Yellow

3 Todo bom romance começa na fila do pão de queijo


Notas iniciais
me julguem sim e me julguem mesmo pela demora da postagem masssssss eu tenho um motivo, e isso tem a ver com a viagem que meus pais resolveram fazer repentinamente no dia 2 etc e tal e eu tive que ir mesmo não querendo. só voltei de madrugada e não pude postar de tarde, portanto cá estou eu apenas HOJE então me desculpem mesmo, sério. não me abandonem, ficarei bastante gratificada.

Começos poderiam ocorrer mais de uma vez, ou de formas diferentes. A pessoa pode pensar que está começando algo do zero, quando na verdade o que está fazendo é dar continuidade.”

A Improvável Jornada de Harold Fry, Rachel Joyce

...

Capítulo II – Todo romance começa na fila do pão de queijo

Annabeth

Depois de sair de casa, meu pai enfiou após muitas tentativas nas quais, aliás, eu ajudei a mala no carro e entramos nele. Liguei o rádio e passavam apenas músicas toscas com a palavra “baby” e bati a cabeça na janela. Era só isso que passava nas rádios? Claro que eu não tenho nada contra o pop, eu gosto, mas, sei lá, as músicas estão despencando de qualidade ultimamente. Ainda tem muitas que eu gosto, mas nas rádios só passam os hits do momento, que não eram exatamente “as melhores músicas”. Uma rádio de música country aqui, uma de pop ali, outra de pop lá, uma mix acolá, mas não achei nada que realmente me agradasse.

Resolvi fuçar nos CD'S do meu pai: achei várias bandas interessantes porém muito antigas, daquelas bandas geralmente de rock n' roll bem velhas, que costumam tocar um instrumental maravilhoso e o vocalista tem uma voz incrível, mas ninguém lembra o nome de alguma música. Vi várias bandas de rock que meu pai gostava, mas nada realmente compatível ao tipo de música que eu curtia. Mas no momento o que mais combinava comigo era um CD dos Beatles, com um belo “The Beatles” estampado. Começou Yesterday e eu cantei baixinho, mas quando chegava o refrão eu cantava alto, junto com meu pai, e nós sorríamos olhando um para o outro ao toque da música.

Eu sentiria muito a falta do meu pai. E ele sentiria a minha. Éramos a maruja Annie e o capitão Chase desde sempre.

Yesterday
Love was such an easy game to play
Now I need a place to hide away
Oh, I believe
In yesterday

Depois de mais uma dose de música, com Hey Jude, Something, A Day In The Life, Let it Be, Come Together, Blackbird, Twist and Shout, Here Comes the Sun, All I Need is Love e um especial do John Lennon com Imagine, chegamos no aeroporto. Meu pai me olhou e fez uma cara de “pidão” e disse:

— Posso te acompanhar até o embarque? – ele continuou com aquela expressão de cachorrinho sem dono e me fez rir.

— Claro, capitão Chase. Venha comigo até o embarque – disse com um sorriso leve.

Depois de descarregar as duas malas do carro, eu e meu pai entramos no aeroporto. Eu tentei pegar a mais pesada primeiro, mas eu quase quebrei meu mindinho, então desisti rapidamente da ideia. Levei a mais leve e menor enquanto meu pai arrastava a mala maior e mais pesada, tentando manter sua dignidade ao tentar não deixar a mala cair no chão. Meu estômago meio que roncou silenciosamente e eu virei pra trás e me deparei com meu pai não obtendo muito sucesso com a mala pesada e o ajudei. Fizemos o cheque e tivemos de esperar antes de irmos pra sala do embarque, e meu estômago roncou de novo.

— Ahn, pai... posso ir na lanchonete? – ele sorriu pra mim e fez um discreto gesto de positivo.

— Temos mais quarenta minutos aqui, acho que você tem tempo pra comer. – então eu saí, procurando uma lanchonete com os olhos atentos.

Vi um lugar ao lado de uma farmácia que tinha uma placa em neon queimada com as inscrições de Starbucks, mas se fossemos contar apenas pelas letras que não estavam queimadas, seria Stbucs, e depois tinha escrito coffee, desta vez sem nenhuma letra queimada. Era um lugar bonitinho, com mesas de madeira e decoração bonita, além do cheiro irresistível que emanava de dentro do lugar. Mas resolvi ir na farmácia primeiro, porque tinham acabado os absorventes em casa e eu tinha deixado de comprar nos Estados Unidos, mas iria aproveitar e já comprar ali.

Quão charmoso, Annabeth. Absorventes.

