Yellow
3 Everything Has Changed
Notas iniciais
Matt e eu ficamos assistindo ao pôr-do-sol até o fim. Mas eu estava inquieta, minha mente não saía do garoto de cabelos castanhos na roda de adolescentes a uns metros de onde estávamos.
Ele se permitia algumas olhadelas para mim de vez em quando, mas não me encarou novamente como da primeira vez.
– Nós podíamos beber um café ali antes de irmos embora, o que você acha? – Matt perguntou apontando para um quiosque a alguns metros dali.
Eu não sabia se era uma boa ideia. O quiosque estava perto demais do grupo de jovens que o garoto se encontrava. Mais perto que a minha sanidade mental permitia, era provável que indo para tão perto dele eu fizesse alguma coisa idiota, como tropeçar e cair de cara na areia.
Definitivamente, essa não era a impressão que eu gostaria de passar para ele.
– Hmm Matt, eu não sei se é uma boa ideia. A mamãe disse que tínhamos de voltar antes do jantar.
Ele revirou os olhos:
– É só um café, Scarlet. – E assumindo um tom mais zombeteiro ele continuou: – E fala sério, você não ia perder a chance de tomar café na praia, não é? Cara, só em Snowbridge mesmo. De onde eu venho, se toma água de côco, suco, refrigerante na praia. Mas café é novidade!
Eu ri. Respirei fundo e dei mais uma olhadela para o quiosque.
– Tudo bem. Um cappuccino não faz mal para ninguém, não é? – Respondi.
– Essa é a minha garota!
Matt tirou o braço de meus ombros e se levantou. Derrotada me levantei também, e juntos fomos em direção do pequeno quiosque onde se lia: “Temos café”.
Quanto mais nos aproximávamos do lugar, mais meu coração se acelerava. Eu não entendia aquilo, eu mal vi o garoto pela primeira vez e já estava morrendo de amores por ele? O que é isso coração? Tá de brincadeira comigo?
Ele olhou para mim. E eu quase desmaiei, é claro.
Segurei o braço de Matt, e ele desviou o olhar. Meu coração quase saiu pela boca de tão agitado que estava.
Nos sentamos nos bancos altos que rodeavam o balcão do quiosque, e um garoto que deveria ter a minha idade veio nos atender. Ele tinha cabelos lisos cor de areia naquele estilo com franja, olhos castanhos e um sorriso meigo.
– Boa noite. No que posso ajudar? – Perguntou.
– Boa noite. – Matt respondeu. – Um café para mim, e um cappuccino para ela, por favor.
– Um café e um cappuccino, pai. – Ele disse para o homem que executava os pedidos e em seguida se virou para nós: – Vocês são novos aqui, certo?
– Sim, nos mudamos hoje. – Respondi sorrindo para ele.
– Sejam bem vindos a Snow, então! Eu sou Ryan Collins, e aquele é o meu pai, Theodore. – Disse apontando para o homem que fazia nosso café. Ele levantou a mão nos cumprimentando, e Ryan continuou: – O nosso quiosque é o melhor de toda a cidade!
Matt e eu rimos, eu ia nos apresentar, mas interrompidos por uma garota:
– É claro que é o melhor! Só tem ele na cidade. – Disse ela rindo.
Era magra, meio baixa, tinha cabelos curtos e loiros, meio ondulados e olhos verdes brilhantes. Um rosto arredondado e um sorriso cativante que a deixava com um ar angelical. Eu gostei dela assim que a vi.
– Ha ha ha. – Respondeu Ryan.
– Brincadeira, Ryan. Se tivesse outro quiosque em Snowbridge, vocês ainda seriam os melhores! – Elogiou e se virou para nós sorrindo. – Eu sou Isabelle Morrison, sejam bem vindos a cidade.
– Obrigada. – Agradeci aos dois e continuei – Eu sou Scarlet Gilbert, e esse é o meu irmão Matt.
– Prazer. – Disse Matt pegando a mão de Isabelle e beijando.
Ela riu com o gesto e respondeu:
– O prazer é meu.
Se eu não estava enganada, tinha pintado um clima ali.
Ryan chegou com uma bandeja com nossos pedidos e nos entregou:
– Aqui está, café para o Matt e um cappuccino para Scarlet.
– Obrigada. – Agradecemos.
– Ryan, me traz um café também, por favor. – Pediu Isabelle.
– É para já. – Respondeu Ryan.
– Então, estão gostando da cidade? – Perguntou a garota.
– Sim, é muito bonita. O pôr-do-sol então, nem se fale, espetacular! – Respondeu Matt a ela.
Concordei com a cabeça.
– Eu amei o frio. – Falei em meio a um gole de cappuccino.
– Que bom! Dias quentes aqui são raros, eu também gosto bastante do frio. – Sorriu. Vocês vieram de onde?
– Londres. – Matt e eu respondemos em uníssono.
Nós rimos.
Matt, Ryan, Isabelle e eu conversamos bastante. Descobri que vou estudar no mesmo colégio que eles, e isso realmente me deixou muito feliz.
Isabelle é uma garota muito fácil de gostar. É muito espontânea, alegre e engraçada, provavelmente o tipo de pessoa que todo mundo é amigo. Fiquei feliz por conhecê-la.
Mas tínhamos de ir embora, senão nos atrasaríamos para o jantar. Matt ia pagar a nossa conta para o Ryan, mas ele disse que seria por conta da casa. Agradecemos e nos despedimos dele.
– Hmm, nós temos que ir embora agora Isabelle, foi muito bom te conhecer. Eu realmente espero que a gente pegue algumas aulas juntas! – Me despedi.
