Yaoi?
1 Uma simples palavra é o suficiente
Notas iniciais

Essa história começa com nosso querido e amado Endou Mamoru, o goleiro mais foda de todo o Universo. Queira me desculpa caro leitor, porém essa é a palavra perfeita para descrevê-lo. Você sabe como ele é, certo? O cara praticamente é um gênio invertido. Quando menos se espera, Endou fala ou faz uma coisa totalmente inédita, inesperada e imprevisível, e apesar de ser inocentemente idiota, consegue ser o fodão de qualquer jeito. Mas isso não importa.
Você já sabe disso, apenas escrevi esse parágrafo desnecessário para a história não ser pequena. Problem? Muita gente faz isso, mas eu, pelo menos estou admitindo.
Enfim, Endou andava, não, na verdade ele marchava excessivamente alegre pelas ruas de Inazuma, rumo à sua casa, pois acabara de sair do treino. Ele teria ficado mais tempo treinando, se seus amigos não o tivessem expulsado do campo de tão cansados. Mesmo assim, o fanático os obrigava a continuar jogando. Até porque o cara é uma super máquina de futebol.
Mamoru cantarolava alegremente a segunda abertura de Inazuma Eleven, Maji de Kansha!¹ Por onde passava rachava todos os vidros possíveis com sua autêntica voz.
— Shan ran ran ran Shan ran ran ran Shan ran ran ran Shan ran ran ran ran... Riiyo! Shan ran ran ran Shan ran ran ran... Gamusharara!
— Para de gritar seu maluco! — Um vizinho grita.
— Meus miolos vão estourar! — Outro reclama.
— Chamem a polícia! Ou melhor, um hospício.
— Minna-san, animem-se! O futebol está feliz! — Endou responde a eles.
— Futebol vai concertar os pratos que você me fez o favor de quebrar?! — Uma vizinha esbraveja furiosíssima.
— Ahn... Não, mas faz você de divertir!
— Grr... Ora seu! — A mulher corre atrás de Endou com uma panela de pressão.
Porém, mesmo depois de estar com um galo, ele não parou de cantar, perturbando a paz alheia e claro, acompanhado de sua inseparável waifu², digo, sua bola de futebol.
— Maji de Kanshaaaa!
*Crack*
— Ah! Mamoru! Quantas vezes tenho que dizer para não cantar! — Endou Atsuko³, a mãe de Mamoru o repreende depois de ter seus óculos de leitura estilhaçados. — Já pro seu quarto! — O garoto faz bico e obedece à ordem contragosto. — Se você der mais um piu...
— Maji de... — Ele murmura pirraçando, um sorriso travesso contorna lhe o rosto. A mãe, dirige um olhar ameaçador, que o cala.
Endou sobe as escadas fechando-a em seguida. Ela, dando um suspiro aliviado, recomeça a leitura. Um clima de paz e serenidade reinou tranquilamente no cômodo. Até ser quebrado por seu filho maluco, o qual abre a porta repente, sem aviso algum.
— KANSHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!
Mamoru berra com todo o ar que tinha em seus pulmões, se trancando no quarto causando o maior estrondo ao bater a porta propositalmente. A coitada da mãe, salta de susto e cai do sofá, o coração a mil. Depois da surpresa, a raiva a domina.
— MAMORU! QUER ME INFARTAR?!
...
O traseiro de Endou ardia por culpa da surra que levou. Um pequeno inchaço era visível, mas não deixava de ser ridículo, entretanto a dor não importava. Apenas o fato de que sua amada waifu branca e preta fora confiscada pela mãe, além de que ela o proibira de falar e sequer pensar em futebol durante o resto da noite, o atormentava.
Agora, meu caro leitor, quero lhe perguntar, você consegue imaginar Endou Mamoru sem ao menos a palavra futebol no meio? Eu respondo não! Para alguém que praticamente se sustenta do esporte, Endou já estava prestes a amarrar uma corda no pescoço e se suicidar. Andava de um lado para o outro dentro de seu quarto ao mesmo tempo hiperventilando.
— Mamoru, meu filho. — Atsuko o chama, aparecendo na porta após destrancá-la. Tinha uma gota na cabeça ao ver o filho rolar no chão, se contorcendo desesperado como se tivesse quebrado um osso.
— Futebol? Bola? — Ele questiona parecendo não saber outras palavras.
— Você precisa parar de ser tão fanático por futebol... — Atsuko começa um sermão.
