Yakusoku

65 Capítulo 65 - Sakura Goodbye


Notas iniciais
Sakura Goodbye - Scandal

http://letras.mus.br/scandal/1510848/traducao.html

O sábado chuvoso se arrastava lentamente, da maneira agradável que apenas os sábados chuvosos conseguem fazer. O frio já estava se despedindo, e o inverno terminando, e quando a primavera retornasse completamente, trazendo consigo as flores de sakuras, os alunos do sexto ano da escola Seiyo, estariam se formando, e iniciando o ensino ginasial.

Essa era uma época atribulada, em suma para os guardiões, que além de lidar com a própria mudança de escola, ainda tinham que organizar a festa de formatura como parte de seus deveres. Tadase, o responsável pela divisão das tarefas, deixou as garotas cuidando da festa em si, e elas deveriam estar agora comprando as coisas para a decoração do salão, no shopping. Enquanto isso, ele e Nagihiko, ficaram a cargo do anuário, que seria a lembrança da formatura dos alunos, com fotos tiradas durante aqueles anos, de todos os eventos, das aulas e tudo o mais que fosse importante colocar. Tadase podia ser muito perspicaz na hora de delegar funções, quando queria.

Eles estavam na casa dos Fujisaki, mais precisamente, no quarto de Nagihiko. Os pais dele estavam viajando em uma conferência de Dança Tradicional durante todo o final de semana, e Tadase estava absolutamente feliz por ter decidido fazer isso logo nesse dia.

Sentados no chão do quarto, eles estavam rodeados de fotos e mais fotos, de todos os alunos que estavam se formando. A maioria havia sido tirada pelo jornal da escola mesmo, mas havia umas exclusivas cedidas de bom grado pela própria Yaya. Algumas já estavam separadas em um canto. As fotos dos guardiões estavam ainda em outra pilha, pois o anuário deles seria diferente dos demais alunos, com fotos mais pessoais, por sugestão de Tsukasa.

— Acho que essa ficaria bem para o clube de jardinagem – Tadase separou a foto do jardim da entrada da escola, com as garotas que faziam parte do clube, e colocou as outras fotos de volta na caixa. – E essa… acho que não está tão boa…

— Ah, você lembra quando tiramos essa, no verão? – Nagihiko mostrou uma foto de todos em frente ao hotel em que ficaram hospedados – Vou colocar essa no álbum dos guardiões…

— Nós fizemos tantas boas memórias durante esses anos todos, não é Fujisaki-kun…? – Tadase murmurou, olhando para todas as imagens dos seus momentos felizes junto com os amigos – Só de pensar que daqui a pouco mais de um mês, nós vamos estar em uma escola completamente nova, com colegas diferentes…

— Não precisa se preocupar, Hotori-kun – Nagihiko sorriu tranquilamente. Tirou as fotos da mão de Tadase, delicadamente, e se aproximou, depositando um singelo beijo nos seus lábios, e então, deitando sobre as pernas cruzadas dele, como se fosse apenas algo natural a se fazer – Eu vou estar lá com você, lembra? Se não bastasse isso, a Amu e a Rima também vão. E ainda, Kukai vai estar lá também, e vai ser de novo nosso senpai. Vai ser divertido mudar um pouco, não é? Nessa escola, não vai haver nada sobre guardiões, e então, provavelmente, não seremos seguidos o tempo todo. As garotas vão ser mais velhas, e não vão ser fãs malucas e perseguidoras também… nós vamos ter muito tempo para ficarmos juntos, desse jeito…

— Ah, você tem razão! – Tadase não havia pensado por esse lado. Seria realmente maravilhoso poder escapar furtivamente de vez em quando, sem o perigo de alguma garota histérica gritando por vê-los juntos. Mas o pensamento do que exatamente eles fariam ao escapar, fez Tadase corar furiosamente, delatando o rumo dos seus devaneios.

— Ei, você estava pensando em alguma coisa indecente, não é!? – Nagihiko riu, apertando o nariz de Tadase, e fazendo-o corar ainda mais furiosamente.

