Yes, My Lady.
19 Capítulo XIX - A Verdadeira Escuridão Eterna
Notas iniciais
– Você agradecendo, Louise? – Robert sorriu – Agora sim posso dizer que já... Que já vi de tudo. – O mesmo continuava sorrindo quando deu o seu último suspiro, fechando totalmente os seus olhos e soltando lentamente o meu rosto.
Continuei ajoelhada perto de Robert, chorando. Até que senti uma mão pesada em meu ombro. Levantei o olhar o suficiente para ver que não era Sebastian. Sequei algumas lágrimas e então me levantei. Claude ainda continuava com a mão em meu ombro.
– Me. Solte. – falei friamente e pausadamente. Quando aquela mão saiu de meu ombro, andei calmamente até o corpo de Arthuro e arranquei a adaga que antes estava em seu coração. Os dois mordomos me olhavam com curiosidade, então apertei fortemente a adaga, tentando correr na direção de Claude.
– Você é bem engraçada Louise. – Claude riu e então avançou em minha direção, apertando o meu pulso e fazendo com que a adaga caísse no chão – Eu te contei tudo aquilo que queria saber, já conseguiu matar aquele que mais te fez sofrer no passado e agora quer me matar?! Se eu não tivesse te contado você ainda estaria sendo enganada por Sebastian.
– Não pense que estou grata. Vo-você matou o Robert! – Claude continuava a apertar fortemente o meu pulso, só que dessa vez era cada vez mais forte. Gritei de dor.
– Essa é sua última chance, Louise. – Claude sussurrou perto de meu ouvido – Você pode acreditar em mim e esquecer Sebastian, te garanto que sou melhor que ele.
– Bastardo, me solte! – tentei me soltar do mesmo, mas era em vão – Como vou comprovar que tudo que você falou é verdade?! Pode até ser verdade, mas você... É um monstro!
– Eu irei te levar até seu pai biológico.
Então do nada, senti uma onda de dúvida. Eu finalmente iria descobrir quem era meu verdadeiro pai? Comecei a pensar que aquela vingança era mais do quê apenas matar aqueles que me fizeram sofrer.
– Claude...! – Sebastian veio correndo na direção de Claude, mas dessa vez ele estava mais rápido do que nunca – Como ousa comprar a Louise com esses seus truques baratos?
– Não fui eu quem a seduziu para poder ficar com sua alma. – Claude me soltou e então se virou para Sebastian.
Meu mordomo, por sua vez, passou direto, me pegando no colo e me colocando em um canto da loja. Logo o mesmo beijou minha testa e voltou para Claude, desferindo-lhe um soco, que acabou derrubando os seus óculos.
– Você, não sabe de nada.
~ ~ Louise POV off ~ ~
A dama se encolheu em um canto qualquer, observando os dois mordomos de longe. Os olhos deles estavam parecendo de felinos, brilhando de um tom rosa cheio de ódio. Os dois pareciam ter uma rivalidade, que não era daquele dia. Seus caninos também mudaram, estavam maiores, afiados.
Sebastian chutou Claude, que voou até uma mesa cheia de vasos por perto, quebrando tudo com o impacto. O mesmo se levantou, limpando a terra que estava em suas vestes. Logo olhou para Sebastian, correndo na mesma velocidade inumana que havia caído sobre a mesa. Aquilo tudo era tão rápido que olhos humanos teriam dificuldade em conseguir entender o quê acontecia.
Dessa vez foi Claude quem acertou Sebastian no estômago. O Michaelis foi empurrado para trás, porém conseguiu se livrar do impacto cravando seus pés no chão e diminuindo cada vez a velocidade. O chão que era de madeira ficou todo destruído, não era como se aquilo importasse, já que a floricultura inteira estava destruída.
– Ei Sebastian... E Louise também... Querem que eu explique essa maldição? Se bem que a Louise não tem como voltar atrás. Sabia, Sebastian, que ela ficou tão chocada ao descobrir o quão mentiroso você é, a ponto de não conseguir se livrar da maldição? Depois eu que sou o vilão da história. – provocou Claude.