— Não futebol? Não bola?
— Não. Há muitas outras coisas divertidas nessa vida. O universo é infinito, sem limites, não precisa se prender a isso.
— O futebol por exemplo, quando jogo, viajo pelo espaço. — Endou confessa sonhador.
— Você pode explorar tudo e descobrir algo novo, pessoas novas! Já pensou?
— É... É! Tem razão mãe! — Endou concorda. Atsuko abre um imenso sorriso, se surpreendendo por conseguir colocar um pouco de juízo nele.
— Que bom que compreendeu meu fi...
— Posso conhecer mais pessoas pra jogar futebol! — Endou a interrompe.
— Desisto! — Ela joga as mãos para o alto se rendendo.
— Mãe, eu sei que o futebol é incrível e que podemos viajar pelo mundo e universo através dele... Mas quando vai devolver minha bola?
— Mamoru! Se falar futebol ou qualquer palavra relacionada à esse assunto, vou enfiar uma bola no seu... — A mãe se controla para não pronunciar um nome digamos, desagradável que tem duas letras.
— Você disse bola? E futebol? — Endou indaga com os olhos brilhando. Sua mãe avança em cima dele perdendo a linha.
E assim, esse é o fim trágico do pobre Endou Mamoru, o maior goleiro e jogador de futebol, que fora morto por uma bola enfiada em seu ânus...
BRINCADEIRA! Pegadinha do malandro! — Apanha — É claro que eu não iria fazer isso, afinal o título é Yaoi e o motivo disto ainda não foi esclarecido, portanto devemos seguir em frente. Até porque não é possível seguir para trás, a não ser que tenhamos uma máquina de voltar no tempo, mas não é o caso — Apanha de novo. -
...
Endou Mamoru abre os olhos, deparando-se com o teto de seu dormitório. A visão meio turva e uma ligeira sensação de tontura perturba sua cabeça. Tudo o que conseguia lembrar é a cena de sua mãe dando-lhe uma forte pancada e logo após perder a consciência.
Ele se levanta, ligando seu computador. Não poderia ir contra a ordem dela, mas também não iria ficar olhando o teto. Sendo assim, nada mais, nada menos que usar a internet, afinal há tanta coisa a se ver na web, como por exemplo, ouvir música; assistir vídeos; acessar redes sociais; ler; etc.
Mas o goleiro, simplesmente optou por digitar um monte de baboseiras e palavras aleatórias no Google e apertou Enter vendo no que dava. O passatempo se tornara entediante. Contudo, quando Endou decidiu colocar seu nome, algo inesperado acontece, que lhe causou no mínimo, um estranhamento.
Imagens, mas não simples imagens. Elas mostravam Endou e Kazemaru juntos em posições... Ahn... Safadas. Em outras, eles beijavam, se abraçavam ou faziam algo romântico. Enfim, a maioria insinuava romance entre ambos. Endou ficou chocado. Como aquilo é possível? Quem havia feito essas fotos? E por quê? Ele clica em uma delas procurando as respostas de suas perguntas e se depara com um site bem estranho a seu ver.
— Fanfics? Que diabos é fanfics?
Pesquisando o assunto mais a fundo, Endou aprende que fanfic é um termo para designar histórias fictícias, ou seja, feitas por fãs e aquela foto é somente a capa de uma das milhares histórias ali. O goleiro, estafado pelas novas informações, ficou tentado a ler a fic, a qual falava sobre ele e o melhor amigo, mas... Ao mesmo tempo a curiosidade dá lugar ao medo. Já não bastava ver as fotos, o que poderia conter no texto?
Endou suspira, por fim tomando uma decisão. Com um clique abre a fic e lê o primeiro capítulo. Mal sabia o fanático o que iria encontrar naquele site. Não somente coisas sobre ele, mas também sobre todos os outros amigos.
— Eh? — Ele exclama ao ler os primeiros parágrafos. — Eh?! — Os berros aumentavam, a medida que Endou continua. — EHHHHHHHHH?!
O grito de Endou Mamoru ecoa por todo o Japão, quase causando um maremoto. Depois do que viu na internet, o pobre amante do futebol não conseguiu dormir aquela noite, pois estava traumatizado psicologicamente.
...
No outro dia, o Inazuma Japan treinava arduamente no campo. Todos se encontravam lá com exceção justamente de alguém MUITO importante.
— O capitão está atrasado... — Kabeyama lamenta em tom preocupado. — Ele sempre chega à tempo para o treino da manhã.