A farmácia era diferente, não daquelas que a gente vê na rua, e sim uma típica farmácia de aeroporto: ao invés de móveis de material frio, brancos e de metal, era de madeira. O nome era Altru, estava escrito Altru pequeno ao lado da grande inscrição de PHARMACY. Possuía mais cosméticos que medicamentos em si, mas ignorei isso. Perguntei para a atendente loira e razoavelmente bonita, que tinha um crachá escrito Burns, L.:

— Com licença, onde fica o corredor de produtos para higiene pessoal? – perguntei, olhando pra ela com um sorriso microscópico e com pressa pra ir comer logo.

— Hã, me deixa adivinhar... Quer absorventes, né? – ela perguntou e me fitou com uma sobrancelha arqueada, e me fez assentir com uma cara de do que te interessa? – São no mesmo corredor das escovas, pastas de dente e chupetas, bem ali – contou ela, apontando pra um corredorzinho pequeno, o penúltimo da loja.

— Valeu – disse, e meu sorriso mudou de microscópico para pequeno, ou seja, um pouco maior. Fui até aonde ela me indicou e no início só avistei pastas e escovas de dente, mas achei os absorventes. Tinham cápsulas também, mas peguei os de papel mesmo.

Talvez você não precisasse saber disso, mas tudo bem. Uma coisa relevante sobre mim: eu sou grande fã dos pequenos detalhes.

— Só isso? – a mesma atendente perguntou, desta vez no caixa.

— Tem apenas você aqui, trabalhando? – perguntei, meio que ignorando a pergunta dela por causa da minha curiosidade.

Outro fato sobre mim: minha vontade insaciável de saber as coisas pode fazer eu parecer grossa ou indelicada bem frenquentemente.

— Aham, não é muita gente que vai na farmácia de um aeroporto – disse, sarcástica – A maioria só vem aqui pra carregar o celular, como aqueles ali. – ela apontou pra uma fila de quatro pessoas, e a primeira estava sentada no chão ao lado de uma tomada, carregando o celular. Tive vontade de rir por causa disso, mas me segurei por educação.

— Você deixa eles usarem a tomada de graça? – indaguei pra quebrar o gelo.

— Não, eu cobro duas libras. Mas, e aí, é só isso mesmo? – ela repetiu a mesma pergunta de antes.

— É, só isso – eu respondi e ela registrou em uns dez segundos a caixa de absorventes e me deu a nota fiscal.

— Boa viagem. Aliás, você vai pra onde?

— Estados Unidos – respondi, indiferente. Eu só queria sair dali e ir comer um bolinho na cafeteria.

— Sério? Que legal! Eu vou fazer uma faculdade lá, mês que vem eu vou.

— Faculdade onde? – perguntei, repentinamente interessada.

— Nova York!

— Eu também! Vou pra Columbia, e você?

— Ah, nada tão chique ou caro assim. Mas NYU.

— Lá é incrível também, parabéns. Nos vemos mês que vem, então, hum, Burns. – falei, animada.

— Luna. Luna Burns.

— Annabeth. Annabeth Chase. – rebati sorrindo e acenei como um tchau e saí da farmácia. Estava feliz, eu teria alguém pra ficar na faculdade desde já, além de ter a chance de fazer amizade com as minhas colegas de quarto. Não sei ao certo, mas ouvi falarem que deixam muitas meninas no mesmo quarto. Ou seja, talvez muitas amizades. Pena que não sou muito social. Não sou do estilo povão, na verdade.

Também não sou extremamente antissocial, tive meus amigos e namorados, mas não sou o tipo de pessoa que você pode contar pra ser popular e sair pra uma festa animada todo fim de semana. Não mesmo. Prefiro a companhia dos meus livros, DVDs, seriados e CDs.

Entrei na cafeteria e me deixei levar ao balcão apenas pelo cheiro delicioso que ainda emanava do lugar. O atendente era bem bonitinho, ao que eu tenha notado. Entrei na fila e vi nos quadros colados nas paredes que era um lugarzinho bem caro pro meu gosto. Não que eu nunca tivesse ido ao Starbucks e não tivesse noção dos preços altos, mas tudo de aeroporto consegue ser ainda mais caro. Mas se tinha esse cheiro, o gosto devia ser ainda melhor, portanto concluí que valia a pena. Bem de repente, bem de repente mesmo, surgiu uma figura de trás de mim.

— Oi – pensei que era um daqueles velhos que tentam puxar conversa na fila das coisas, mas não. Virei pra trás pensando em ser educadinha e responder oi também, mas me virei e me deparei com uma pessoa completamente diferente do que eu imaginava.