— C-claro que não! – ele tentou disfarçar, mas era apenas perda de tempo tentar esconder seus pensamentos tão evidentes de Nagihiko – M-mas, deixando isso de lado… você já pensou em que clube quer entrar, e essas coisas?

— Basquete, com certeza. Embora… bem, eu acho que seria interessante também tentar o Clube de Economia Doméstica, quero dizer, eu adoro cozinhar… e fiquei sabendo que tem um Clube de Teatro também, seria interessante… ah, é difícil ter tantos interesses diferentes… — Nagihiko lamentou, se confundindo.

— Eu acho que… se for o Fujisaki-kun… ele consegue fazer tudo isso ao mesmo tempo! E ainda mais! – Tadase exclamou, com ar de admiração, enquanto Nagihiko sorria de canto ao ver o semblante iluminado dele logo acima do seu rosto.

— Às vezes eu acho que você me superestima… mas, se fosse assim, eu teria menos tempo para ficar com você!

— Ah, é mesmo! – Tadase reparou, e então fechou os olhos, com ar de superioridade muito mal disfarçada – Então, acho que você vai ter que escolher entre esses interesses, e não acumular tarefas demais…

— É claro. Eu vou pensar sobre isso. Até por que… meu interesse maior é você… — ele sorriu mais uma vez, e pegando Tadase desprevenido, segurou-o pela nuca, descendo-o até que seus lábios se encostassem. Devido as posições em que se encontravam, o beijo foi rápido, mas o suficiente para fazer Tadase corar. Ele voltou a erguer-se, desviando o olhar. Distraidamente, começou a acariciar os cabelos de Nagihiko, em seu colo. – Eu você, Hotori-kun? Já pensou no que quer fazer?

— Bem, eu acho que talvez, eu devesse me candidatar ao Conselho Estudantil. Acho que organizar as coisas, e tratar dos interesses dos alunos realmente é o que eu gosto de fazer, então, gostaria de tentar… — ele coçou a bochecha, sem jeito – Acha que eu tenho chance?

— Está brincando? Você seria o melhor Presidente do Conselho de todos! E não haverá ninguém naquela escola que seja incapaz de votar em você, tenho certeza. – ele encorajou, fazendo Tadase rir – Vou ter que abrir uma brecha na minha agenda para ser o seu secretário, ou tesoureiro… por que eu não aguentaria ter que ficar longe de você enquanto trabalha. – ele ergueu a mão, acariciando o rosto do loiro – Sem falar que… hm, acho que você vai precisar do meu chá, não é?

— Claro! … eu não imagino ninguém mais ao meu lado além de você, Fujisaki-kun… E eu adoro o chá que você faz… — Tadase riu docemente, apoiando uma das mãos sobre o peito do maior – Nee… agora que eu paro para pensar nisso… acho que você vai ficar muito lindo no uniforme daquela escola…

— Ah, você acha? – Nagihiko sorriu, convencido – Você também vai ficar lindo. Embora eu adore ver você com a capa de guardião… E qual você acha que ficaria melhor em mim? O uniforme masculino ou o feminino?

— Os dois… — Tadase, mais uma vez, foi incapaz de escolher.

— Eu acho que em você, fica melhor… o uniforme de panda!

— Baka! – Tadase inflou as bochechas em sinal de irritação, mas isso só o fez parecer ainda mais adorável. Ele também deu um tapa em Nagihiko, que o maior nem conseguiu sentir. Tadase era péssimo em repreendê-lo. Era por isso… que Nagihiko sempre conseguia fazer com ele o que bem entendesse…

Ele se ergueu lentamente, aproximando-se de Tadase, e deixando-o encurralado contra a mesa de centro. O menor fechou os olhos, esquecendo completamente da sua irritação, e se antecipando ao que iria acontecer. Seus lábios se entreabriram naturalmente, apenas esperando. Nagihiko se aproximou ainda mais, segurando-o pelo ombro, e roçou os lábios de leve nos dele, descendo lentamente para a orelha.

