Yes, My Lady.
20 Capítulo XX - Não lhe lembra alguém?
Notas iniciais
– Se-Sebastian, eu não consigo enxergar nada...
A dama ficou imóvel. Então aquilo era mesmo real? Até que Sebastian a tirou de seus pensamentos, a puxando para mais perto. Louise cedeu, se aproximando e deixando que seu mordomo a envolvesse. A mesma colocou a sua cabeça na dobra do pescoço de Sebastian, inspirando o seu cheiro e então soltou o ar pesadamente.
– My lady, não precisa se preocupar... – sussurrou Sebastian no ouvido de Louise – Obviamente eu acharei um jeito...
– Sebastian, por quê mentiu? – perguntou Louise.
Os dois ficaram em extremo silêncio, podendo-se ouvir os pingos de chuva que caiam lentamente do lado de fora.
– Eu não pude contar. – respondeu Sebastian, por fim, como se escondesse algo.
–Não pôde?! – Louise soltou uma risada fria e aos poucos ia se soltando de seu mordomo, dando alguns passos para trás – E por acaso me contaria...?
– No momento certo. – Sebastian cortou Louise – Me desculpe por isso. Eu não tinha permissão para lhe contar, my Lady. Eu prometi a mim mesmo que não a faria sofrer. É algo mais complexo do que parece...
– E-eu não sei se posso acreditar você, esse erro... Foi inaceitável. – a dama estava realmente chateada, aquilo era evidente em sua voz.
– A senhorita não deveria perder seu tempo se chateando com um ser como eu... – falou o demônio ao perceber a expressão da menor – Para montar um quebra-cabeça precisamos de todas as peças. Sem alguma peça, o quebra-cabeça não estará completo. Como alguém como eu poderia lhe explicar sabendo que a senhorita não entenderia?
A verdade é que Louise foi ingênua de mais ao acreditar em Claude, este a havia amaldiçoado, como ela poderia acreditar em alguém como o mesmo? Era bem mais provável que Sebastian dizia a verdade, não era? Porém... Demônios são demônios, seres imundos e desprezíveis. A dama seguia essa linha de raciocínio, logo Sebastian percebeu que a expressão da mesma ia se suavizando.
– Agora vê que estou certo? – novamente Sebastian sussurrava perto do ouvido de Louise – Isso é um alívio... Por um momento pensei que podia perdê-la.
– É irrelevante... Minha alma ainda te pertence. – a dama desequilibrou-se ao tropeçar em algo, o que julgou ser um vaso. O mordomo correu até a mesma e a segurou em seus fortes braços, com uma pontada de preocupação.
...
Louise sentou-se em um banco da praça, sentindo a brisa tocar de leve em sua pele alva. O pôr do sol estava de um tom bonito, um mesclado de laranja e azul; o quê não fazia diferença para a jovem Phantomhive, já que seus olhos só viam a escuridão. Depois de um tempo, a dama começou a ouvir uma voz familiar. Aaron?
– Oh, por favor eu juro que pago essa trufa amanhã, senhor! – implorava Aaron para um vendedor de trufas.
– Criança, eu já disse, se seu dinheiro acabou eu sinto muito, mas não posso vender fiado. Amanhã eu estarei nesse mesmo lugar.
– Mas ela parece tão saborosa que eu não vou conseguir esperar até amanhã... Eu te pago o dobro!
– ... – o homem riu, vendo que não sairia daquela situação tão cedo – A resposta ainda é não... Além disso você está assustando os meus clientes.
Louise logo queria ir para bem longe de Aaron, não queria que o mesmo a visse naquela situação.
– Sebastian... – chamou a dama – Compre logo o que Aaron quer e depois certifique-se que o mesmo não me veja assim. Não... Aaron é persistente. O melhor a fazer é mandá-lo de volta hoje.
– Yes, my Lady. – Sebastian fez uma reverência, mesmo a dama não podendo vê-lo – Mas a senhorita ficará sozinha aqui? Isso não me soa bem.
– Eu não farei nada de mais. Palavra de uma Phantomh... – logo a mesma foi calada por um selinho.
– Não se preocupe, eu confio em você, my Lady.
...
~ ~ Aaron POV ~ ~
Aquele sujeito não queria de jeito nenhum me vender aquela trufa... Parecia tão saborosa, me dava água na boca. Oh céus, por que tive que gastar tudo com aqueles outros doces? Tudo bem... Se ele é tão persistente acho que vou ter que apelar. Ninguém é páreo para o apelo de Aaron Trancy!
– Senhor... – falei, com uma voz séria – Você realmente não quer me vender essa trufa? Está perdendo um cliente e tanto.
– Criança, existem vários como você que dizem que vão pagar e não pagam.
– Mas eu não sou criança. – fiz bico e olhei para o lado. Percebi que haviam várias pessoas ao nosso redor, porém ninguém prestava atenção naquele vendedor.
Aquele era o momento.
