Você bebeu sua primeira dose aos doze anos.Tinha gosto de gasolina e fazia sua cabeça girar. Brian, que tinha dezesseis na época, riu e te deu um tapinha nas costas. Você gostava dele porque ele tinha um piercing no nariz, cabelo comprido e tocava guitarra. Ele disse que gostava de você porque você o escutava. Então, se Brian quisesse que você tomasse mais uma dose, bem, porra, você ia tomar mais uma dose. Quando você acordou na manhã seguinte, você sentiu seu estômago revirar e a sua cabeça doía. Com treze anos, você fumou seu primeiro cigarro. Tinha gosto de cinzas e te deixou um pouco sem ar. Brian, que tinha dezessete na época, riu e te deu um tapinha nas costas. Você gostava de dormir na casa dele porque tinha um cheiro de baunilha no ar e uma cama extra no quarto de Brian pela qual você nunca pedira. Ele disse que gostava de te ter em casa porque você mantinha a solidão longe dali. Então, se Brian te oferecesse um cigarro atrás do outro, você os aceitaria. Sua mãe te bateu até deixar marcas quando sentiu o cheiro da fumaça nas suas roupas. Você experimentou maconha com catorze anos. Tinha o mesmo gosto que o cheiro de tinta e te fez tossir até seu peito doer. Brian, que tinha dezoito na época, riu e te deu um tapinha nas costas. Você gostava dele porque ele deixou você tragar a fumaça direto da boca dele após a sua primeira tentativa porque assim era mais fácil. Ele disse que gostava de você porque você era gostoso. Então, se Brian continuasse pressionando os lábios nos seus, para soprar fumaça na sua boca, você aceitaria até que isso te matasse. Você ficou vomitando pelo que pareceram horas na manhã seguinte. Você transou pela primeira vez aos quinze anos. Você podia sentir o gosto de suor na sua língua, sua respiração estava quase parando. Brian, que tinha dezenove na época, estava ocupado demais para rir. Você o amava porque ele sorria para você de um jeito que ninguém mais fazia, e te beijava como se você fosse a única pessoa no mundo. Ele disse que te amava porque você era a única pessoa que nunca tentara mudá-lo. Então, se Brian quisesse te empurrar em seu sofá velho e fazer coisas pervertidas com você até que a noite acabasse, quem era você para impedi-lo? Você acordou com a cabeça no peito dele, ainda nu da cintura pra cima. Seu coração foi despedaçado pela primeira vez aos dezesseis anos. Parecia que você estava morrendo e te deixou irritado por mais tempo do que seria saudável. Brian, que tinha vinte na época, desviou o olhar e disse adeus. Você o odiava porque ele tinha feito você amá-lo mais do que a própria vida. Ele te disse que não podia te amar porque você era novo pra caramba. Então, se Brian fosse embora, você teria que deixá-lo. Você chorava antes de dormir por três semanas. Você foi a um bar aos dezessete anos. Tinha cheiro de madeira podre e fez seu estômago girar um pouco. Brian, que tinha vinte e um na época, estava sentado em um banco, sua cabeça abaixada para o bar. Você lembrava dele pelo que ele havia sido, e teve pena. Ele te disse mais tarde que você o salvara naquela noite. Então, se brian te implorasse para aceitá-lo de volta, o que mais você poderia fazer? Você dormiu na cama dele com ele naquela noite, a primeira depois de um ano. Você foi embora da casa dos seus pais quando tinha dezoito anos. Parecia liberdade, e você não sabia ao certo se aquilo era uma boa coisa de se sentir ou não. Brian, que tinha vinte e dois na época, te abraçou quando a última caixa de mudança foi esvaziada. Você amava aquilo, porque era seu e dele. Ele disse que amava aquilo porque você estava lá para manter a solidão longe, como você esteve anos atrás. Você acordou com o cheiro de café-da-manhã sendo cozinhado na sua cozinha, com Brian te esperando logo ali no canto.
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