— É melhor voltarmos ao trabalho! – sussurrou, sobressaltando o garoto, que esperava por mais. Depois disso, se afastou, começando a separar mais fotos, como se nada tivesse acontecido. Tadase piscou, atordoado, demorando um pouco para se situar. Quando finalmente a ficha de que Nagihiko tinha o enganado caiu, ele nem conseguiu ficar bravo. Pegou uma foto qualquer, e voltou a examiná-las, indignado consigo mesmo por ter caído nessa de novo.

— Que tal essa, para a página do clube de basquete, Fujisaki-kun? – Tadase mostrou a imagem, que continha todo o time reunido na quadra, durante um treino, aparentemente já esquecido de tudo o que acontecera.

— Eu prefiro essa… — Nagihiko sorriu, mostrando a foto tirada logo depois que ganharam o campeonato daquele ano, com Nagihiko segurando a taça, e Tadase ao seu lado, vestido de panda.

— N-não! Seria vergonhoso se todas as pessoas da escola tivessem acesso a isso!! – Tadase se apressou em pular em cima de Nagihiko, para tirar a foto da mão dele.

— Então vamos deixar essa no álbum dos guardiões, está bem? – Nagihiko riu, aproveitando a altura que tinha a mais para deixar Tadase bem longe daquela preciosidade – Você ficou tão fofo…

— N-não diga isso!! – o loiro ralhou com ele, corando rapidamente – Aquilo foi muito constrangedor…

— Mas graças a você, nós ganhamos o jogo! – Nagihiko sentou novamente, encostando o rosto no de Tadase, por trás – Ei, eu pedi para o capitão me dar aquela fantasia, sabia? Como recordação. Ela está lá em casa… Eu achei que ninguém além de você deveria vesti-la, seria uma covardia fazer qualquer comparação.

— O que? – Tadase engasgou, derrubando as fotos que estavam na sua mão pelo chão.

— Eu estava pensando… daqui a uns três meses será meu aniversário, então… acho que quero que você a use para mim de novo, o que acha?

— E-eu posso comprar um presente bem caro! – Tadase disse nervosamente, como se isso fosse uma ideia irrecusável.

— Não… eu quero isso de presente! Só isso me deixaria feliz… Eu quero você de presente… — ele deu um beijo na bochecha de Tadase, abraçando-o com força – O que me diz?

— Isso não faz sentido, porque… e-eu já sou seu… — ele murmurou. Nagihiko sentiu seu coração dar um solavanco, acelerando instantaneamente. Em um movimento rápido, ele girou e jogou Tadase no chão, espalhando todas as fotos, e colocou-se acima dele. – Fujisaki-kun! – Tadase ofegou – Você espalhou todas as fotos… agora teremos que arrumar tudo de novo…

— Não tem problema… É só que… Você deveria parar de ser tão adorável, desse jeito eu não consigo me concentrar! – ele repreendeu Tadase, e terminando com a distância que os separava, tomou os lábios dele para si. Segurando o rosto dele com a mão, Nagihiko aprofundou o beijo, sentindo as mãos quentes de Tadase abraçando-o com força, entrelaçando os dedos nas mechas compridas dos seus cabelos, enquanto correspondia ao seu toque.

Em algum lugar da mente de Tadase, havia a consciência de que eles deveriam fazer o que estavam ali para fazer, ao invés disso, mas isso rapidamente foi esquecido, assim que Nagihiko separou os lábios dele, levando-os dessa vez até o pescoço desprotegido do menor. Enquanto distribuía beijos e pequenas mordidas na pele lisa e macia, e ouvia os gemidos contidos que se tornavam cada vez mais frequentes ecoarem em seus ouvidos, Nagihiko desceu uma das mãos, invadindo o suéter para tocar diretamente o corpo de Tadase, sentindo-o tremer em seus braços.