— Talvez ele venha mais tarde. — Aki tenta reconfortá-lo.
— Isso é bem esquisito, espero que não tenha acontecido algo com Endou. — Kazemaru diz também se preocupando.
— Por que está falando isso, Kazemaru? — Aki o indaga.
— Nada. — Ele responde, mas na verdade era por causa do berro altíssimo que ouviu na madrugada de ontem. Somente o azulado é capaz de distinguir perfeitamente à quem pertencia a voz. E como Endou não apareceu, isso só fez aumentar a aflição de Kazemaru.
Enquanto os jogadores descansavam, bebiam água, etc. Camuflado atrás de uma árvore, Endou se escondia desesperadamente. Pela primeira vez em toda a sua vida, não conseguia jogar futebol, por mais que estivesse morrendo de vontade. Depois do que presenciou na noite passada, era impossível olhar seus amigos sem relembrar. E digamos que Endou agora, possuía os olhos de uma fujoshi. Ou fundanshi em masculino.
— Endou? — Ele vira ao ouvir seu nome, dando de cara com o rosto de Kazemaru bem próximo do dele.
— Kya! — Endou grita, se afastando abruptamente e logo leva as mãos à boca, pois tinha berrado feito uma garota de anime.
— Está tudo bem? Por que faltou ao treino? — Kazemaru estranha um pouco o ato ficando com uma gota gigante na cabeça.
— S-s-sim, estou e... Eu me... Atrasei! Ontem, comi sushi estragado e acordei com muita diarreia. Fiquei preso no banheiro por uma hora. — O goleiro mente descaradamente, dando uma desculpa nojenta.
— Sério? Foi isso mesmo? — O azulado questiona com uma careta por ouvir aquilo. Endou afirma fazendo-o suspirar de alívio. — Que bom... Endou, eu estava tão preocupado com você!
— Ah! — Mamoru exclama assustado, Kazemaru disse isso de uma maneira imensamente fofa. O tom de voz dele saíra agradavelmente, os olhos brilharam de honestidade e a expressão era kawaii. Endou chacoalha a cabeça tratando de se livrar desses pensamentos. Nunca enxergara o amigo dessa forma. O que havia acontecido?
— O que houve? — O azulado pergunta surpreso com a reação dele.
— N-não! Não chegue perto de mim! — Endou desata a correr em velocidade sônica sem motivo, razão ou circunstância.
...
— Droga, droga, droga! — Endou socava uma pobre árvore descontando a raiva. Por que eu tinha que ver aquilo?
"Porque eu mando na fic e eu decido tudo."
— Mas por que logo eu? Podia ser qualquer outro personagem!
"Devia estar orgulhoso de ser o protagonista. Te escolhi como cobaia porque você é doido e engraçado. Perfeito para o papel."
— Pois então, eu renuncio o papel!
"Tarde demais. Continuando..."
— Ei espera aí!
Depois de se acalmar, Endou avista duas pessoas em outra árvore próxima dali. Caminhando mais perto para checar, ele enxerga uma cabeleira ruiva e outra verde, assim descobre que se trata de Hiroto e Midorikawa. Ambos se beijavam loucamente.
— Como é?
"O que está fazendo parado? Vá logo! Siga o script!"
— Não! Eu não vou falar com aqueles malucos! E não pode me obrigar.
"Jura? Sabe de nada, inocente! — A autora empurra Endou com uma força invisível e sobrenatural."
— Ei, ei, ei! — Endou reclama, mas chega cada vez mais perto do casal gay, até literalmente esbarrar neles. — Você ainda me paga Dark Lieutnight!
— Capitão?! — Exclama Midorikawa, assustado por ser flagrado.
— Endou-kun! — Dessa vez fala Hiroto tendo a mesma reação.
— Não é o que está pensando.
— Já saquei tudo, podem continuar com o Lemon.
— Espera, você sabe o que é Yaoi? — Hiroto indaga, surpreso por essa palavra sair da boca do goleiro.
— Vocês sabem? — Endou rebate com outra questão.
— Claro, assim como todo mundo. — O ruivo responde indiferente.
— Co-como as pessoas conseguem viver normalmente depois de conhecerem isso? — O goleiro estava abismado com a nova informação.
— E por que não? É absolutamente normal. — Midorikawa justifica.
