Yamada - HIATUS
5 Konoha 1/2 - Infância Part 5
Notas iniciais

Emi Yamada
Tou-san me chamou para longe dos carrascos, de novo me confundi, quero dizer subordinados do Kazekage. Ele meteu a mão no estojo que ficava amarrado na parte de trás da cintura, e tirou um cordão vermelho com um pingente do kanji “ai”. O mesmo da testa do Gaara.
— Eu mandei fazer a dois dias. – ele falou, sorrindo nostálgico, por algum motivo – Coloquei um nas coisas do Gaara-kun também, espero que ele veja antes do Kazekage-dono. Se vire.
Me virei e tou san colocou o cordão no meu pescoço. Toquei no pingente e sorri.
— Ebisu-san, vamos rápido. – avisa Baki, carregando as duas enormes malas da baa-chan como se não fosse nada.
Tou-san olho sério para Baki, assentindo.
Ele fez o sinal de cruz com os dedos e disse: “Jutsu Clone das Sombras”. Me fazendo arregalar os olhos ao aparecer duas cópias dele. O que eu acho ser o tou-san original me colocou em suas costas, enquanto os outros dois pegavam o resto das malas.
— Demora dois dias para chegar à fronteira, daqui para lá é com vocês. – avisou Baki.
— Hai, Baki-san. – tou-san se virou para a obaa-chan – Kaa-chan, a senhora aguenta?
— Humpf! Vai perguntar para os homens também ou só pra mim? – ela olhou cínica para o tou-san, que eu quase vi uma gota de suor escorrendo pela testa.
— Tá legal… — tou-san coçou a bochecha com o indicador – Hai, vamos lá!
Baki corria na nossa frente, tou-san – comigo nas costas – e a obaa-chan iam lado a lado, os dois clones atrás de nós, e o outro subordinado na retaguarda. Virei minha cabeça para trás.
— Até breve, ruivinho. – falei, olhando a entrada da Vila de Suna se distanciar cada vez mais.
— Ah, deixa disso! Tá me fazendo chorar! – disse Yami, já com várias lágrimas escorrendo pelo rosto.
— Você é muito chorão, Yami. – falou a obaa-chan, no tom brincalhão que eu não via desde que Kankuro-kun e Tema-chan passaram a nos visitar.
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Após dois dias, começamos a entrar em uma floresta e o clima já mudava, começou a ficar mais úmido.
Baki parou de repente, com a mão levantada.
— Nani? – otou-san perguntou.
O ninja de Suna olhou ao redor, foi quando uma chuva de shurikens foi lançada contra a gente. Me encolhi nas costas do tou-san. Ele pegou uma kunai e desviou todas elas da nossa direção.
Então três ninjas mascarados saltaram das árvores. Tou-san me colocou no chão e ficou em posição de luta e minha frente, do lado da obaa-chan, que tinha a mesma posição de luta.
— Kiri... – ouvi o tou-san sussurrar.
Ebisu Yamada
Um dos ANBU de Kiri apontou uma kunai para mim.
— Ebisu Yamada. – falou em tom neutro.
— Quem são eles, tou-san? – perguntou minha pequena, se encolhendo ainda mais em minhas costas.
— Ah, se minha artrite não me impedisse, eu acabava com todos eles. – sussurrou a kaa-chan.
— Kaa-chan, isso não é hora. – sussurrei de volta.
O líder da equipe colocou a mão na máscara e empurrou levemente para o lado, mostrando apenas um olho. Dourado. A pupila em fenda. Senti minhas mãos tremerem. Era ele. Após muito tempo, era ele.
— Ohayo, Yamada-kun.
Meu corpo entrou em choque e senti uma dor absurda na parte de trás do meu pescoço, caindo de joelhos. Não importa, nunca vai passar. Ouvi o som dos clones desaparecendo e das malas caindo. Ele ajeitou a mascara e caminhou calmamente até mim.
