Yans Tales
6 Capítulo 5 - Paul, o Dungeon Digger
Estava anoitecendo e, portanto, novamente, não poderia ia à floresta de Windest; andamos um pouco mais e encontramos uma pequena caverna, mal ou bem, era um lugar para se passar a noite.
Andamos um pouco e, surpreendentemente, encontramos um quarto improvisado. Quatro camas de madeira forradas com palha, as paredes forradas de madeira e uma pequena tocha presa à parede. Lory se aconchegou em uma cama e eu coloquei o ovo na mesma cama que Lory, que se enrolou em volta do ovo quase que como um encaixe perfeito, para ovos, em forma de dragão, um pequeno dragão vermelho e exausto. Logo ele dormiu.
Pus minhas coisas no chão de uma forma que pudesse ficar próximo a mim, caso alguém (o dono do “quarto”) chegasse. Deitei-me e ajeitei a palha sob minha cabeça.
– Não deitaria aí se fosse você.
Droga, pensei, justo quando ia descansar.
Embebedado de sono apenas levantei a cabeça, mas pude notar a silhueta em frente à porta do “quarto”.
– Diga o seu nome ou então simplesmente tenha a última noite de sono da tua vida. – era uma voz jovem, mas que sabia o que dizer.
– Erh… meu nome é Yan, Yan Meltice.
– Yan Meltice… não, nunca ouvi falar. Meu nome é Paul, Paul Lorrance, mas, como disse antes, acho melhor você sair desse “Dunroom” agora mesmo.
– Dun o que?
– Dunroom, anda, levanta e trás seu dragão também, vamos pra minha base.
Levantei cambaleante, peguei minhas coisas, agarrei Lory num braço, o ovo no outro e segui Paul, andamos alguns metros e…
– Bem, como ia dizer anteriormente, Dunroom, é um termo utilizado na minha área de trabalho para aqueles quartos de armadilha que você estava.
– Área de trabalho? Armadilha? O que, raios, você faz?
– Yan, tudo bem que eu saiba que você num tem muita coisa na cabeça, mas até um Bíclope sabe os termos básicos usados por um DD.
– Lory, cala a boca, você é um Dungeon Digger?
– O melhor da área. Pronto, chegamos.
Sim, chegamos, era uma enorme e simples… parede vazia.
– Chegamos?
Paul olhou para mim com um sorriso de deboche na cara. Estendeu a mão, retirou uma pedra e disse: Nòphum Segnia.
– Ok Paul, sei que é você.
– Silenna, não seja por isso, temos visitas.
– Sério? – a parede inteira se levantou e lá estava, uma mini-dragão azul-escuro e dourado, voando em direção à Paul. Ela olhou para Lory. – E quem é a lagartixa?
– Lory, mi lady, sou o mini-dragão de Yan Meltice –ele apontou para mim.
– Silenna a mini-dragão de Paul Lorrance.
– Pois bem Paul – interrompi Silena – para que está na área?
– Na verdade, eu sou de Lagunasun, do outro lado das planícies. Me mandaram aqui para levar especiarias que só encontramos aqui, próximo à Windest. E estou surpreso com a quantidade de monstros novos que encontrei. Bíclopes, Gig’oblins, Aranices…
– Aranices? Gig’oblins?
– Aranices – Lory rodeou minha cabeça –Aranhas maiores que cavalos e que conseguem cuspir gelo.
– E Gig’oblins – Parecia-me que Silenna e Lory competiam pela atenção – são Goblins poderosos, fortes e muito maiores que Aranices.
Um barulho alto veio da porta-secreta, era um barulho parecido com água corrente batendo em pedras, um líquido roxo começou a passar por todas as fendas da porta, quando se encontravam em grande quantidade tomavam forma, uma geleia de monstro.
– JELLAWAR!!! – exclamamos todos juntos, eu estava sem energia para lutar, e ao tentar usar uma magia caí para trás de exaustão, não tinha forças para manter meus olhos abertos, a última visão que tive naquela ocasião foi a de Paul empunhar um enorme “não-sei-o-que” e bater no Jellawar.
…
Acordei no outro dia deitado numa cama, havia uma gosma roxa espalhada por todo o lado.
– Ai, minha cabeça.
– Oh querido, descanse um pouco mais.
– Não Silenna, eu já estou bem, é só que… cadê o Paul e o Lory?
– Temos que comer alguma coisa, não acha querido? Eles foram caçar Javalis-da-caverna, são ótimas fontes de proteína e ferro.
– Nòphum Segnia.
– Pode entrar Paul, conseguiram?
– Sim, conseguimos um Javali, um Gig’oblin, três Jellawar, creio que só.
– Já é um começo – disse Silenna.
…
Algum tempo depois, não muito na verdade, percebi que Lory e Silenna conversavam, sei que, para você que está lendo isso, não é muito importante, mas eu sinto a necessidade de adicionar à história.
…
– Lory, é um pouco estranho, mas você é… diferente.
– Diferente Silenna?
– Ah, você me entende, um “mini-dragão” preso em um castelo, esse mini-dragão é macho e é parceiro de um garoto e eu sinto algo… diferente em você.
– Silenna, aquiete-se, por favor.
– Isso não vai durar muito Lory, você conhece a TUA profecia.
– E tua verdadeira forma será extinta até que sua prisão se torne poderosa o bastante para destruir àquele que traiu sua confiança. A alma do dragão será teu pesadelo, este é seu estino. O mundo é pequeno para dois poderosos, Pela lâmina de um, o outro cairá, A Alma sugada pelo fim da dor, O herói, O rei, O dragão e o mundo.
– Você vai fazer algo do tipo?
– Se tiver uma ajuda…
– Soou-me como um convite.
Tá bem, vou voltar à história que realmente interessa.
Eu e Lory tínhamos que salvar o reino do rei Colossos, como, raios, ele foi parar no poder? Eu não sei. Como, raios, ele destituiu o rei vermelho (o pseudônimo do rei Alexander)? eu não sei. Só sabia que ele queria, simplesmente, me matar.
Acordamos cedo no dia seguinte, Paul e Silenna ainda dormiam. Seguimos nosso caminho… nos perdemos… e encontramos um Jellawar vermelho como sangue. Uma gosma tão vermelha que ofuscava os olhos. As raízes no chão estavam se queimando ao redor dele.
– Que é que você pretende fazer? – perguntou-me Lory.
– Lutar, é claro.
Peguei uma pedra qualquer no solo. E risquei um símbolo na parede: २ . Kothakoth, o jato de água crescente. Uma pedra se auto afundou. E do buraco que se formara uma pequena quantidade de água saíra.
– Yan, seja o que é que você tentou fazer, não fincionou.
– Já ouviu a expressão… “lágrimas de pedra”?
– Sim, por quê?
– Você tem o caminho, para uma pedra chorar você só precisa… bater nela. – espalmei minha mão direita e dei um tapa na pedra ao lado.
A terra ao nosso redor começou a tremer, o Jellawar vermelho se aproximava envolto em um círculo de chamas.
Um jato de água inundou o corredor e dissolveu o jellawar, eu e Lory ficamos secos (não me pergunte o porquê).
– Yan… por que, raios, você quer usar uma espada… SE VOCÊ SABE MILHARES DE TRUQUES.
– primeiramente, são magias, m-a-g-i-a-s, e não truques; e, segundo, é uma velha profecia…
– Foi uma pergunta retórica.
Perdemos quase que o dia inteiro tentando encontrar a saída, mas encontramos.
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