– Aposto que deve ter enchido a cabeça dela de bobagens, afinal, você é ótimo com isso. – Sebastian revidou, desviando de um soco.
– Na verdade... Ela viu com seus próprios olhos. – Claude riu – Mas bem... Conhece a “Escuridão Eterna”? Eu espero que você não fique com raiva, na verdade, espero sim.
– Eu não acredito... Você é realmente um imbecil, isso é entre nós dois, por que quer metê-la no meio?!
– Qualquer coisa relacionada a você, Sebastian, deve ser destruída. A alma dela parece saborosa, não é... Meu irmão?
– Não me chame assim... Nunca mais. – Sebastian conseguiu dar centenas de golpes em Claude, apenas ouvindo duas únicas palavras.
– Vejo que ficou nervoso... Mas bem, ficará ainda mais se eu te contar uma coisa. A maldição “Escuridão Eterna” é mais grave do quê parece. Você consegue ao menos enxergar a ferida que abri no pulso de Louise? Se aquela pequena ferida se cicatrizar... Puff, a alma dela irá ir para a rosa, que irá secar imediatamente e depois morrer. Ou seja... Uma alma que não será de ninguém. Isso é uma pena, pois me dá água na boca.
– Co-como?! – Sebastian ficou surpreso, realmente não esperava aquilo.
– É isso que ouviu. Foi uma sorte Arthuro ter guardado aquela rosa, só nasce uma a cada milênio.
Louise reparou que o corte em seu pulso cicatrizava mais rápido que o normal... Por mais que Sebastian tivesse mentido para ela, um Phantomhive mantinha a sua palavra. Sua alma em troca da vingança. Então, ela não poderia de jeito nenhum perder a sua alma, não até completar a sua vingança. A mesma começou a procurar em volta, pensando no quê poderia fazer. Até que viu um pedaço de cerâmica, que era de um vaso. O pedaço era afiado o suficiente para fazer um corte...
Logo gritos de dor puderam ser ouvidos por toda a loja de flores. Os demônios pararam de guerrear entre si e olharam para trás, para ver o que acontecia para ocorrer tal evento. Os dois se depararam com Louise, se cortando com um pedaço de um antigo vaso. A mesma havia cortado um dos pulsos, porém o sangue que escorria era de um preto, escuro de mais para ser sangue.
– Isso... Nã-não pode cicatrizar agora! – gritou Louise, que logo se levantou, porém gemia de dor.
– Você realmente me surpreende, Louise. – falou Claude.
– Louise! – Sebastian correu até ela, preocupado. Fazendo com que Claude olhasse-os sorrindo.
– Pare ai, Sebastian! – gritou Claude, quando o outro já estava no meio do caminho – Agora a escolha está em suas mãos, é a única chance que tens de me matar. E não vou negar, você atua muito bem.
– Sebastian... Já sabe o que fazer! – gritou Louise, porém Sebastian não havia mexido nenhum músculo.
– Quer esperar para ver então o por quê do nome “Escuridão Eterna”? Hm... Pelas minhas contas faltam... 4 segundos. 3. 2. 1...
Os segundos seguintes foram mais demorados que o normal, até que no momento em que Claude pronunciou o último segundo, Louise se desequilibrou e estava prestes a cair, porém Sebastian correu até a dama e a segurou.
– Então é isso... Você não quer perder a alma dela que nem perdeu a de seu Jovem Mestre, não é? Pois bem, será em vão. A alma dessa bastarda já era. E bem... Vocês fizeram as escolhas erradas, agora perderam a chance de acabarem com isso aqui, me matando. – Claude colocou um par de óculos novo e então saiu da loja.
– Louise... – Sebastian a levantou, porém percebeu o exato momento em que seus olhos iam perdendo a vida.
– Se-Sebastian, eu não consigo enxergar nada...
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