Narração
Os ANBU que o acompanhavam avançaram nos ninjas da Areia, afastando-os dos Yamada. O misterioso ninja do olho dourado se aproxima lentamente da indefesa família. Ebisu tentava se levantar com todo seu esforço, mas havia desacostumado com a terrível dor, que parecia estar pior que da última vez. A filha apertou os ombros do pai, murmurando um “tou-san…”.
Enma pegou duas shurikens e jogou na direção do ANBU, fazendo alguns selos.
— Jutsu Clones da Sombra Shuriken!
As duas shurikens se dividiram em cem, voando em direção ao ninja. Este, porém, sumiu antes de ser atingido. “Kuso!”, pensou a mais velha, trincando os dentes.
Ele apareceu atrás dela, forçando uma kunai contra seu pescoço. Deixou escapar uma risada cínica, e assustadora, na visão da garotinha. Yami pareceu que perdeu a coragem, pois Emi sentia o tremelique do transmorfo em seu ombro.
— Você sempre teve muita coragem, Yamada-sensei. – sussurrou no ouvido dela, dando um golpe na nuca, de forma que ela desmaiasse. Os olhos dourados disfarçados pela mascara se voltaram para a pequena de íris escarlate – Finalmente.
Emi apertou pescoço do pai, balançando e insistindo com a voz assustada para que Ebisu reagisse, sem saber da dor que ele estava sentindo. O ninja se aproximou da pequena, com a intenção de captura-la.
— Dança do Shikigami: Punição.
Para surpresa da criança, papeis vindos de Kami-sabe-aonde foram à direção dele, que se afastou alguns passos para trás, formaram um redemoinho a sua volta, prendendo-o. Então uma lança feita também de papel o atingiu, no lado direito do peito.
— Maldição… – praguejou, em sussurro, o ninja – RECUAR! – Emi havia até se esquecido dos ANBU e dos de Suna. Os de Kiri logo recuaram e sumiram em uma cortina de fumaça com o ninja.
Ebisu arfou, a dor finalmente diminuía. Sentiu Emi escorregar de suas costas e logo já estava a sua frente, lhe encarando preocupada.
Emi Yamada
— Tou-san, o senhor está bem? – perguntei, preocupada, me ajoelhando na frente dele.
— Vou melhorar. – ele sorriu para mim, pude perceber que estava dolorido. Tou-san olhou ao redor – Onde… Onde ele está?
— Fugiu.
Olhei para trás. A mulher que tinha falado era realmente muito linda! Tinha cabelos azuis curtos, com uma muito bem feita rosa de papel azul presa ao cabelo, e olhos âmbar, não usava a bandana de nenhuma vila, sua roupa era um manto preto com nuvens vermelhas. Ouvi Yami soltar um “Woah!”, impressionado. Tou-san, terminando de recuperar o fôlego, olhou agradecido a ela.
— A-Acho que devo lhe agradecer...
— Lie. – ela respondeu, sem emoção, sem demonstrar nada – Não fiz por você. Fiz por ela. Ela precisa dos pais. – e olhou para mim, ainda escondendo as emoções – A ameaça se foi, devem chegar ao seu destino em breve. Sayonara. – ela se virou, caminhando alguns passos antes de eu a interromper.
— ESPERA! – gritei – Se fez isso por mim, eu que devo te agradecer. – me levantei e curvei-me par a mulher – Domo arigatou gozaimasu.
Ela me encarou sobre o ombro, consegui ver um mínimo sorriso, quase invisível, em seu rosto. E se virou. Um par de asas de papel surgiu em suas costas, então alçoo voo, como um...
— Anjo… – murmurei, maravilhada, olhando ela desaparecer pelo céu.
— Kaa-chan! – ouvi o tou-san exclamar. Virei-me de uma vez, fazendo meu amável morceguinho voar de seu esconderijo, a obaa-chan estava caída no chão, desacordada – O que ele fez? YAMI!
