Yans Tales
3 Capítulo 2 - Um pequeno problema em Lagunamoon
Nessas palavras que tu lês, estão minhas memórias, hoje, não tenho mais forças para tentar sair dessa prisão em que me encontro. Sem armas, a única coisa que posso fazer é preservar minhas memórias e conhecimentos nessas paredes frias e úmidas, onde não se vê o sol, apenas um singelo feixe de luz, graças a uma pequena fenda aberta por entre as pedras. Falando em escritos nas pedras, fora graças a algumas marcas encravadas em ruínas que me meti nessa prisão. Não vou interromper, mais, meu raciocínio. A continuar…
Atravessamos o portal que havia aberto, saindo no alto de uma colina. Eu e Lory chegamos finalmente à Lagunamoon, um pequeno vilarejo ao norte do castelo em que estivemos presos. Nasci ali, naquela pequena vila camponesa. Avançamos mais um pouco, em direção à ‘meu canto’.
Éramos pobres e, portanto, todos naquele lugar morávamos em casinhas de madeira, improvisadas, mas úteis.
As criações de galinhas eram as mais comuns por entre os habitantes do vilarejo, mas era comum a criação de gado, cavalos, porcos.
– Hey garoto, pega essa galinha.
Essa era a Evlyn, vizinha de nossa cabana. Apesar de baixinha, gritava numa altura que poderia alcançar os céus, ou, ao menos, nos ensurdecer.
Lory, que estava voando alegremente, não voava há tempos, tomou velocidade, em menos de segundos já havia feito o pobre galináceo desmaiar.
– Obrigada, meu rapaz, espere… você não é o filho de Edmond?
– Sim sou eu, mas…
– O EDMOND, SEU FILHO VOLTOU.
Ainda me pergunto, por que disse que era filho de Edmond Meltice, àquela hora.
De uma cabaninha velha, um pouco longe de onde estava, apareceu meu pai, alto, forte, não tão magro, nem tão ‘cheinho’, simplesmente… meu pai; que vinha acompanhado de Dóris, uma mini-dragão maior que Lory.
Ergui meu braço, numa forma de saudação e corri a seu encontro. O abracei, sentia saudades dele.
–Enfim saiu daquele lugar. Demorou muito em minha opinião.
–Pai, eu estive desacordado… e com saudades de você e da Dóris.
–Finalmente falou comigo senhor Yan. – Dóris interveio – Vejo que conseguiu sobreviver sem minha ajuda, enfim cresces… Erh, senhor Yan, quem é seu novo amigo?
– Pai, Dóris, quero que conheçam Lodryx, o mini-dragão que me ajudou naquele lugar. Ele estava preso no castelo também.
Lory começou a fazer uma postura de herói, no ar, o que me deu uma vontade imensa de rir.
– Então, finalmente conseguiu um mini-dragão para te acompanhar, não? – Meu pai me disse com um olhar confortado. – Mas, diga-me filho, o que pensa em fazer agora?
Em verdade, não sabia o que dizer. Mas, pensei comigo e…
– Vou viajar por todos os cantos do país. Fandonya é muito grande, mas conseguirei, eu acho…
Lory começou a gargalhar, e muito alto.
– Esse é seu “grande” plano, Yan?
Minha vontade era de esganar o Lory. Porém, para minha surpresa o chão começara a tremer, e muito.
Meu pai me puxou pelo braço, para dentro de casa. Dóris fez a mesma coisa com Lory.
– Pai, aqui nunca teve terremotos, o que é isso?
– Não são terremotos, são…– o tremor parecia maior a cada instante, mas eles se reforçavam em períodos contínuos, foi então, quando consegui ouvir, eram passos. Mas, quem teria passos tão poderosos? – os Servos do rei Colossos, são os chamados Uguius.
– São criaturas enormes, gigantes; fazem os bíclopes tremerem de medo perto deles. Os Uguius viviam nas montanhas ao norte, perto do vulcão Órion, eles foram presos, no pé do vulcão, pelos Vicors.
Dóris era mais sábia que Lory, isso eu tinha certeza.
–Nossa; quantos nomes…
–Sim, é muito complexo entender a fauna de Fandonya.
Os paços pareciam mais perto e mais altos, o chão tremia muito, foi quando ouvimos uma voz monstruosa.
– Revele-se Yan Meltice, ou terei que destruir a todos nessa vila.
–Pai, eu vou sair. Ele me quer, a mando do rei.
–Não, você não moverá um músculo sequer. Se eles te querem é porque você é um perigo para eles. Eles nunca mandariam um Uguius para seguir um fugitivo.
Ele saiu de casa e Dóris o acompanhou. Ele fechou a porta e, então, ouvi sua voz dizer:
–Eu sou Yan Meltice.
Não acreditava naquilo, meu pai iria preso, por mim… me senti muito envergonhado.
Ia sair de qualquer forma, ele não merecia nada, eu cometi o erro, eu deveria ir. Mas, estava muito silencioso do lado de fora. Ao abrir a porta, vi o porquê do silêncio.
O Uguius estava acompanhado por um Bruxo Azul, do exército do rei. O bruxo, estava realizando umas das magias mais difíceis, para mim; naquela época não sabia fazer um daqueles. Era um PPPP (Portal-Prisão Para Pessoas) de nível 3. Mas aquele, era diferente, era vermelho vivo, não um amarelo pálido.
Meu pai soltou um urro de dor, o portal encolheu em direção à sua cintura. Feixes de luz se fizeram daquele, meu pai só conseguiu olhar para mim e…
A partir daquele momento, eu era órfão, Dóris estava condenada também, se um humano morre, seu mini-dragão tem o mesmo destino. Ela conseguiu chegar perto de mim e disse:
– Você deve derrotar o rei Colossos, cada uma de suas “armas”, vêm de algum lugar de Fandonya, e eles têm algum inimigo natural, faça com que eles trabalhem com você; Realize meu último desejo Yan… – ela começara a se desfazer na minha frente. – Faça Fandoya voltar ao normal e tome Lory como seu mini-dragão permanente.
Dóris desaparecera na minha frente, e eu não pude fazer absolutamente nada para ajudá-la. Fechei a porta.
O Bruxo Azul desceu dos ombros de Uguius e disse com uma voz fina:
– Pode ir “pequeno Lu”, nosso trabalho já está feito, vá embora, eu verei o que consigo nessa cabaninha.
– Ok, “Grande” Krebbs.
Ele abriu um portal e mandou o Uguius embora. Eu, então, preparei algo que, concerteza o surpreenderia. Com a ajuda de Lory, que não falara quase nada durante essa minha passagem por Lagunamoon.
Abrimos um portal para o exílio eterno. E o esperamos abrir a porta:
– Destino, por favor.
– Exílio Eterno.
Foi assim que me tornei órfão. Foi assim que conheci o meu destino. Foi assim que descobri minha missão, derrotar o rei Colossos, conhecer todos os povos que pudessem nos ajudar a detê-lo e então… Vingar a morte de meu pai. É assim que você descobre, o que estou fazendo preso aqui, mas isso é apenas o início de todo o período que chamei de… Pré-Adventure.
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