– Mas já?! Espera, me deixe apresentar meus amigos para vocês. – Ela pediu com cara de cachorro desprezado apontando para a roda de pessoas em que se encontrava o garoto lindo.
Merda, pensei. Eu não podia recusar, ela iria ficar chateada.
– Tudo bem, mas tem que ser rápido, Scarl e eu não podemos demorar, a minha mãe ia ficar uma fera se a gente se atrasasse para o jantar. – Matt respondeu por mim.
Ela sorriu e concordou.
Acompanhamos ela até o grupo, meu coração estava novamente saindo pela boca.
– Gente, essa é Scarlet Gilbert e seu irmão Matt. – Nos apresentou. – Eles se mudaram hoje para cá.
Eles sorriam. E um por um foram desejando boas vindas e se apresentando.
A primeira era uma garota de cabelos cacheados escuros, ela estava abraçada a um garoto loiro de olhos azuis. Eles pareciam ser os mais velhos do grupo.
– Eu sou Samantha Thompson, mas todo mundo me chama de Sam. Sejam bem vindos! Espero que gostem de Snow. – Disse sorrindo.
Agradecemos, e foi a vez do garoto que ela abraçava se apresentar:
– Eu sou Noah Jones, namorado da Sam. Snow é bem legal, vocês vão gostar. – Disse sorrindo.
Sorrimos de volta. O próximo a se apresentar era ele, a pessoa que eu mais queria conhecer. Ele me olhava intensamente, o que fazia as minhas bochechas esquentarem e as borboletas se agitarem dentro de mim.
– Lucas Montgomery. – Ele disse e fez uma pausa, olhando para mim e para Matt. Lucas Montgomery, combina perfeitamente, um lindo nome para um dono mais lindo ainda. Ele continuou: – Sejam muito bem vindos, e a propósito, vocês são meus vizinhos de lado, se precisarem de alguma coisa...
E ao dizer isso um sorriso maroto brotou de seus lábios.
Qual foi a minha reação ao ouvir isso? Meu coração simplesmente parou, eu provavelmente morri, pois me sentia no céu. Fala sério, do nada eu descobri que o menino mais gato que eu já vi mora do meu lado. É muita sorte mesmo!
“Se precisarem de alguma coisa...” Acho que vou visitar ele e pedir um beijo.
OLHA SÓ O QUE VOCÊ JÁ ESTÁ PENSANDO SCARLET GILBERT! Minha consciência gritava.
– Prazer cara, e obrigado. – Disse Matt, sorrindo.
Eu não consegui dizer nada, só sorri tímida. Fiz esforço para parar de olhar para ele e prestar atenção na apresentação da garota que estava do lado dele.
Ela provavelmente era a mais nova do grupo. Devia ter uns quatorze anos, tinha cabelos castanho-claros e olhos azul piscina.
– Eu sou Luce Mason e espero que vocês gostem de Snow. – Disse sorrindo tímida.
– Prazer Luce. – Dissemos Matt e eu juntos.
O último era o garoto que estava junto com Lucas quando eles caminhavam pela praia. Ele também tinha cabelos castanhos claros, olhos azuis e uma carinha de bebê.
– Eu sou Gabriel Mason, irmão mais velho da Luce. – Disse apontando para a garota ao seu lado. – Sejam bem vindos!
– Obrigada. – Agradecemos.
Conversamos com eles por mais dez minutos. Matt descobriu que Noah e Sam também estudavam na universidade em Carlisle, e eu descobri que provavelmente teria aulas com Isabelle, Gabriel e Lucas. O que certamente me deixou um tanto quanto entusiasmada para ir à escola.
Lucas olhava para mim frequentemente, eu gostaria de ser menos tímida e conversar alguma coisa qualquer com ele assim como conversava com os outros. Mas eu tinha dificuldade de até olhar para ele sem ficar totalmente vermelha.
Eu tinha esperança que ao me acostumar com ele, parasse de sentir coisas vivas dentro de mim após ele olhar ou sorrir para mim. Só não sabia o quanto estava enganada, as borboletas não me dariam descanso por um bom tempo...
Nos despedimos de cada um, e agradecemos pela hospitalidade. Eles sorriram e disseram até logo.
Lucas sorriu para mim e eu obviamente parei de respirar.
Saí de lá o mais rápido que pude, temendo fazer alguma coisa idiota. Matt e eu montamos em nossas bicicletas e fomos para casa.
Durante meu banho, refleti sobre tudo que aconteceu e o quanto as coisas mudaram na minha vida em um único dia.
Ele é meu vizinho, pensei respirando fundo enquanto colocava uma toalha no corpo e saía do banheiro. Vesti uma roupa, e por curiosidade, fui até a varanda do meu quarto e fitei a casa ao lado. Seria lá que ele morava? Me perguntei.
Não. Nem tanto, deve ser a casa do outro lado, pensei. Já ia voltando para meu quarto quando ouvi a voz dele dizendo: “Cheguei mãe!” E a luz do cômodo de frente para a minha sacada se acendeu.
Droga! O Cara lá de cima estava definitivamente brincando comigo.
“Tudo o que sei é um simples nome, tudo mudou
Tudo o que sei é que seguramos a porta
Você será meu e eu serei sua
Tudo o que sei desde ontem é que tudo mudou
E todas as minhas paredes seguiram de pé pintadas de azul
Mas eu vou derrubá-las
Derrubá-las e abrir a porta para você
E tudo o que sinto no meu estômago
São borboletas, da mais linda espécie
Compensando o tempo perdido, voando
Fazendo com que me sinta bem”
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