— Nani? – perguntou o próprio, voando de maneira torta até nós.
— Por que não fez nada?! – rosnou tou-san – Poderia tê-lo afastado!
— Tá doido?! – orokana-batto perdeu a coragem? – Aquelas íris amarelas hão de assustar o fundo de minha frágil alma. – ann?
— Nunca desejei tanto poder te matar.
— Ai… – OBAA-CHAN! – O que… Aconteceu? – obaa-chan arregalou os olhos e levantou de súbito, assustando o tou-san, que caiu sentado para trás – CADÊ AQUELA COBRA?!
— A Anjo expulsou ele. – respondi, atraindo a atenção da obaa-chan.
Ela pareceu querer dizer alguma coisa, mas os ninjas de Suna chegaram antes, Baki tentando estancar o sangue de seu braço esquerdo.
— Chegamos à divisa, afinal. – disse – Creio que conhece o caminho desde aqui.
— Hai. – respondeu tou-san, se levantando – Cuido daqui até a Folha. Preciso que mande um recado ao Kazekage-dono ao entregar o relatório, é de suma importância.
Ele voltou a sua expressão séria, se afastou com Baki e o outro ninja, enquanto obaa-chan se aproximava de mim. Ela se agachou e ficou analisando meu rosto, a procura de algum arranhão. Não encontrando nada, obaa-chan me abraçou, pude ouvir os soluços dela. Nande? Por que ela chorava? Não entendo. Certo que foi assustador, mas não aconteceu quase nada.
Obaa-chan se recompôs e tou-san voltou, dessa vez não estava sério, não demonstrava nada. Fez novamente o selo da cruz e cinco clones apareceram, pegaram as malas e logo já estavam prontos para partirmos. Tou-san original me colocou em suas costas de novo. Começaram a correr.
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Depois de um dia inteiro sem pausas, paramos diante de um grande portão para a entrada de uma vila. Konoha. Ela é muito grande, Kami-sama! Perto do portão, havia um homem e dois rapazes. O homem tinha longos cabelos castanhos e olhos brancos. Um dos rapazes tinha cabelos espetados brancos, uma mascara cobrindo metade do rosto e uma bandana tapando o olho esquerdo. O outro tinha os cabelos negros em corte de tigela e sobrancelhas enormes! Arg…!
KONOHA
Tou-san me colocou no chão e me guiou até aqueles três. O sobrancelhudo sorriu e abraçou o platinado de lado, que o encarou irritado. O homem se aproximou do tou-san e o abraçou. Pude ver que tinha uma garota atrás do homem, os mesmos olhos e o cabelo era um negro azulado, com o corte em hime. Ai, que fofinha!
— Há quanto tempo, Hiashi. – falou otou-san, sorrindo.
— Concordo, Ebisu-kun. – o cara respondeu.
— Oe, Ebisu-sensei! – exclamou o sobrancelhudo.
— Como vão garotos? – perguntou o tou-san – Emi, esses são Hiashi, Gai e Kakashi. – apontou para o sobrancelhudo e o cara da máscara.
— E aí, garota? – o sobrancelhudo veio até mim e estendeu o punho fechado, que eu bati com o meu. O acinzentado somente mandou um aceno pra mim e se curvou respeitosamente para a obaa-chan.
— Essa é a Hinata? – tou-san devia tá falando da garotinha.
Hinata Hyuuga
Meu otou-sama é a pessoa mais rígida que eu conheço. E ele simplesmente abraçou aquele moço. Eu só o vi fazendo com o seu irmão, o tio Hizashi, e com a okaa-san.
— Essa é a Hinata? – ergui o rosto para o homem, que sorria para mim.
Escondi-me atrás do otou-sama, agarrando sua roupa com força. Diferente de como achei que ele fosse reagir, otou-sama colocou a mão na minha cabeça e não falou nada sobre como devia me comportar.