— Ahn, Fujis…saki-kun… N-não! Nós não podemos! – Tadase tentava inutilmente se conter, mas Nagihiko calou seus protestos com mais um beijo ávido, e fez o loiro perder mais uma vez a linha de raciocínio. Depois de muitos minutos dessa maneira, Nagihiko finalmente se deu por satisfeito, e afastou-se minimamente do ofegante e esgotado Tadase, ajeitando um pouco as roupas dele, e deitando-se no seu lado, com seus rostos ainda bem próximos. Beijou seu rosto, aninhando-se a ele.

— A culpa é toda sua por ficar me distraindo… — ele reclamou, enquanto Tadase se encolhia em seus braços, deitados sobre todas aquelas fotos.

— Nee… Fujisaki-kun? – Tadase chamou timidamente, escondendo o rosto no peito de Nagihiko antes de falar. Ele estranhou o tom de voz tão comedido que Tadase estava usando, e se preocupou – Você… já pensou no que vai fazer no futuro…?

— O que?

— B-bem… eu andei pensando muito, e… eu percebi que as coisas podem ir bem rápido a partir de agora, sabe? Nós estamos indo para o Ginásio. Daqui três anos, iremos para o Colegial… e depois disso… b-bem, eu não sei… — ele ergueu os olhos demonstrando toda a aflição que sentia — Eu tenho muito medo… de que nós acabemos indo por caminhos diferentes demais…

— Hotori-kun… — Nagihiko estava um pouco surpreso com as preocupações de Tadase. Ele realmente não tinha pensado muito nesse assunto, e para ele, viver ao lado de Tadase era um fato consumado. Era complicado pensar que eles pudessem seguir para lugares diferentes, seja qual fosse o motivo – Eu ainda não sei o que quero fazer depois disso, mas, você pode ter certeza… eu jamais escolheria algo que me levasse para longe de você.

— Mas, e se… por causa da sua dança, você tiver que ir para longe? Você não ficaria mais feliz se pudesse dançar em algum lugar maior, em alguma escola especializada?

— Não. – a resposta veio clara e sucinta. Tadase sentiu a voz de Nagihiko reverberando através do seu peito – A minha felicidade está onde você estiver. E não importa se eu for dançar aqui, ou em qualquer lugar do mundo… só você pode me fazer feliz dessa maneira, entende? Então, sem você, eu não estaria completo, e a dança apenas perderia o sentido de existir para mim… por que um dançarino só pode dar o melhor de si no palco, se estiver pleno e em paz por dentro…

— Fujisaki-kun!! – Tadase o abraçou com força, agarrando-se às suas costas com as mãos – Me desculpe por ter sido tão tolo! Eu não devia ter tido qualquer receio ou dúvida sobre isso…

— Está tudo bem… — Nagihiko acariciou o rosto dele levemente, descendo os dedos até o canto dos lábios, e voltando para os olhos escarlates, que estavam olhando diretamente para ele – Até por que, nós temos uma preocupação muito maior, e muito mais próxima!

— Nós temos? – Tadase alarmou-se, arregalando os olhos – O que?

— Yaya no comando do Royal Garden! Você não consegue prever o caos e a desordem completa?? – Nagihiko entoou dramaticamente, e Tadase riu alto, com a exageração. Ou talvez… não fosse uma suposição assim tão exagerada… – Eei, o que temos aqui… — o valete pareceu encontrar alguma coisa realmente valiosa em meio a todas aquelas fotografias espalhadas no chão. Ergueu a mão até perto da cabeça de Tadase, e resgatou-a de lá – Essa daqui com certeza não pode faltar no álbum!

