Notas iniciais
Pessoal, esqueci de avisar que oscaps são mesmo curtinhos ok? Desculpa a demora, ando sem tempo de até ligar o pc. /fail Boa leitura. Gente, responderei a todos os reviews ok? Gosto muito deles, principalmente nessa fic ;;

Os raios adentravam pela pequena fenda da cortina, o sol ainda estava nascendo quando o menino saltou da cama, correndo para o guarda-roupa e tirando dali o embrulho com a roupa que havia escolhido. Deixou cuidadosamente sobre a cama ainda bagunçada correndo para fora do quarto, esbarrando em Akemi, que saia sonolenta de seu quarto neste momento.

-Hiro?! –perguntou sonolenta, ainda coçando os olhos com a barra do pijama. –Muito me admira que ainda não esteja pronto, dormiu ao menos?

Ele apenas assentiu, adentrando o banheiro para sua higiene pessoal, não demorou-se para escovar os dentes e descer as escadas encontrando com a família, que já estava reunida na mesa, o pai tomando o seu chá verde,as pressas, com a pasta na mão, mesmo que fossesábado, ainda assim o senhor Ogata deveria ir trabalhar.

A Senhora Ogata por sua vez, acompanhouo marido até a porta, despedindo-se dele após.E apenas quando o ronco do motor deixou de ser ouvido que seguiu a cozinha, retirando do avental a caixinha de oxigenada.

-Pelos céus meu filho, eu pai vai querer me matar depois disso. –Akemi já retirava a mesa enquanto Hiroto agarrou-se a mulher, abraçando-a com força. –Tudo bem, eu vou fazer... Não precisa me apertar assim...

A Senhora Ogata era pequena assim como seu filho, que a essa idade já estava do mesmo tamanho que a mãe, era uma pessoa muito boa, carinhosa e dedicada, a princípio ficou preocupada quando soube dos interesses de seu caçula, mas não iria negar a ele algo como aquele, ainda mais quando o menor precisava tanto de seu apoio.Mesmo quando já estava passando o produto nos fios naturalmente negros e lisos, guardava certo receio, sabia que o pai de Hiroto era conservador, e que ele não iria aceitar algo como aquele. E não era bem o cabelo que ela estava preocupada.

-Tomara que eu pareça mais velho. –Comentou baixo, mas para si do que para a mulher que finalizava a descoloração. A senhora continuou seus afazeres domésticos enquanto dava o tempo do cabelo do filho, este por sua vez andava de um lado ao outro em casa, o tempo parecia não querer passar, e a manhã era quase infinita.

As horas se alongaram, e mesmo com toda aquela ansiedade ambos se atrasaram um pouco, e não por conta de Akemi, que se aprontou rapidamente, mas sim de seu irmão, que demorou no banho, na maquiagem negra dos olhos, assim como as unhas em mesma cor. No cabelo bem modelado e repicado e por fim descolorido na cor em que Sakamoto havia mencionado no diário.

O jeans era novo, mas a aparência propositalmente abatida e clara dava um ar de usado a ele, a camiseta branca do Uderworld, era usada não só por ser abanda preferida de se amado, mas também por que ele gostava,assim como sua irmã... O all star surrado estava sujo por seu preferido. Mas olhar no espelho, e admitir que aquela produção toda era apenas por alguém que tinha certeza que não veria era muito idiota. Tristeza.

Sim, ele estava triste, depois de toda a euforia, simplesmente não sabia se queria mais ir. Chegar lá, no meio de centenas de pessoas que adoravam carros, fazia com que o recém loirinho se sentisse um intruso.

-Eu não vou.–comentou com a irmã e a mãe ao chegar na garagem já vendo o carro ligado. Ambas arregalaram os olhos sem entender. Não existia nada nos últimos dois meses que excitasse mais Hiroto do que aquele evento. Agora simplesmente vê-lo desistir sem mais nem menos, não havia cabimento.

-Ah, você vai sim. – sua irmã desceu do carro, segurando com força em seu braço e praticamente o jogando no banco traseiro, o menor não questionou. E somente com o som da porta de sua irmã, evidenciando que esta também já estava de volta no interior do carro, levantou os olhos, avermelhados pela vontade de chorar.

-De que adianta eu ir? Ele não vai estar lá. Não é a mesma coisa sem ele. Ele sempre quis ir o Car fest, não eu. – A mão tapou os olhos já úmidos pelas lagrimas que se formavam. – E se ele estiver... O que eu vou fazer? Pedir para ele me ajudar a arrumar meu tênis?

-Mas ensaiamos isso, decoramos suas falas, compramos os ingressos, sua roupa, fizemos seu cabelo... –Akemi dizia quase chorosa, a verdade é que aquilo também era importante para ela. Ler mais de um ano de uma pessoa, era quase como se fosse amiga de Sakamoto, queria vê-lo, conhecer o homem que fora o motivo de terem ficado tão amigos, ela e seu irmão. O motivo pelo qual a família não brigava mais por futilidades, já que estavam sempre em harmonia, tanto com seus deveres, quanto com seus horários. –Não seja egoísta.

-Eu não posso okay? Não posso ir, não consigo okay? –E mais uma vez ele mexia no ombro da mãe, pedindo para que esta destravasse o carro, e assim ele poderia sair no mesmo. O barulho das trincas automáticas fora feito, o que fez uma lágrima se formar no canto da japonesa mais nova.

-Não é justo, você queria ir... Se ele estiver lá, vai ser adorável você terá a chance de conhecer e conquistar quem você ama e...

-EU NÃO SOU O KOHARA.-as mãos foram tiradas do rosto, a maquiagem já borrada enquanto os lábios tremiam pela angustia. –Eu não tenho graça, eu não sou bonito, eu sou uma criança, eu nunca vou ser que nem o Kohara, eu nunca vou poder sequer me aproximar de Takashi.

E quando o silêncio se fez mais uma vez Hiroto pegou na maçaneta do carro, estava prestes a abrir o mesmo quando sua mãe ajeitou-se no banco ao que ficava quase de frente para seu filho.

-Tira a mão daí agora! O-ga-ta Hi-ro-to. Estou de saco cheio desse draminha. Por céus, eu não sei quem é esse tal de Kohara, mas sei que meu filho é lindo sim senhor, você vai limpar esse rosto, secar essas lágrimas, engolir esse choro e nós iremos para esse evento de festa, ou seja, lá o que for. –disse com firmeza ao ligar mais uma vez o carro e engatar a ré. – Confie no garoto lindo, gentil, carinhoso, solidário, inteligente, vaidoso e dedicado que você é. Se a sua idade o faz criança, mostre a ele que sua mentalidadefaz adulto. E digo mais, se ele não estiver você vai ligar a porcaria da maquina e fotografar todo o evento, para futuramente você mostrar que esteve lá por ele. E se ele estiver... –A mulher fez silencio, ao sair como carro da garagem, e ganhar a ruajá com uma velocidade alta. -...Aí nós iremos improvisar!

E mesmo que Hiroto estivesse disposto a questionar, o carro já havia alcançado a avenida, indo ainda mais para o interior. O evento não era em sua cidade, e sim em uma vizinha, a viagem fora tensa. Akemi estava com um sorriso radiante, não só por ir ao evento, mas sim por ter visto pela primeira vez sua mãe tomando a frente de algo importante como aquele, e não deixando que o mimado de seu irmão decidisse por si próprio. Hiroto por sua vez tentava corrigir a maquiagem, sem borrar ainda mais pelos movimentos que vez ou outra o carro fazia.