— É sim.
— Ela se parece com a Tomone-chan. – ele… Conhecia minha kaa-chan? – Como ela está?
Senti meus olhos lacrimejarem, e algumas lágrimas já caíam, logo as enxuguei com as mangas da minha blusa. Otou-sama odiaria me ver frágil na frente dos outros, e na dele também.
— Acho que deveria falar com o Hokage-sama primeiro, Ebisu-kun. – ele desviou do assunto, otou-sama é sério, mas sei que ele ama minha okaa-san, a morte dela ainda o afetava, assim como afeta a mim, só temos jeitos diferentes de mostrar – Depois você se atualiza.
Emi Yamada
— Vamos, Ebisu. – falou a obaa-chan, passando pelo tou-san – Deixe o chá com os amigos depois.
— Ha-Hai.
— Fala sério, tou-san. – sacudi a cabeça negativamente.
— Gai, você ficará responsável pelo treinamento da Emi por uma semana, o que acha? – perguntou tou-san para o sobrancelhudo. Pera, Gai é o cara da força da juventude! Ferrou!
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O Sandaime Hokage era velho. Um jii-chan, praticamente. E ele não pareceu irritado quando lhe chamei assim, pelo contrário, ele balançou a cabeça e riu, soprando uma fumaça pelo cachimbo.
— Ela vai se dar muito bem com o Naruto. – ele havia dito. Vi uma expressão de surpresa nos rostos do tou-san e da obaa-chan, acho que devem conhecer a cria.
O Hokage, cujo nome é Hiruzen – porém preferi chama-lo de Sandaime-jii-chan—, disse que precisava conversar com o tou-san e a obaa-chan, chamando alguns ninjas para levarem as malas para nossa nova casa e dois ANBU – que eu reconheci pelo uniforme, graças aos pergaminhos do tou-san— para me apresentarem a vila.
O primeiro tinha olhos ônix e cabelos negros que eram amarrados em um curto rabo de cavalo, franjas emolduravam o seu rosto e se estendiam até o queixo, longas rugas abaixo dos olhos e um olhar gentil. O segundo tinha cabelo curto, despenteado, negro, olhos também ônix e um nariz relativamente grande.
— Sou Itachi – falou o que tinha o cabelo comprido – e esse é o Shisui, prazer.
Itachi-san se abaixou para ficar a minha altura, foi quando notei seus olhos. Eram vermelhos, com um estranho padrão circular com três tomoe negros. Senti uma sensação… Familiar. Esses olhos não me são estranhos.
— Seus olhos são vermelhos. – notei.
O outro, Shisui-san, sorriu para mim.
— É o Sharingan, pequena. – ele apontou para os olhos, que viraram negros de uma hora para outra.
— Sugoi! – exclamei – Sou Emi.
— Nome bonito. – falou Shisui-san – Vamos te apresentar a Aldeia, é meio grande, espero que dê tempo antes de escurecer.
Saímos do Prédio do Fogo – Itachi-san me disse que chamavam assim— e começamos a caminhar pela Folha.
Quando passamos por um beco, escutei som de chutes e xingamentos, então um grito de dor. Os dois morenos olharam na mesma direção e, acho que iriam verificar, só que eu corri antes. Eles chamaram meu nome, mas não olhei para trás.
Havia dois adultos chutando um borrão colorido, não consegui ver o que era. Ouvi um choro e uma voz pedindo para que parassem. Kami-sama! Era uma criança!
— OE! – gritei, chamando a atenção dele, que pararam de chutar a criança. Consegui ver a vitima, um garoto loiro, as manchas coloridas eram tinta em sua camisa.
— O que você tá fazendo? – sussurra Yami.
— Vocês não têm vergonha, não? – interroguei os adultos.
Naruto Uzumaki
Nande? Nande? O que eu fiz para eles em troca de tanto ódio?
