Yellow - Dramione

17 Amor Pra Recomeçar


Draco se levantou de onde estava, e lançar um olhar aborrecido a Harry foi inevitável. Maldito menino que sobreviveu! Aquele dia já estava suficientemente difícil antes que ele resolvesse abrir a boca. O loiro evitou olhar para as centenas de pessoas ali, precisava ir a algum lugar em que pudesse não pensar em paz. Achou que conseguiria isso quando chegou ao jardim de Hogwarts, mas seu alívio durou segundos.

— Draco, meu filho, espere.

A voz de Lucius fez o garoto parar. Sem querer encarar alguém, mas sem ter como fugir dessa situação, Draco se virou lentamente em direção ao pai enquanto suspirava. Seu sinal de impaciência foi notado, mas o chefe de família não disse nada a respeito. O que tinha para falar era importante, ele não perderia tempo com algo pequeno assim. Desde que o pai de Hermione foi até sua família e chegou inclusive a ter uma conversa agradável com Draco, a máscara de indiferença de Lucius não conseguia ficar intacta.

— Por quê? — Além de impaciência, o cansaço era nítido na voz do garoto.

— Precisamos conversar, e tem que ser agora.

O Príncipe da Sonserina seguiu seu pai até o campo de Quadribol, Lucius ia na frente com o platinado do cabelo sendo iluminado pelo sol. Ao chegar perto das arquibancadas, o Malfoy mais velho comentou como tudo parecia igual ao que era em sua época, piorando o humor de Draco.

— Sim, Hogwarts é mesmo fantástica. O que é tão importante que não pode esperar ou ser dito por carta?

— Acredite, filho, para mim também é difícil estar aqui. O que eu não imaginava é que seria um martírio para você.

— Martírio é coisa de herói. — Draco praticamente o cortou. Ficou o tempo inteiro na defensiva, em pé com os braços cruzados. — Aliás, o que eu não sou… Tem pessoas sofrendo de verdade lá dentro, então acredite, estudar na melhor escola de magia de todos os tempos não é tão ruim assim.

Draco usava o tom de deboche para se proteger, e seu pai sabia disso. O fator novo era que agora usava esse odioso tom com ele, não mais o de medo. No fundo, Lucius ficava feliz. Agora via que o medo não deveria ser a base de uma relação entre pai e filho, que na verdade o medo não deveria sequer estar presente para haver respeito. Ah, as coisas que aprendemos tarde demais… Como seriam úteis em outros tempos, e quanto tempo não poderia ter sido poupado! Mas de nada adiantava lamentar, seu desejo agora era consertar as coisas, principalmente com o filho.

— Você está fazendo de novo. — O senhor Malfoy deu um sorriso mínimo e sentou-se na arquibancada. Draco se limitou a não entender a cena. — Não me olhe desse jeito, deveria saber do que estou falando. Também já foi mais sutil ao mudar de assunto, mas isso não importa. Você é parecido demais comigo, Draco, e eu gostaria que fosse melhor. Por isso é difícil te olhar e ver que errei.

— Então é isso que eu sou, um lembrete das suas falhas? Sendo assim, por que não me ignora em vez de me procurar?

— Que tal deixar que eu termine uma frase sem interrupções? — Draco assentiu a contragosto. Foi o suficiente para Lucius continuar sua confissão. — Sabe, eu pensei que estava agindo certo… Você é jovem, mas acordou primeiro que eu. Fui ensinado a ser assim, a só levar em conta a suposta pureza do sangue das pessoas. A diminuí-las, pois assim eu seria maior. Eram crenças que estavam enraizadas em mim desde que me entendo por gente, portanto pareciam ser a coisa mais natural do mundo. Eu nunca as questionei. Não fazia sentido, já que eu era o privilegiado enquanto o mundo se curvava às minhas vontades. Eu estive tão errado a minha vida toda, Draco! O mundo parece um lugar diferente agora, e eu me sinto deslocado. É difícil se livrar de preconceitos construídos durante uma vida inteira, e tão difícil quanto é falar sobre isso e admitir os erros. O que você fez hoje foi admirável. Foi bastante corajoso da sua parte, e isso me orgulha muito. Posso te confessar mais uma coisa?