— Deixe-me ver! – Tadase tirou-a das mãos de Nagihiko antes que ele pudesse se opor. E lá estava, a foto que Tadase nem poderia imaginar que ainda existia, tirada em um passado longínquo e remoto do qual ele mal podia se recordar. Encarou por poucos segundos o seu próprio rosto, corado e amedrontado, e usando a versão feminina do uniforme de Seiyo, enquanto tentava, inutilmente, esconder aquela vergonha com as mãos. Mais ao fundo, Kukai estava sendo descaradamente despido por um sorridente Nagihiko, que parecia apenas tranquilo com toda aquela situação. – Nãaao!!!!! – Tadase gritou, sentando-se no chão em um rompante. Não sabia se gritava, se rasgava aquela foto, ou se brigava com Nagihiko por ter tirado a roupa de Kukai tão simplesmente naquela ocasião.

— Por que todo esse escândalo? É uma bela foto! – Nagihiko retirou a preciosidade das mãos de Tadase, antes que ele fizesse algo drástico – Você ficou tão lindo nesse uniforme! E esse seu semblante de puro desespero… ah, acho que não posso mais aguentar… estou apaixonado pela Tadako-chan!

— Pare de rir de mim! – Tadase se ergueu, se esforçando e muito para tentar parecer alguém severo – V-você não vai colocar essa foto aí, vai?

— Claro que não! Se eu colocar, todos vão ver o quão adoravelmente atraente você pode ser, e eu definitivamente não quero nenhum garoto correndo atrás de você, já basta aquele monte de fãs malucas. – Nagihiko bradou, seguramente – Mas essa foto fica comigo! Eu vou dormir com ela debaixo do travesseiro…

— O que?? – Tadase quase engasgou – M-mas que…

— Ara, você vai negar essa pequena alegria a mim? – Nagihiko o abraçou por trás, contornando a sua cintura – Vamos lá… eu quero ficar olhando para as suas belas pernas antes de dormir… — ele deslizou a mão por cima da calça de Tadase.

— E-eu deixo você ficar com a foto, mas pare com isso! – Tadase enfim conseguiu dizer. Voltou a sentar no chão, escondendo as pernas embaixo da mesa, só para garantir. Nagihiko riu, sentindo-se satisfeito por ter vencido, mais uma vez. – M-m-m-mas…

— O que?

— E-e-e-eu v-vou querer uma foto… d-das suas p-p-pernas t-também… — ele gaguejou, tão baixo que Nagihiko teve que se inclinar para ouvir. Ele escondeu o riso com a mão.

— Certo, vou procurar alguma foto em que a Nadeshiko esteja com uma saia mais curta… — ele disse, disfarçando mais uma risada ao ver que até as orelhas de Tadase estavam coradas, mas ele ainda assim assentia, enquanto tentava reordenar as pilhas de fotos.

Os dois continuaram daquela forma, trabalhando e brincando um com o outro, rindo e aproveitando o tempo que tinham juntos. Nagihiko fez um bolo e Tadase se sentia a pessoa mais sortuda do mundo por ter um namorado que tinha tantas habilidades. Depois disso, eles terminaram de escolher as fotos, e Nagihiko ainda escondeu mais algumas de Tadase, sem que ele visse, para juntar ao seu acervo pessoal, do qual o loiro nem tinha ideia que existia.

Depois disso, Nagihiko convidou Tadase para passar a noite ali, visto que o tempo ainda estava ruim, e seus pais não retornariam até o dia seguinte. Como as provas já haviam acabado há muito tempo, assim como o castigo de Tadase, a mãe dele permitiu.

Ainda chovia quando eles guardaram todas as coisas, e foram tomar um banho. Depois disso, se juntaram no sofá, escolhendo um filme qualquer – que não fosse de terror – e com um cobertor, um enorme balde de pipocas, e nenhuma preocupação na mente. Como poderia ser mais perfeito? Eles estavam um com o outro, estavam felizes. Iam se formar, e iriam para uma escola nova na primavera juntos. Tinham todo o tempo do mundo para se preocupar com os problemas, e buscar soluções. Mas esse tempo não era agora.