Fui barrado em um beco por dois homens. Começaram a rir, me chamando de monstro, maldição, encrenqueiro, e etc. Eu já estava mais do que acostumado com isso. Mas eu não devia ter virado as costas para eles. Foi quando me jogaram no chão e começaram a me chutar.
Senti algo molhando meu rosto, escorrendo pelas minhas bochechas.
Lágrimas… Estou chorando.
Um deles acertou meu braço e eu ouvi algo quebrando. Um soluço cortou minha garganta. Outro baque, minha canela, mais um soluço. Outro baque, minha costela, outro soluço. Dessa vez me quebrarão inteiro. Pus meu braço ainda inteiro protegendo minha cabeça.
— OE!
Agradeci mentalmente a quem quer que os tenha feito parar. Mas logo temi que essa pessoa só quisesse se juntar. Afinal, que diversão maior para os civis do que esmurrar o órfão Uzumaki?
— Vocês não têm vergonha, não?
Na… Ni…?
Emi Yamada
— É o Naruto-kun, de novo. – falou Itachi-san, seus olhos estavam com o Sharingan.
Naruto… Era desse cara que o Sandaime-jii-chan havia falado mais cedo. Agora que eles vão conhecer a minha fúria!
“Aposto que vão” – disse Shadō.
“Cala a boca!” – mandei.
Itachi-san deu um passo à frente. Vi que os dois recuaram um passo.
— Se não pararem e forem embora agora mesmo, conhecerão o Sharingan de um Uchiha. – ameaçou, frio.
Entre pedidos de desculpas e se cagando de medo, os dois homens saíram correndo, sendo observados pelo olho vermelho do Itachi-san. Nossa! Queria poder assustar os outros assim.
Cheguei perto do loirinho, olhando, preocupada, seu corpo. Percebi que sua perna estava torcida de um jeito muito anormal.
Naruto Uzumaki
— Você ainda está acordado?
Tirei meu braço do rosto. Uma garota, com cabelos negros curtos, pele bem branca e olhos incrivelmente vermelhos. Ela analisou meu corpo com uma expressão de… Preocupação? Como…? Ninguém nunca me olhou assim. Sequer tinha alguém que se preocupasse comigo.
— Shisui-san, Itachi-san, temos que levar ele pro hospital. – ela falou. Com muito esforço, consegui ver dois rapazes na entrada do beco, reconheci os dois. Eram dois dos poucos que não mostravam agressividade comigo.
Senti uma enorme dor quando o de cabelos curtos me levantou, gritei tão alto que a garota e o de cabelos longos taparam os ouvidos.
— Gomen, gaki. – o que me segurava sorriu, mesmo que parecesse dolorido – Pode me chamar de Shisui, vou te levar a um médico. Tá legal?
Assenti dolorosamente. Meu corpo inteiro doía e eu não consegui mexer minha perna e meu braço esquerdo, o outro estava cheio de roxos e marcas que demorariam muito a passar, e eu terei que cuidar delas sozinho.
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Emi Yamada
— Vou reportar ao Hokage-sama. – falou Shisui-san, saindo da sala onde tinha levado o Naruto, ele colocou a mão na minha cabeça, sorriu e foi embora.
— Itachi-san, o garoto vai ficar bem? – perguntei a ele, que fez uma careta.
— Vai, nossos médicos são muito bons. – respondeu, se virando pra mim – Poderia não me chamar de Itachi-san? Não sou muito fã.
— Posso te chamar de Itachi-aniki?
A careta se desfez, dando espaço para um sorriso discreto. Ele fica mais bonito assim. Pouco tempo depois, um médico chegou, segurando uma prancheta e pedindo para Itachi-aniki assinar. Eu estranhei. Meu primeiro pensamento foi que ele era irmão do loirinho. Como eles não se pareciam em nada, logo afastei isso da minha cabeça.