Era um cara. Um cara muito bonito, com a pele alva e os cabelos escuros. Os olhos eram escuros também, mas tinha um toque esverdeado que o deixava inigualável. Seu sorriso muito bonito, mas tinha resquícios de malícia e ele tinha um furo no queixo e covinhas bonitinhas. Eu poderia dizer que seus lábios eram bem beijáveis. Não fazia o tipo fortão, era bem magro e usava uma blusa polo azul e jeans escuros comuns, além de um tênis all star preto.

Meu Deus, o cara tinha um rosto bonito. Bonito mesmo. Era um cara bonito. Um cara realmente bonito. Bonito. Notavelmente bonito até onde meus olhos podiam enxergar.

O típico cara do aeroporto que fala oi pra menina loira e descabelada na fila do cafezinho.

É, isso acontece todo dia. Oh, olá, Ironia, você por aqui?

— Oi. E aí? – eu devia estar com uma cara meio estranha, porque ele riu.

— Percy – ele estendeu a mão como num gesto de cumprimento, como se quisesse que eu a apertasse de volta e eu a apertei e dei um sorriso pequeno.

— Annabeth. Annabeth Chase. – repeti o mesmo ritual que fiz com a farmacêutica e notei que estava tendo bem mais facilidade de fazer amizades em meia hora em um aeroporto do que em três anos de ensino médio. Duas amizades num só dia (se eu podia chamar aqueles dois desconhecidos de amigos só porque eles me cumprimentaram) era um recorde pra mim.

— Annabeth é legal – comentou e não pude deixar de reparar que o sotaque dele não era britânico, e sim americano.

— Valeu. Você não é inglês, né? – perguntei com a sobrancelha arqueada.

— Você me pegou! – ele respondeu, rindo – Vim visitar meus avós antes de ir pra faculdade, sabe como é. Terminei a escola no ano passado, sou americano.

— E já vai pra faculdade esse ano?

— É – ficamos meio sem assunto e o clima ficou tenso, mas o balconista gatão quebrou o gelo por um de nós, alertando que era minha vez.

— Hã... – só então eu percebi que havia me fodido totalmente ao conversar com o tal Percy ao invés de decidir o que iria comer. Pedi um dos pratos de salgados baratos que pareciam bons e um cappuccino que era um pouco caro, mas parecia valer a pena. – Um prato daqueles – disse apontando – e um cappuccino daqueles.

— Vai esperar aqui ou vai pra uma mesa?

— Eu espero aqui mesmo – sorri forçado.

— Certo – ele disse simpático e sorriu e eu retribuí o sorriso.

— Ele pareceu gostar bastante de você – Percy se manifestou meio brincalhão quando o atendente tinha ido mandar fazerem meu pedido na cozinha.

— Não, ele só sorriu pra mim. – me defendi e fiz ele revirar os olhos.

— Esquece. – fiquei meio envergonhada, decidindo só esperar e não puxar mais assunto com aquele cara – Ah, a propósito, meu sobrenome é Jackson.

— Uhum, Jackson – disse tentando soar indiferente mas minha voz saiu até meio que animada. Eu não tenho controle das minhas cordas vocais, chega de viver.

— Quer o que? – o balconista voltou e começou a anotar o pedido do Jackson.

Jackson... É, Jackson é um sobrenome legal. Ele começou a dizer o que queria e escolheu umas coisas bem carinhas ao meu ver (o que é estranho, porque não é um cara que parecia ter muito dinheiro. Não que ele parecesse sujo ou fosse mal-vestido, mas também não parecia sofisticado) e com nomes difíceis de falar, mas que ele falava com estranha facilidade.

— Senhorita, – o balconista bonitinho dirigiu a palavra à mim dessa vez – seu pedido está aqui. – me afastei do balcão com minha comida, indo me sentar numa mesa. Por no máximo uns dez segundos, um pensamento sobre o que o tal de Percy havia me falado, sendo sarcástico sobre a simpatia do atendente comigo passou correndo pela minha mente. Tratei logo de apagar qualquer resquício das palavras daquele garoto da minha mente. Ele até parecia legal, mas eu o havia conhecido hoje e não poderia deixá-lo tomar conta de qualquer parte cerebral pertencente a mim.

Porque todos deveriam saber o quanto a adorável Annabeth Chase (mais conhecida como a adorável eu) se apaixona fácil.

Até mesmo pelo cara do café no aeroporto.

Fitei o relógio na parede enquanto tomava um gole grande do cappuccino. Eram onze e trinta e oito, eu tinha que me apressar um pouco, porque já deviam ter liberado pra entrar na sala do embarque. Quando estava quase terminando, o Jackson chegou com seu pedido em mãos. Era mais bonito, aparentemente mais suculento e vezes mais caro que o meu, e isso era bem perceptível. Isso devia ser pra deixar as pessoas que compram pedidos simples envergonhadas em relação às pessoas que compravam coisas mais caras.