~

A semana iniciou nublada, como esperado, mas já não chovia mais tanto. Tadase e Nagihiko foram os primeiros a chegar ao Royal Garden, como sempre. Eles já não tinham mais tantas aulas, já que eram as ultimas semanas de aula, e tudo o que tinham para fazer era preparar a formatura, visto que não haviam pegado aulas de recuperação dessa vez. Nagihiko começou a preparar o chá, e servir os biscoitos que trouxera, enquanto Tadase largava na mesa o resultado do fim de semana de trabalho, as fotos separadas. Agora, só precisava entregar isso para o Jornal da Escola, que cuidaria da impressão e da organização. Não havia mais nenhum documento para assinar, nenhum assunto burocrático do qual tratar… apenas sentar, e esperar…

Nagihiko sentou ao lado de Tadase, depois de servir o chá para ele. O silêncio perdurou por mais alguns segundos, em que Nagihiko distraidamente brincava com a ponta dos dedos de Tadase. Ele suspirou, parecendo um pouco desanimado.

— É tão estranho estar aqui sem ter nada o que fazer… — Tadase murmurou – Será que nós não podemos adiantar um pouco dos assuntos do ano que vem?

— Os assuntos do ano que vem ficam a cargo dos guardiões que ficarem, Hotori-kun – Nagihiko continuou a acariciar a mão de Tadase, enquanto apoiava o rosto com a outra mão.

— Que neste caso, fica sendo a Yuiki-san! – Tadase exasperou-se, quase tendo um ataque do coração – Vai ser como naquela vez, dois anos atrás, em que eu deixei Yuiki-san a cargo das divisões dos clubes! Ela marcou todos os clubes no mesmo horário, e depois, todos eles brigaram na quadra de esportes!! Você se lembra, Fujisaki-kun? Foi o caos! E ela nunca vai conseguir ler todos aqueles documentos por inteiro! Ela vai fazer aviõezinhos de papel com eles!! Definitivamente, eu tenho que adiantar os assuntos do ano que vem… – Tadase já ia levantar-se e andar até o arquivo, quando Nagihiko o segurou pelos ombros, forçando-o a se sentar novamente.

— Eu tenho certeza de que não vai ser assim. Não se esqueça, Hotori-kun, Sanjou-san vai vir para cá ano que vem, a Yaya não vai estar sozinha – com essas palavras, Tadase pareceu relaxar um pouco – Ele não vai deixar ela fazer aviõezinhos de papel… e a Yaya vai se esforçar para ser uma Guardiã exemplar… eu acho…. Bem, você não pode impedi-la de tentar, certo? E de qualquer forma, acho que nós podemos vir visitá-los aqui de vez em quando, só para garantir…

— Mesmo? Nós podemos?? – Tadase ergueu os olhos, surpreso.

— Claro! E, mesmo que não fosse… acho que a Yaya não vai nos deixar em paz tão cedo… Bem, nós temos tantas lembranças boas daqui, é claro que não vamos poder deixar tudo isso para trás tão cedo! Vamos nos tornar um Valete Vagal… e um Rei Vagal, assim como o Kukai – ele riu, não muito alegre com essa comparação — … Afinal esse é o nosso lugar especial, não é?

— Sim… — Tadase sorriu, sentindo Nagihiko acariciar seu rosto, e inclinando-se para o lado dele – Está bem, eu não vou me preocupar mais, e vou confiar na Yuiki-san, e no Sanjou-san. Você tem razão, eu tenho que deixa-los seguirem em frente, e confiar neles… Até por que, o Tsukasa-san deve querer escolher um novo Rei, não é?

— Para mim, você será para sempre o Rei… — Nagihiko sussurrou, passando os dedos delicadamente pela franja que cobria a testa de Tadase.

— Obrigado, Fujisaki-kun… — Tadase agradeceu sinceramente, por muito mais do que apenas as palavras de incentivo, e fechou os olhos, aproximando-se e deixando Nagihiko o beijar.

— Mal começou o dia e já estão assim… — a voz monótona de Rima acordou-os do seu mundinho particular, de uma maneira brusca. Com o rosto em chamas, Tadase voltou para a sua cadeira, pigarreando e tentando recuperar um resto de dignidade e respeito.