O médico autorizou nossa entrada, se quiséssemos, e Itachi-aniki perguntou se eu queria vê-lo. Já deve ter imaginado qual minha resposta.
O Ninjutsu médico de Konoha era incrível! Os membros quebrados do garoto já estavam engessados e os demais machucados menos sérios enfaixados. Mais impressionante que isso só uma ninja médica da Vila da Grama, que curava completamente, apesar dela se machucar no processo.
— O chakra dele é enorme. – sussurrou Yami, para que Itachi-nii-san não o ouvisse – Só não maior que o seu.
— Ele é o Jinchuuriki da Kyuubi. – Itachi-aniki falou de repente e eu arregalei os olhos.
— Ji-Jin-Jinchuuriki?!
Ebisu Yamada
— Entendo. – falei por fim – Naruto, o moleque do Minato-kun e da Kushi, é o Jinchuuriki agora.
— Sim, e as pessoas não aceitam isso muito bem. – diz Hiruzen-sensei.
— O garoto deve sofrer muito. – falou kaa-chan.
— Eu queria encontrar alguém para ficar com ele. – o Hokage declara – Mas não consigo contatar Jiraya, muito menos Tsunade, Shikaku-kun e Inoichi-kun são muito ocupados com a Divisão de Inteligência, Fugaku-kun e Hiashi-kun são muito reclusos aos clãs, Natsumi-chan não tem condições de sustentar outra criança além da TenTen-chan, e Kizashi-kun morre de medo dele.
— Kizashi sempre foi uma galinha, mas não achei que negaria isso a Kushina. – franzi o cenho – Ele vivia enchendo ela, porém a amava como uma irmã. Mas e a Mebuki-chan?
— O medo rege os homens. – proferiu a kaa-chan.
— Muito sábia, kaa-chan. – elogiei, mas claro que ela não levou como isso, e me deu um soco na cabeça.
— O QUE VOCÊ QUER DIZER COM ISSO?!
— Enma-san… – ouvi o Hokage murmurar.
Enquanto eu massageava minha cabeça, alguém bate na porta e Shisui entra, com o semblante sério.
— Hokage-sama. O Naruto-kun foi atacado. – informou.
Arregalei os olhos, sentindo uma pontada na nuca.
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Itachi Uchiha
Emi ficou ao lado de Naruto-kun o tempo todo depois do que falei. Sei que confessar informações oficiais é proibido, principalmente essa, mas eu não falaria se não soubesse que podia. Nem sei por que falei, foi num impulso, algo que não costumo fazer.
— Ele não tem pais? – perguntou.
— Morreram no dia que Naruto-kun nasceu. – respondi.
— Deve ser triste não ter uma família. – ela falou, me fazendo sentir um aperto no coração – Conheci algumas pessoas que não tinham ninguém e acabaram se perdendo.
Sasuke…
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Emi Yamada
O médico ninja responsável pelo Naruto praticamente nos expulsou do quarto dele. Eu nem tinha percebido o tempo passar, já estava quase anoitecendo.
Itachi-nii-san me levou para uma casa perto do Prédio do Fogo, ele diz que foi informado de onde eu moraria, pelo menos até termos que nos mudar de novo. Ele falou que nos veríamos em breve e foi embora. Então eu entrei.
Obaa-chan estava sentada no sofá, bebendo uma xícara de café. Otou-san estava ao seu lado, com um sorriso que mal cabia no rosto.
— Até que enfim você chegou! – ele exclamou, animado. Puxou-me para sentar no sofá e ficou em pé, à frente minha e da obaa-chan – Tenho algo a dizer!
Obaa-chan jogou uma bandana preta para otou-san, essa tinha o símbolo da Folha, o sorriso dele aumentou.
— Não vamos mais embora. – declarou o otou-san.
— Como assim? – questionei.
— A partir de agora – ele disse, amarrando a bandana preta na testa, e sorri –, eu volto a ser um ninja de Konoha.
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