha mãe, que disse algo que eu não pude entender.
Então meu pai bateu mais algumas vezes, até perder a paciência.
-Chega de frescura Mell! Abre logo essa porta, pára de ser infantil!
-O infantil aqui é você pai! Não percebe que eu quero ficar sozinha? Será que da pra respeitar isso!?
Depois não ouvi mais nada, enfim eles se tocaram. Eu não estava com humor nem para deixar Danny ficar no meu quarto, queria mesmo ficar sozinha, falando comigo mesma, mesmo que eu soubesse que Danny não entenderia muita coisa. Foi uma madrugada dolorosa, um frio insuportável, e eu não conseguia pregar os olhos, olhava pro teto, virava pra parede, ficava contemplando meus posters, tentei ler alguns livros, mas nenhum me chamava a atenção…
Acendi um cigarro, abri a janela e apoiei meus braços no marmore gelado, eu podia ver do alto a nevoa fina descendo naquela cidade que nao dormia, os barulhos de carros ainda estavam lá, mesmo sendo aquela uma madrugada tão gélida. Apesar de tantas luzes coloridas e sons de festas ao longe, aquela paisagem era triste. Los Angeles estava mais depressiva do que fora pára mim em todo aquele tempo. Meu rosto ja estava levemente molhado com a nevoa, como se fossem gotas de orvalho em uma rosa. Eu ri com meu pensamento, joguei a bituca de cigarro abaixo e fechei a janela. É, nao tinha saída, nada tiraria Bert da minha cabeça.
E pela primeira vez resolvi pegar um CD demo do The Used que Jeph havia me dado pouco depois de nos conhecermos. Eu tinha colocado ele entre o CD da My Chemical Romance e Cds de outras bandas undergrounds que eu conhecia, mas nunca havia ouvido, eu não sei bem o porquê, já que eu havia ficado tão deslumbrada com a voz de Bert. O CD possuía no total cinco músicas, quatro muito agitadas, com screams e baterias pesadas, tudo do que eu mais gostava. Como nao descobri isso antes?
Foi quando a quinta musica tocou, era On My Own. Ok, eu tive vontade de morrer por alguns segundos. Me lembrei perfeitamente do rosto de Bert, sorrindo pra mim enquanto cantava. Me arrepiei.
Surgiu como um clarão, um raio me cortando a escuridão.
A voz suave dele entrava dentro do meu cérebro, me fazendo lembrar todos os momentos… Como da primeira vez que vi ele na minha vida, sorrindo pra mim, sentado do chão com uma bituca na lateral dos lábios.
E veio me puxando pela mão, por onde não imaginei seguir.
Me lembrei de cada conversa, de cada sorriso, de cada palhaçada, de cada “aventura” e de cada beijo que havia acontecido dês de que nos conhecíamos, como se fizesse tanto tempo…
Me fez sentir tão bem, como ninguém.
Como eu podia estar sentindo tudo aquilo tão rápido? Que tipo de paixão era aquela, afinal? Aquilo era destruidor.
E eu fui me enganando sem sentir.
Passamos por tantas coisas engraçadas em menos de um mês: Festas, encontros alternativos, noites viradas na rua, rindo, conversando, flertando, se conhecendo.
Fui sonhando às cegas, sem dormir.
Passamos quase Fevereiro inteiro unidos, quase todos os dias, eu me apeguei fácil de mais ou qualquer outro se apegaria nestas condições? Bert era uma pessoa fácil de mais de se apaixonar.
Fui abrindo portas sem sair.
E fiquei me perguntando, será que ele fora um mentiroso todo aquele tempo? Será que todos aqueles dias juntos foram só joguinhos? Todos aqueles olhares e conversinhas bobas eram uma mentira? Uma máscara?
Não sei quem é você.
Carvão _ Ana Carolina.
Notas finais
REVIEEW ONGAAAI! (só pra nao sair do cotidiano -Q)
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