Notas iniciais
here i am

Quando Nico acordou, sentiu-se perdido por alguns instantes. Primeiro não soube dizer o porquê, depois esticou o braço, ainda com os olhos fechados e encontrou apenas o lençol desarrumado.

O chuveiro do chalé 13 estava ligado, conseguia ouvir. Ele afundou o rosto no travesseiro, puxando as cobertas ainda mais para si. Estava frio, era início de dezembro, afinal. Nico gostava de dezembro. Era sempre um bom mês.

Desde que ele e Will começaram a namorar, os dois passaram todos os natais no Texas, junto com Naomi. Era divertido, Nico amava a mãe de Will. Ela tratava Nico como quase um filho, fazia uma ótima ceia de natal, sempre perguntava para Nico como ele estava e ainda mostrava todos os álbuns de fotos de quando Will era criança. Os dois riam sozinhos de todas as fotos constrangedoras quando Will não estava por perto.

(No primeiro natal Nico pegou sem que ninguém visse uma foto de quando Will tinha apenas oito anos e estava brincando sozinho na areia da praia. Ele se sentia meio mal as vezes por ter roubado uma fotografia, então a escondia dentro de um de seus livros de história, porque sabia que Will jamais olharia ali dentro.)

Nico lembrava de, na noite anterior, ter pegado no sono logo após Will e ele conversarem sobre irem para o Texas dali há duas semanas e voltarem apenas no ano novo. Seria a terceira ceia de Natal em que passariam juntos. Nico gostava disso.

Quando ouviu o chuveiro sendo desligado, Nico rolou na cama, ficando deitado de lado. Ele abriu os olhos minimamente apenas para ver Will saindo do banheiro, vestindo apenas uma calça jeans.

Ah.

Já tinha visto Will sem roupas tantas vezes que perdeu as contas, mas ainda ficava um pouco envergonhado com isso. Que droga. Subitamente, Nico se tornou muito consciente de como estava: por debaixo dos cobertores, vestia apenas a blusa amarela de moletom do Will, nada mais. Ele havia acordado no meio da noite para ir ao banheiro e, bem, o moletom estava no chão e Nico jamais perdoaria a si mesmo por perder uma oportunidade de usar uma das blusas do namorado.

Ele se perguntava se Will se irritava com isso, mas provavelmente não. Na verdade, Will parecia gostar de ver Nico usando suas roupas. Não era por acaso que havia no mínimo umas cinco camisetas no guarda-roupas do chalé de Hades que claramente não pertenciam à Nico.

Todas elas tinham o cheiro de Will, o que era reconfortante.

Se lembrava de, uma vez, estar vestindo uma camisa branca que tinha uma estampa da Madonna. Quando Percy o viu, deu um olhar muito estranho para ele, o que foi um pouco embaraçoso.

Nico abriu os olhos quando sentiu o peso de Will se sentando na cama, ao seu lado. Sem poder evitar, Nico encarou alguns arranhões nas costas nuas de Will enquanto ele calçava os próprios tênis.

— Que horas são? — Nico perguntou com a voz sonolenta.

Will olhou para ele um pouco surpreso.

— Ei, eu te acordei? Desculpa.

Nico negou com a cabeça, com sono demais para falar. Eu acordei só porque senti sua falta.

— É cedo. — Will disse, aproximando seu rosto no de Nico e lhe dando um beijo na testa. Nico suspirou. Era uma de suas coisas favoritas no mundo. — O sol está nascendo ainda. É meu turno na enfermaria agora. Preciso ir. — ele tirou uma mecha do cabelo de Nico, que estava todo bagunçado, da frente de seu olho e passou o plegar pela bochecha de Nico. — Me desculpa. Eu me sinto meio cretino de sair assim de manhã depois da... Noite.

Nico olhou para Will. Ele sempre gostou dos cachinhos do cabelo dele, ainda mais quando estavam úmidos.

— Tudo bem. — Nico murmurou. — Eu sei que você precisar ir. Me deixa triste, desolado e solitário, mas tudo bem. Eu consigo lidar.

Will deu uma pequena risada.

— Dramático.

Nico riu também, então sentiu os lábios de Will se colando nos seus. Ele gostaria de argumentar que estava com bafo matinal, mas Will nunca dava a mínima para isso.

— Você está vestindo o meu moletom. — Will disse quando se afastou. — É por isso que eu não estava achando ele.

Nico puxou as cobertas para cima, cobrindo o próprio rosto. Não queria tirar. Estava confortável e, além de tudo, se sentia protegido usando as roupas de Will. Ok, sabia que essa sensação era estranha e sem sentido, mas fazer o quê.

— Eu não posso sair só de calça e tênis. — ouviu Will dizer. — Está frio. Eu preciso da minha blusa.

— Pegue uma minha. — Nico retrucou, ainda embaixo das cobertas.

Ele ficou alguns instantes parado, até que ouviu Will se levantando e abrindo a porta do guarda-roupa.

Quando Nico puxou o cobertor para baixo, ficou surpreso em ver Will vestindo um moletom preto, e não um roxo que também estava ali dentro.

Aquele era de Nico. E ele tinha muita certeza de que havia guardado bem ao lado de outro roxo que era de Will. Não tinha como Will não ter visto. Só havia roupas pretas ali, exceto as poucas coloridas que Nico pegava emprestado do namorado.

Não conseguiu não sorrir com Will.

— Te vejo no almoço? — Will perguntou, já vestido.

Nico concordou com a cabeça.

Will se aproximou dele novamente e deu um selinho rápido.

— Não esqueça de tomar café. É a refeição mais...

Nico revirou os olhos e o interrompeu:

— Sim, eu sei. É a refeição mais importante do dia. Você diz isso todos os dias.

Will riu.

— Te vejo depois, então. Amo você.

Ti amo. — Nico respondeu antes de Will sair.

Ele sempre dizia em italiano. Soava mais real, de alguma forma, e ele queria ser verdadeiro com Will. Era sua língua nativa, afinal.

Nico rolou na cama, então puxou a manga do moletom amarelo até o rosto. Ele não sabia dizer como, mas reconheceria o cheiro de Will em qualquer lugar, e cheirava como casa, conforto e calmaria.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!