– Pooooor favor! – gritei me agarrando na perna do sujeito e deixando que algumas lágrimas caíssem. Não demorou muito para que todos se voltassem para nós. Sim... Atuar sempre tinha sido o meu forte.
– Cri-criança! Levante já daí! – gritou o vendedor tentando me desgrudar de sua perna – Seu...!
– Por favooor! – gritei com uma voz manhosa, soluçando freneticamente.
– Oras... – um homem veio em nossa direção – Como é que você pode deixar uma criança chorar desse jeito?
– Ma-mas ele... Eu... – o vendedor tentava se explicar.
– Esse senhor tem razão. – uma mulher se intrometeu – Como você pode ser frio o suficiente para deixar uma pobre criança nesse estado?!
– Olhe esses olhos cor de gelo, como consegue negar algo a uma criança dessas? – outra pessoa falou.
Oh, agora sim ele iria me dar aquela trufa ou por bem ou por mal. Eram muitas pessoas em nossa volta, o quê deixava o vendedor cada vez mais envergonhado. Por dentro eu estava sorrindo de orelha a orelha. Até que alguém no meio da multidão se aproximou, me chamando a atenção.
– Sebastian! – gritei. O mesmo balançava a cabeça negativamente.
Em pouco tempo as pessoas voltavam a fazer o quê faziam antes, como se nada tivesse acontecido. Como se a presença de Sebastian as tivesse espantado.
– O quê pensa que faz ai, Aaron Trancy? Levante-se. – assim o fiz, o vendedor me olhava com ódio, apenas abaixei a cabeça.
– Agora vai me dar a trufa? – perguntei sorrindo.
– NÃO! – o homem falou, ficando zangado.
Fingi que iria agarrar a sua perna novamente, o homem então me empurrou e me deu três trufas, perguntando se era o suficiente. Sorri vitorioso e quando iria responder, Sebastian me cortou:
– Me desculpe pelo ocorrido. Espero que isso seja o suficiente para o senhor esquecer o quê houve. – Sebastian entregou-lhe um bolo bem grande de dinheiro. Os olhos do vendedor brilharam – Vamos Aaron*.
– Se sempre trouxer o seu mordomo consigo, pode voltar quando quiser Aaron!
Percebi que Sebastian olhava algumas vezes para a direção de um banco, porém quando fui tentar ver o quê era, o mesmo entrou em meu campo de visão, fazendo com que eu não conseguisse enxergar quem estava no banco.
~ ~ Aaron POV off ~ ~
...
Louise tinha certeza de que enquanto Aaron estivesse com Sebastian, os dois não cruzariam o mesmo caminho. A mesma retirou o anel que usava em seu polegar esquerdo e ficou com ele na palma de sua mão. Lembrando-se de quem havia ganhado. O seu mordomo a havia presenteado e logo em seguida... Bem, a parte da camisola molhada a dama não gostava nem um pouco de se lembrar.
Pelo que a mesma se lembrava, o anel era de prata, com uma grande pedra azul no centro. De certa forma bem mais bonito do que o outro anel que a dama usava. Um anel de ouro, com o brasão da família Phantomhive. Esse por sua vez era de Baldroy, que passou para ela. A mesma havia se distraído tanto, que sem querer deixou o anel em sua mão cair.
Louise murmurou algo enquanto se abaixava para tentar pegar o anel. A mesma tateava o chão, porém sem sucesso. A dama suspirou, com raiva.
– Suponho que isso seja seu. – uma voz masculina falou – Espere... Este é muito parecido com o que me pertencia. E este em seu outro polegar também. Você tem um bom gosto.
– Você está enganado. – falou Louise, se levantando e procurando a mão do homem – Estes anéis foram presentes, dignos da família Phantomhive.
– Por isso mesmo. – por acidente, a dama segurou na mão do sujeito e pôde perceber que o mesmo usava espécie de bengala. O mesmo riu e a entregou o anel – Você pensa que é a única Phantomhive viva? E ainda usa os anéis do modo que eu usava... Um em cada polegar.
– Você, um Phantomhive? – Louise soltou uma risada fria. Não era a primeira vez que ouvia aquilo.
– Um mais puro do que Baldroy e Meirin que foram meus empregados e agora se passam por Phamtomhives. Pior que isso, se passam por seus pais. Deplorável.
– Como você sabe disso? – Louise não estava gostando do rumo da conversa, pois os únicos que sabiam disso eram Meirin e Baldroy, obviamente; Sebastian e Claude. Logo sentiu um frio na espinha com a resposta do homem.
– Como eu sei? – o mesmo se aproximou e sussurrou perto do ouvido da dama – Os pais sempre sabem da vida dos filhos. Pense... Aquela foto que encontrou no porão, ainda se lembra? A senhorita tem cabelos longos, de um azul acinzentado. Olhos azuis, profundos como o oceano. Pele pálida... Não lhe lembra alguém?
– O Co-conde da foto?
– Isso mesmo. Você não é tão ingênua quanto parece... Deve ter puxado isso de mim.
E então foi como se o homem tivesse evaporado, a deixando plantada ali.
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