— Claro. — Ele disse abismado. O pai nunca se importou em pedir sua opinião ou permissão para algo, aquilo era algo novo.

— Não gosto do que nos tornamos, meu filho. Vim aqui para te pedir perdão, pois se tivesse percebido meus erros a tempo, ao menos você seria poupado de tanto sofrimento. Eu não fazia ideia que se sentia assim. Você foi criado do jeito errado, é verdade, mas teve integridade para perceber sozinho que aquele não era o caminho. Me perdoe, pois agora eu percebo que você nunca mereceu ser uma pessoa ruim. Meus valores te causaram danos irreparáveis, e nada do que eu diga vai trazer de volta os anos que perdemos, mas quando estiver pronto para…

— Droga, pai… — Draco disse, indo até a frente de Lucius e o envolvendo em um abraço desajeitado. — Eu saí lá de dentro para não chorar e você faz isso? É claro que te perdôo, você e minha mãe são tudo o que tenho.

— Só aceito seu perdão se for pelo motivo certo. Não tem que fazer isso por achar que não tem mais ninguém. Somente quando estiver pronto, está bem? Estarei esperando para recomeçarmos. Se soubesse o quanto me arrependo…

— Eu acredito.

Em meio ao abraço, Draco tentava não demonstrar sua fragilidade e chorar, mas não era uma tarefa fácil. Sempre sonhou com o dia em que ouviria seu pai dizer se orgulhava dele, e finalmente esse dia chegou. Melhor ainda, o motivo tinha seu valor. Enquanto o amor entre pai e filho falava mais alto que preconceitos adquiridos e disseminados, Draco fazia as pazes consigo e com Lucius. Este, por sua vez, ainda tinha coisas a dizer após o gesto de carinho.

— Desculpe também pela carta que sua mãe te mandou sobre o namoro com a Granger. Você não chegou a terminar com ela, não é?

— Não houve namoro algum. Deveriam ter me perguntado antes de dizer que não queriam me obrigar a nada e no parágrafo seguinte insistirem para que nos separássemos.

— Vou confiar nas suas decisões a partir de agora. Não vou interferir mais na sua vida desta forma, está bem?

— Certo.

— Então acho que já posso voltar para a cerimônia. Você vem?

— Não.

Lucius assentiu e pôs-se a caminhar em direção ao castelo. Draco o acompanhava com o olhar, quando seu pai parou de chofre. Virou-se com um sorriso intrigado no rosto, aquele não parecia ser um bom sinal.

— Gosta dela, Draco?

A pergunta o atingiu como um soco no estômago. Desprevenido é como ele estava. Se gostava de Hermione? Seu pai não fazia a menor ideia do quanto. Todavia, o que deixou a boca de Draco com um gosto ruim, como se as próximas palavras a sair dali fossem de fato tão amargas a ponto de causar-lhe uma reação física, foi que essa não era a questão.

— Isso não faz a menor diferença. Ela claramente me odeia.

— Se aprendi uma lição hoje, é que nos equivocamos. — Lucius disse e foi embora.

Draco deixou de assistir seu pai e passou a caminhar a esmo pelo local. Sentou-se em um banco das arquibancadas, bufando e escondendo o rosto nas mãos. Maldito Potter! Por que teve que falar de Dobby daquela forma? O elfo pertenceu aos Malfoy antes de se tornar amigo daqueles grifinórios. O loiro sabia, era absurdo sentir ciúmes da amizade deles, mas não conseguia evitar. Quando não havia ninguém por perto, era gentil com Dobby.

Draco nunca admitiu, mas gostava da companhia da pequena criatura. Por vezes parecia que Dobby era o único que se importava com o menino, e saber que só era assim por causa da natureza dos elfos fez Draco ser rude com ele muitas vezes. Sem contar o fato de que se Lucius ou Narcisa um dia desconfiassem daquela incomum amizade, as coisas não acabariam bem para nenhum dos dois.