— Porque as fujoshis são loucas! Veem Yaoi em tudo e formam casais onde não tem! — Endou discorda. — Elas dizem coisas como: O Yaoi vai dominar o mundo! Isso não faz sentido. Se isso acontecer, elas vão ficar solteiras, ou ter que virar lésbicas.
— Por isso está fugindo de todos? — Midorikawa torna a perguntar com uma sobrancelha arqueada. Endou afirma.
— Endou-kun, o que você falou não tem nada a ver. — Hiroto argumenta. — Só porque gosta de Yaoi, não significa que é gay.
— Eu nunca disse que gostava. — Ele se defende. — Mas, isso é verdade?
— Claro. Caso contrário, todas as fujoshis seriam lésbicas e os fundanshis, gays.
— Oh. — Endou murmura, ao mesmo tempo que refletia sobre o assunto.
— Agora... Vejo que está mais aliviado Endou-kun. — Hiroto passa o braço em volta dos ombros de Mamoru, que desconfia do ato. — Sendo assim, que tal participar das nossas brincadeiras? Garanto que será mais divertido à três. — A última parte tinha claramente malícia envolvida e Endou sacou isso, mas antes que fizesse algo, Midorikawa repreende o ruivo com um tapa e sai bufando de raiva.
Hiroto corre atrás dele desesperado, com a marca de uma mão estampada em sua pele anormalmente branca. Ele implorava por perdão. Endou assistiu toda a cena com uma gota enorme na cabeça.
— Eles agem do mesmo jeito que as fujoshis descrevem.
...
As aulas se encerram e os alunos se retiram. Endou, sentindo-se mais seguro para olhar na cara de seus amigos, treina como de costume. O único fato que o incomodou era Kazemaru, que praticamente o comia com os olhos.
Ao término, Endou caminhava rumo à sua moradia, completamente cansado e desanimado. Fora um dia louco e estranho, digo, nada fora do normal na vida da Raimon na cidade de Inazuma. Porém, hoje o pobre Endou Mamoru presenciou coisas que jamais imaginaria. Quando ele pensava que finalmente poderia ir para casa e dormir abraçadinho com sua amada bola de futebol, sonhar em se casar com ela num estádio e ter filhinhos com manchas brancas e pretas pentagonais, algo inesperado ocorre. Mal sabia ele que seria somente o começo da noite.
— Mas o quê? WTF*?! — O goleiro berra ao abrir a porta da residência e se deparar com Kazemaru, vestido com uma camisola de cor azul bebê, rendada e super feminina. Os cabelos soltos e uma pose provocante, junto de um olhar sexy. Endou não sabia se corria, gritava, ou se dava risada, mas ele apenas ficou paralisado. — K-kazemaru?! O que faz aqui? Por que está vestido assim? E como chegou aqui antes de mim?
— Nada disso importa! — O azulado o puxa para o lado de dentro. Fechando a porta, encurrala Endou e o beija, já introduzindo sua língua. Endou o empurra chocado.
— Tá maluco?!
— Não adianta esconder, eu já sei de tudo!
— Como é? Saber o quê?
— Hiroto me falou, não sabia que gostava de fazer Yaoi. — Ao ouvir isso, Endou se estapeia. Ia acertar as contas com o ruivo depois. — Ah, meu Mamoru... Se soubesse o quanto eu quero você... Faz tanto tempo... — Kazemaru diz manhosamente. Endou apenas tremia de medo. A conversa não tomava um rumo agradável.
Antes de poder protestar, Kazemaru o algema e puxa o goleiro até o quarto do mesmo. A waifu de Endou cai, indo para longe.
— AH! Minha bola! — Mamoru se desespera. — Mãe! Pai! Socorro!
— Eles não estão aqui para nos atrapalhar, amor. — Kazemaru o arrasta com mais força.
— Não, não, não! Dark, me ajude, prometo fazer tudo o que quiser!
"Não olha pra mim, isso não tá nos meus planos, muito menos no meu script. Saiu do meu controle..."
— Nani?! Não! — A porta é fechada.
"Gomenasai."
...
— AHHHHHHHHHHHH! — Endou Mamoru desperta berrando e suando frio. — F-foi... Foi só um sonho. — Ele estava prestes a suspirar de alívio, quando alguém entra.
— Ohayou, meu jogador. — Kazemaru com a camisola de antes, surge carregando uma bandeja de comida.
Quando Endou iria gritar novamente, sentiu algo incômodo em sua calça, ao checar percebe seu membro ereto.
— EHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH?!
O Japão todo treme... De novo.
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