— Yeeey~ A Yaya adoooora o fanservice de graça!! Podem continuar!! – a ás agitou os braços, esperando que eles realmente voltassem a se beijar como se nenhuma delas estivesse ali.

— Que podem continuar que nada! – Amu rebateu, cruzando os braços – Isso daqui é uma escola, Yaya!! E você, como guardiã, não deveria incentivar o mau-comportamento! Certo… Nagihiko-kun, você separou as fotos.

— Sim, estão todas aqui – ele entregou a caixa para Amu, tão sério como se nada daquilo tivesse acontecido.

— Ano… — ela corou ligeiramente, desviando o olhar – Aquela coisa… que eu pedi… você ainda pode…?

— Claro! – Nagihiko sorriu, e Amu assentiu, saindo logo depois para levar as fotos para onde elas deveriam ir.

— Do que a Hinamori-san estava falando? – Tadase não se demorou em perguntar, e Yaya teve que engolir o comentário de “que lindo, ele está com ciúmes”, por que sabia que não seria bem aceito naquele momento.

— Ela pediu para eu ajuda-la a arrumar seu cabelo no dia da formatura, apenas isso. – Nagihiko servia chá para Rima e para Yaya – Pelos velhos tempos.

— Ah, entendi – Tadase sorriu também – Certo… Mashiro-san, como foram as compras ontem?

— Horríveis. A chuva quase nos fez perder a viagem, eu molhei minhas meias, e perdi o especial de comédia da TV. – ela tomou um gole de chá – Mas, sim, conseguimos comprar todo o material para a decoração.

— A Yaya vai cuidar de tudo! Ninguém sabe deixar uma sala decorada como a Yaya, com certeza! – ela bradou – E, além do mais, vai ser muito mais divertido se for uma surpresa para vocês também, não é? Por que… estão todos se formando… e deixando a Yaya para trás… com o chato do Iinchou!!!! Não é justo!!!! — o humor dela mudou tão repentinamente que todos tiveram dificuldades para acompanhar o rumo dos pensamentos da ás. – A Yaya não quer que vocês vão embora!!!!!! – ela começou a chorar – A Yaya quer que vocês fiquem aqui!! Todo mundo! Não passem de ano, e fiquem com a Yaya!!! – ela agarrou o braço de Nagihiko, que estava mais perto – Não deixem a Yaya, Nagi, Tadase!

— Não seja mimada, Yaya! – Nagihiko ralhou com ela, embora estivesse usando um tom de voz gentil, como uma mãe tratando uma criança birrenta. – Ouça… nós ainda vamos estar aqui perto, e podemos visitar, assim como o Kukai faz! E você não deve falar assim do Kairi, ele vai ajudar muito vindo para cá!

— M-mas… não vai ser a mesma coisa!!! A Yaya vai sentir falta do love-love de você e do Tadase!! – ela fez beicinho – E… o Iinchou é muito mau! Ele vai forçar a Yaya a ler documentos!! E não vai fazer nenhum biscoito!!

— Ele não vai fazer isso! Você tem que cumprir suas funções, Yaya, não pense somente nos biscoitos! – foi a vez de Tadase falar.

— Então… arrumem um seme para o Iinchou, e fica tudo certo! – ela propôs, com os olhos brilhando ante a perspectiva.

— Você é um caso sem solução mesmo – Nagihiko suspirou, derrotado, deixando Yaya para voltar a sentar no seu lugar ao lado de Tadase. Logo depois, Amu retornou ao Royal Garden, e se juntou a eles. Depois de terminar de acertar os últimos detalhes referentes à decoração e à festa, não havia realmente muita coisa a fazer ali. Mas, estranhamente, nenhum deles queria ir embora tão cedo.