O sonserino contava tudo sobre sua rotina na escola, e por seu intermédio Dobby ficou sabendo a respeito do menino que sobreviveu. Draco odiou os dois quando o primeiro amigo que teve foi liberto graças ao Santo Potter. E agora Potter falava com carinho sobre Dobby, que estava morto por culpa de Bellatrix. Lembrar da tia fazia o garoto trincar os dentes e desejar que ela estivesse viva, somente para ter a oportunidade de matá-la.

O discurso daquele maldito grifinório fazia Draco se lembrar de Dobby, assim como de Bellatrix e Hermione. Em suma, trazia de volta ao garoto o dia em que desejou estar morto, apenas para não presenciar aquilo. Caso se concentrasse um pouco, Draco podia ouvir os gritos dela quando foi torturada sob seu teto. Não era uma lembrança feliz, mas era facilmente evocada. Isso doía como o inferno. Aquele dia era a prova que Draco nunca poderia ficar com ela, não importando o quanto quisesse.

Quando os pensamentos ficaram dolorosos demais, ele resolveu aproveitar que estava ali e espairecer. Tirou a varinha das vestes, um Accio foi suficiente para fazer uma vassoura se aproximar magicamente. Não se importando em estar sozinho, na verdade até se sentindo grato por isso, treinou Quadribol por alguns minutos. Ele voava rápido em uma altura impressionante, talvez por isso não tenha sido notado por outro alguém que pelo visto também enfrentava um dia difícil. O garoto foi descendo aos poucos, fazendo círculos no céu, a velocidade diminuindo gradativamente.

Hermione estava sentada perto do lugar onde Lucius esteve há pouco, mas não parecia ter notado que tinha companhia. O vento bagunçava os fios loiros de Draco, e a sensação de liberdade o encorajava a se aproximar da garota. Foi quando ela levantou o rosto banhado em lágrimas para secá-las que percebeu a presença de Draco. Sua reação natural foi se levantar para ir embora, mas essa era uma cena que o garoto não aguentava mais ver. Ele não queria mais vê-la indo embora, e em um arroubo de coragem resolveu impedir tal ato. Ainda sobre a Nimbus 2001, inclinou seu corpo para frente, ganhando velocidade. Hermione mal havia saído do lugar quando ele a alcançou.

— Já vai embora, Granger? — Ele perguntou, descendo da vassoura com toda a naturalidade. Ela demorou um instante para responder. Tanto por achar incrível a habilidade do garoto, quanto pela pergunta em si. Seria mais uma pegadinha? Pois não era um bom dia para isso.

— É o que estava fazendo antes de ser interrompida. Pensei que ao menos aqui teria algum sossego. Aparentemente, paz é um item em falta em Hogwarts hoje.

— Não vai me dizer que a paz resolveu ir embora no momento em que eu apareci, não é? — Ele disse se sentando, indicando o lugar ao lado para a grifinória em um convite mudo. — Porque isso é justamente o que você faz, Granger. Eu apareço, você some.

— Na verdade, eu iria te acusar sim. — Ela disse simplesmente e sentou mais longe do que Draco gostaria.

— Uma injustiça, pois cheguei aqui primeiro.

— Eu não consegui ficar lá dentro, foi como sentir tudo de novo. Na pressa por sair dali acabei indo até a Torre de Astronomia, mas já estava ocupada. Não sei por que vim parar aqui, nunca gostei de altura. Sinto muito atrapalhar seu vôo, eu realmente não te vi.

— Não se preocupe, também só te notei há pouco. Dia difícil?

— Vida difícil. Sei que não deveria reclamar, tendo em vista o que os outros estão passando, mas estou cansada.

— Está errada. — Ele foi categórico. O curioso é que eles fitavam qualquer lugar que não o rosto um do outro enquanto falavam. O olhar dos dois fixos em um ponto a frente, mas não vago. Cada um em seu mundo, mas sentiam algo bom por ter esse momento roubado.

— Qual meu erro?

— Não é óbvio? Não tem que diminuir seu sofrimento por outra pessoa estar mal. Deveria se preocupar mais com você.

— Posso te fazer uma pergunta?

— Como se eu tivesse escolha… Você fará de qualquer jeito.

— Você segue o seu conselho? — Ela ignorou a provocação.

— Não esse. Para falar a verdade, não costumo dar conselhos. Muito menos segui-los.