Posso sentar aqui?

Por que não? respondi, dando os ombros. Ele sorriu com meu ato, não sei por que.

E aí... Tá na faculdade já ou ainda não? ele iniciou uma conversa.

Vou viajar pros Estados Unidos. Vou fazer faculdade em Nova York.

Sério? Eu moro em Manhattan. ele estava sorrindo e eu assenti, e parecia mesmo feliz. Era do tipo de cara meio bobo, mas isso, estranhamente, me fazia achá-lo mais bonito.

Olhei pro relógio apreensiva, já havia dado minha hora.

Eu já terminei de comer, meu avião sai daqui à quinze minutos. Então, Percy, nos vemos lá então, certo?

Certo. ele respondeu, assentindo e eu fui pagar a conta, deixando a bandeja de vidro verde transparente lá, com um prato com migalhas, um guardanapo meio sujo e um copo vazio. Paguei e saí da cafeteria, mas antes acenei pro Percy e ele acenou de volta, sorrindo. Na verdade, não houve um momento que esse garoto não estava sorrindo desde que conheci ele, que tinha sido por vinte minutos. Ele estava sorrindo até mesmo quando disse que o balconista me cantou, por mais que tenha parecido um sorriso mais desconfortável.

•••

Andei em passos rápidos até onde tinha deixado meu pai e ele ainda estava lá, de cara feia e com a feição sonolenta.

Finalmente, hein? seu tom era rabugento.

Fui na farmácia antes e depois fui na cafeteria, meu pedido demorou um pouco pra chegar. disse verdades, omitindo o fato de ter ficado de papo com a farmacêutica e o cara que conheci no café.

Deve ter ficado conversando com alguém. a cara dele estava completamente amarrada e ele me olhava torto.

Adivinhão.

Esquece isso. Vamos pro embarque, já liberaram?

Já liberaram HÁ VINTE MINUTOS. bom, podemos dizer que ele deu ênfase no há vinte minutos.

•••

Entrei no avião depois de levar as malas pra aquele check-up pra ver se tínhamos armas ou drogas. Depois de uma meia hora (maldito avião, até o ônibus é mais pontual), decolou.

Não antes, claro, de uma despedida bem emocional com meu pai. Mais emocional do que eu esperava. Ele não chegou a chorar, mas me olhava com um olhar bem sentimental e falou várias palavras de encorajamento e do quanto ele estava orgulhoso.

Eu tinha um pouco de medo de altura e evitei olhar pra janela. Fechei os olhos e fiquei pensando em tudo: na minha família, na minha casa, na vida que eu estava deixando pra trás pra recomeçar tudo, na feição triste do meu pai quando eu entrava no avião, na tristeza da minha mãe quando saí de casa, naquela Luna que parecia bem simpática, nas amizades que poderia fazer na nova faculdade, poderia arranjar um novo namorado... E por algum motivo desconhecido, ao pensar em namorado, meu cérebro logo associou isso a imagem daquele garoto da cafeteria, o tal Jackson. Balancei a cabeça com o pensamento. Não. Não mesmo, ele não combinava comigo.

Ah, e é claro: se você acha que eu tirei a sorte grande e consegui um cara lindo e maravilhoso do meu lado, errou. Uma velhinha com o rosto simpático lia um romance da Jane Austen calmamente, ajeitando seus óculos quase toda hora.

Tomei coragem pra olhar pela pequena janelinha e pensei a mesma coisa que pensei quando vi minhas malas no pé da escada: eu ia mesmo para a América. Para os Estados Unidos. Para a grande Manhattan. Eu ia cursar uma faculdade, ia construir uma nova vida. Eu ia tentar reconstruir à mim mesma.

***

Notas finais
meio broxante? só talvez. o percy tá igual ((MELHOR PERSONAGEM)), só que eu botei ele pálido ao invés de bronzeado pra ele combinar perfeitamente com o ator que eu escolhi pra ele. que no caso, é o dylan o'brien. sei que muita gente vai achar ruim, mas o logan lerman também tem a pele clara e interpretou o percyzinho nos filmes (bronzeado, segundo os livros) independente disso. mas vamos encarar a realidade e nos posicionar de acordo com os fatos. essa é a realidade, estes são os fatos. desculpem novamente pela demora e vou adiantar o próximo. ah, o lance do "músicas toscas com a palavra baby" e tal foi retirado de "perks of being a wallflower". sobre a farmácia, altru não é um nome que eu inventei, eu pesquisei as farmácias inglesas e vi que essa altru é uma farmácia comum no reino unido. xoxo see you