Yes, My Lady.
11 Capítulo XI - Seu mordomo, seu amante
Notas iniciais
No dia seguinte...
– Sebastian, — falou Louise se sentando na cadeira do seu escritório – Eu preciso ir para Perigord... Para ser mais exata, Periguéux.
Louise estava em seu escritório, junto com Sebastian. As portas estavam fechadas e as janelas abertas, fazendo com que os raios de sol aquecessem o local.
– Eu sei que não devo lhe questionar, mas para quê quer fazer uma viagem dessas assim, em cima da hora?
Por mais que isso não seja da sua conta... Começou Louise mentalmente, até que seus olhos encontraram os de Sebastian. A mesma então não pôde deixar de lembrar o ocorrido, corando e abaixando a cabeça.
– Bem... É algo relacionado aos assassinatos que estão ocorrendo atualmente e algo que aconteceu no passado. – Louise apoiou os cotovelos na mesa e apoiou seu rosto nas duas mãos – Todos sabemos que o assassino anda deixando mensagens nos cenários, mensagens ocultas. E a Rainha sempre me pede para solucionar os casos, que muitas vezes saem nos jornais, com agradecimentos a mim. Resumindo... O que eu presumo é que o assassino está tentando se comunicar comigo. – Louise pegou os papéis em que tinha anotado suas respostas e as fotos dos assassinatos.
– Impressionante... – falou Sebastian, rolando seus olhos pelos papéis – A Rainha sabe das mensagens ocultas?
– Não, eu inventei outras respostas, como se o que ele escrevesse com o sangue das vítimas fossem coisas sem sentido algum.
– ... – Sebastian sorriu de lado, devolvendo os papéis à Louise – Não esperaria menos de uma Phantomhive. – Louise sorriu discretamente com o comentário do mordomo.
– Então eu preciso que arranje uma carruagem que leve Blair à sua casa e que se encarregue também de nos levar até Periguéux o mais rápido possível.
– Yes, my Lady. – Sebastian fez uma reverência – Deseja mais alguma coisa?
Talvez... Pensou Louise. Sebastian deu meia volta, indo na direção de Louise e então como se lesse os pensamentos da menor lhe deu um beijo no topo de sua cabeça, sorrindo e então se retirando. Louise ficou ali, sorrindo sozinha. Espera, o que eu estou fazendo? Eu não sou assim! Ah, então é isso que o “amor” faz com as pessoas? É deplorável...
...
– Que pena que terá que viajar prima. – Blair fez uma cara triste – Estava adorando a estadia. Bom, então até outro dia, foi um prazer passar um tempo aqui.
Blair deu um abraço em Louise, pegou as suas malas e então entrou em sua carruagem. Louise permaneceu do lado de fora até que a carruagem sumisse de vista, logo a mesma entrou na mansão, agradecendo a si mesma por não ter mais que aturar Blair.
Louise varreu o local com os olhos, logo encontrando Sebastian. O mesmo gesticulou para que a mesma se sentasse em uma poltrona que havia ali. A dama se sentou e então esperou para ver o que o mordomo queria.
– Sairemos quando a senhorita achar melhor. – falou Sebastian, Louise concordou com a cabeça. Logo o mesmo colocou uma mecha solta do cabelo de Louise atrás de sua orelha. Por um momento os dois começaram a se olhar profundamente. Depois de um tempo assim eles se lembraram dos outros três empregados que estavam ali. Robert, Mary e Karen olhavam-nos com uma certa curiosidade.
Louise se levantou e os olhou de volta, fazendo com que os mesmos desviassem os olhares curiosos e seguissem com suas tarefas.
– Vo-você viu isso Robert? – perguntou Karen, sussurrando para o jardineiro.
– Claro que vi, nunca confiei naquele mordomo. E agora os dois vão viajar para não sei onde... Não estou gostando da ideia.
– Deixe de se intrometer na vida da Louise, Robert. Eu até acho que eles fazem um parzinho fofo... – começou Karen, enquanto rodopiava e dava alguns pulinhos, deixando Robert calado e preocupado ao mesmo tempo.
...
~ ~ Louise POV ~ ~
Finalmente Karen terminou de arrumar as minhas coisas. Já são mais ou menos onze horas da noite e está bem escuro. Sempre preferi viajar de noite e principalmente agora que vou para Periguéux, a viagem passa mais rápido enquanto estou dormindo. Sebastian estava arrumando as coisas na carruagem quando alguém bateu na porta.
– Entre. – respondi.
– Madame...
– Mary?! O que pensa que faz aqui? – perguntei meio surpresa, de todas as pessoas da mansão, ela era a que eu menos esperava ver – Já não basta ter tentado me matar, o que quer agora?
– Foi preciso. – ela respondeu, indiferente.
– Ah, quer dizer então que seria preciso me matar? – ri secamente, o que ela pensa que está falando?
– Não era nem para você ter nascido, para começar.
– Você não é ninguém Mary, ninguém para falar sobre mim. Você é uma mera cozinheira, quem pensa que é? – sorri de lado – Ande, se retire de meus aposentos antes que eu...
– Antes que você o quê? Vai chamar o seu amante? – ela deu ênfase à ultima palavra.
– Amante? – sorri amargamente.
– Sim, estou falando do Sebastian, ou acha que não percebemos o jeito que você olha para ele? Aliás, se aquele demônio não tivesse se intrometido, você estaria morta.
A Mary sabe que o Sebastian é um demônio?! Não... Acho que ela apenas o chamou assim como uma espécie de xingamento...
– Está envenenando a Louise com suas palavras, Mary? – Sebastian apareceu atrás de mim, como um vulto, fazendo meus pelos se eriçarem – Já está tudo pronto, madame.
– Você deve parar de se intrometer onde não é chamado. – Mary falou, brava.
– Você deve parar de se intrometer onde não é chamada, — Sebastian falou, me guiando até a porta e abrindo a mesma; logo começou a usar o tom mais ameaçador que podia – se não quem morrerá... Será você.
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