— Você sempre tenta colocar essa máscara de indiferença, como se nada te despertasse o interesse. Eu sei que é só um truque, Malfoy. Se serve de consolo, você pode ser você mesmo comigo. Aliás, belo discurso.

Isso foi o suficiente para despertar, sim, o interesse dele. Draco a olhou, intrigado, se perguntando se Hermione estava sentindo pena dele. Qual poderia ser a motivação oculta da garota, se não essa? Mas então notando que o garoto não parava de encará-la, a grifinória sustentou seu olhar. A expressão do loiro aos poucos foi se abrandando, enquanto ele se perdia na imensidão marrom.

Foi quando o vento soprou, bagunçando o cabelo de Draco. Nada se comparado ao que fez nos cachos de Hermione, é claro. O sonserino já havia observado com atenção os hábitos da garota quando isso acontecia, podia antever cada pequeno movimento que ela faria dali em diante. Como se assistisse mais uma vez seu filme favorito, Draco viu os cachos da morena voarem, ela abaixar a cabeça e sorrir enquanto o cabelo acompanhava o vento. Uma parte ainda ficou no rosto dela quando Hermione levantou minimamente a cabeça, sorrindo tímida como se acabassem de descobrir seu segredo.

Em um impulso, o sonserino passou delicadamente os dedos pelos cachos que atrapalhavam a visão de ambos, colocando uma mecha atrás da orelha de Hermione.

— Assim fica melhor para ver seus olhos.

Sem perceber, Draco ia chegando cada vez mais perto do rosto dela. O sorriso de Hermione foi morrendo aos poucos, sem conseguir escapar do magnetismo que o olhar tempestuoso do garoto exercia sobre ela. Olhos nos olhos, respirações suspensas, até que a boca de Draco pareceu cada vez mais convidativa.

Hermione deixou escapar um suspiro, o que levou o garoto a olhar na direção do som. Foi aí que ela percebeu, aconteceria. Iria beijar Draco Malfoy, caso ele não a beijasse primeiro. O arrepio em sua espinha a pôs em alerta, aumentando o nervosismo. Ali, sentindo o cheiro de grama recém cortada e o perfume único de Draco, ela sabia que não tinha chances contra seus sentimentos. Tê-lo tão perto e em tal situação era uma doce tortura. Hermione se sentia como se estivesse em uma sala repleta de Amortentia.

O problema é que há tempos tentava se conformar que aquele amor não era para ela e portanto, nunca seria vivido. Caso se entregasse a paixão que sentia por Draco, não conseguiria mais voltar atrás e se obrigar a ficar distante. Era uma decisão difícil, mas necessária. Não que ela achasse que tivesse escolha, estava fazendo o que tinha que fazer. Era cruel consigo mesmo, mas era o certo. Não poderia levar aquela situação adiante, pois dificilmente conseguiria disfarçar o que sentia por ele depois disso. Muito menos esquecê-lo. Sendo assim, a boa moça tomou coragem para fazer o que não queria.

Foi com pesar que ela fechou os olhos para não ver a reação de Draco quando se levantou de súbito, quebrando o encanto do momento. Disfarçou a atitude como pôde, dizendo a primeira coisa que lhe passou na cabeça.

— Meus pais devem estar preocupados, acho melhor eu entrar.

— Claro… — Confuso e com o orgulho ferido, ele respondeu.

— Até mais, Malfoy.

Hermione se despediu, com insegurança. Seus passos rápidos a levavam para longe de Draco, mas os pensamentos não colaboravam com tanta facilidade. Ela se perguntava que cena foi aquela, repreendendo-se. Brigou consigo mais uma vez quando um sorriso fugitivo tentou chegar em seus lábios, pois sentia uma esperança ínfima. Draco iria mesmo beijá-la? Se sim, por quê? Seria loucura achar que o garoto que sempre implicou com ela tivesse mudado de ideia quanto a isso? Eles nunca se deram bem, aquilo era um fato. Mas apesar disso, seria Draco capaz de nutrir algum sentimento por Hermione? E agora sem o peso do sangue entre eles, que tipo de relação teriam?