Ficaram na mesa, onde haviam se reunido durante os últimos anos, todos os dias, ouvindo as manhas da Yaya, as desculpas de Amu por ter se atrasado, os comentários irônicos de Rima, a insistência de Tadase em fazê-los trabalhar, tudo isso, motivados pelo maravilhoso chá de Nagihiko. Aqueles que estavam indo, sentiriam falta de tudo isso, é claro, até mesmo dos documentos que não acabavam nunca. E quem ficava, sabia que não seria mais a mesma coisa.

Uma a uma, as garotas tiveram que ir embora. Yaya ainda fez beicinho, mas como Amu havia convidado para comer alguma coisa no caminho para casa, ela foi sem pestanejar. Rima tinha que chegar cedo em casa, e antes que percebessem, já havia saído na frente. Por fim, restaram Tadase e Nagihiko. Assim como era no início.

Tadase se levantou, logo depois de Nagihiko, para ir para casa. Porém, tão logo deu o primeiro passo, recuou, sentando no degrau que dividia os dois níveis do jardim. Seu olhar estava parado, beirando à tristeza.

— Fujisaki-kun… Eu vou sentir tanta falta de tudo isso… — ele murmurou contidamente, segurando a alça da sua pasta com força. Nagihiko se aproximou, sentando ao seu lado, e apertando seu ombro carinhosamente.

— Nós ainda temos uma semana, Hotori-kun… — Nagihiko entoou carinhosamente, trazendo Tadase para seu ombro, acariciando as madeixas douradas.

— Mas… parece que já está tudo acabando! E-eu não sei… agora, olhando para esse lugar tão vazio, tão silencioso… eu estou tendo um mal pressentimento. Como se, quando nos formarmos e formos para a nova escola, nada vai ser como antes… eu estou com medo, Fujisaki-kun… — Tadase agarrou-se ao namorado, fechando os olhos com força para as lágrimas que se formavam não caíssem. Seria patético se ele chorasse por algo assim.

— Não vai acontecer nada disso… — Nagihiko sorriu, beijando o topo da cabeça do menor – Nós só vamos mudar de escola. Mas a Amu, a Rima, todos ainda vão estar lá! E no ano depois desse, até a Yaya e então o Kairi… E, acima de tudo, Hotori-kun… você pode ter certeza de que eu nunca deixarei o seu lado. Nunca, em hipótese alguma. Eu vou estar lá com você, quando chegar a primavera. E em todas as outras estações… Eu vou segurar sua mão, assim… e nós vamos enfrentar o que for, juntos. Está bem?

— Promete? – Tadase ergueu os olhos escarlate na sua direção, com as lágrimas teimosas que não desceram fazendo-o parecerem ainda maiores e mais brilhantes.

— Sim. É uma promessa! – Nagihiko riu, envolvendo o loiro em seus braços, e trazendo-o para mais um beijo, embora tivesse de ser mais rápido, afinal, ainda estavam na escola. – Vamos… — ele se ergueu, segurando a mão de Tadase – Vamos até a cafeteria na esquina, comer alguma coisa…

— Eu vou querer torta de frutas! – Tadase rapidamente se animou, esquecendo momentaneamente aquele sentimento ruim que havia o afligido minutos antes. Certamente, era apenas o receio natural, por ter que enfrentar algo desconhecido. Talvez, por ter pessoas mais velhas do que ele… ou por que havia a possibilidade de ele e Nagihiko ficarem em salas separadas… Mas, mesmo que isso acontecesse, eles ainda podiam se ver no horário do almoço, certo? E, nos feriados, e fins de semana, Nagihiko sempre seria todinho seu, como sempre. Não havia com o que se preocupar, nada mudaria. E eles continuariam juntos, de agora em diante, como Tadase tinha a certeza de que para sempre seria.

Notas finais
Yoo Minna-san! Shiroyuki falando~

Eu adoro esse capítulo, é tão fofinho *-* espero que vocês tenham gostado também... nesse clima de formatura, eles logo vão trocar de escola~as coisas irão mudar, certo?
Espero ansiosa pelos reviews, dizendo o que acharam! Por favor, não deixem de comentar, isso nos faz muito feliz!