Yes, My Lady.
16 Capítulo XVI - O verdadeiro nome
Notas iniciais
Um tempo depois, ainda em Periguéux...
– Esse lugar é lindo! – exclamou Aaron, pulando de um lado para outro, enquanto Claude andava sério, a poucos centímetros atrás do mesmo.
– Louise irá, daqui a pouco até a Catedral de St-Front, se quiser acompanhá-la, senhor Trancy. – falou Sebastian, enquanto Louise revirava os olhos. Aquele convite não deveria ter saído dos lábios de seu mordomo.
– Eu preciso fazer uma coisa... – começou Louise, tendo algo em mente para poder fugir dali – Se me dão licença, volto em menos de cinco minutos. – se ela conseguisse ao menos sair dali e ir para o endereço que estava no papel que Claude escrevera... O difícil seria sair da vista de seu mordomo.
– Madame... O quê tem em mente? – perguntou Sebastian, quando já estavam longe o suficiente para que o Trancy não pudesse ouvi-los.
– Sebastian, poderia me deixar um tempo sozinha? – Louise sabia que se pedisse para ir ao endereço que Claude mandara, seu mordomo nunca deixaria. A dama se virou para ele, mas não o olhou nos olhos, falando com ódio, o tom de voz alto demonstrando superioridade – Isso é realmente irritante, você me segue para todo lugar. Eu... Não aguento mais, só cinco minutos. É pedir de mais?
– Louise...? – Sebastian ficou da mesma altura que Louise, sem entender por que a mesma dizia aquilo. A dama virou o rosto, logo o mordomo segurou o rosto da menor com as duas mãos. Ela fazia de tudo para não olhá-lo nos olhos, então se concentrou nas mãos do maior. Era muito difícil ter que mentir, ainda mais tendo que olhar em seus olhos – Eu disse que iria te proteger, não foi? Posso ser um demônio, mas, além disso, mantenho a minha palavra.
– A sua palavra não importa nesse momento. Isso é desnecessário, só me deixe sozinha. Parece que você não entendeu, não é? Eu disse SÓ cinco minutos! Não estou pedindo um dia nem nada, muito menos uma semana, um mês ou um ano. Eu quero evitar uma discussão, entende? Por isso peço a porcaria dos cinco minutos!
– Ainda não entendo... – Sebastian não havia soltado Louise, decepção era visível em seu olhar. O mesmo sabia que aqueles “cinco minutos” não seriam apenas cinco minutos – E o que aconteceu ontem, hoje?
– Aquilo não foi nada, ouviu? E isso não te faz ter algum direito sobre a minha pessoa. A verdade é que você me irrita, como eu já disse... Agora me solte. – Louise fez uma pausa, enquanto Sebastian a soltava e se levantava, derrotado – E antes de mais nada, nunca volte a me tocar sem me questionar. – Sebastian soltou um suspiro, baixo. Para demonstrar a sua raiva, Louise deu um tapa no rosto do mordomo, a dama tentou colocar toda sua força naquele tapa, mas a expressão de derrota de seu mordomo a fez dar o tapa com a metade da força desejada.
– Claro... Perdão My Lady por minha insolência. Fui um completo ignorante em relação a isso. Faça o que a senhorita tem de fazer e então quando, só quando precisar de mim venha me procurar, estarei sempre a sua disposição. – o mesmo fez uma reverência e deu meia volta, depois de um tempo desaparecendo do campo de visão da dama.
Por que isso foi mais difícil do que pensei? Perguntou Louise a si mesma, enquanto o a expressão derrotada de seu mordomo não saia de sua cabeça. A Phantomhive balançou a cabeça freneticamente, afastando aquela imagem de seus pensamentos. O que importava até aquele momento era achar alguma maneira de chegar até o endereço escrito no pequeno pedaço de papel. Um senhor passou do lado de Louise, com uma carruagem. No instante em que o mesmo parou, a dama aproveitou e subiu na carruagem.
– Me leve até esse endereço. – ela falou com superioridade, entregando o pedaço de papel ao homem.
– Esse endereço? E por acaso você tem dinheiro para pagar por uma carruagem?
– ... – Louise soltou um suspiro alto enquanto tirava várias notas de dinheiro do bolso interno de seu casaco – Mas que insolência. – ao dizer isso a mesma entregou o dinheiro ao senhor, que a olhou incrédulo.
– Ma-mas isso! É muito dinheiro! E-eu não tenho troco!
– Fique com o troco. Agora me leve até lá, e fique em silêncio.
– O-obrigada voc... Digo, senhorita. Muito ob... – o motorista olhou para Louise, mas logo se calou. A mesma com uma expressão de “qual parte do ficar em silêncio você não entendeu?”
~ ~ A. POV ~ ~
Fico me perguntando se ela realmente virá. Ou se Claude mais uma vez irá fracassar. Não me importo de qual jeito irei vê-la, nem que seja á força, mas eu a verei. Faz muitos anos que não a vejo, será que a mesma cresceu muito? A ansiedade dentro de mim apenas cresce, como estou ficando animado...
Logo ouvi a porta se abrindo, com um leve rangido. Arrumei o lenço em minha cabeça e me virei para trás, lentamente... Meus olhos logo encontraram a dama entrando em meu estabelecimento... É ela!
~ ~ Louise POV ~ ~
“Flores e alegria”?! Por que diabos Claude me mandou para cá? Andei com passos confiantes, olhando as rosas em meu redor. Ainda não consigo compreender, o que faço em uma loja de flores?!
– Louise? – uma voz masculina me chamou, infelizmente eu não conseguia me lembrar de onde conhecia aquela voz, de certa maneira familiar.
– Eu não te conheço, — falei me virando e me deparando com um homem alto, vestindo um macacão jeans e uma camiseta de manga comprida azul, dobrada até os cotovelos – como sabe o meu nome?
– Já a vi em alguns jornais. Desculpe não me apresentar, pode me chamar de A. O quê a senhorita desej...
– A?! – o interrompi, sem entender.
– É uma abreviação de Amante das Flores, é assim que me chamam, já que sou dono dessa loja. – ele sorria – A só para os íntimos. Recapitulando, é uma honra vê-la aqui, jovem Phantomhive! O quê posso fazer por você? Nós temos rosas de todas as cores. Margaridas, peônias... Girassóis são grandes e deixam o ambiente mais animado. – o homem falava, mas ao invés de olhar para as flores o mesmo olhava para mim, de uma maneira estranha.
– Não gosto de usar apelidos, então não espere que eu o chame de A. Na verdade eu estava procurando uma rosa violeta, se esse estabelecimento é tão bom assim como falam, desejo a rosa mais bonita possível. – falei, virando as costas e me afastando um pouco daquele homem.
– As violetas estão desabrochando ainda... Não estão tão bonitas assim como a senhorita deseja. Posso trazer qualquer outra cor que a senhorita quiser, tem algo especial em mente?
– Hm... – pensei e então me decidi, iria propor ao mesmo um desafio – Traga-me a mais bonita em sua opinião.
– Claro, eu com certeza irei surpreendê-la com a beleza de nossas rosas. Só mais uma pergunta, jovem Phantomhive. Você disse que não gosta de usar apelidos... Mas como se sente sabendo que o próprio Louise que você tanto usa é um apelido? Louise vem de Alouisya, você fica normal mesmo sabendo que todas as pessoas só a conhecem pelo seu nome de “mentirinha”?
– Co-como você sabe disso?! – perguntei assustada, os únicos que sabiam meu verdadeiro nome eram...
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