Muitas perguntas, nenhuma resposta. A sabe-tudo não gostava daquilo. Foi em direção ao castelo, entrando e ficando perto do pai. Não conseguiu se concentrar, as horas passaram e de repente teve que se despedir. Os convidados foram embora, mas ela não prestou atenção em nada desde que voltou do passeio ao ar livre. A cerimônia organizada no colégio chegou ao fim, diferente da aflição de Hermione. A razão dizia que ela fez a coisa certa. Sendo assim, por que a garota se sentia tão mal? Se agiu com sabedoria ao evitar criar um problema que não sabia como solucionar depois, o que o sentimento de culpa estava fazendo ali? Muitas perguntas e ela temia as respostas.

A garota mais inteligente da geração não era a única inquieta ao pensar em um beijo que não aconteceu. Em um lugar tão grande, era difícil ser a única no que quer que fosse.

E a semelhança mais uma vez era com Draco Malfoy. Assim como ela, um aluno brilhante. E como se estivesse em frente a um espelho, até os defeitos eram parecidos. Dificilmente alguém não notaria o orgulho e teimosia que pessoas tão diferentes compartilhavam. Mas diferentes por que mesmo? Bom, a principal disparidade era o jeito de tratar os outros, com Hermione optando por ajudá-los e Draco a menosprezá-los. No demais, eram pessoas tão parecidas que chegava a ser natural o conflito entre as duas personalidades.

E justamente Draco era quem estava angustiado pelos acontecimentos — e não acontecimentos — da tarde. Primeiro pensou que a garota sentiu pena dele, enfurecendo-se. Depois a atração falou mais alto, e ele não teve a menor chance contra aqueles olhos. E então… Para sua infelicidade, mais uma vez Hermione fugiu. Ele não aguentava mais aquela palhaçada. O Chapéu Seletor não disse que os grifinórios em geral são corajosos? Sendo assim, ela não tinha escolha, deveria honrar sua casa. Fingindo que nunca reclamou do “pedaço de pano enfeitiçado que generaliza as pessoas”, Draco o usou como argumento para recriminar a atitude da garota. Ela só não podia, não deveria existir para ela a opção de fuga. O bruxo recorreria ao que fosse para que em algum universo paralelo ela ficasse.

O sonserino não admitiria sequer para si mesmo, mas se sentiu rejeitado. Hermione disse que ele poderia ser quem de fato era quando estivessem na companhia um do outro, e então praticamente saiu correndo na primeira oportunidade. Pelo visto ela não estava pronta para lidar com o verdadeiro “eu” daquele sujeito complicado. Talvez só não tivesse interesse e quis ser gentil mesmo assim… “Maldita Granger e malditos sejam todos neste maldito castelo!”, ele pensou. Sabia que praguejar não resolveria sua situação, mas talvez ajudasse a desestressar um pouco. Doce ilusão, aquilo só piorou seu estado.

Tentou não pensar no seu amor platônico, então treinou o esporte favorito até o cair da noite. Já exausto física e emocionalmente, o bruxo foi para seu dormitório tomar um banho. Decidido a encontrá-la e tirar aquela história a limpo, ele jantou rapidamente enquanto lançava olhares furtivos a mesa da Grifinória. Ela não apareceu em momento algum. Já sem fome, Draco continuava sentado fingindo prestar atenção na conversa dos colegas, a esperança ínfima que ela surgisse de algum lugar.

Draco se sentia mais uma vez decepcionado, dessa vez não só com Hermione. Cercado de pessoas e se sentindo sozinho por que a que mais importava para ele estava ausente, o garoto dos olhos de tempestade de repente soube onde sua grifinória estava. Se levantou da mesa com a expressão grave de quem precisava urgentemente fazer algo e em um piscar de olhos já estava longe. O garoto praticamente corria até a Torre de Astronomia, pedindo silenciosamente a Salazar que ela estivesse lá. Sorrindo e indo naquela direção, o garoto pediria auxílio até do próprio Godric, se fosse necessário. Só sabia que precisava ficar perto do Hermione, o resto resolveria quando a encontrasse. E seja por acaso, sintonia ou pelo humor dos fundadores de Hogwarts estar bom naquele momento, ele enfim viu o que esteve em sua frente esse tempo todo… Um amor para recomeçar.